a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Caracóis, Sandálias e Traições

Genérico déja-vu, quanto a mim (dois-em-um de beg to differ & boas-vindas à conversa, BilidaQuid!) remetendo mais para uma espécie de imagem de marca séries-de-época-HBO do que para esta série em concreto; a semelhança com o de Carnivàle é gritante, parecendo-me este menos conseguido. E uma série com um genérico desconseguido é como uma terra sem tabuleta. O facto de ser uma co-produção com a BBC explica aquele cockney da plebe contra o acentuado posh patrício; Italy pela província romana Italia ainda escapa, mas um penny por um denário é que mais difícil de engolir, lá isso é.
O fosso entre aquele tempo e o nosso: a relação entre homens-livres e homens-objecto, animais domésticos tratados ora com crueldade, ora com sentimentalismo; a religião, os pedidos e as adivinhações rituais entranhando todos os actos do quotidiano. Lúcio Voreno e Tito Pulo, duas faces da moeda romana; força ou brutalidade, manha ou amoralidade? Mulheres usando o poder que lhes cabe sem amuos nem hesitações. Um César ilegível, impenetrável, por enquanto. Nem lá faltou O Amigo do Povo.

Adenda:
Carla, os bustos de Júlio César retratam-no careca lá pela meia-idade (à época, quarenta e tal anos), algures entre as Guerras da Gália (60 a.C.) e a Guerra Civil (50 a.C.). Assim, é de esperar que ele se vá descabelando ao longo dos próximos episódios, a bem do rigor histórico [e O Amigo do Povo agradece o elogio!].
Luís, o futuro jogou-se, isso mesmo, na observação da filosofia de Júlio César pelo seu sobrinho - afinal, o rapazolas loiro é Caio Júlio César Octaviano, Augusto alguns anos mais tarde.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Branco

Já tinha deslizado na neve, já lhe tinha tocado. Nevar nunca tinha visto. Mais belo que o branco, o estado em que ele nos deixou.

sábado, 28 de janeiro de 2006

Independente Mente

Spóóórtengue

Caracóis, Sandálias e Traições (Act.)

Ave! Estamos todos na mesma página, então? Roma Num Dia parece-me bem bonito, Carla, resta saber o que achará o Luís. Também eu já andava faltada das nossas conversas.

Solvstäg

é o nome do enigma. Literatura é de certeza.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Cá Vai Alho (Trip Moralista)

Estou aqui já há um bocado à espera do dia em que a meio de um cá vai alho aristoblogosférico um dos envolvidos dê por que exagerou e estenda a mão à palmatória, dizendo qualquer coisa do género:

a) - Ó pá, realmente, se calhar fui um bocado idiota.

b) - Ó pá, de facto, tive uma atitude estupidamente defensiva.

c) - Ó pá, pensei melhor, e se calhar tens razão...

d) - Ó pá, olha, enganei-me.

[esta última é de gritos]

e) - Peço desculpa.


Só para desenjoar. Os coloquialismos variam, mas isto às vezes na vida real acontece. A sério.

O Saco de Plástico de Alan Ball

Passas o dia inteiro à procura do saco. Nada. Vais ao supermercado. Agarras na lata de cogumelos inteiros, e em mais uma. Escutas. Sorris. Finges escolher o azeite. Não fazes tenção de te mexer enquanto o Brian Ferry não acabar a canção.

That 70's Show

Preto e branco. Cabelos brancos em cabelo preto.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Sue Storm

Em dias como o de hoje, nem um verniz espampanante subjuga o meu super-poder.

Crise e Oportunidade

À mesma hora e no mesmo lugar, lá estava o protagonista do bucólico episódio do outro dia, de blazer e tudo. Desta vez - alívio -, desviando cartão e papel para cinco sacos pretos gigantes. Ainda dizem que o português não tem arte para o negócio. Crise e oportunidade, eis o exemplo acag..acabado.

