a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

terça-feira, 21 de junho de 2016

Backlog

Quase um ano não dito. Não por querer. 
Por querer foi, digo, mas não de caso pensado. Muito houve. Tanto sempre há, pois. A ver.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A13, Km 30

Está quase escuro e o calor ainda não vergou. Levo mais de uma hora de caminho. Cruzo o Tejo, a Vala de Alpiarça, a Ribeira de Muge. Depois o Sorraia, a Ribeira de Santo Estêvão. Vou para a charneca. O luz que foge deixa entrever o bonito que isto é. 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Wee Hours

Voltar a casa mudou. Isto não antecipei. Estava certa de que os lugares que nos dizem respeito permanecem os mesmos para nós. Talvez não. Sente-se a ausência dos que nos são queridos, primeiro; o passar do tempo nos objectos conhecidos, depois. Um ar por renovar. A renovar.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Estremoz, Largo do Combatentes da Grande Guerra

Pensei que seriam vésperas, mas não. O terço seguia a meio na igreja de São Francisco, à cabeça daquela cruz latina tão bem definida. Que olhos não escapariam imediatamente para a esquerda, para o volume dourado que adiante se descobre? Uma árvore de Jessé, pode-se ler. Não conhecia. Não recordava sequer Isaías, troncos, rebentos. E ali está, sinuosa e escamada ao reparar mais vagaroso. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Agora

É uma língua que não chega à automação, o presente. Um esforço contínuo, espécie de concentração particular  da qual tiro modesto proveito.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Vila de Rei, Rua do Capitão-Mor

Conseguimos chegar quase todos aqui. Corre tanto, o tempo. As camélias abrem, sempre gostaram deste frio. À flor do dia é  tão clara a distância que vai de quem está bem para quem não. Deus seja por todos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cronos, Kayros, Aeon

Ainda que entenda e viva a necessidade de comunicar, inquieta-me de modo primário a perda do valor corpóreo do silêncio, a rejeição de qualquer forma ritual. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Lisboa, Rua Abranches Ferrão

Pesa-me a idade, o corpo, a consciência, pesa-me o que vou conservando para dia melhor sem razão especial. A quem servirá, este impulso de guardarmos tantas coisas por perto, para não serem esquecidas?

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Wee Hours

E por vezes acordo como quem está prestes a lembrar-se de qualquer coisa fundamental. Procuro razões próximas, tarefas, consultas. Nada. Só este alarme físico - uma atopia para além da pele.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sintra, Alto do Chão Frio

No estacionamento uma miúda finca pé à mãe - do banco do carro não arreda, não entrará no cemitério. O que mais sobra por aqui são vestígios desses: campas por colocar, covas abatidas, montes sem flores verdadeiras.  Este costume, velho de séculos, quem o observará, daqui a trinta anos? 

domingo, 2 de novembro de 2014

Massamá, Travessa Ruy Cinatti

Vários já foram adiante, hoje é dia de o(s) lembrar. Aparentemente repentinos, são sempre os mais recentes que nos pesam. Se os vimos, acarinhámos; se os tratámos o bastante. Não sei. Peço por que sim, que estejam bem.     

domingo, 19 de outubro de 2014

Metro, São Sebastião

A cidade está lavada, o que não durará. São os dias nos quais cada qual usa a estação do ano que quer, não a que o calendário diz.

Montemor-o-Novo, Rua da Horta das Almas

Onde se põe, esse impulso de cuidar de quem precisa de algo bem para lá da nossa mão? Que fazer ao instinto de proteger quem na verdade não pode ser protegido?

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Lisboa, Rua Serpa Pinto

Não se pode dizer que galgue com grande facilidade da alegria à contra-costa, mas já senti acontecer. Como quando (ali) não estive à altura do que consegui começar, ou como quando (aqui) não tive certeza de entender o que se deu. A seguir vem uma ansiedade que embacia tudo. 
Depois nunca sei que fazer.      

