Na bainha do dia vai cabendo música, já não é mau. Tenho ouvido o que boa parte da Europa tem dançado, Stromae. Paul van Haver é do melhor que aconteceu à musica popular em francês, nas últimas décadas.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
Modo Funcionário
É uma grande porcaria, não chegarem as horas dos dias para ler nem escrever. Embrutece o espírito mais depressa do que seria de esperar, emaranhado que vai ficando nas tarefas, das relevantes às mais comezinhas.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Wee Hours
A confiança é um risco de cálculo indeterminável. Só deixamos de ser simples espectadores dos nossos desejos quando a pomos em marcha.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Na Rede
Nenhum livro te obriga a leres uma página específica, nenhum jornal te exige incessantemente a morada para poderes continuar a folhear, nenhuma revista te proíbe de saltares um anúncio por pelo menos dez segundos. Pior que nos ad men e proprietários dos mass media clássicos, há uma maneira de estar abusiva neste miúdos de Silicon Valley.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Na Estepe
Para evitarmos imagens foleiras quando tentamos falar do campo afectivo, bem podíamos usar terminologia geofísica.
Estendais
Sempre tive instinto prudente. Isto não basta como explicação desse mal que é o ensimesmamento, a falta de coragem sentimental. De onde nascem estes receios de arriscar nos outros? Que medo é este, que doença é? No tempo em que os prédios tinham estendais não era tanto assim. Quem decidiu que as cordas da roupa desfeiam fachadas?
quinta-feira, 3 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Wee Hours
Sinatra, o homem que dormia como um soldado, não deixou aforismos memoráveis. Imagino-o, nas horas a que chamava pequenas (nós, altas), à escuta de histórias vagas, com vagares em extinção, passando por adormecido.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Sul Tevere
Damien Jurado, 'Everything Trying' [Caught in the Trees, 2008]
Um filme, quando vale, demora-se. Como os belli trenini che non vanno da nessuna parte.
terça-feira, 18 de março de 2014
Roma, Via delle Quattro Fontane
Fui apanhada desprevenida, não estava à espera de gostar do filme a ponto de me comover. A inocência, a precariedade, a inquietação e a beleza, há algum tempo que não as via juntas no cinema.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Escrever
Como ler, escrever não passou a ser fácil. Nem sequer mais fácil. Entendo agora que mais velha, zangada, ressumo um demótico tão inho que é quase certo que novesfora tudo.
Queria dizer limpo, justo, claro. Mas tantas são as vezes que não digo quantas as que mal consigo dizer.
Queria dizer limpo, justo, claro. Mas tantas são as vezes que não digo quantas as que mal consigo dizer.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Uma Coisa de Cada Vez
Não tenho o dom da multifuncionalidade. Fazer, ou mesmo só pensar mais que uma coisa de cada vez, raramente é comigo.
Sintra, Estrada de Mafra
Podemos trocar o verbo morrer por outros menos exactos e duros, como partir, desaparecer. Sinto-me todas as vezes tentada a fazê-lo. Depois, cabeça e coração a latejar a compasso, digo a palavra certa com uma surpresa sem sentido.
O Ver Morrer
Esse tempo desmedido, quanto baste para cansar tanto o estar sentado quanto o caminhar, para arrefecer as mãos e os pés junto à porta de entrada, para telefonar ou ver fumar, é do tamanho do que não podemos fazer por quem nos está a deixar. Ver alguém querido no fim da vida, em sofrimento, é de emudecer.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Wee Hours
Sempre gostei muito da expressão burocrática 'em tempo' mais justa do que um lacónico p.s.. Ainda a uso nas actas e cartas.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
De que serve ler
Camilo em conversa com o seu grande amigo Ouguela tem sido ainda mais difícil do que esperava. É um carteado de coração na boca, muitos desabafos sobre maleitas próprias, o enlouquecer do filho, a morte súbita do enteado, os gostos e desgostos com 'tudo isso' lá de Lisboa, a neta pequena. Por isto fica a pessoa transida, quando por entre a escrita da tristeza cintila algo assim:
[Seide, finais de 1877]
(...) Este mau tempo, em aldeia, é pior que o inferno cristão, onde há o ranger de dentes, ainda mesmo para os que morreram desdentados. Imagina-me ou na cama ou no escritório, e as ramarias a rugirem como vagalhões de folhas e as vidraças a arquejarem, e eu a ver quando elas me fazem estilhaços na cara. Eu, se conhecesse um poeta bucólico, batia-lhe. Nesta casa só se divertem os patos que estão sempre em semicúpio nos tanques. Tenho um peru pequeno que treme de frio como um sabiá das trovas cariocas do Gonçalves Dias. Meto-o na cama comigo, e a Ana Plácido dá-lhe sopas de vinho para o aquecer.