Lisboa, Estação de Benfica

No banco fronteiro, logótipos negros contra verde formam um padrão chão-de-casino. Fixo-os. A minha saída está quase. Cada um é o infinito interrompido.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Para Toda A Vida

Para trás há nada, ele vem no primeiro dia lembrado, o dia em que a aniversariante era eu. Acordou-me com beijos e uma baixela de brincar. Na minha pequena ara repousa a última relíquia, chávena de chá de recordação. Pego no pedacinho plástico carmesim e dou graças a Deus pelo amor de um homem bom e digno. Peço-Lhe com toda força que por muito o mantenha.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Caracóis, Sandálias e Traições

Também reparei que aí vem Roma, Luís. Charlotte?

Questões Verdadeiramente Fracturantes

Poucas mulheres a escrever na lusoblogosfera. Poucas mulheres a escrever bem na lusoblogosfera.

Comeback Kids

Três felizes retornos: Ric, (n)o Malfadado, Samuel, Esse Cavalheiro, António Filipe Fonseca, com Dicionário Ilustrado.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Afinidades Electivas

No fim do 1º período do 9ºano, mau grado ser das da primeira fila, sossegada e com as fichinhas todas em dia, tive negativa. Com 46% e 49% nos testes sumativos, a nota foi mais que merecida. Foi a única nota negativa que tive na vida, sobretudo porque daí por diante optei por fugir àquilo que fazia mal feito, mais do que por ser boa a auto-superação. Uma curta carreira no comércio tradicional desenferrujou o básico, mas a dificuldade com o cálculo persistiu. Acho que é por isto que admiro sempre mais os que têm habilidade para o que não está ao meu alcance.

sábado, 21 de janeiro de 2006

Wee Hours

Não interessa o modo: o tempo nunca se faz favor.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

Procura-se

As estrelas de Hollywood usam Claus, eu usava Achilles Brito. No pretérito, porque, como temia, já só se encontram por aí uns Rosalface e uns Lavanda. Ao meu bem-amado Patti Limão, versão corrente do maravilhosamente sofisticado Banho, não o encontro no hipermercado, no supermercado, nem da mercearia do Zé Boné. Há meses. Se alguém souber onde ainda se vendem (vêm numas caixas de cartão amarelo horríveis, tipo Dove) faça a caridade de me mandar a dica.

Quote/Unquote

"i lived on the edge of all this indulgence/taking notes and trusting in prudence"
Lloyd Cole, Perfect Skin, digo, Speedboat (Rattlesnakes), Capitol/Emi, 1990.

Podemos Sair Do Liceu,

mas o liceu não sai de nós. Seguríssimos, os mais distintos usam Gmail. O resto do maralhal, continuamos os mesmos foleiros de sempre.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Ícones

Depois de postada a 3X4 de Marco Túlio Cícero, dirime-se no QC a primeira querela iconoclasta. Empate ao intervalo.

O Azucrim

Berra-Boi, s.m. Etn. Instrumento cerimonial ou brinquedo entre certos povos indígenas, que consiste num pequeno pedaço de madeira atado a uma corda, que se faz girar produzindo um som; zunidor; rói-rói. Weblog que tem sempre que dizer, sempre que se lhe diga e que hoje completa um ano. Muitos parabéns, caríssimo.

Planeta Nacional

[Spoiler Alert: Tinha acabado de almoçar quando fui uma das infelizes testemunhas do que abaixo se descreve. Se estiverem a desmoer alguma coisa não leiam já este post, vão passear e depois voltem, ok?]


O interior do planeta é povoado por excêntricos, verdade, porém duvido que algum venha a campear sobre o terráqueo que às catorze horas e cinquenta e oito minutos do ameno dia de ontem encontrei na sua órbita. Revivendo o evento, subo ligeira desde a rotunda de Entrecampos, olhando os passantes e pensando em microfilmes e jornais. Abrando à aproximação da passadeira da Prof. Aníbal Bettencourt. Carrinha rua abaixo. Do lado de lá, a meio da calçada que conduz ao jardim da entrada, um saquitel desportivo.

