Demorei anos a perceber de cartas. Mapas, quero dizer. Reconhecer signos e calcular escalas não me foi difícil, utilizar a bússola também não. Mas fazer corresponder um desenho à tridimensionalidade do mundo físico, à sua imparável mutação, foi. Ainda o é, em muitos dias.
a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória
sexta-feira, 30 de junho de 2006
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Coisas que Só A Mim Apoquentam XXXI
O novo luso uso e abuso da palavra kitsch. Não me venham com ai não sei quês, amigos, que em português podemos lançar o nosso anatemazinho contra o mau-gosto recorrendo a categorias esteticamente bem mais precisas e menos pretensiosas. Por exemplos: se entramos num restaurante e há um enorme sapo em faiança para esconjurar ciganos, dizemo-lo kitsch por alma de quem, se o que ele é é simplesmente rasca? Se a nossa tia-avó insiste em pejar a casa de arranjos florais verde-radioactivo em plástico puro, chamamos-lhes kitsch porquê, se o que eles são é absolutamente foleiros? E já agora, se continuamos a usar uma t-shirt puída, apertada e um tamanho abaixo, comprada à porta de um concerto dos GNR há quinze anos, por que é que não admitimos que ela não nos dá hoje um ar kitsch, amigos, mas sim bera à brava?
quarta-feira, 28 de junho de 2006
Cinco Quilos Já Lá Vão
Mas - diz a balança-tipo-relógio-pólis, e o senhor doutor também - ainda faltam um mínimo de quatro e um máximo de doze. Dez, portanto. E muita-muita rabujice. Bem feita para mim.
Não (E Ainda Bem)
"Crois-tu donc qu’on oublie autant qu’on le souhaite?"
Comentários Footeis, 2
Verei o Portugal-Inglaterra algures na Cantuária. Torcendo para que não façamos figura de moleiro.
sexta-feira, 23 de junho de 2006
Baixas
Quando estou ansiosa ou angustiada, quando se aproxima o fim de um trabalho importante, quando padeço de outra verdade inclemente saída da boca da minha mãe, arrumo papéis. Saio à rua, compro arquivos, dossiers, separadores, micas, autocolantes, e depois pego de caras o acumulado de semanas, por vezes meses. Não fico muito melhor, mas fico um bocado. Desta vez vez não. Depois da limpeza, dou com os meus velhos cadernos de notas debaixo dos postais de aniversário dos amigos, dos horários do comboio tomarense e do expresso lisboa-sertã, aqueles que substituíram os diários de criança e nos quais durante muitos anos tentei escrever alguma coisa. Versos e contos, o costume. Ao abri-los e relê-los não me reconheço, mas também não me embaraço. Não são muito maus. Toma-me uma enorme tristeza, não só porque ali jazem várias dezenas de histórias inacabadas e ideias a que não dei corda, como sobretudo porque não posso fazer nada por elas. São baixas do tempo.
Coisas Que Só A Mim Apoquentam XXX
"Não costumo dizer o que sinto, mas aproveito o que sinto para dizer qualquer coisa."
Li em algum lado que Ruy Belo tinha dito isto. Não sei onde, nem sei se é verdade.
Vá, Sejam Interactivos
Daqui a uns dias vou a banhos para o reguengo da rainha. Digam aí, na vossa viajada opinião, que coisa é absolutamente imperdível em Londres.
quinta-feira, 22 de junho de 2006
Six Feet Under Notes
Vemo-lo regressar à casa do pai, no primeiro episódio. Neste último também. Se me pedissem para contar esta história, diria que era uma vez um homem que trazia a morte consigo e não a teve até estar pronto. Sei que há um epílogo, ou três, que continuarei a acompanhar e a comentar, tanto quanto sei que esta história acaba aqui. Tudo o que tem um princípio tem um fim. Fim quer dizer propósito.
segunda-feira, 19 de junho de 2006
E Por Falar Em Responso
Como de hábito, meti-me na Carreira Transatlântica para ver o que havia de novo. Rafael Galvão é um dos melhores da banda de lá, por isso passei, como de costume, pelo seu homónimo blogue. A 13 de Junho, por coincidência ou nem por disso, o aracajuense escreveu um post que é um responso em favor de quem não sabia quem andava a perder. Em dia de António, Rafael apresenta Antônio. Mais precisamente Antônio Maria Araújo de Morais. É, para mim, uma das descobertas do ano. Obrigada, Rafael.
Six Feet Under Quadras [Ena, Ao Fim de Oito Dias Isto Já Funciona Normalmente]
António, antes Fernando,
Teve por missão pregar.
Distraí-me, a ele brindando,
Deixei um mortinho© escapar!