(...) Depois, volto-me para os horizontes pardos onde as nuvens se retravam e despedaçam como grandes mastodontes, e pergunto aos céus de que serve ler.
(...)
(...) Este mau tempo, em aldeia, é pior que o inferno cristão, onde há o ranger de dentes, ainda mesmo para os que morreram desdentados. Imagina-me ou na cama ou no escritório, e as ramarias a rugirem como vagalhões de folhas e as vidraças a arquejarem, e eu a ver quando elas me fazem estilhaços na cara. Eu, se conhecesse um poeta bucólico, batia-lhe. Nesta casa só se divertem os patos que estão sempre em semicúpio nos tanques. Tenho um peru pequeno que treme de frio como um sabiá das trovas cariocas do Gonçalves Dias. Meto-o na cama comigo, e a Ana Plácido dá-lhe sopas de vinho para o aquecer.
(...) Depois, volto-me para os horizontes pardos onde as nuvens se retravam e despedaçam como grandes mastodontes, e pergunto aos céus de que serve ler.
(...)
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Lisboa, Rua do Arco da Graça
Calhou ser atropelada no último dia de aulas, início dos anos noventa. O pai e o irmão trouxeram da arrecadação a cama articulada em que a mãe da mãe viveu nos últimos dias de um Verão não muito anterior.
Leu. Enjoou às olimpíadas nos dois canais de televisão. Foi à fisioterapia.
O medo do lugar do pendura pesou durante muito tempo, tanto quanto o do condutor. Tirou a carta tarde. Apeada, atravessava as ruas só ao fim de um bocado, quase sempre a correr.
Trabalha longe, hoje. Em quelha estreita ou auto-estrada ainda acusa a vertigem da velocidade.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Continuando
, chamo a atenção de quem desistiu da rtp2 para a aparição semanal da versão do Stoppard de Parade's End. Não serei o que recentemente se convencionou chamar uma cumberb#tch, mas aprecio um trabalho bem feito.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Mons, Rampe Sainte-Waudru
Da torre sineira à colegiada o caminho é curto, um pouco íngreme. Penso no que quero para mim, sem costume. É boa hora.
Richebourg, Rue du Grand Chemin
[Dezembro, '13]
Passando o portal, o canteiro de lápides difíceis de ler tem por ponto de fuga esta haste. A dignidade do lugar é mantida pelos que foram ver de vida em França, o que diz muito de nós.
Custa que a cor erodida seja a dos que compareceram à chamada. Resta-nos estar à altura do verde que há.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Aachen, Annastraße
Antes de ser catedral, esta era a capela palatina do homem a quem chamaram pai da Europa. Imagino-o quase como o dizem as crónicas: alto, sólido, atento, obstinado. Duro. Ali está, na abside de um dos mais belos polígonos que já vi, um desconcertante encontro entre levante e poente. Por que terá rezado ele, aqui? Por quem?
Lá fora fecham um mercado sazonal à moda teutónica - brinquedos em madeira, vinho quente, bolinhas de porcelana, couve-flor frita. Cirando, peço pelos meus, por quem passa, por nós, por todos.
Lá fora fecham um mercado sazonal à moda teutónica - brinquedos em madeira, vinho quente, bolinhas de porcelana, couve-flor frita. Cirando, peço pelos meus, por quem passa, por nós, por todos.
Feliz Natal.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Wee Hours
"And now the sun has broken through, it looks like it will stay
Just can't have you comin' home on such a rainy day
The train is leaving Ellensville, unless my watch is fast
The kids are comin' home from school, must be quarter past
So many changes since you've been away, and there's so many things to say
This time around you'll want to stay, 'cuz I've had so many nights to find the way
Even bought that summer cottage yesterday, pretty soon I'll be close to you
And it will be so good, we'll talk about the part of you I never understood,
And I will take good care of you, and never let you cry
We will look so much in love to people passing by
So many changes since you've been away, and there's so many things to say
I wrote so many times and more, but the letters still are lying in my drawer
'Cuz the morning mail had left some time before
All the passengers for Allentown wait closer to the track
It's hard for me to realize you're really coming back
The crossing gate is coming down I think I see the train
The sun has gone and now my face is wet with heavy rain
The passengers for Allentown are gone, the train is slowly moving on
But I can't see you any place, and I know for sure I'd recognize your face
And I know for sure I'd recognize your face."
