Nunca as soube fazer bem, mas sempre gostei de as fazer, as colagens. A cada caderno de trabalho reincido, jogando um jogo que não entendo bem.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
Argumentos
Sob a verdade possível fica um vão de medos, e o que mais lá há são fios de conversas que não deram pano para mangas. Ouvia hoje alguém repetir-me uma conversa simples, limpa, feliz e pensei nisto com o coração, todas as conversas que quis ter, cafés, gelados, mensagens sem retorno, que correram mal, em que me acanhei ou não persisti.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Wee Hours
Os gestos simples não são assim tão fáceis de reaprender. Exigem foco, atenção. Mas são o melhor dos programas.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
A Porta
Trabalho num lugar a que chamam a porta. Entro e saio todas as semanas, e como eu milhares. Tocam-se ali a Estremadura, o Ribatejo, o Alentejo. Acho-me mais longe de Lisboa do que realmente estou, e isso às vezes sabe bem - muitas não. Será estranho, sentir falta de uma terra que não é bem nossa? Mais que esta será, para já.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
O mau do bom
Ser dos mais novos de um qualquer clã grande e unido garante infância boa. Garante também cuidados e perdas que parecem não acabar, nos anos do porvir.
Wee Hours
Ainda me surpreendo quando acolho uma resposta no exacto antípoda da esperada. Não me habituo, não sei porquê. Chegará a tempo de mim, o tempo de entender?
sexta-feira, 27 de junho de 2014
A Toalha
Deve haver uma designação para as pessoas que estimam os objectos até ao dia em que estes morrem de morte natural. Se essa inclinação é uma forma de animismo, uma cronopatia, não sei. Talvez isso não seja importante.
As consequências de tal inclinação são variadas: ligeiro desfasamento geracional, senso inadequado do que dizer, vestir, fazer, etc. A mais divertida delas consiste numa vertigem de familiaridade causada por qualquer coincidência à qual só o próprio dá nexo.
Ilustrando: Segue-se uma das personagens masculinas mais tristes da ficção televisiva do séc. XXI, Don Draper, e, a dado momento,
[Sad Men (quero dizer, podia chamar-se assim)]
À primeira oportunidade, a pessoa abre a gaveta da cómoda de família só para confirmar, e, bem,
[a toalha (e um sabonete Ach.Brito dos novos, laranja e tomilho, só para fazer prova de vida)]
time-lag, estão a ver?
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Barreiro, Rua Padre Abel Varzim
Não nasci noutro lugar, nasci neste por causa dele, deles. Uns poucos de beirões entre alentejanos e algarvios a ver de vida melhor. Foi a vez da gente que dizia cuf sem pensar em hospitais modernos e caros, antes em trabalho certo, condutado daquele enxofre que enchia tudo.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Da Vida
É uma expressão que a minha geração não usa, entre outras, mais conceptuais ou coloquiais. Quando a leio ou oiço não consigo pensar em juventude, vitalidade, eficácia máxima; sempre que alguém me fala na força da vida só me ocorrem os que conheci em luta contra um qualquer mal terrível, forte, ganhando ou não.
Wee Hours
Para onde irão/os nossos gestos,/perguntas,/quereres/sem resposta?/Sumir-se-ão?/Galgarão o ar/em que os pousámos?
Staccata
Meses de semanas staccate, dias por uma hora de um lampejo concertante. Anos neste fraseio de vida próximo da fantasia. Doppio. Semplice.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Encarnejar
é um verbo muito conjugado lá na região onde trabalho. Pode ser fruto do embaraço, do entusiasmo, ou dos dois.
[Parabéns aos meus queridos adversários benfiquistas - touchée.]
terça-feira, 13 de maio de 2014
Strasbourg, Quai des Moulins
Caminhei por ali comigo há dias. Também se viam represas, barcaças, pontes. Não como cá, nunca nada como cá. Isto por mor do filme que fala do rapaz que queria partir. O mesmo que acaba com a rapariga a chorar e rir por atacado, como costumo fazer.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Per Diem
Na bainha do dia vai cabendo música, já não é mau. Tenho ouvido o que boa parte da Europa tem dançado, Stromae. Paul van Haver é do melhor que aconteceu à musica popular em francês, nas últimas décadas.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Modo Funcionário
É uma grande porcaria, não chegarem as horas dos dias para ler nem escrever. Embrutece o espírito mais depressa do que seria de esperar, emaranhado que vai ficando nas tarefas, das relevantes às mais comezinhas.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Wee Hours
A confiança é um risco de cálculo indeterminável. Só deixamos de ser simples espectadores dos nossos desejos quando a pomos em marcha.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Na Rede
Nenhum livro te obriga a leres uma página específica, nenhum jornal te exige incessantemente a morada para poderes continuar a folhear, nenhuma revista te proíbe de saltares um anúncio por pelo menos dez segundos. Pior que nos ad men e proprietários dos mass media clássicos, há uma maneira de estar abusiva neste miúdos de Silicon Valley.
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