Que pobreza franciscana,
Ó popular professor!
Sair à noite, de semana,
Sem ter dvd-gravador...
Um pouco à laia de teste,
Do antigo responso saquei;
E não é que no blogue A Peste
Uma bela nota encontrei?
Muito grata, santinho rico,
Assim não perco fio à contenda.
Fazem-me falta o Federico,
Os Fisher, o Keith e a Brenda!
[isto era para ter sido publicado há uma semana, mas o ISP não deixou, vai assim requentado, paciência]
domingo, 18 de junho de 2006
A Resposta É:Sim
O netprubrema obriga-me a postar modelos-de-sms (a resposta é: sim; reunião às; lamento; vejo-a às).
sábado, 17 de junho de 2006
sexta-feira, 16 de junho de 2006
O Blogger É De Pádua
Estou há três dias a tentar postar umas quadras sobre o Santo António de Lisboa e o sacana não me deixa. A ver se é hoje.
quinta-feira, 15 de junho de 2006
quarta-feira, 14 de junho de 2006
sexta-feira, 9 de junho de 2006
Faltam Quarenta Dias Para O Concerto Dos Pixies
, ainda.
Não sou fã desde 1986. Nessa altura andava pelo recreio da primária preocupada com o futuro dos Wham!, enquanto uma das minhas primas mais velhas fazia a caridade de mos gravar numas cassetes BASF cor-de-laranja. Lá pelo sétimo ou oitavo ano dei-me conta da existência de uma banda cujo guitarrista-cantor tinha um penteado à Coronel Kurtz, mas mais nada. Genuína curiosidade só no décimo, depois de o meu amigo Bruno demorar uma semana a recuperar do choque causado pela morte do quarteto mais importante do seu mundo, regressando ainda de luto. A poucos meses de ver o quarteto mais importante do meu, entendi que se aquele magricela de olhos azuis-escuros e cabelo da cor da t-shirt do macaco com halo sofria assim, era porque era capaz de valer a pena ouvir. E foi.
Não sou fã desde 1986. Nessa altura andava pelo recreio da primária preocupada com o futuro dos Wham!, enquanto uma das minhas primas mais velhas fazia a caridade de mos gravar numas cassetes BASF cor-de-laranja. Lá pelo sétimo ou oitavo ano dei-me conta da existência de uma banda cujo guitarrista-cantor tinha um penteado à Coronel Kurtz, mas mais nada. Genuína curiosidade só no décimo, depois de o meu amigo Bruno demorar uma semana a recuperar do choque causado pela morte do quarteto mais importante do seu mundo, regressando ainda de luto. A poucos meses de ver o quarteto mais importante do meu, entendi que se aquele magricela de olhos azuis-escuros e cabelo da cor da t-shirt do macaco com halo sofria assim, era porque era capaz de valer a pena ouvir. E foi.
quinta-feira, 8 de junho de 2006
A Boca Dos Outros - Blanche DuBois
"Straight? What's 'straight'? A line can be straight, or a street. But the heart of a human being?"
Tenessee Williams, A Streetcar Named Desire, 1947.
Comentários Footeis, 1
Que posso eu dizer sobre o assunto, assim no domínio da patacoada feminina? Tanta coisa. Para começar, que acho lindo que, apesar dos pesares, o Jorge Andrade chegue hoje a Marienfeld. Sem as muletas dos últimos tempos e com o alegria do costume. Aquilo é que é um sorriso, senhores.
Lost In Translation
Há uma relação qualquer entre o facto de Monroe e DiMaggio terem passado os primeiros tempos de casados em Tóquio e Charlotte e John também.
quarta-feira, 7 de junho de 2006
Six Feet Under Notes
Nem haveria que as pedir, Luís. Também para as nossas conversas o tempo longo é o que conta. Penso que sim, que Ball gosta de nos confundir, nesta temporada provocando-nos desde o primeiro episódio esta sensação de mal-estar [ou angústia, como sugeriu a Charlotte (beijinhos, assim mesmo a despropósito)], de presságio de fim. Como que ampliando a nossa ânsia de desfecho. Enquanto isso, os casais debatem-se. Na casa dos Diaz a temperatura continua abaixo de zero, Federico quer o que tinha e Vanessa nem pensar; Ruth ainda gosta de George, quer uma parte e não desata do todo; Nate e Brenda descobrem a diferença entre 1+1 e 2, Keith e David descobrem a diferença entre 2+2 e 4.Claire ainda não alinha pelo jargão do office - yeah, baby - mas encontra motivo de interesse. Em silêncio, só Maggie.
terça-feira, 6 de junho de 2006
Massamá, Rua Casal do Olival
O sonho foi meu, mas a recordação é dela. Das primeiras que contou entre as poucas que trazia. Mar, calor e crianças pontapeando uma bola, levantando pó. Mal falava português, quando entrou para a minha classe. Filha mais nova de comerciantes cantoneses há muito estabelecidos em Dili, emigrou para Portugal no início dos anos oitenta, com dois dos seus irmãos. Os restantes rumaram à Austrália com uma avó. Os pais, esses, não arredaram pé da loja de Timor.