Just can't have you comin' home on such a rainy day
The train is leaving Ellensville, unless my watch is fast
The kids are comin' home from school, must be quarter past
So many changes since you've been away, and there's so many things to say
This time around you'll want to stay, 'cuz I've had so many nights to find the way
Even bought that summer cottage yesterday, pretty soon I'll be close to you
And it will be so good, we'll talk about the part of you I never understood,
And I will take good care of you, and never let you cry
We will look so much in love to people passing by
So many changes since you've been away, and there's so many things to say
I wrote so many times and more, but the letters still are lying in my drawer
'Cuz the morning mail had left some time before
All the passengers for Allentown wait closer to the track
It's hard for me to realize you're really coming back
The crossing gate is coming down I think I see the train
The sun has gone and now my face is wet with heavy rain
The passengers for Allentown are gone, the train is slowly moving on
But I can't see you any place, and I know for sure I'd recognize your face
And I know for sure I'd recognize your face."
Robert Gaudio / Jake Holmes ( 'The Train', gravada em 1970 para 'Watertown', por F. Sinatra)
Montemor-o-Novo, Rua dos Almocreves
Não encontrei piquete à entrada, só desapontamento e sarcasmo. Deixei-me avaliar durante as avaliações dos miúdos, as actas, os ensaios e as planificações por saber que desperdiçar oportunidades de trabalho futuras não é luxo ao meu alcance. Não tendo nada contra avaliações, tenho muito contra políticas às três pancadas, pagamentos à cabeça, matrizes sem cotação, componentes comuns que exibem dois terços de cálculo contra um terço de língua. A má fé e a miséria executiva desaguaram nisto, na minha sala: uma descompensada a chamar filha da p#ta a uma das vigilantes ainda antes de tomar o lugar, telemóveis a tocar, gente que continuou a conversar depois do toque. Depois desse dia amo tanto o meu país quanto até então. Mas com um amor mais cansado.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Ouvidoria
No fim de semana, durante os concertos da escola, fui tomada por um nervoso miudinho muito parecido com o dos saraus, agora em segunda mão. As saudações de princípio e fim de acto, na sua coragem e desamparo, dizem volumes sobre cada músico.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Wee Hours
"Todas as mensagens". Sempre que regresso ao Blogger isto é o que o écran me devolve: "Todas as mensagens". As que leio, as que só entendo depois de escrever, as que emendo, as que guardo.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Prova de Bala
Richard Castle é uma das minhas mais recentes pessoas ficcionais preferidas. Há qualquer coisa suavemente deslocada na sua situação, no seu penteado, nas suas piadas. Muito cativa quem não é de modas.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Andaimes
E agora sem rodinhas, sem aparelhos, sem andaimes. Anos físico-químicos tombados em arquivo. Campo aberto, e quase tudo por andar.
Punxsutawney, Barclay Square
[Dir. Harold Ramis, 1993]
Só há poucos dias vi o Groundhog Day. Quero dizer, ver já o tinha visto, mas não tinha entendido grande coisa. Aconteceu-me recentemente o mesmo com o Rocky. O que ainda não alcancei é se é com o passar do tempo que as coisas ganham um sentido, se é por causas delas que o conseguimos apurar.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Queluz, Rua Alfredo Keil
Ontem ao final da tarde andei a pé por Queluz. Há algum tempo que não o fazia. Se calhar, muito. Não tenho real noção. Por mais que tivesse dado pelas mudanças, admito que não as tinha guardado. Cruzei os Quatro Caminhos da Avenida da República à António Enes sem os entender: a falta que o renque de plátanos - que ia dali ao topo da Miguel Bombarda - faz. Lixo aos cantos; o casarão do colégio Almeida Garret devoluto, guarnecido de matagal; um marasmo estranho na praça da estação. Iluminação fraca. Seguranças, vários.
Passear por um lugar tão querido, familiar, tão destratado, aperta o coração.
Passear por um lugar tão querido, familiar, tão destratado, aperta o coração.
Wee Hours
Um dos verbos mais intrigantes do nosso léxico é conjurar: como pode a palavra que nos diz uma coisa e o seu contrário esclarecer?
terça-feira, 29 de outubro de 2013
A2, KM 11
Aos cinco anos também não - fui temporã em pouca coisa, até hoje. Achei o rock mesmo quando começava a precisar dele. Privilégio de irmã mais nova, outorgado em cassetes BASF surpreendentemente sortidas. Esse choque eléctrico chamado Lou Reed vinha numa delas. Falava de salva-vidas.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Massamá, Rua das Camélias
Caía um tal pé de água que comparecemos pouco mais de meia dúzia. Foi melhor assim; conversa franca à entrada, manifesta ausência de silêncios esquisitos à sobremesa. Não demorou a que quiséssemos saber pelos que já são pais dos que chamam escola deles à nossa escola como estão as coisas, como pôde aquilo ser. Não nos souberam dizer. Acabaram por contar um pouco mais em segunda mão, o fumo azul a encher o pavilhão, os gritos, a correria.