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Wee Hours

Continuo a sonhar com detalhes consideráveis mas muito prosaicos. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Arquivos

Tento reconstituir a lista de blogues - uns vivos, outros idos. Tinha escrevinhado o hipertexto num ficheiro, por isso tentei repô-la tal qual. O blogger estranha. Que mania, a da actualidade.

domingo, 5 de outubro de 2014

Em manutenção

Digamos que f##i inadvertidamente o meu querido template - cor, cabeçalho, links, tudo ao ar. Já o pc tem laborado num computedo lamentável, lentíssimo, pelo que não sei se não está à beira da morte natural. Isto é capaz de demorar.

   Logo agora que ando a aprender a perder a paciência.   

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Lisboa, Estrada das Laranjeiras

O movimento compassado dos miúdos do liceu pelas ruas compõe a mais feliz das impressões que Setembro agora me traz. Não está frio, quase não há testes nem trabalhos. Há tempo. Há-os sentados por todo o lado em conversa, passeio. Qual deles conjurará este ar tão ameno? Quem será outro em Outubro? E há os rapazes ainda capazes desse acto de gentileza clandestina - a companhia à miúda até à esquina da sua rua, paragem, estação de metro. E a demora impossível na despedida. Só e tudo, até ao outro dia.

sábado, 27 de setembro de 2014

Tantos anos

Pensei que me aconteceria mais adiante mas não. Bastou uma aluna salmodiar bem. Os de sangue crescerem em graça. Certo verso certo. A mim, esse choro simples e sem embaraços já alcançou.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Leiria, Rua Luís Braille

Uma das minhas tias que têm o vício da franqueza está a caminho dos noventa. A idade é um posto, a imunidade quase total. Deu-me há dias uma desanda bem dada, a mim e aos da minha geração: que não respondemos às cartas na volta do correio, quando ainda as sabemos mandar. Ia dizer que não, mas a verdade é que é verdade, sem ai nem ui.

Massamá, Rotunda Augusto Rendeiro

Muito mudou aqui, neste tempo. As lojas no centro, a face e a forma da estação, o sotaque dos vizinhos, a ementa nos restaurantes, o carteiro, o cheiro do pão. A arrumação da livraria, as crianças, as teclas dos multibancos. Eu. Não sei se muito, se o suficiente, se só por reacção. Tanto ou mais em trânsito.

C.2004

Este lugar fez dez anos. Não sei por que me continua a importar tanto. Venho cá pouco, eu e quem quer que seja. Ainda assim, sei que ainda não está acabado. Sinto que não acabou. 

[Eva Cassidy, Anniversary Song, «Time After Time», Steven Digman, c.2000]

terça-feira, 9 de setembro de 2014

EN-4, Km 18, Fonte da Senhora

É bom estar entre velhos e crianças, gente que não (se) ocupa todo o dia todos os dias com quase tudo. Não esperava que isso afiasse tanto a falta que me fazem os do meu tempo. Tanta, tanta falta. O que custa não poder ter esse vagar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ofícios


Nunca as soube fazer bem, mas sempre gostei de as fazer, as colagens. A cada caderno de trabalho reincido, jogando um jogo que não entendo bem.

sábado, 26 de julho de 2014

Argumentos

Sob a verdade possível fica um vão de medos, e o que mais lá há são fios de conversas que não deram pano para mangas. Ouvia hoje alguém repetir-me uma conversa simples, limpa, feliz e pensei nisto com o coração, todas as conversas que quis ter, cafés, gelados, mensagens sem retorno, que correram mal, em que me acanhei ou não persisti. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Wee Hours

Os gestos simples não são assim tão  fáceis de reaprender. Exigem foco, atenção. Mas são o melhor dos programas.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Porta

Trabalho num lugar a que chamam a porta. Entro e saio todas as semanas, e como eu milhares.    Tocam-se ali a Estremadura, o Ribatejo, o Alentejo. Acho-me mais longe de Lisboa do que realmente estou, e isso às vezes sabe bem - muitas não. Será estranho, sentir falta de uma terra que não é bem nossa? Mais que esta será, para já.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O mau do bom

Ser dos mais novos de um qualquer clã grande e unido garante infância boa. Garante também cuidados e perdas que parecem não acabar, nos anos do porvir.

