a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

sexta-feira, 14 de março de 2008

Lisboa, Avenida Professor Gama Pinto

Vinte e um anos e a vontade de arriscar a primeira rejeição. Tarde, talvez. Que fora um texto muito discutido pela Direcção, mas que não. Tudo num humilhante tom de compadecimento. Uma revista de faculdade com algumas pérolas e bastante porcaria não aceitava o conto mediano, pensava, enquanto sentia o refluxo de desilusão.

8 comentários:

esquilo disse...

pedras? guarde todas para um dia construír um castelo...

(batemos tantas vezes nas portas erradas, há que procurar outras, que se abrem depois para nos deixar entrar para um corredor muito mais largo!)

Jorge Revez disse...

Também vi palavras minhas recusadas nessa revista. Eram fracas, agora que as relembro depois de te ler.
Mas o que por lá havia também não me parecia assim tão bom que não pudesse conviver com a minha escrita.
Algumas destas memórias talvez nos ajudem a compreender porque razão essa revista morreu e está enterrada...
Um beijo, jorge

Ana Cláudia Vicente disse...

Esquilo,
compreendo e concordo: teimosia pode ser virtude.

Jorge
Tenho a certeza de que o que eu contava não era muito mais que sofrível (projectei cinco histórias de entrada contrariada na idade adulta, com centro num grupo de amigos em lento afastamento; só escrevi duas, e só submeti uma e um preâmbulo), mas não eram más, e seguramente não eram tão pretensiosas quanto alguns arremedos pós-modernos e tanta propaganda leninista que lá se publicavam. Mas também não eram da qualidade do que já lá escrevia o José Maria Vieira Mendes (na altura, assinando assim-só Zé Maria; ainda guardo um ou outro; pena que ele tenha deixado a prosa), por exemplo. Hoje não tenho como reler o ficheiro onde guardei essas e algumas outras coisitas do mesmo valor: porque partilhava o computador onde escrevia, coloquei (pela primeira e última vez) uma password de acesso ao dito... da qual pouco depois me esqueci em absoluto. Freud (ou Frodo?) explica :)
Um beijo para ti.

Anónimo disse...

"...muito discutido pela Direcção"! Conheço poucas com rumo. Eu acredito em ti, essa é que é essa!

Capa-em-crer

Anónimo disse...

olá

bem, agora fiquei com muita curiosidade em saber qual seria a direcção da altura. Não pergunto aqui mas noutro lugar possível.
2- propaganda leninista? eh pá! tenho muitos e muitos exemplares da nossa revistinha e não estou a ver Ana Cláudia.
3- n dei conta que o projeco/revista tivesse "morrido", aliás custa-me muito a crer, interrompido, alterado vá, mas também não apanho nenhum exemplar há muito tempo.
4- no 8º ano concorri a 1 concurso literário da escola com um texto a puxar ao neo-realismo infantil e delirante. Um pai que batia no filho quando o Sporting perdia. Fiquei com pena que não tenha havido nenhuma "direcção" a discutir e a divulgar resultado.

bejinhos


ps. detesto esta verifiação de palavras!

Ana Cláudia Vicente disse...

Capa, chuac :)

Jó, alô,
a verificação é chata, eu sei, mas o spam oblige .

1. queria com este post tocar na memória da desilusão, da importância que por vezes dou a determinada coisa não conseguida, não propriamente falar de algum ressentimento específico contra alguém, que não tenho. Aliás, o membro da Direcção da Revista (ou seria o Conselho Editorial?) que mo disse era alguém por quem tinha alguma estima.
2. Aquelas páginas dedicadas à crónica da luta anti-propinas, e depois à contestação académica em geral, eram inequivocamente decalcadas das posições da ortodoxia comunista portuguesa, filiação que muitos dos membros da Lista sucessivamente vencedora na AE obviamente não escondiam, antes era motivo de orgulho. Chamei-lhes propaganda porque não veiculavam a posição ou reflexão individual das pessoas que assinavam, antes um jargão partidário. Pelo que a mim, pessoalmente, me irritavam. Parece-te injusta, esta apreciação?
3. Se morreu entretanto não sei; mas vi uma edição on-line datada do ano passado;
4. Terás sido boicotada por um juiz sportinguista com peso na consciência? E sim, pior que haver resposta, é não haver.