Tudo está bem melhor do que quando foi a nossa vez - é o que nos parece, é o que nos chega. Os miúdos são quase todos da freguesia, não um feixe de descartados de outros lados que perdiam meio-dia a ir-e-vir; a violência e outras substâncias não controladas ficam sobretudo do outro lado da estrada, onde estava o 'parque do avião'. Mas agora estamos de fora, a maior parte só lá vai para votar, como no outro dia em que também chovia. Se calhar só achamos isto por nos custar que pensem mal de nós, fina-flor do suburbanato português. A verdade é que não sabemos que verdade foi aquela.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
B.I.
A prova de não me estar a sentir nova tive-a ontem, da boca do querido lidl: a rapariga da caixa olhou para o avio, para mim, corou e pediu desculpa por me ter de pedir a identificação para poder vender aquelas cervejas. A noção de ter dobrado os dezoito é tal que só consegui mostrar o B.I. e agradecer com um sorriso apalermado, tomando à descarada o engano por elogio.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
A ponto de saber tudo
Wagner Moura, esse grande actor baiano, não é nem pretendeu ser Renato Russo, calma. Basta ver este seu Quase Sem Querer para o entender devoto legionário. E quem nunca quis dançar assim mais uma vez?
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Fui aos figos
Entre a chuva aproveitámos o que pudemos e chamámos-lhe o nome que têm. A Beira cheira à água das barrocas e às folhas amarelas que se começam a amontoar. Cheguei à urna a tempo. Résvés. Voto vencido, também maneiras campo-de-ourique.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Massamá, Rua de Vila Nova Sintra
O que me acontece agora não tem sotaque ferrodiário nem cadência metálica urbana. Continuo em trânsito, banda de além, banda de cá - rodovidas.
Há uns dez anos fiquei tão contente em descobrir os blogues. Daí a cair eu própria na bloga foi um passo. O Quatro Caminhos fez nove anos anteontem. Ainda não é antigo, mas já se atira para velho.
Há uns dez anos fiquei tão contente em descobrir os blogues. Daí a cair eu própria na bloga foi um passo. O Quatro Caminhos fez nove anos anteontem. Ainda não é antigo, mas já se atira para velho.
sábado, 14 de setembro de 2013
Os Meios e os Fins
Jonathan Franzen escreveu ontem no Guardian sobre uma variante específica dos zangados-com-o-mundo. Karl Kraus e a sua Die Fackel são relidos a propósito dos novos media em particular, e do tecnoconsumismo, de uma forma geral.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Lisboa, Rua Vale do Pereiro
Não contava apanhar uma banhada do Orson Welles. A adaptação d'O Processo não correu pelo melhor. Digo eu, claro. O Perkins é, à cabeça, um K. mais agressivo que angustiado.
sábado, 7 de setembro de 2013
Xeque aos reis
Não li os livros nem planeio fazê-lo, gravo e vejo Game of Thrones por gostar de inglesices nas séries de televisão. Acrescem a este entretém os relatos da Fal - um esporte por direito próprio.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Wee Hours
O Sul a assentar em mim. Vocativos trocados, cantos dos ditongos dobrados, as vogais mais chãs. Muita viola e voz, graças a Deus.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Por falar no cantador
, eu cá, se fosse o Lorenzo Carvalho do meu bairro, marcava o António Zambujo para me cantar umas modinhas nos anos. Ai não.
Alento no Terreiro da Vida
[António Zambujo e Coro Angelite, Sofia, 2011. Chamateia (Luís Alberto Bettencourt / António Melo e Sousa)]
Ora bem: como dizia um comentador no Youtube, este é um daqueles encontros da world music que podia ter dado buraco, mas não deu. Estamos feitos uns cínicos, é o que é. O que dali se ouve é bem mais que bonito.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Planeta Nacional
Está demasiado calor para não ceder a recursos de estilo mesmo à mão de semear. Neste caso, de mondar. A Biblioteca Nacional de Portugal é um lugar que sinto como meu há anos; com mais ou menos frequência, por lá me encontro a fazer uma das coisas que faço na vida - ler. Nos últimos tempos deparo-me com este pormaior confrangedor: do lado de fora, para os passantes, para a estrada, um espaço ajardinado sofrivelmente mantido; do lado de dentro, frente à varanda da sala de leitura geral, há capim cada vez mais encarneirado, terreno desnivelado desde o abatimento do último estaleiro de obras, ervas daninhas a nascer na base do edifício acabado de ampliar. O desmazelo mal disfarçado, o privilégio dado à fachada sobre o interior, parecem-me um bocado mais ofensivos em tempos de dificuldade.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Hic et Nunc
Há várias formas de não viver o presente. Como toda a gente, experimentei, uso algumas: planear tudo muito planeado, ocupar-me fundamentalmente de tempos e pessoas que já passaram, dormir muito, dormir nada, não improvisar. Todas elas produzem a mesma ressaca - uma vertigem do tamanho de 2013.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Colbert e Attal [A Quarta Parede]
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXXVI
Pior que não encontrar filmes como esse Moretti de mil novecentos e oitenta e quatro, deixar de os saber ver.
