Caminhei por ali comigo há dias. Também se viam represas, barcaças, pontes. Não como cá, nunca nada como cá. Isto por mor do filme que fala do rapaz que queria partir. O mesmo que acaba com a rapariga a chorar e rir por atacado, como costumo fazer.
terça-feira, 13 de maio de 2014
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Per Diem
Na bainha do dia vai cabendo música, já não é mau. Tenho ouvido o que boa parte da Europa tem dançado, Stromae. Paul van Haver é do melhor que aconteceu à musica popular em francês, nas últimas décadas.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Modo Funcionário
É uma grande porcaria, não chegarem as horas dos dias para ler nem escrever. Embrutece o espírito mais depressa do que seria de esperar, emaranhado que vai ficando nas tarefas, das relevantes às mais comezinhas.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Wee Hours
A confiança é um risco de cálculo indeterminável. Só deixamos de ser simples espectadores dos nossos desejos quando a pomos em marcha.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Na Rede
Nenhum livro te obriga a leres uma página específica, nenhum jornal te exige incessantemente a morada para poderes continuar a folhear, nenhuma revista te proíbe de saltares um anúncio por pelo menos dez segundos. Pior que nos ad men e proprietários dos mass media clássicos, há uma maneira de estar abusiva neste miúdos de Silicon Valley.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Na Estepe
Para evitarmos imagens foleiras quando tentamos falar do campo afectivo, bem podíamos usar terminologia geofísica.
Estendais
Sempre tive instinto prudente. Isto não basta como explicação desse mal que é o ensimesmamento, a falta de coragem sentimental. De onde nascem estes receios de arriscar nos outros? Que medo é este, que doença é? No tempo em que os prédios tinham estendais não era tanto assim. Quem decidiu que as cordas da roupa desfeiam fachadas?
quinta-feira, 3 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Wee Hours
Sinatra, o homem que dormia como um soldado, não deixou aforismos memoráveis. Imagino-o, nas horas a que chamava pequenas (nós, altas), à escuta de histórias vagas, com vagares em extinção, passando por adormecido.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Sul Tevere
Damien Jurado, 'Everything Trying' [Caught in the Trees, 2008]
Um filme, quando vale, demora-se. Como os belli trenini che non vanno da nessuna parte.
terça-feira, 18 de março de 2014
Roma, Via delle Quattro Fontane
Fui apanhada desprevenida, não estava à espera de gostar do filme a ponto de me comover. A inocência, a precariedade, a inquietação e a beleza, há algum tempo que não as via juntas no cinema.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Escrever
Como ler, escrever não passou a ser fácil. Nem sequer mais fácil. Entendo agora que mais velha, zangada, ressumo um demótico tão inho que é quase certo que novesfora tudo.
Queria dizer limpo, justo, claro. Mas tantas são as vezes que não digo quantas as que mal consigo dizer.
Queria dizer limpo, justo, claro. Mas tantas são as vezes que não digo quantas as que mal consigo dizer.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Uma Coisa de Cada Vez
Não tenho o dom da multifuncionalidade. Fazer, ou mesmo só pensar mais que uma coisa de cada vez, raramente é comigo.
Sintra, Estrada de Mafra
Podemos trocar o verbo morrer por outros menos exactos e duros, como partir, desaparecer. Sinto-me todas as vezes tentada a fazê-lo. Depois, cabeça e coração a latejar a compasso, digo a palavra certa com uma surpresa sem sentido.
O Ver Morrer
Esse tempo desmedido, quanto baste para cansar tanto o estar sentado quanto o caminhar, para arrefecer as mãos e os pés junto à porta de entrada, para telefonar ou ver fumar, é do tamanho do que não podemos fazer por quem nos está a deixar. Ver alguém querido no fim da vida, em sofrimento, é de emudecer.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Wee Hours
Sempre gostei muito da expressão burocrática 'em tempo' mais justa do que um lacónico p.s.. Ainda a uso nas actas e cartas.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
De que serve ler
Camilo em conversa com o seu grande amigo Ouguela tem sido ainda mais difícil do que esperava. É um carteado de coração na boca, muitos desabafos sobre maleitas próprias, o enlouquecer do filho, a morte súbita do enteado, os gostos e desgostos com 'tudo isso' lá de Lisboa, a neta pequena. Por isto fica a pessoa transida, quando por entre a escrita da tristeza cintila algo assim:
[Seide, finais de 1877]
(...) Este mau tempo, em aldeia, é pior que o inferno cristão, onde há o ranger de dentes, ainda mesmo para os que morreram desdentados. Imagina-me ou na cama ou no escritório, e as ramarias a rugirem como vagalhões de folhas e as vidraças a arquejarem, e eu a ver quando elas me fazem estilhaços na cara. Eu, se conhecesse um poeta bucólico, batia-lhe. Nesta casa só se divertem os patos que estão sempre em semicúpio nos tanques. Tenho um peru pequeno que treme de frio como um sabiá das trovas cariocas do Gonçalves Dias. Meto-o na cama comigo, e a Ana Plácido dá-lhe sopas de vinho para o aquecer.
(...) Depois, volto-me para os horizontes pardos onde as nuvens se retravam e despedaçam como grandes mastodontes, e pergunto aos céus de que serve ler.
(...)
(...) Este mau tempo, em aldeia, é pior que o inferno cristão, onde há o ranger de dentes, ainda mesmo para os que morreram desdentados. Imagina-me ou na cama ou no escritório, e as ramarias a rugirem como vagalhões de folhas e as vidraças a arquejarem, e eu a ver quando elas me fazem estilhaços na cara. Eu, se conhecesse um poeta bucólico, batia-lhe. Nesta casa só se divertem os patos que estão sempre em semicúpio nos tanques. Tenho um peru pequeno que treme de frio como um sabiá das trovas cariocas do Gonçalves Dias. Meto-o na cama comigo, e a Ana Plácido dá-lhe sopas de vinho para o aquecer.
(...) Depois, volto-me para os horizontes pardos onde as nuvens se retravam e despedaçam como grandes mastodontes, e pergunto aos céus de que serve ler.
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