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quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Os Discos

Numa das expedições à cave achou um embrulho de papel, pequeno como o mínimo dos dedos. Já sabia ler, reconheceu as maiúsculas picadas do pai, acabou por entender SAVANA e AGULHA. Abriu-o com cuidado, olhou o filamento de metal, os seus dois gumes irregulares, espantou-se, tornou a guardá-lo no lugar. Não estava em gaveta de se poder mexer, por isso moeu-se com a história que faltava, perguntou nada a ninguém. Assim, sonhou muito com a terra que não recordava, imaginou caçadas, missões, perigos. Até à tarde em que o pai veio à sala e colocou o misterioso objecto no aparelho. E os discos voltaram a ouvir-se.

6 comentários:

Anónimo disse...

Deixe-me adivinhar: era uma seringa!

Ana Cláudia Vicente disse...

Frio. Friíssimo.

Anónimo disse...

Realmente, as noites têm andado frescas.

Ana Cláudia Vicente disse...

Mas sinta-se à vontade para arriscar outra hipótese.

Anónimo disse...

É que eu chamo seringas a tudo o que pique.

Para mim, as rosas, por exemplo, têm seringas.

Ana Cláudia Vicente disse...

Sim? Então, digamos que do vinil giratório se extrai música à seringa.