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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Metro, Sete Rios

Cruzo-me com a mulher de um dos homens do bairro que esperavam a hora de jantar dentro do carro. Continua elegante, usa o mesmo corte curto. Passa e não dá por mim, ou faz que não. Já não mora na rua sem saída onde brincávamos até ao fim da tarde, quando quase todas as sirumbas eram interrompidas por fiats e datsuns a chegar. Não percebíamos, mas também não estranhávamos aquele e outros vizinhos estacionados à porta dos prédios, adiando o tempo de entrarem em casa. Era costume. Desligavam o motor, deixavam-se estar, fumavam cigarros, organizavam papéis, ajustavam a frequência de rádio, dormitavam. Agora sei que dentre eles havia os que queriam estar aquele bocado consigo mesmos, pela primeira e última vez no dia. Como havia os que simplesmente não queriam voltar para quem os esperava.

2 comentários:

gralha disse...

Caramba, nunca tinha pensado nessa explicação. É que há-os mesmo. E faz sentido.

(ou não)

Ana Cláudia Vicente disse...

Não me ocorria sentido para aquilo,então. Haveria também outros e outras razões, também.