Sul
Uma dúzia de anos de trabalho(s) e(m) meia dúzia de lugares depois, prendem-me cada vez mais a atenção os traços locais que uma exposição prolongada à instrução ou aos media não aplaina. Na zona por onde agora estou, um dos mais desconcertantes é a reacção comum à notícia de (mais) um suicídio; à falta de melhor, descrevê-lo-ia como naturalismo fatalista.
Per Sappere Se Vanno Benne
Acordei a pensar no Bianca, do Moretti. Provavelmente por causa do telefilme (Oliveira/Mexia) que a RTP repetiu ontem, por já ser tempo para gelados outra vez, etc. Trinta anos separam um protagonista do outro, eppure ali estão eles, vestidos, escanhoados, baptizados do mesmo modo. O romano imperativo, ofendido com os gentios da sachertorte, o lisboeta desconfiado, negando-se à tarte de maçã à casa com um obrigado.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Massa Folhada
Mesmo os enganos dos meus miúdos funcionam, parecem aqueles acidentes culinários da safra da massa folhada. Noutro dia estava a falar com alguns dos mais pequenitos do sexto sobre o Fontismo, a dívida externa, Bordalo, a caricatura, o Zé Povinho, e uma das mais bem dispostas pespinetas sai-se-me com um:
- Zé Bovino, professora?!
Refinados.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
A6, KM 15
Fernando Lopes-Graça, Suite Rústica Nº3 para Filarmónica, Parte II
[Orquestra de Sopros da U. Aveiro, dir. Luís Carvalho]
A impressão não é a de que passaram quatro vezes quatro semanas, ou por aí. Se às vezes a gente não dá conta do mester com bom fôlego, quanto mais há-de achar jeito para alar a rede com gana?
domingo, 30 de dezembro de 2012
Metz, Rue d'Estrées
[Catedral de Saint-Étienne, Marc Chagall, Metz]
Chagall tinha cerca de setenta anos quando se interessou pelo desenho de vitrais. Quem os olha agora pode escolher o ângulo, a posição, o tempo restante que lá fora determina a luz.
Chagall tinha cerca de setenta anos quando se interessou pelo desenho de vitrais. Quem os olha agora pode escolher o ângulo, a posição, o tempo restante que lá fora determina a luz.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Adventos
Começou por ser apenas um dos vizinhos do prédio - o marido da senhora que ensaiava hinos religiosos no órgão, quase todas as tardes. Conversava de forma breve e amigável à entrada ou nas escadas com os meus pais, sobretudo o meu pai, a quem veio a confiar ao longo dos anos chaves, cartas, avisos. Desde que me lembro me intrigou o facto de uns o tratarem por senhor, outros por pastor, outros por professor. Mais tarde percebi por que razões não comia carne ou guardava os sábados unicamente para o culto, por que vinha levando uma vida de missão, estudo, escrita. Em pequenos, nunca se enganava nos nossos nomes e cumprimentava-nos sempre quando nos via brincar todos juntos, na rua. No momento em que comecei a estudar assuntos que lhe eram tangentes, já crescida, foi generoso e simples. Só então, em consequência desses trabalhos, a pouco e pouco, fui tomando real noção da sua biografia. Foi uma sorte, ter podido ser amiga de um homem que fez da sua vida - quase centenária - aventura do espírito.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Massamá, Avenida Infante Dom Henrique
Quem entra em Massamá por Tercena não deixa de olhar o respiradouro do aqueduto que está mesmo debaixo do viaduto da Avenida 25 de Abril - o do lado direito, aquele que fica sob a um foco de meia-luz desde o final da tarde até ao amanhecer - para tentar saber do ponto em que está a novela gráfica local: de há vários meses para cá um livre-pintor não-identificado deu em deixar (com algum grau de sofisticação, há que dizê-lo) no dito monumento um Guy Fawkes com porte de Sandeman, suponho que para desinquietar o mais conhecido habitante da freguesia no seu regresso a casa. A Junta bem passou demãos de ocre sobre o espantalho de spray, mas o Fawkes teima, reaparece, depois é apagado à força de trincha. De há poucas semanas a esta parte, alternando com o boneco de bigode anarquista, tomaram vez os seguintes versos em caligrafia afrancesada, um primor borrifado em stencil: Passos, se tens colh$es / tira a quem tem milhões! Anteontem, pintado por cima, lá estava o bigodudo. E os mactamenses sobem a avenida, intrigados, depois seguem à sua vida. Os mais velhos passam os olhos pelo sítio onde havia a fábrica da Polylon, depois trauteiam a antiga lengalenga da rádio.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
N4, Km 41
Vir pelo Ribatejo lembra-me o tempo em que demorávamos muito a chegar à terra. Se calhar parecia-nos mais ainda que o mais que já demorávamos por não haver a nova auto-estrada, porque éramos pequenos. A nossa mãe bem nos dava festas e biscoitos de manteiga, mas não tínhamos paciência. Cantávamos e gritávamos um bocado demais naquele Fiat 127. Continua a haver bastante fruta e vinho à venda nas bermas, como então. Admiro isto no ribatejanos - a teima na sua lavra, o amor a ela.
