Um dos verbos mais intrigantes do nosso léxico é conjurar: como pode a palavra que nos diz uma coisa e o seu contrário esclarecer?
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
A2, KM 11
Aos cinco anos também não - fui temporã em pouca coisa, até hoje. Achei o rock mesmo quando começava a precisar dele. Privilégio de irmã mais nova, outorgado em cassetes BASF surpreendentemente sortidas. Esse choque eléctrico chamado Lou Reed vinha numa delas. Falava de salva-vidas.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Massamá, Rua das Camélias
Caía um tal pé de água que comparecemos pouco mais de meia dúzia. Foi melhor assim; conversa franca à entrada, manifesta ausência de silêncios esquisitos à sobremesa. Não demorou a que quiséssemos saber pelos que já são pais dos que chamam escola deles à nossa escola como estão as coisas, como pôde aquilo ser. Não nos souberam dizer. Acabaram por contar um pouco mais em segunda mão, o fumo azul a encher o pavilhão, os gritos, a correria.
Tudo está bem melhor do que quando foi a nossa vez - é o que nos parece, é o que nos chega. Os miúdos são quase todos da freguesia, não um feixe de descartados de outros lados que perdiam meio-dia a ir-e-vir; a violência e outras substâncias não controladas ficam sobretudo do outro lado da estrada, onde estava o 'parque do avião'. Mas agora estamos de fora, a maior parte só lá vai para votar, como no outro dia em que também chovia. Se calhar só achamos isto por nos custar que pensem mal de nós, fina-flor do suburbanato português. A verdade é que não sabemos que verdade foi aquela.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
B.I.
A prova de não me estar a sentir nova tive-a ontem, da boca do querido lidl: a rapariga da caixa olhou para o avio, para mim, corou e pediu desculpa por me ter de pedir a identificação para poder vender aquelas cervejas. A noção de ter dobrado os dezoito é tal que só consegui mostrar o B.I. e agradecer com um sorriso apalermado, tomando à descarada o engano por elogio.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
A ponto de saber tudo
Wagner Moura, esse grande actor baiano, não é nem pretendeu ser Renato Russo, calma. Basta ver este seu Quase Sem Querer para o entender devoto legionário. E quem nunca quis dançar assim mais uma vez?
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Fui aos figos
Entre a chuva aproveitámos o que pudemos e chamámos-lhe o nome que têm. A Beira cheira à água das barrocas e às folhas amarelas que se começam a amontoar. Cheguei à urna a tempo. Résvés. Voto vencido, também maneiras campo-de-ourique.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Massamá, Rua de Vila Nova Sintra
O que me acontece agora não tem sotaque ferrodiário nem cadência metálica urbana. Continuo em trânsito, banda de além, banda de cá - rodovidas.
Há uns dez anos fiquei tão contente em descobrir os blogues. Daí a cair eu própria na bloga foi um passo. O Quatro Caminhos fez nove anos anteontem. Ainda não é antigo, mas já se atira para velho.
Há uns dez anos fiquei tão contente em descobrir os blogues. Daí a cair eu própria na bloga foi um passo. O Quatro Caminhos fez nove anos anteontem. Ainda não é antigo, mas já se atira para velho.
sábado, 14 de setembro de 2013
Os Meios e os Fins
Jonathan Franzen escreveu ontem no Guardian sobre uma variante específica dos zangados-com-o-mundo. Karl Kraus e a sua Die Fackel são relidos a propósito dos novos media em particular, e do tecnoconsumismo, de uma forma geral.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Lisboa, Rua Vale do Pereiro
Não contava apanhar uma banhada do Orson Welles. A adaptação d'O Processo não correu pelo melhor. Digo eu, claro. O Perkins é, à cabeça, um K. mais agressivo que angustiado.
sábado, 7 de setembro de 2013
Xeque aos reis
Não li os livros nem planeio fazê-lo, gravo e vejo Game of Thrones por gostar de inglesices nas séries de televisão. Acrescem a este entretém os relatos da Fal - um esporte por direito próprio.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Wee Hours
O Sul a assentar em mim. Vocativos trocados, cantos dos ditongos dobrados, as vogais mais chãs. Muita viola e voz, graças a Deus.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Por falar no cantador
, eu cá, se fosse o Lorenzo Carvalho do meu bairro, marcava o António Zambujo para me cantar umas modinhas nos anos. Ai não.
Alento no Terreiro da Vida
[António Zambujo e Coro Angelite, Sofia, 2011. Chamateia (Luís Alberto Bettencourt / António Melo e Sousa)]
Ora bem: como dizia um comentador no Youtube, este é um daqueles encontros da world music que podia ter dado buraco, mas não deu. Estamos feitos uns cínicos, é o que é. O que dali se ouve é bem mais que bonito.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Planeta Nacional
Está demasiado calor para não ceder a recursos de estilo mesmo à mão de semear. Neste caso, de mondar. A Biblioteca Nacional de Portugal é um lugar que sinto como meu há anos; com mais ou menos frequência, por lá me encontro a fazer uma das coisas que faço na vida - ler. Nos últimos tempos deparo-me com este pormaior confrangedor: do lado de fora, para os passantes, para a estrada, um espaço ajardinado sofrivelmente mantido; do lado de dentro, frente à varanda da sala de leitura geral, há capim cada vez mais encarneirado, terreno desnivelado desde o abatimento do último estaleiro de obras, ervas daninhas a nascer na base do edifício acabado de ampliar. O desmazelo mal disfarçado, o privilégio dado à fachada sobre o interior, parecem-me um bocado mais ofensivos em tempos de dificuldade.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Hic et Nunc
Há várias formas de não viver o presente. Como toda a gente, experimentei, uso algumas: planear tudo muito planeado, ocupar-me fundamentalmente de tempos e pessoas que já passaram, dormir muito, dormir nada, não improvisar. Todas elas produzem a mesma ressaca - uma vertigem do tamanho de 2013.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Colbert e Attal [A Quarta Parede]
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXXVI
Pior que não encontrar filmes como esse Moretti de mil novecentos e oitenta e quatro, deixar de os saber ver.
Sul
Uma dúzia de anos de trabalho(s) e(m) meia dúzia de lugares depois, prendem-me cada vez mais a atenção os traços locais que uma exposição prolongada à instrução ou aos media não aplaina. Na zona por onde agora estou, um dos mais desconcertantes é a reacção comum à notícia de (mais) um suicídio; à falta de melhor, descrevê-lo-ia como naturalismo fatalista.
Per Sappere Se Vanno Benne
Acordei a pensar no Bianca, do Moretti. Provavelmente por causa do telefilme (Oliveira/Mexia) que a RTP repetiu ontem, por já ser tempo para gelados outra vez, etc. Trinta anos separam um protagonista do outro, eppure ali estão eles, vestidos, escanhoados, baptizados do mesmo modo. O romano imperativo, ofendido com os gentios da sachertorte, o lisboeta desconfiado, negando-se à tarte de maçã à casa com um obrigado.
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