a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

C.2004

Este lugar fez dez anos. Não sei por que me continua a importar tanto. Venho cá pouco, eu e quem quer que seja. Ainda assim, sei que ainda não está acabado. Sinto que não acabou. 

[Eva Cassidy, Anniversary Song, «Time After Time», Steven Digman, c.2000]

terça-feira, 9 de setembro de 2014

EN-4, Km 18, Fonte da Senhora

É bom estar entre velhos e crianças, gente que não (se) ocupa todo o dia todos os dias com quase tudo. Não esperava que isso afiasse tanto a falta que me fazem os do meu tempo. Tanta, tanta falta. O que custa não poder ter esse vagar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ofícios


Nunca as soube fazer bem, mas sempre gostei de as fazer, as colagens. A cada caderno de trabalho reincido, jogando um jogo que não entendo bem.

sábado, 26 de julho de 2014

Argumentos

Sob a verdade possível fica um vão de medos, e o que mais lá há são fios de conversas que não deram pano para mangas. Ouvia hoje alguém repetir-me uma conversa simples, limpa, feliz e pensei nisto com o coração, todas as conversas que quis ter, cafés, gelados, mensagens sem retorno, que correram mal, em que me acanhei ou não persisti. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Wee Hours

Os gestos simples não são assim tão  fáceis de reaprender. Exigem foco, atenção. Mas são o melhor dos programas.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Porta

Trabalho num lugar a que chamam a porta. Entro e saio todas as semanas, e como eu milhares.    Tocam-se ali a Estremadura, o Ribatejo, o Alentejo. Acho-me mais longe de Lisboa do que realmente estou, e isso às vezes sabe bem - muitas não. Será estranho, sentir falta de uma terra que não é bem nossa? Mais que esta será, para já.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O mau do bom

Ser dos mais novos de um qualquer clã grande e unido garante infância boa. Garante também cuidados e perdas que parecem não acabar, nos anos do porvir.

Wee Hours

Ainda me surpreendo quando acolho uma resposta no exacto antípoda da esperada. Não me habituo, não sei porquê. Chegará a tempo de mim, o tempo de entender?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Toalha

Deve haver uma designação para as pessoas que estimam os objectos até ao dia em que estes morrem de morte natural. Se essa inclinação é uma forma de animismo, uma cronopatia, não sei. Talvez isso não seja importante. 
As consequências de tal inclinação são variadas: ligeiro desfasamento geracional, senso inadequado do que dizer, vestir, fazer, etc. A mais divertida delas consiste numa vertigem de familiaridade causada por qualquer coincidência à qual só o próprio dá nexo. 
Ilustrando: Segue-se uma das personagens masculinas mais tristes da ficção televisiva do séc. XXI, Don Draper, e, a dado momento,
[Sad Men (quero dizer, podia chamar-se assim)]

À primeira oportunidade, a pessoa abre a gaveta da cómoda de família só para confirmar, e, bem,

,
[a toalha (e um sabonete Ach.Brito dos novos, laranja e tomilho, só para fazer prova de vida)]

time-lag, estão a ver?     

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Barreiro, Rua Padre Abel Varzim

Não nasci noutro lugar, nasci neste por causa dele, deles. Uns poucos de beirões entre alentejanos e algarvios a ver de vida melhor. Foi a vez da gente que dizia cuf sem pensar em hospitais  modernos e caros, antes em trabalho certo, condutado daquele enxofre que enchia tudo.

terça-feira, 3 de junho de 2014


[John Adams,Harmonielehre; Part III. Meister Eckhardt and Quackie, 1985]

Da Vida

É uma expressão que a minha geração não usa, entre outras, mais conceptuais ou coloquiais. Quando a leio ou oiço não consigo pensar em juventude, vitalidade, eficácia máxima; sempre que alguém me fala na força da vida só me ocorrem os que conheci em luta contra um qualquer mal terrível, forte, ganhando ou não.

Wee Hours

Para onde irão/os nossos gestos,/perguntas,/quereres/sem resposta?/Sumir-se-ão?/Galgarão o ar/em que  os  pousámos?

Staccata

Meses de semanas staccate, dias por uma hora de um lampejo concertante. Anos neste fraseio de vida próximo da fantasia. Doppio. Semplice.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Encarnejar

é um verbo muito conjugado lá na região onde trabalho. Pode ser fruto do embaraço, do entusiasmo, ou dos dois.

[Parabéns aos meus queridos adversários benfiquistas - touchée.]

terça-feira, 13 de maio de 2014

Strasbourg, Quai des Moulins

Caminhei por ali comigo há dias. Também se viam represas, barcaças, pontes. Não como cá, nunca nada como cá. Isto por mor do filme que fala do rapaz que queria partir. O mesmo que acaba com a rapariga a chorar e rir por atacado, como costumo fazer. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Per Diem

Na bainha do dia vai cabendo música, já não é mau. Tenho ouvido o que boa parte da Europa tem dançado, Stromae. Paul van Haver é do melhor que aconteceu à musica popular em francês, nas  últimas décadas. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Wee Hours

Tenho apanhado o ciclo Kazan, ao menos.

Modo Funcionário

É uma grande porcaria, não chegarem as horas dos dias para ler nem escrever. Embrutece o espírito mais depressa do que seria de esperar, emaranhado que vai ficando nas tarefas, das relevantes às mais comezinhas.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Wee Hours

A confiança é um risco de cálculo indeterminável. Só deixamos de ser simples espectadores dos nossos desejos quando a pomos em marcha.