Lisboa, Alameda Pe. Álvaro Proença
[A.A.Garrett, Nuno Fradique, int. Madalena Iglésias, Balada das Palavras Perdidas, 1964.]
A canção - que ficou em quinto lugar no Festival desse ano, o primeiro de sempre - foi uma das que Madalena apresentou a concurso. É bem bonita; está nos antípodas d' Ele e Ela, tão aclamada dois anos depois. Lembrei-me da bela Iglésias por ter sabido que lhe ergueram um busto há semanas, ali para os lados de Benfica.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Lisboa, Avenida da Ponte
Houve um tempo em que tinha muito medo de atravessar aqui. Era quando dava aquela série passada em São Francisco e um terramoto tinha deixado várias pessoas isoladas a meio da Golden Gate. Quase todos os episódios se desenrolavam num pedaço ondulante do tabuleiro. Por isso procurava o colo do meu irmão e fechava os olhos com força, embalada no atrito metálico e ritmado das juntas nas rodas. Não olhava a largueza do rio, só levantava cabeça quando já estávamos bem na banda de além.
Um bocadinho assim
[Garbage, Stupid Girl, 1996]
A Shirley Ann canta a cena do people pleasing mesmo à justa. Os que temos aquela preocupação excessiva em agradar ficamos sempre, sempre aquém. Depois ai, f##i#íssimos com a condescendência com que nos tratam. Um dia haveremos de aprender.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Bruxelles, Route de Lennik
Estávamos à mesa de um jantar em Newcastle, quase de certeza, falávamos da cara do futuro. Lembro-me das coisas a propósito do Blade Runner, claro, de dizer que as pessoas do Levante tinham ar de amanhã. Sem saber o que aí vinha.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Radio Silence
O rescaldo de qualquer grande aflição tem um toque semelhante ao do despertar em apneia: sente-se um alívio pesado, que livra mas calca o corpo com toda a força. Passado um pouco freia-se a respiração, distendem-se os músculos. O mais difícil vem a seguir. Não há regra para lidar com uma graça recebida.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXXV
Fisiologicamente falando, saudades de quem me é querido não se anunciam, moem ligeiramente à esquerda, um pouco acima do umbigo.
domingo, 16 de setembro de 2012
Manifestações
Participar numa cerimónia religiosa em espaço público de um território indiferente obriga qualquer crente a concentrar-se na sua condição mais elementar. Existem uns poucos que partilham a sua fé, ele próprio e o caminho a fazer. E isso tem de chegar.
Queluz, Quatro Caminhos [Oito Anos]
Toda uma mesma Normandia, dizia. Vencedores e vencidos no chão, a estremar entre si e connosco de igual modo. Nós por cá, não sei se lembrados deles. Tanto sentido de dever pessoal, de abnegação, então. O que resta em nós disso, agora? Só ouço eles isto, eles aquilo, eles, eles, eles, venham outros. Pudesse o nosso continente ser salvo sem dor de sobra, mas não pode. O resto do mundo também a tem, por isso não quer saber dos nossos desejos e caprichos para nada. Recusamos aprender, mesmo depois de tanta história; o maior dos males da Europa continua a não vir de fora.
sábado, 1 de setembro de 2012
Vocabulário
Passei Agosto a conversar, mas mais a prestar atenção. De Tondela a Tavira fui ouvindo os nossos falares diferentes, que ainda os há, felizmente. Ficaram-me algumas palavras, adjectivos como os deste abc:
Achadiço - Homem que se fixou numa terra onde não nasceu, aí chegando, habitualmente, após o casamento.
Bonacho - Indivíduo extremamente generoso, paciente e conciliador.
Cadeleiro - Promíscuo; assediador reincidente; mulherengo.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Contar Já Tinha Ouvido
, (vi)ver é que não. Achei que era mito urbano. Uma pessoa chegar a uma feira e encontrar a ex-biblioteca de alguém à venda volume a volume, um, dois euros, Thackeray a Tintim, primeiras traduções, algumas edições originais. Incrível.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Gautier, sem L
Como quase nunca vejo o canal Q, ia perdendo este momento auto-inflingido por Eduardo Jaime, O Animador de Magazine Cultural. Estou em crer que, de alguma maneira, ele quer emular Bárbara Guimarães, essa referência do sector em termos de embaraço em primeira & segunda mão. Marta Gautier é hilária. Há algum tempo que não (ou)via um p'ograma com tanta graça.
domingo, 29 de julho de 2012
Português Partido, XIII
Em se aproximando as férias, abalanço-me à Grande Rodada de Arrumações, e raios me partam o talento para guardar tanto
Berimbelho, s. m. [etim. obscura] - objecto de origem, utilidade e gosto duvidosos.