'Estranho, a malta já deixa a tralha no meio da rua.'

Carro rua abaixo.

'Que raio?'

Encostado ao ecoponto, rente ao chão, um vulto.

'Mau'

Caminho livre. Olho em frente. Não computo a cena. Atravesso a passadeira.

'Não'

Corrijo a marcha alguns graus para a direita.

'Não'

Passo rente à berma da estrada.

'Não'

'Sim'

Sob a luz clara de Inverno, a que é só tem o céu de Lisboa, um indívíduo de aparência insuspeita soergue o braço à boca do contentor azul. Acaba de obrar. De arrear o calhau. De cagar. Dois cafés, um parque de estacionamento e um imenso jardim com arbustos. Nada disso, ali no meio da rua é que é. Calceta pelo tornozelo e toca a escrever uma carta aberta ao Salazar.

Em papel reciclado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

O Amigo do Povo


Plebeus sem culottes, patrícios com culottes, uma caldeirada de povo e Cícero à cabeça. Lá pelo Monte Capitolino todo o cidadão é bem-vindo.

domingo, 15 de janeiro de 2006

Bas E Afinal Mesmo Muito Fond

Afinal, a família subterrânea era indigente, não meliante; o clã malfeitor era outro, e apenas frequentava o Banco Morgue, local onde era depositado à confiança o produto do seu transpirado labor.

sábado, 14 de janeiro de 2006

Bas E Talvez Um Pouco Fond

Família meliante morando nos baixos do Hospital de Santa Maria sabe-se lá desde quando? Se isto não é o tal coiso do uso campeão, então não sei.

Solomon To Sheba

"Sang Solomon to Sheba,
And kissed her dusky face,
'All day long from mid-day
We have talked in the one place,
All day long from shadowless noon
We have gone round and round
In the narrow theme of love
Like a old horse in a pound.'

To Solomon sang Sheba,
Plated on his knees,
'If you had broached a matter
That might the learned please,
You had before the sun had thrown
Our shadows on the ground
Discovered that my thoughts, not it,
Are but a narrow pound.'

Said Solomon to Sheba,
And kissed her Arab eyes,
'There's not a man or woman
Born under the skies
Dare match in learning with us two,
And all day long we have found
There's not a thing but love can make
The world a narrow pound."
William Butler Yeats, The Wild Swans at Coole, 1919.

"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" X

Miguel Guilherme é um magnífico esquisito. Mais importante, é um grande actor. Pensei que valeria a pena ver Bocage por causa dele (e, bom, de um certo candidato armado em franciscano corrécio), mas percebi logo o meu engano quando, ao reencontrar Bocage na volta de Goa, o carinho de José Bersane (João Vaz) se traduziu num par de braços abertos e num

- Meu Camões de merda!

extraordinariamente sincero. Vale a pena ver, não só por Guilherme. Bocage tem uma boa equipa artística. Destaco o elenco, a montagem e o guião. Sim senhores. Venham mais episódios.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

The Lake Isle

" O God, O Venus, O Mercury, patron of thieves, 
Give me in due time, I beseech you, a little tobacco-shop,
With the little bright boxes
piled up neatly upon the shelves
And the loose fragment cavendish
and the shag,
And the bright Virginia
loose under the bright glass cases,
And a pair of scales
not too greasy,
And the votailles dropping in for a word or two in passing,
For a flip word, and to tidy their hair a bit.

O God, O Venus, O Mercury, patron of thieves,
Lend me a little tobacco-shop,
or install me in any profession
Save this damn'd profession of writing,
where one needs one's brains all the time."
Ezra Loomis Pound, Lustra, 1916.

