a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

domingo, 13 de novembro de 2005

Lisboa, Avenida de Berna - Praça dos Restauradores

Fátima custa-me. Não me recordo de lá ter sentido paz uma única vez. Há um sofrimento demasiado objectivo, uma atmosfera de último recurso, de apelação desesperada. Nada disto me assombra enquanto subo a Avenida da República, na torrente calma de pessoas. Rezo olhando em volta. Entre as luzes vejo as caras, mas e os corações? O que move a varina que segue logo atrás da última confraria, o doido gritando avé-marias sem parar, o jovem poeta que observa o cortejo a certa distância, a ex-comunista que enlaça os filhos para os não perder, a aristocrata mundana acendendo a vela, o senhor que ampara a mulher fraca da quimioterapia? Só Deus sabe.

5 comentários:

grzl disse...

o que eu gosto mesmo é de ouvir "A Procissão" declamada pelo João Villaret.
gostei de ler.
um abraço
graziela

Ana Cláudia Vicente disse...

acho que não conheço, Graziela, vou aproveitar a sugestão e procurar o dito.

Um abraço, boa semana,

zero disse...

sabe ... mas não diz. se diz, eu não O entendo.

zero disse...

magnífico sem dúvida graziela! joão villaret continua imbatível.

Ana Cláudia Vicente disse...

Eu também não, zero. Tento, mas vou levando a coisa na base da confiança, mesmo.