Beijinhos para ti!
c.

J. disse...

olá.

Também tenho enorme estima por todos os membros que correram a direcção dos FL nos anos em que estive por lá. Era uma curiosidade de tipo literária. Sabias que a Assembleia de Colaboradores dos FL (todos os que algum dia tinham escrito) tinha poderes para impôr a publicação de um texto recusado pela direcção? (penso que o terá feito uma, que me lembre)e podia auto reunir-se em qualquer momento.
2. Acho injusta e equivocada, de um equívoco frequentemente associado a algum tipo de preconceito relativamente a organizações comunistas, mas não a levo a mal como deves calcular. A questão, em relação às direcções da revista (que sobreviveu a muitas direcções diferentes-aliás a maior parte do tempo da nossa licenciatura fez-se com uma direcçao durante 4 anos sem nenhum comprometimento político, que soube arranjar acordos em anos sucessivos com várias forças políticas, incluindo os comunistas-nos quais me incluo-no último ano (em 4 anos sucessivos)
Bem, p n me alongar desmesuradamente e não sair do que aqui nos trazia, não conheci nenhum membro da Direcção da Revista comunista, filiado ou não, conheci sempre a pena que tinham em receber poucos textos sobre política educatva, ou sobre reflexão das temáticas pedagógicas ou afins. As que recebiam eram de comunistas? Sim. Pena que dentre as múltiplas formações político partidárias na escola só estes avancem para os espaços de opinião. E aqui nasce o teu primeiro equívco. O segundo tem a ver com o jargão mas tería de ter em conta os textos que fizeram irritar-te. È um jargão dizer-se não matarás ou ama o teu próximo como a ti próprio mas alguém que o enuncie não é um cristão enformado e sem opinião. O terceiro equívoco nasce da presunção de que o corpo teórico vem de cima para baixo e não o inverso. Apesar de, hoje, não militar em nenhum partido posso garantir-te que a reflexão em torno das questões do ensino superior feita por militantes comunistas (até 1998) se trasformaram no corpo teórico mais específico defendido pelo Partido onde se organizavam. Querer um ensino universal gratuito e de qualidade é aliás um jargão da nossa constituição, defendido durante largo tempo consensualmente por tendências à direita e à esquerda.

Ana Cláudia Vicente disse...

J.,
só mais dois apontamentos,

1.nunca teria imposto algo que escrevi a uma publicação; não sabia que esse mecanismo existia, mas o facto de ele existir não me levaria a recorrer a ele; respeitaria sempre o critério de decisão de um corpo directivo, para quê recorrer, se era tão insegura quanto à qualidade daquilo que escrevera?

2. Quanto a considerares injusta a minha apreciação: não podendo agora detalhar casos artigo a artigo, posso apenas referir-te essa apreciação geral (e sendo geral talvez seja injusta), e ela é a de que a maior parte desses artigos (que me irritaram) era fudamentalmente adjectivantes, e não substantivos. A(s) política(s) educativas eram apodadas disto e daquilo(os próprios ministros eram apodados disto e daquilo), e apenas princípios muito(mas mesmo muito) gerais (a enunciação da Constituição, sem mais, recorrentíssima), ou anulação da estratégia governativa em vigor, eram enunciados em alternativa. Penso que nada mais. Para quem lia, isso não chegava. Daí ter-me referido ao "jargão": o problema não era a inconsistência de princípios, ou o alinhamento a eles (todos nos alinhamos a princípios, isso não faz de nós rebanho) era a falta de alternativas pragmáticas, e o refúgio naquela linguagem (a tal dos adjectivos), era isso que queria dizer. O que eu não quis dizer foi que os jovens militantes comunistas eram todos acéfalos, caraças! Apenas que as propostas que faziam, também ali (as partidariamente explícitas), e ainda mais no tom exclamativo desses artigos revelava uma enorme conformidade a um corpo ideológico que eu rejeitava (e que não percebia porque tinha tanta preeminência naquele espaço; mas agora já o explicaste, mais ninguém colaborava dando perspectivas alternativas).

Uma boa Páscoa, para ti e para a tua família.