Berimbelho, s. m. [etim. obscura] - objecto de origem, utilidade e gosto duvidosos.
Pegões '96
A nossa tenda não era um primor de transtorno obssessivo-compulsivo como a do Sam Shakusky, eu sei. Mas tínhamos um avançado que era uma categoria, isto depois de dias naquela estiva dos sub-campos de serviços gerais e da Alcateia. A cada maluco a sua mania, etc, etc.
[Cliché do Dia da Inauguração de Campo - Sub-Campo da IV Secção - Eq. Gago Coutinho, Agr. Lx]
[Cliché do Dia da Inauguração de Campo - Sub-Campo da IV Secção - Eq. Gago Coutinho, Agr. Lx]
quarta-feira, 25 de julho de 2012
LV, LX
Bom campo, 60.

Qual a probabilidade de uma rapariga que gosta de cinema topar com outro filme onde haja escuteiros e scoutmasters como Ed(W)ard Norton a passarem revistas em pleno acampamento de Verão? Como dizem os gaiatos: tipo, nenhuma.
Thank you so very much, dear Mr. Anderson.
Pessoas
que
se afirmam
resolvidas
leram
Reader's Digest
a mais,
fizeram
terapia
a menos.
Pessoas
lá são
cousas
de virar
cabeça-abaixo
e
exibir
solução?
Acho
que
não.
se afirmam
resolvidas
leram
Reader's Digest
a mais,
fizeram
terapia
a menos.
Pessoas
lá são
cousas
de virar
cabeça-abaixo
e
exibir
solução?
Acho
que
não.
domingo, 15 de julho de 2012
Todos os Verões
... há pelo menos uma canção com a qual adoramos implicar, e que é tão mas tão coladiça que acaba por nos fazer embarcar em figuras assim :
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Lisboa, Praça Marechal Humberto Delgado
Aqui ao zoo nem me lembro de ter vindo. Agora, ultrapassado o desconcerto de passar a entrada dessa Arca encalhada num recife de prédios, tudo parece estar estimado, brioso, até.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXXIV
Morena glacial? Não bastavam as loiras glaciais? As moreias glaciares? Uma pessoa apanha com cada flor, fosga-se.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Why so serious?
[Aimee Mann, Save Me, Magnolia OST (dir. P.T. Anderson), 1999]
Eis o último grande papel do senhor Cruise, senhores. Não sei o que lhe ocorria, arrisco nada - e aquilo é que foi patinar com nobreza. Ninguém está livre. Ou poucos, parece. Que o pai da história e da vida estavam para morrer, disse ele. O que pergunto (me pergunto) não é isso - como é, sermos verdadeiros? quarta-feira, 13 de junho de 2012
N4, Km 60
Sarau de cidade pequena. Bem há quinze anos que não ia a um. Do lado do público, então, nunca. É bom lugar para tirar a pinta a uma comunidade. Neste está aquilo a que costumamos chamar toda a gente, distraída - porque concentrada na vez dos seus e do respectivo esquema - o que facilitará a vida a quem gosta de olhar as bancadas com demora. Dez minutos depois da hora já só há lugares de pé.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Michel Teló Feat. Tony Carreira
Cá no bairro, o lado mais perturbador da chegada do bom tempo é a radiosa floração dos farofeiros: prédio sim, prédio não, sempre ao fim-de-semana e às vezes a meio dela, eis uma varanda à pinha com churrasco, cerveja, gritaria e colunas de som. Grandes, pois. Das que fazem as janelas do prédio da frente abanar.
Wee Hours
[Florence + The Machine, Shake it Out, Ceremonials, 2011]
Bem bonito, aqui, o timbre metálico da Florence Leontine. Tem a justa medida da incitação ao desapego do que correu mal.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Nas Circunstâncias
Sei que não sou senhora das circunstâncias - ninguém é. Ainda assim, estou cada vez menos fatalista. Quanto mais tempo vivo, mais feia me parece a resignação.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Massamá, Avenida 25 de Abril/Rua Direita
Não podia ser só um par, tinha que ser a frota toda na bomba em pausa para almoço alancharado. Uma pessoa pensa que fora da hora é que é, e depois o que é, é isto: a dita à procura do mais resguardado ângulo para dar ar aos pneus (do carro). Pois, não há.
