a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

sexta-feira, 24 de junho de 2005

Gato Corpulento

SOCIEDADE PROTECTORA DOS ANIMAIS

Instituída em 28 de Novembro de 1875

Legalisada por alvará de 8 de Janeiro de 1876

Declarada de Utilidade Publica por Decreto de 16 de Março de 1914

Sede: Rua de S. Paulo, 55, 2º Dto – Lisboa – Telef. 23851

Nº343

Lisboa, 3 de Setembro e 1934

Exº Senhor Governador Civil do DIstricto Administrativo de SANTAREM

Para conhecimento de V. Exª e solicitando as providencias que V.Exª tiver por conveniente, de harmonia com a lei, temos a honra de transcrever a comunicação que nos foi endereçada pelo nosso Delegado na Cidade, Exº Senhor Adolfo Branco Nunes Correia [cirurgião-dentista].

““À Digª Direcção da Sociedade Protectora dos Animais. Exs. Senhores. Acabo neste momento, 13 horas, de sair do comando da Policia Civica, aonde fui apresentar uma queixa contra um individuo residente nesta Cidade, de nome Benjamim Grego, barbeiro, que é acusado de matar a tiro um gato francez [sic] todo branco, com coleira de cabedal e um guizo, edade [sic] de 2 anos, e de grande valor estimativo, muito limpo e bastante corpolento [sic], pois era lindamente tratado. Este gato vivia com os seus donos e seus amigos num predio desta Cidade, na Avenida 5 de Outubro, 30, 1º, Dº. Como o 1º andar tem quintal, o gato às vezes ia para o quintal tomar o sol e saltava para as ameias [do castelo] que fazem a parede do quintal e ali se deixava estar, mas na 6ª feira, 24, saltou as ameias, atravessou uma propriedade com residencia dos seus proprietarios, que neste momento estão na praia e desceu a uns terrenos, propriedade da Camara e até hoje não apareceu mais em casa. De principio julgou-se que o gato que dava nas vistas de toda a gente teria sido roubado por alguém. No Sabado foi-me dito por um sujeito de nome Pedro Gerardo Freire, casado, comerciante e residente em Santarem, que o gato que se procurava, tinha sido assassinado a tiro, pelo barbeiro Benjamim Grego, residente nesta Cidade, barbeiro e caçador, mas tambem caçador de gatos, pois já há muitos anos, tem o costume de andar pelas muralhas e terrenos circumvisinhos [sic] pertencentes à Camara e com conhecimento desta, a caçar gatos a tiro, a pretexto de livrar a caça, coelhos bravos, de serem comidos pelos gatos chamados vadios. Ora o gato francez [sic] que ele matou bem tratado, limpo, com coleira e todo branco, não estava nas condicções [sic] e ele bem disso tinha a certeza; porque depois de o matar tirou-lhe a coleira e fez desaparecer o cadaver [sic]…………………………………”

Com os nossos respeitosos cumprimentos, emitimos as expressões da nossa mais elevada e distincta [sic] consideração.

A Bem dos Animais.

Pelo Presidente da Direcção,

[assinado] SousaFMorgado

(Vice- Presidente)

* Cf. Arquivo Distrital de Santarém. Administração Geral Desconcentrada. Fundo do Governo Civil do Distrito de Santarém. Correspondência Recebida – 1ª Secção, (1934), vol. 3, Ofício Nº1189-B.

E que tal um sketch de época, meus senhores?

[Sugestão Ao Calhas]

O Barbeiro – Assassino: Zé Diogo Quintela

O Dentista – Zoófilo: Tiago Dores

O Comerciante – Bufo: Ricardo Araújo Pereira

O Governador Civil – Justiceiro: Miguel Góis

2 comentários:

o espião da plebe disse...

A tua sugestão merecia ser levada a sério. Só tenho uma pequena divergência quanto à distribuição dos papéis. Acho que não acertas no gajo com o perfil mais fadado para desempenhar o sádico.

Ana Cláudia Vicente disse...

Isso é solidariedade leonina para com o ZDQ, confessa...