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quinta-feira, 13 de julho de 2006

Metro, Praça de Espanha - Baixa/Chiado

Pai, mãe e filha, provavelmente franceses. As suas roupas são leves e claras, trazem aquele amarrotado bonito do linho saído da mala de viagem. Têm o aprumo da família veraneante de saída para jantar, descontraída, corada pelas andanças do dia. O rapaz sentado do lado contrário, à coxia, só não passa despercebido porque traz uma camisa de flanela e calças de bombazine, destoa do tempo e das roupas desportivas de marca que os outros rapazes da construção usam. Não consigo dizer se se sente envergonhado, se reza, se vem cansado. Até à sua estação não eleva os olhos do chão uma única vez. Só me apetece também baixar os meus. Por respeito pela expressão mais humilde que já vi.

3 comentários:

Luís Aguiar Santos disse...

Déjà vu... seulement, tu sais le dire... :)

Ana Cláudia Vicente disse...

J'éssaie, Louis, j'essaie...tout à fait, le quatorze juillet a un certain effet sur toi, je vois :)

intruso disse...

...talvez fosse um pouco de tudo;
sem que nada se diga, esses momentos às vezes são como "encontros", olhares até ao fundo da alma do outro (mesmo que da alma num momento apenas, que a seguir passa...)