Quem Tem Olho É Rainha

Ao depois lá me abalei à EDP, a do sorriso vermelho e folgazão, em busca de um esclarecimento. Procurava o endereço certo para deixar o bilhete perguntadeiro quando - espanto, pasmo, surpresa - a EDP me disse que teve uma visão. Leram bem, uma visão. Tomem nota:"Ser o mais competitivo e eficiente produtor e fornecedor de serviços e soluções energéticas de electricidade e gás na Península Ibérica.". Uma coisa é certa: de momento, quase nenhum português a trocaria por outra.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Vi A Luz

Vinte e três horas - não foi só a madrugada, não - na era pré-Edison ensinaram-me que uma vela é uma vela é uma vela. Já a electricidade é um telefone sem fios, várias lâmpadas, dois aquecedores, um micro-ondas, um computador, uma ligação por cabo, uma impressora, uma aparelhagem hi-fi um bocado velha mas isso não interessa, uma televisão, um leitor dvd e um carregador de telemóvel. Por esta exacta ordem.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Lisboa, Cidade Universitária

Naquele riso parvo e saturado de quem regressa das três aulas de duas horas - seguidas e mal-amanhadas - um inesperado atrevimento, uma exclamação que não quadra. Ainda bem que a violência se liberta assim, pensei, em forma de golpe verbal, de delírio judoca. Seguimos ao metro, defendemo-nos da rua alçando as golas dos casacos, fazemos a useira vénia a Cesário. Entendo. Entendo melhor do que julgas.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

2006 - A Lista

1. Comprar o primeiro par de sapatos de salto alto. É talvez um escândalo não o ter feito até agora, mas há a considerar que sou das que logrou rupturas e traumatismos tibiotársicos sem nunca os ter utilizado.

2. Não arranjar desculpas esfarrapadas para ler tanto ou mais romance quanto ensaio historiográfico. É de certeza um escândalo e prejudica-me a vida.

3. Ler Agustina Bessa-Luís. É um escândalo considerável não o ter feito até agora (com uma ou duas excepções). Não há qualquer justificação. Assim calhou.

4. Bater com os costados no ginásio duas vezes por semana. É um escândalo ululante passar a vida a reclamar do físico e comer um bolo, sentadinha, na esperança que venha com uma ténia lá dentro.

5. Reduzir o grau de ansiedade patológica em relação a: i) conhecer desconhecidos; ii) conduzir dentro de Lisboa. Esta vai ser difícil.

Prosaica o suficiente para ser possível, ambiciosa o suficiente para me pôr em sentido.
Tanta coisa, tanta coisa, e afinal não passo de uma insensível.

Quatro Paredes

Não é que não o faça, mas custa-me trabalhar em casa, há demasiada distracção e conforto. A kizomba do vizinho do lado, o terço da vizinha de cima, o estalido automático do aquecedor, as campainhas. Vale-me a coreográfica cadência de quem sobe e desce as escadas.

domingo, 8 de janeiro de 2006

A Biliosa

A quantidade de fel segregada por tantos fígados blogosféricos em época de eleição prova que instrução e educação não significam o mesmo. Uma pessoa faz a costumeira ronda por blogs habitualmente cordatos e dá com um panorama de exaltação só comparável ao dos recontros entre as caravanas de campanha e a respectiva nemesis popular, que insulta, bate e cospe. Não me venham com histórias de que o combate político exige palavras firmes, provocações, até simplificações, porque isso dou de barato. Agora, honestamente, o que é que se aproveita de tanta ofensa, de tanta mentira, insinuação, palavrão? Quem quer brincar aos adjectivos, porque é que não pega numa folhinha A5 e vai jogar ao Stop?

sábado, 7 de janeiro de 2006

Variações de Barreto

Parem tudo, corram a fazer a vossa própria versão das inesquecíveis páginas 161 e 162 do último livro de José Rodrigues dos Santos. E pensar que tão cálida cena aconteceu porque, logo na página 21, "Tomás e Constança, absorvidos nos seus problemas, quase deixaram de se tocarem".