Wee Hours

Ainda me surpreendo quando acolho uma resposta no exacto antípoda da esperada. Não me habituo, não sei porquê. Chegará a tempo de mim, o tempo de entender?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Toalha

Deve haver uma designação para as pessoas que estimam os objectos até ao dia em que estes morrem de morte natural. Se essa inclinação é uma forma de animismo, uma cronopatia, não sei. Talvez isso não seja importante. 
As consequências de tal inclinação são variadas: ligeiro desfasamento geracional, senso inadequado do que dizer, vestir, fazer, etc. A mais divertida delas consiste numa vertigem de familiaridade causada por qualquer coincidência à qual só o próprio dá nexo. 
Ilustrando: Segue-se uma das personagens masculinas mais tristes da ficção televisiva do séc. XXI, Don Draper, e, a dado momento,
[Sad Men (quero dizer, podia chamar-se assim)]

À primeira oportunidade, a pessoa abre a gaveta da cómoda de família só para confirmar, e, bem,

,
[a toalha (e um sabonete Ach.Brito dos novos, laranja e tomilho, só para fazer prova de vida)]

time-lag, estão a ver?     

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Barreiro, Rua Padre Abel Varzim

Não nasci noutro lugar, nasci neste por causa dele, deles. Uns poucos de beirões entre alentejanos e algarvios a ver de vida melhor. Foi a vez da gente que dizia cuf sem pensar em hospitais  modernos e caros, antes em trabalho certo, condutado daquele enxofre que enchia tudo.

terça-feira, 3 de junho de 2014


[John Adams,Harmonielehre; Part III. Meister Eckhardt and Quackie, 1985]

Da Vida

É uma expressão que a minha geração não usa, entre outras, mais conceptuais ou coloquiais. Quando a leio ou oiço não consigo pensar em juventude, vitalidade, eficácia máxima; sempre que alguém me fala na força da vida só me ocorrem os que conheci em luta contra um qualquer mal terrível, forte, ganhando ou não.

Wee Hours

Para onde irão/os nossos gestos,/perguntas,/quereres/sem resposta?/Sumir-se-ão?/Galgarão o ar/em que  os  pousámos?

Staccata

Meses de semanas staccate, dias por uma hora de um lampejo concertante. Anos neste fraseio de vida próximo da fantasia. Doppio. Semplice.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Encarnejar

é um verbo muito conjugado lá na região onde trabalho. Pode ser fruto do embaraço, do entusiasmo, ou dos dois.

[Parabéns aos meus queridos adversários benfiquistas - touchée.]

terça-feira, 13 de maio de 2014

Strasbourg, Quai des Moulins

Caminhei por ali comigo há dias. Também se viam represas, barcaças, pontes. Não como cá, nunca nada como cá. Isto por mor do filme que fala do rapaz que queria partir. O mesmo que acaba com a rapariga a chorar e rir por atacado, como costumo fazer. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Per Diem

Na bainha do dia vai cabendo música, já não é mau. Tenho ouvido o que boa parte da Europa tem dançado, Stromae. Paul van Haver é do melhor que aconteceu à musica popular em francês, nas  últimas décadas. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Wee Hours

Tenho apanhado o ciclo Kazan, ao menos.

Modo Funcionário

É uma grande porcaria, não chegarem as horas dos dias para ler nem escrever. Embrutece o espírito mais depressa do que seria de esperar, emaranhado que vai ficando nas tarefas, das relevantes às mais comezinhas.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Wee Hours

A confiança é um risco de cálculo indeterminável. Só deixamos de ser simples espectadores dos nossos desejos quando a pomos em marcha.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Na Rede

Nenhum livro te obriga a leres uma página específica, nenhum jornal te exige incessantemente a morada para poderes continuar a folhear, nenhuma revista te proíbe de saltares um anúncio por pelo menos dez segundos. Pior que nos ad men e proprietários dos mass media clássicos, há uma maneira de estar abusiva neste miúdos de Silicon Valley.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

[Bleu, K.Kieslowsky, 1993]

Dia de reflexão no monte. Há que levar um símbolo, uma oração e algo de comer. Chega.
Passei a ponte a ouvir na rádio uma cantora falar sobre certo estudo dedicado às doenças causadas pelos livros que lemos. Germes, bacilos, bactérias, fungos. Estava à espera do salto óbvio, do contágio espiritual. Nada.

