Lisboa, 1979
Uma das duas séries que tenho gravado e visto, não me recordava realmente dela.
O Zé Gato, agora a comemorar trinta anos, estreou quando ainda era muito pequena. Devo ter passado mais tarde os olhos por algum episódio repetido, mas a ideia guardada sempre vinha a reboque dos episódios descritos uma e outra vez pelos amigos mais velhos, ou do trautear duradouro da canção* que só há pouco soube ser do Tozé Brito e do Jorge Palma. Do realizador, Rogério Ceitil, reconheço o nome, o mesmo que aparecia naqueles separadores azuis-claros do Duarte & Cia., uns bons anos depois. Vi apenas três de uma temporada de doze, afinal a única. O argumento, escrito por João Miguel Paulino, Pedro Franco e Dinis Machado (sim, o Dennis McShade), faz-se da vida de um PJ desencantado que tenta cumprir o seu papel na luta - bastas vezes nada figurada - contra o tráfico de droga, a prostituição e a corrupção na capital. É claro que aquilo foi feito com poucos meios, mas o essencial está lá: bons diálogos, bons actores, boa montagem. Consegue-se acreditar que o informador é um aldrabão leal, o polícia reformado um sábio com tarimba, a namorada uma mulher em permanente espera, e dá-se o desconto a alguma solenidade teatral e uma ou outra cena de porrada mal coreografada. Depois há uma Lisboa que aperta o coração, porquita do metro ao comboio, cheia de grafitos eleitorais, de lugares para estacionar, de gente magra com roupa apertada, de lotes vagos. De eu muito pequena, suponho. Não me recordava realmente dela.
O Zé Gato, agora a comemorar trinta anos, estreou quando ainda era muito pequena. Devo ter passado mais tarde os olhos por algum episódio repetido, mas a ideia guardada sempre vinha a reboque dos episódios descritos uma e outra vez pelos amigos mais velhos, ou do trautear duradouro da canção* que só há pouco soube ser do Tozé Brito e do Jorge Palma. Do realizador, Rogério Ceitil, reconheço o nome, o mesmo que aparecia naqueles separadores azuis-claros do Duarte & Cia., uns bons anos depois. Vi apenas três de uma temporada de doze, afinal a única. O argumento, escrito por João Miguel Paulino, Pedro Franco e Dinis Machado (sim, o Dennis McShade), faz-se da vida de um PJ desencantado que tenta cumprir o seu papel na luta - bastas vezes nada figurada - contra o tráfico de droga, a prostituição e a corrupção na capital. É claro que aquilo foi feito com poucos meios, mas o essencial está lá: bons diálogos, bons actores, boa montagem. Consegue-se acreditar que o informador é um aldrabão leal, o polícia reformado um sábio com tarimba, a namorada uma mulher em permanente espera, e dá-se o desconto a alguma solenidade teatral e uma ou outra cena de porrada mal coreografada. Depois há uma Lisboa que aperta o coração, porquita do metro ao comboio, cheia de grafitos eleitorais, de lugares para estacionar, de gente magra com roupa apertada, de lotes vagos. De eu muito pequena, suponho. Não me recordava realmente dela.
*A canção está no Youtube. A resolução do clip é medonha, mas a caixa de comentários é para ler de cabo a rabo, desde o comentador que dá pelo quasi-atropelamento do Orlando Costa (aos 22 segundos) até aos três que se pegam a discutir (com dados quantitativos e tudo) que governante foi realmente responsável pela reforma insfraestrutural do país após o 25 de abril. A frase vencedora é de alguém que assina soulfox619: "Portugal precisa de muito mais Ceitil's".

7 bilhete(s):
..."quem és tu Zé ga-a-a-a-a-a-aaa Zé GATO!!!!"
Xi-na-man-coração!
"A cidaaade é p'ra fazeeer dinheiro
e se tu és...um tipo inteeeiro
vais passar um maaau bocaaado."
Havia imenso pathos naquele bófia-bigodudo-ex-combatente-da-guiné, caraças. E o Luís Lello, o 'Matrículas'? Que giro (ou é meu fetiche por pencas, que se há-se fazer?).
Chuac, menina linda
O Zé Gato é mítico. Muito melhor que o Duarte & C.a.
(A caixa de comentários do Tutubo é realmente um estudo político, social, eu sei lá o quê mais, cujo o alcance ultrapassa o que um regular cidadão pode divisar)
Indeed, Pedro.
O erudito judeu Simão ben Zoma disse há muito qualquer coisa como 'sábio é quem aprende com todos', por isso suponho que só nos faz bem ler alguma coisinha em todo o lado, inclusivé [acho esta palavra tão patusca, inclusivé, parece-me sempre uma palavra com um torcicolo a incliná-la para a direita] no dito TuTubo.
o "pedromlago" nunca fez um comentário no meu bloguezinho. estou muito aborrecida.
Valha-me Blogger, que ainda me processam por negligência caixo-comentarística.]
Limenina, só agora li o teu comentário, 'esculpas? Mas nada de aborrecências. Por falar em aborrecências: não é tão cómica a dinâmica do Mr. Grumpy com a Little Miss Sunshine? Há qualquer coisa saborosamente irritante e subversiva na disposição da little miss. chuac
Muito irritantezinha, a Little Miss Sunshine, precisava de umas gotinhas de limão nojólhos. =)
Quanto às aborrescências, o pedromlago continua sem comentar o meu blogue. la la la
(para me vingar da tua negligência caixo-comentarística - devias receber os comentários no email, assim nunca os deixavas escapar - fiz-te um link lá no sítio)
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