a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

V

Só há pouco percebi que A Torre da Barbela passa a ser A Torre de Babel no momento em que lhe subtraímos as iniciais do seu autor. Também não fazia ideia que fechar à barbela fosse jargão tauromáquico. Parece que é o abraço que o forcado arrisca à pescoceira do animal. Se tivesse arte para mais, passava um ano a escrever posts sobre este livro. Não tenho, fico-me para aqui na condição meio aparvalhada de nunca antes ter ouvido falar dele. Li-o durante a semana das termas, numa terceira edição emprestada, com poalha suficiente para neutralizar tudo o que foi irrigação, nebulização e aerossol. Nenhuma outra ficção fez tanto sentido neste meu ano, isso é seguro. Que o meu presente é feito de viver àquela sombra triangular perto da cabeçada de Dom Sebastião, tentando acertar o passo nas danças do jardim dos buxos. Passo por Cavaleiro (sem Vilancete nem Abelardo), trabalho perto da Dona Mafalda e sou vizinha da Dona Brites, encontro ombro em Frey Ciro, perco ilusões sobre a Bruxa de São Semedo e não sei que pense da Madeleine. Como os demais, vou sobrevivendo às longas tiradas do Doutor Mirinho sobre transbordos mais ou menos aeroportuários.
[Este blogue faz cinco anos.]

4 comentários:

Rui disse...

Parabéns.

Ana Cláudia Vicente disse...

Obrigada, Rui. Boas viagens.

Anónimo disse...

Parabéns de um leitor de longa data.

Pedro Correia

Cláudia [ACV] disse...

Pedro, muito obrigada, um beijinho.