Planeta Nacional

Mentira, o título é só para despistar. Caiu-me ontem no goto foi o avio dest'outra Nacional. À noite, ao jantar, a sopa de couves, o requeijão e a pêra rocha aconchegaram-se para dar lugar a três fatiazinhas de bolo-rei. Que faria se gostasse de bolo-rei.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Lisboa, Entrecampos

Qualquer razão serve um lanço, de preferência com largos minutos. Tem passo largo, só abranda se para acompanhar quem mais não possa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Caldeirada de Povo

O que têm em comum uns quantos rapazes de esquerda, centro e direita, mais uma rapariga que anda muito de transportes públicos? Amanhã ou depois digo.

Os Pássaros

Uma coisa escrita e uma coisa bem escrita. Descubra as diferenças.

Ler

Milhentas vidas sucessivas e simultâneas viverá uma obra, assim que acabada. Óscar Lopes o disse. Um prodígio, soprarmos vida no que não saiu de nós.

Wee Hours

"Então o pontífice interrogou Jesus sobre os seus discípulos e a sua doutrina. Jesus respondeu-lhes: 'Falei publicamente ao mundo e sempre ensinei na sinagoga, aonde concorrem todos os Judeus, nada ensinei em segredo. Que me perguntas, pois? Pergunta aos que Me ouviram o que é que Eu lhes disse.' "
Jo. 18, 19-21

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Astigmatismo

Tem quem só vê bem o risco depois de pisado.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Ton Sur Ton

Sim, tive um ataque Caras, mas pelo menos foi no mês de Janus.

Annie No Hall

A manhã no Planeta Nacional foi mais animada que o costume. À beira do QC, num relance, sorrisos luso-louçãos aqui, olhos azul-escandinavos ali, mas não só. Se nem Lúcifer passou o primeiro dia útil sem canhenhos, como não engraçar com 2006?

O Politicamente Correcto Só Se Pega Depois Dos Seis

C.9:00 a.m. Sintra-Alverca anormalmente cheio. Sentados junto à saída, uma mulher jovem e três crianças entre os quatro e os seis anos. Ela tem sono. Eles não.


Taramela 1 [dançando sentado, ao compasso da carruagem] - Mãe, saimos em Arrieiro?

Mãe [de olhos mal fechados] - Não. A-re-ei-ro.


Taramela 2 [abanando as pernas] - Então é Amadora...

Taramela 3 [língua de fora] - ... já passámos Amadora, burro!

Taramela 2 [abanando as pernas tresloucadamente e ensaiando um pontapé] - Não sou burro!

Mãe [trás-os-dentes] - Quietos. Saímos em Entrecampos.


Taramela 1 [des-senta-se, ajoelha-se] - Mããe, depois quando voltarmos há o quê no Federico?

Mãe [abrindo os olhos] - ?

Taramela 1 [sentando-se] - No Federico. Para o almoço.

Mãe [rebolando os olhos] - Não é Federico, Márcio, fala português! FRI-GO-RÍ-FI-CO. Diz:

Taramela 2 [pés ao chão, mãos ao colo da mãe] - ... mas então Federico é inglês?...

Taramela 3 [fazendo sorrisinho matreiro] - ... é kimbundo, mãe, não é? Tu dizes sempre 'somos negros, temos de falar como negros', é por isso?

Taramelas 1 & 2 [à uma] - É isso mãe, é?


Mãe [imaginem vocês a expressão, vá lá] - Vamos sair agora.


Makeshift Word

O tempo que nunca há importa muito quando se pretende dizer uma ideia, reproduzir uma citação. As mais das vezes não consigo, engano-me ou desisto de encontrar as palavras exactas. Contento-me com outras. Este ano queria ver das certas, não as deixar para as calendas.