a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O mau do bom

Ser dos mais novos de um qualquer clã grande e unido garante infância boa. Garante também cuidados e perdas que parecem não acabar, nos anos do porvir.

Wee Hours

Ainda me surpreendo quando acolho uma resposta no exacto antípoda da esperada. Não me habituo, não sei porquê. Chegará a tempo de mim, o tempo de entender?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Toalha

Deve haver uma designação para as pessoas que estimam os objectos até ao dia em que estes morrem de morte natural. Se essa inclinação é uma forma de animismo, uma cronopatia, não sei. Talvez isso não seja importante. 
As consequências de tal inclinação são variadas: ligeiro desfasamento geracional, senso inadequado do que dizer, vestir, fazer, etc. A mais divertida delas consiste numa vertigem de familiaridade causada por qualquer coincidência à qual só o próprio dá nexo. 
Ilustrando: Segue-se uma das personagens masculinas mais tristes da ficção televisiva do séc. XXI, Don Draper, e, a dado momento,
[Sad Men (quero dizer, podia chamar-se assim)]

À primeira oportunidade, a pessoa abre a gaveta da cómoda de família só para confirmar, e, bem,

,
[a toalha (e um sabonete Ach.Brito dos novos, laranja e tomilho, só para fazer prova de vida)]

time-lag, estão a ver?     

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Barreiro, Rua Padre Abel Varzim

Não nasci noutro lugar, nasci neste por causa dele, deles. Uns poucos de beirões entre alentejanos e algarvios a ver de vida melhor. Foi a vez da gente que dizia cuf sem pensar em hospitais  modernos e caros, antes em trabalho certo, condutado daquele enxofre que enchia tudo.

terça-feira, 3 de junho de 2014


[John Adams,Harmonielehre; Part III. Meister Eckhardt and Quackie, 1985]

Da Vida

É uma expressão que a minha geração não usa, entre outras, mais conceptuais ou coloquiais. Quando a leio ou oiço não consigo pensar em juventude, vitalidade, eficácia máxima; sempre que alguém me fala na força da vida só me ocorrem os que conheci em luta contra um qualquer mal terrível, forte, ganhando ou não.

Wee Hours

Para onde irão/os nossos gestos,/perguntas,/quereres/sem resposta?/Sumir-se-ão?/Galgarão o ar/em que  os  pousámos?

Staccata

Meses de semanas staccate, dias por uma hora de um lampejo concertante. Anos neste fraseio de vida próximo da fantasia. Doppio. Semplice.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Encarnejar

é um verbo muito conjugado lá na região onde trabalho. Pode ser fruto do embaraço, do entusiasmo, ou dos dois.

[Parabéns aos meus queridos adversários benfiquistas - touchée.]

terça-feira, 13 de maio de 2014

Strasbourg, Quai des Moulins

Caminhei por ali comigo há dias. Também se viam represas, barcaças, pontes. Não como cá, nunca nada como cá. Isto por mor do filme que fala do rapaz que queria partir. O mesmo que acaba com a rapariga a chorar e rir por atacado, como costumo fazer. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Per Diem

Na bainha do dia vai cabendo música, já não é mau. Tenho ouvido o que boa parte da Europa tem dançado, Stromae. Paul van Haver é do melhor que aconteceu à musica popular em francês, nas  últimas décadas. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Wee Hours

Tenho apanhado o ciclo Kazan, ao menos.

Modo Funcionário

É uma grande porcaria, não chegarem as horas dos dias para ler nem escrever. Embrutece o espírito mais depressa do que seria de esperar, emaranhado que vai ficando nas tarefas, das relevantes às mais comezinhas.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Wee Hours

A confiança é um risco de cálculo indeterminável. Só deixamos de ser simples espectadores dos nossos desejos quando a pomos em marcha.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Na Rede

Nenhum livro te obriga a leres uma página específica, nenhum jornal te exige incessantemente a morada para poderes continuar a folhear, nenhuma revista te proíbe de saltares um anúncio por pelo menos dez segundos. Pior que nos ad men e proprietários dos mass media clássicos, há uma maneira de estar abusiva neste miúdos de Silicon Valley.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

[Bleu, K.Kieslowsky, 1993]

Dia de reflexão no monte. Há que levar um símbolo, uma oração e algo de comer. Chega.
Passei a ponte a ouvir na rádio uma cantora falar sobre certo estudo dedicado às doenças causadas pelos livros que lemos. Germes, bacilos, bactérias, fungos. Estava à espera do salto óbvio, do contágio espiritual. Nada.

Na Estepe

Para evitarmos imagens foleiras quando tentamos falar do campo afectivo, bem podíamos usar terminologia geofísica.

Estendais

Sempre tive instinto prudente. Isto não basta como explicação desse mal que é o ensimesmamento,  a falta de coragem sentimental. De onde nascem estes receios de arriscar nos outros? Que medo é este, que doença é? No tempo em que os prédios tinham estendais não era tanto assim. Quem decidiu que as cordas da roupa desfeiam fachadas?

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Línguas

É difícil pedir, sobretudo a quem nada pede.