Na Estepe

Para evitarmos imagens foleiras quando tentamos falar do campo afectivo, bem podíamos usar terminologia geofísica.

Estendais

Sempre tive instinto prudente. Isto não basta como explicação desse mal que é o ensimesmamento,  a falta de coragem sentimental. De onde nascem estes receios de arriscar nos outros? Que medo é este, que doença é? No tempo em que os prédios tinham estendais não era tanto assim. Quem decidiu que as cordas da roupa desfeiam fachadas?

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Línguas

É difícil pedir, sobretudo a quem nada pede.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Wee Hours

Sinatra, o homem que dormia como um soldado, não deixou aforismos memoráveis. Imagino-o, nas horas a que chamava pequenas (nós, altas), à escuta de histórias vagas, com vagares em extinção, passando por adormecido.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Sul Tevere



 
Damien Jurado, 'Everything Trying' [Caught in the Trees, 2008] 

Um filme, quando vale, demora-se. Como os belli trenini che non vanno da nessuna parte.

terça-feira, 18 de março de 2014

Roma, Via delle Quattro Fontane


Fui apanhada desprevenida, não estava à espera de gostar do filme a ponto de me comover. A inocência, a precariedade, a inquietação e a beleza, há algum tempo que não as via juntas no cinema.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Escrever

Como ler, escrever não passou a ser fácil. Nem sequer mais fácil. Entendo agora que mais velha, zangada,  ressumo um demótico tão inho que é quase certo que novesfora tudo.
Queria dizer limpo, justo, claro.  Mas tantas são as vezes que não digo quantas as que mal consigo dizer. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Uma Coisa de Cada Vez

Não tenho o dom da multifuncionalidade. Fazer, ou mesmo só pensar mais que uma coisa de cada vez,  raramente é comigo.

Sintra, Estrada de Mafra

Podemos trocar o verbo morrer por outros menos exactos e duros, como partir, desaparecer. Sinto-me todas as vezes tentada a fazê-lo. Depois, cabeça e coração a latejar a compasso, digo a palavra certa com uma surpresa sem sentido.

O Ver Morrer

Esse tempo desmedido, quanto baste para cansar tanto o estar sentado quanto o caminhar, para arrefecer as mãos e os pés junto à porta de entrada, para telefonar ou ver fumar, é do tamanho do que não podemos fazer por quem nos está a deixar.  Ver alguém querido no fim da vida, em sofrimento, é de  emudecer.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Wee Hours

Sempre gostei muito da expressão burocrática 'em tempo'  mais justa do que um lacónico p.s.. Ainda a uso nas actas e cartas. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

De que serve ler

Camilo em conversa com o seu grande amigo Ouguela tem sido ainda mais difícil do que esperava. É um carteado de coração na boca, muitos desabafos sobre maleitas próprias, o enlouquecer do filho, a morte súbita do enteado, os gostos e desgostos com 'tudo isso' lá de Lisboa, a neta pequena. Por isto fica a pessoa transida, quando por entre a escrita da tristeza cintila algo assim:

[Seide, finais de 1877]

(...) Este mau tempo, em aldeia, é pior que o inferno cristão, onde há o ranger de dentes, ainda mesmo para os que morreram desdentados. Imagina-me ou na cama ou no escritório, e as ramarias a rugirem como vagalhões de folhas e as vidraças a arquejarem, e eu a ver quando elas me fazem estilhaços na cara. Eu, se conhecesse um poeta bucólico, batia-lhe. Nesta casa só se divertem os patos que estão sempre em semicúpio nos tanques. Tenho um peru pequeno que treme de frio como um sabiá das trovas cariocas do Gonçalves Dias. Meto-o na cama comigo, e a Ana Plácido dá-lhe sopas de vinho para o aquecer.
(...) Depois, volto-me para os horizontes pardos onde as nuvens se retravam e despedaçam como grandes mastodontes, e pergunto aos céus de que serve ler.
(...)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Lisboa, Rua do Arco da Graça