Cumprida a prova com a possível proficiência - que como diria Valentina Torres, não se pode ser "a vergonha da raça" - e o mínimo de exposição sacro-lombar, só me faltou mesmo uma veniazinha provocadora ao modo camionista de estar.
Cumprida a prova com a possível proficiência - que como diria Valentina Torres, não se pode ser "a vergonha da raça" - e o mínimo de exposição sacro-lombar, só me faltou mesmo uma veniazinha provocadora ao modo camionista de estar.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Leiria, Rua da Malaposta
Só sinto vertigens em velocidade, o que é justo - o meu problema sempre foi o tempo. Tenho a minha gente uma chegar, outra a partir, e parece-me tudo um bocado brusco, desconcertante. Mas que não, que não há hora. Eu sei, porra.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
La Tata Portugaise
Ansiosa por que venham, bem. Com afloramentos de sorriso esparvoados, guarnecidos de cantorias, esbracejamentos. Quem diria. Que poder ficar para tia deixasse uma rapariga assim tão contente.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Queluz, Rua Conde de Almeida Araújo
Às vezes chega-me o perfume ao banho da semana, à roupa limpa, seca ao sol, ao detergente. Noutras há um forte odor a refogado, ao alho e à polpa agarrados à fibra da roupa e aos cabelos. Também se sentem as crianças, os quase adultos, a vida a acabar. O domingo é-me isto, quase sempre - um humano cheiro a presente.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Pontes no Ar
Miúdos fixes, estes. Amigos uns dos outros, confio que por anos. Foi bom ouvi-los rir muito alto, espantar medos, poisar as coisas da escola por um bocado.
Improv
Pela primeira vez desde que me conheço, muito pouco esboço guardado no bolso. As coisas são o que estão. Sempre temi uma contemplação assim, por mais que dissesse que não.
Life into my story
[Pedaço de conversa entre E. Ayre e K. Kieslowski num dos sets da Double Vie de Veronique, 1991]
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Lavre, Rua do Lavadouro
Tínhamo-nos sentado de roda dele de ânimo desconcentrado, ou melhor, desconcertado por uma semana que, não sendo de vida ou morte, lá de vida e morte acabou por ser. Não começámos bem, mas ele deu-nos tempo. Falou dos textos, depois da sua vida de antes, das comunidades em mãos. Chão e exposto, não coreografado. Graças a Deus que ouvimos um homem cheio Dele, nesse dia.
quarta-feira, 28 de março de 2012
A Senhora Shihoko Gouveia
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| [Foto: Q. Sakamaki, Newsweek] |
Ante tanta adversidade, a temperança e discrição nipónicas provocam-me extremo respeito. Saber que alguém decidiu fazer com que alguns miúdos pudessem pensar um pouco menos em tudo isso por uns dias, por cá, suscitam-me outro tanto. Senão mais.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Mapa Mudo
A bronquite valeu ao menos uma reprise televisionada do Before Sunset (2004), para além de uns sacramentais centos de páginas/dia. É melhor e mais bonito do que recordava. E como entretanto se passaram quase nove anos, Linklater, Hawke e Delpy poderão estar já a escrever novo capítulo.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Queluz, Rua Óscar Monteiro Torres
Tudo muito escorreito e correctamente debitado quando falamos da anterior geração, claro. Como se esta fosse feita de outra carne. Que tristeza ouvir alguns de nós, já tão escolarizados, viajados, crescidos, fazermos de conta que não acreditamos em animais domésticos. Uma coreografia cobarde, esta de querer acima do mais preservar o passado, poupar a memória da infância comum, poder continuar a partilhar a mesa quando o presente é gritantemente diferente.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
[Bus Stop At The Top, 2003]
George Shaw mostra o antes à vista no agora. Naturalista, dizem. Por ele não há problema - tudo menos hipster. Continua a viver ali mesmo cerca de Coventry, a pintar o que o tempo faz às ruas, às árvores, a tudo.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A minha série favorita dos últimos tempos
Tirando Forbrydelsen, aquela dinamarquesa (após Laura Palmer, a pergunta que ainda não deu origem a autocolantes mas podia ter dado é, está visto: quem matou Nanna Birk Larsen?) que montes de malta anda a ver, só tenho gravado inglesadas. A que mais tenho gostado de ver até agora é The Hour. Talvez porque tem conseguido afastar-se totalmente do seu duplo visual norte-americano, Mad Men; porque o décor nunca sobrepuja a narrativa nem o trabalho dos actores; porque alude a um pedaço de história pouco recontado, a crise do Suez, de par com a luta interna por uma informação amplamentemente democrática no interior da televisão estatal da livre Inglaterra, que para seu governo não nasceu assim. Quase todos os dias ouço falar deste e de outros países como se tivessem. Como se essas conquistas fossem garantidas, imutáveis.
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