a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Agora

É uma língua que não chega à automação, o presente. Um esforço contínuo, espécie de concentração particular  da qual tiro modesto proveito.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Vila de Rei, Rua do Capitão-Mor

Conseguimos chegar quase todos aqui. Corre tanto, o tempo. As camélias abrem, sempre gostaram deste frio. À flor do dia é  tão clara a distância que vai de quem está bem para quem não. Deus seja por todos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cronos, Kayros, Aeon

Ainda que entenda e viva a necessidade de comunicar, inquieta-me de modo primário a perda do valor corpóreo do silêncio, a rejeição de qualquer forma ritual. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Lisboa, Rua Abranches Ferrão

Pesa-me a idade, o corpo, a consciência, pesa-me o que vou conservando para dia melhor sem razão especial. A quem servirá, este impulso de guardarmos tantas coisas por perto, para não serem esquecidas?

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Wee Hours

E por vezes acordo como quem está prestes a lembrar-se de qualquer coisa fundamental. Procuro razões próximas, tarefas, consultas. Nada. Só este alarme físico - uma atopia para além da pele.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sintra, Alto do Chão Frio

No estacionamento uma miúda finca pé à mãe - do banco do carro não arreda, não entrará no cemitério. O que mais sobra por aqui são vestígios desses: campas por colocar, covas abatidas, montes sem flores verdadeiras.  Este costume, velho de séculos, quem o observará, daqui a trinta anos? 

domingo, 2 de novembro de 2014

Massamá, Travessa Ruy Cinatti

Vários já foram adiante, hoje é dia de o(s) lembrar. Aparentemente repentinos, são sempre os mais recentes que nos pesam. Se os vimos, acarinhámos; se os tratámos o bastante. Não sei. Peço por que sim, que estejam bem.     

domingo, 19 de outubro de 2014

Metro, São Sebastião

A cidade está lavada, o que não durará. São os dias nos quais cada qual usa a estação do ano que quer, não a que o calendário diz.

Montemor-o-Novo, Rua da Horta das Almas

Onde se põe, esse impulso de cuidar de quem precisa de algo bem para lá da nossa mão? Que fazer ao instinto de proteger quem na verdade não pode ser protegido?

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Lisboa, Rua Serpa Pinto

Não se pode dizer que galgue com grande facilidade da alegria à contra-costa, mas já senti acontecer. Como quando (ali) não estive à altura do que consegui começar, ou como quando (aqui) não tive certeza de entender o que se deu. A seguir vem uma ansiedade que embacia tudo. 
Depois nunca sei que fazer.      

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Wee Hours

Continuo a sonhar com detalhes consideráveis mas muito prosaicos. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Arquivos

Tento reconstituir a lista de blogues - uns vivos, outros idos. Tinha escrevinhado o hipertexto num ficheiro, por isso tentei repô-la tal qual. O blogger estranha. Que mania, a da actualidade.

domingo, 5 de outubro de 2014

Em manutenção

Digamos que f##i inadvertidamente o meu querido template - cor, cabeçalho, links, tudo ao ar. Já o pc tem laborado num computedo lamentável, lentíssimo, pelo que não sei se não está à beira da morte natural. Isto é capaz de demorar.

   Logo agora que ando a aprender a perder a paciência.   

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Lisboa, Estrada das Laranjeiras

O movimento compassado dos miúdos do liceu pelas ruas compõe a mais feliz das impressões que Setembro agora me traz. Não está frio, quase não há testes nem trabalhos. Há tempo. Há-os sentados por todo o lado em conversa, passeio. Qual deles conjurará este ar tão ameno? Quem será outro em Outubro? E há os rapazes ainda capazes desse acto de gentileza clandestina - a companhia à miúda até à esquina da sua rua, paragem, estação de metro. E a demora impossível na despedida. Só e tudo, até ao outro dia.

sábado, 27 de setembro de 2014

Tantos anos

Pensei que me aconteceria mais adiante mas não. Bastou uma aluna salmodiar bem. Os de sangue crescerem em graça. Certo verso certo. A mim, esse choro simples e sem embaraços já alcançou.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Leiria, Rua Luís Braille

Uma das minhas tias que têm o vício da franqueza está a caminho dos noventa. A idade é um posto, a imunidade quase total. Deu-me há dias uma desanda bem dada, a mim e aos da minha geração: que não respondemos às cartas na volta do correio, quando ainda as sabemos mandar. Ia dizer que não, mas a verdade é que é verdade, sem ai nem ui.

Massamá, Rotunda Augusto Rendeiro

Muito mudou aqui, neste tempo. As lojas no centro, a face e a forma da estação, o sotaque dos vizinhos, a ementa nos restaurantes, o carteiro, o cheiro do pão. A arrumação da livraria, as crianças, as teclas dos multibancos. Eu. Não sei se muito, se o suficiente, se só por reacção. Tanto ou mais em trânsito.

C.2004

Este lugar fez dez anos. Não sei por que me continua a importar tanto. Venho cá pouco, eu e quem quer que seja. Ainda assim, sei que ainda não está acabado. Sinto que não acabou. 

[Eva Cassidy, Anniversary Song, «Time After Time», Steven Digman, c.2000]

terça-feira, 9 de setembro de 2014

EN-4, Km 18, Fonte da Senhora

É bom estar entre velhos e crianças, gente que não (se) ocupa todo o dia todos os dias com quase tudo. Não esperava que isso afiasse tanto a falta que me fazem os do meu tempo. Tanta, tanta falta. O que custa não poder ter esse vagar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ofícios


Nunca as soube fazer bem, mas sempre gostei de as fazer, as colagens. A cada caderno de trabalho reincido, jogando um jogo que não entendo bem.