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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Que Fazer Ao Que Nos Contam? (14)

- Então pega nos cacos - vamos ao Santo António.

Madame Alice estava visivelmente irritada. Regressara de Evian há menos de dois dias quando a criada de servir, adossada pela cozinheira, a criada de quarto e a mulher a dias, testemunhou o piparote juvenil no candeeiro Sèvres, durante o baile da menina. Nem o pó da porcelana sovada havia sido desperdiçado - havia que fazer prova. Agora, à porta daquele prédio velhíssimo e inconspícuo para os lados do Castelo, depois das voltas do chauffeur e dos silêncios da boa patroa, Lena subiria aquelas escadas estreitas rumo a uma divisão ampla, guiada por um homem de certa idade, sem traço distinto. Para seu espanto, as rimas de prateleiras justificavam o apodo: loiças, pratas e madeiras refeitas do quase nada, como novas. Duas semanas mais tarde, antes da canasta vezeira, enquanto subia a saia da mesa em bordado Madeira com alfinetes e camélias, o milagre era entregue. Como se houvesse nada.

2 comentários:

CLeone disse...

4 de seguida...esses dias de férias foram intensos...

Ana Cláudia Vicente disse...

Espera, que já vou tratar do Almanaque :)