Calhou ser atropelada no último dia de aulas, início dos anos noventa. O pai e o irmão trouxeram da arrecadação a cama articulada em que a mãe da mãe viveu nos últimos dias de um Verão não muito anterior. 
Leu. Enjoou às olimpíadas nos dois canais de televisão. Foi à fisioterapia.
O medo do lugar do pendura pesou durante muito tempo, tanto quanto o do condutor. Tirou a carta tarde. Apeada, atravessava as ruas só ao fim de um bocado, quase sempre a correr. 
Trabalha longe, hoje. Em quelha estreita ou auto-estrada ainda acusa a vertigem da velocidade.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Continuando

, chamo a atenção de quem desistiu da rtp2 para a aparição semanal da versão do Stoppard de Parade's End. Não serei o que recentemente se convencionou chamar uma cumberb#tch, mas aprecio um trabalho bem feito.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Mons, Rampe Sainte-Waudru


Da torre sineira à colegiada o caminho é curto, um pouco íngreme. Penso no que quero para mim, sem costume. É boa hora.

Richebourg, Rue du Grand Chemin


[Dezembro, '13]
Passando o portal, o canteiro de lápides difíceis de ler tem por ponto de fuga esta haste. A dignidade do lugar é mantida pelos que foram ver de vida em França, o que diz muito de nós.


Custa que a cor erodida seja a dos que compareceram à chamada. Resta-nos estar à altura do verde que há.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Aachen, Annastraße

Antes de ser catedral, esta era a capela palatina do homem a quem chamaram pai da Europa. Imagino-o quase como o dizem as crónicas: alto, sólido, atento, obstinado. Duro. Ali está, na abside de um dos mais belos polígonos que já vi, um desconcertante encontro entre levante e poente. Por que terá rezado ele, aqui? Por quem?
Lá fora fecham um mercado sazonal à moda teutónica - brinquedos em madeira, vinho quente, bolinhas de porcelana, couve-flor frita. Cirando, peço pelos meus, por quem passa, por nós, por todos.


Feliz Natal.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Wee Hours

"And now the sun has broken through, it looks like it will stay
Just can't have you comin' home on such a rainy day
The train is leaving Ellensville, unless my watch is fast
The kids are comin' home from school, must be quarter past
So many changes since you've been away, and there's so many things to say
This time around you'll want to stay, 'cuz I've had so many nights to find the way
Even bought that summer cottage yesterday, pretty soon I'll be close to you
And it will be so good, we'll talk about the part of you I never understood,
And I will take good care of you, and never let you cry
We will look so much in love to people passing by
So many changes since you've been away, and there's so many things to say
I wrote so many times and more, but the letters still are lying in my drawer
'Cuz the morning mail had left some time before
All the passengers for Allentown wait closer to the track
It's hard for me to realize you're really coming back
The crossing gate is coming down I think I see the train
The sun has gone and now my face is wet with heavy rain
The passengers for Allentown are gone, the train is slowly moving on
But I can't see you any place, and I know for sure I'd recognize your face
And I know for sure I'd recognize your face."


Robert Gaudio / Jake Holmes ( 'The Train', gravada em 1970 para 'Watertown', por F. Sinatra)

Montemor-o-Novo, Rua dos Almocreves

Não encontrei piquete à entrada, só desapontamento e sarcasmo. Deixei-me avaliar durante as avaliações dos miúdos, as actas, os ensaios e as planificações por saber que desperdiçar oportunidades de trabalho futuras não é luxo ao meu alcance. Não tendo nada contra avaliações, tenho muito contra políticas às três pancadas, pagamentos à cabeça, matrizes sem cotação, componentes comuns que exibem dois terços de cálculo contra um terço de língua. A má fé e a miséria executiva desaguaram nisto, na minha sala: uma descompensada a chamar filha da p#ta a uma das vigilantes ainda antes de tomar o lugar, telemóveis a tocar, gente que continuou a conversar depois do toque. Depois desse dia amo tanto o meu país quanto até então. Mas com um amor mais cansado.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

So Sing

[Eva Cassidy/Steve Digman, Anniversary Song, c.1989]


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ouvidoria

No fim de semana, durante os concertos da escola, fui tomada por um nervoso miudinho muito parecido com o dos saraus, agora em segunda mão. As saudações de princípio e fim de acto, na sua coragem e desamparo, dizem volumes sobre cada músico.