No liceu tornámo-nos próximas. Com o tempo foi-me contando o quanto lhe interessava a Biologia; de como revira apenas uma vez a mãe e uma irmã, num breve encontro em Paris; que desde criança era responsável pelas tarefas domésticas; da severidade dos irmãos, acirrando, dia após dia, o seu desejo de independência; de como a língua materna era a única falada entre eles.
Os três foram chamados pelos mais velhos em 1992. Em poucas semanas, pleno segundo período, tiveram que expedir ou vender tudo o que dizia respeito à sua década portuguesa. Despedi-me dela depois da aula de Português, houve até bolo, daí a dias faria anos. Na chegada à Austrália. Estava assustada e muito triste, mal se lembrava da restante família, só da avó, que haveria de morrer não muito depois. Deixou-me algumas canetas, uma t-shirt e um bloco de folhas A4. Na contra-capa do bloco pedia-me que as gastasse, gastasse, gastasse, para que não se gastasse a nossa amizade. Assim fiz, e ela também. Primeiro muito, com o passar dos anos menos. Primeiro em português, depois nas duas línguas. Nos últimos anos já só em inglês.
Julguei ter sonhado com Dili por causa destes dias de fogo e facas, mas não. A Kim fez anos há uma semana. Só agora me lembrei.
No liceu tornámo-nos próximas. Com o tempo foi-me contando o quanto lhe interessava a Biologia; de como revira apenas uma vez a mãe e uma irmã, num breve encontro em Paris; que desde criança era responsável pelas tarefas domésticas; da severidade dos irmãos, acirrando, dia após dia, o seu desejo de independência; de como a língua materna era a única falada entre eles.
Os três foram chamados pelos mais velhos em 1992. Em poucas semanas, pleno segundo período, tiveram que expedir ou vender tudo o que dizia respeito à sua década portuguesa. Despedi-me dela depois da aula de Português, houve até bolo, daí a dias faria anos. Na chegada à Austrália. Estava assustada e muito triste, mal se lembrava da restante família, só da avó, que haveria de morrer não muito depois. Deixou-me algumas canetas, uma t-shirt e um bloco de folhas A4. Na contra-capa do bloco pedia-me que as gastasse, gastasse, gastasse, para que não se gastasse a nossa amizade. Assim fiz, e ela também. Primeiro muito, com o passar dos anos menos. Primeiro em português, depois nas duas línguas. Nos últimos anos já só em inglês.
Julguei ter sonhado com Dili por causa destes dias de fogo e facas, mas não. A Kim fez anos há uma semana. Só agora me lembrei.
sábado, 3 de junho de 2006
Coisas Que Só A Mim Apoquentam XXIX
Inverdade. Inverdade é a palavra mais cobardolas que por aí anda, e quem a inventou também deve ser. Mentira nem se lhe compara, de tão mais sincera.
E Agora Para Algo Completamente Ridículo
Uma rapariga que eu cá sei fez uma lesão na coluna durante um acesso de tosse. Não podia ter feito a coisa de forma digna, numa queda no gymnasylum durante a aula de boddy attack, por exemplo. Não. Uma rapariga que eu cá sei tem agora pela frente quatro caixas de comprimidos e um mês de tropeguidão. Por carregar no gelo da limonada. Tão típico de uma rapariga que eu cá sei.
sexta-feira, 2 de junho de 2006
Fac Simile
Faz vénia à gente desse século, grata, pois num fac simile de boa memória - epístola de figura célebre e poupada - aprendeu que várias páginas podem sê-lo numa só, se a letra for justaposta em diferentes direcções. Agora, quando a folha lhe falta ou o branco a atemoriza, vai ver de outra, outra vez.
Urgimos
Chego e anunciam-me mais. Ainda mais. Tantas em tão poucos dias. Súbitas, próximas, esperadas, distantes, infantis. Urgimos e esquecemo-nos, até dias assim.
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Happy Birthday, Ms. Baker
Para o Sérgio, homócrono e devoto.
Elizabeth Hurley disse um dia que se mataria se fosse tão gorda quanto Marilyn havia sido. Há tantas pessoas como Hurley, bonitas e impermeáveis à beleza. Sobretudo mulheres. Monroe não era invenção, era apelido de família. Sabias?
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