a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Massamá, Rua das Camélias

Caía um tal pé de água que comparecemos pouco mais de meia dúzia. Foi melhor assim; conversa franca à entrada, manifesta ausência de silêncios esquisitos à sobremesa. Não demorou a que quiséssemos saber pelos que já são pais dos que chamam escola deles à nossa escola como estão as coisas, como pôde aquilo ser. Não nos souberam dizer. Acabaram por contar um pouco mais em segunda mão, o fumo azul a encher o pavilhão, os gritos, a correria. 
Tudo está bem melhor do que quando foi a nossa vez - é o que nos parece, é o que nos chega. Os miúdos são quase todos da freguesia, não um feixe de descartados de outros lados que perdiam meio-dia a ir-e-vir; a violência e outras substâncias não controladas ficam sobretudo do outro lado da estrada, onde estava o 'parque do avião'. Mas agora estamos de fora, a maior parte só lá vai para votar, como no outro dia em que também chovia. Se calhar só achamos isto por nos custar que pensem mal de nós, fina-flor do suburbanato português. A verdade é que não sabemos que verdade foi aquela.             

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Some Kind of eloquent Echo


[Lily & Madeleine, In The Middle (The Weight of the Globe), 2013]

sábado, 5 de outubro de 2013

B.I.

A prova de não me estar a sentir nova tive-a ontem, da boca do querido lidl: a rapariga da caixa olhou para o avio, para mim, corou e pediu desculpa por me ter de pedir a identificação para poder vender aquelas cervejas. A noção de ter dobrado os dezoito é tal que só consegui mostrar o B.I. e agradecer com um sorriso apalermado, tomando à descarada o engano por elogio.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A ponto de saber tudo

Wagner Moura, esse grande actor baiano, não é nem pretendeu ser Renato Russo, calma. Basta ver este seu Quase Sem Querer para  o entender devoto legionário.  E quem nunca quis dançar assim mais uma vez?


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Fui aos figos

Entre a chuva aproveitámos o que pudemos e chamámos-lhe o nome que têm. A Beira cheira à água das barrocas e às folhas amarelas que se começam a amontoar. Cheguei à urna a tempo. Résvés. Voto vencido, também maneiras campo-de-ourique. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Massamá, Rua de Vila Nova Sintra

O que me acontece agora não tem sotaque ferrodiário nem cadência metálica urbana. Continuo em trânsito, banda de além, banda de cá - rodovidas.
Há uns dez anos fiquei tão contente em descobrir os blogues. Daí a cair eu própria na bloga foi um passo. O Quatro Caminhos fez nove anos anteontem. Ainda não é antigo, mas já se atira para velho. 

sábado, 14 de setembro de 2013

Os Meios e os Fins

Jonathan Franzen escreveu ontem no Guardian sobre uma variante específica dos zangados-com-o-mundo. Karl Kraus e a sua Die Fackel são relidos a propósito dos novos media em particular, e do tecnoconsumismo, de uma forma geral.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Lisboa, Rua Vale do Pereiro

Não contava apanhar uma banhada do Orson Welles. A adaptação d'O Processo não correu pelo melhor. Digo eu, claro. O Perkins é, à cabeça, um K. mais agressivo que angustiado.

sábado, 7 de setembro de 2013

Xeque aos reis

Não li os livros nem planeio fazê-lo, gravo e vejo Game of Thrones por gostar de inglesices nas séries de televisão. Acrescem a este entretém os relatos da Fal - um esporte por direito próprio.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Wee Hours

O Sul a assentar em mim. Vocativos trocados, cantos dos ditongos dobrados, as vogais mais chãs. Muita viola e voz, graças a Deus. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Por falar no cantador

, eu cá, se fosse o Lorenzo Carvalho do meu bairro, marcava o António Zambujo para me cantar umas modinhas nos anos. Ai não.

Alento no Terreiro da Vida



[António Zambujo e Coro Angelite, Sofia, 2011. Chamateia (Luís Alberto Bettencourt / António Melo e Sousa)]
Ora bem: como dizia um comentador no Youtube, este é um daqueles encontros da world music que podia ter dado buraco, mas não deu. Estamos feitos uns cínicos, é o que é. O que dali se ouve é bem mais que bonito.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Planeta Nacional

Está demasiado calor para não ceder a recursos de estilo mesmo à mão de semear. Neste caso, de mondar. A Biblioteca Nacional de Portugal é um lugar que sinto como meu há anos; com mais ou menos frequência, por lá me encontro a fazer uma das coisas que faço na vida - ler. Nos últimos tempos deparo-me com este pormaior confrangedor: do lado de fora, para os passantes, para a estrada, um espaço ajardinado sofrivelmente mantido; do lado de dentro, frente à varanda da sala de leitura geral, há capim cada vez mais encarneirado, terreno desnivelado desde o abatimento do último estaleiro de obras, ervas daninhas a nascer na base do edifício acabado de ampliar. O desmazelo mal disfarçado, o privilégio dado à fachada sobre o interior, parecem-me um bocado mais ofensivos em tempos de dificuldade.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Hic et Nunc

Há várias formas de não viver o presente. Como toda a gente, experimentei, uso algumas: planear tudo muito planeado, ocupar-me fundamentalmente de tempos e pessoas que já passaram, dormir muito, dormir nada, não improvisar. Todas elas produzem a mesma ressaca - uma vertigem do tamanho de 2013.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Colbert e Attal [A Quarta Parede]

Aqui estão dois homens a fazer duas coisas bem difíceis à vista de quem quiser: Yvan Attal, vinte e dois anos e três filhos depois a pedir a sua mulher em casamento; Stephen Colbert, uma semana após a morte de sua mãe a não fazer de conta que não há nada para contar.
 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXXVI

Pior que não encontrar filmes como esse Moretti de mil novecentos e oitenta e quatro, deixar de os saber ver. 

Sul

Uma dúzia de anos de trabalho(s) e(m) meia dúzia de lugares depois, prendem-me cada vez mais a atenção os traços locais que uma exposição prolongada à instrução ou aos media não aplaina. Na zona por onde agora estou, um dos mais desconcertantes é a reacção comum à notícia de (mais) um suicídio; à falta de melhor, descrevê-lo-ia como naturalismo fatalista.

Per Sappere Se Vanno Benne



Acordei a pensar  no Bianca, do Moretti. Provavelmente por causa do telefilme (Oliveira/Mexia) que a RTP repetiu  ontem, por já ser tempo para gelados outra vez, etc. Trinta anos separam um protagonista do outro, eppure ali estão eles, vestidos, escanhoados, baptizados do mesmo modo. O romano imperativo, ofendido com os gentios da sachertorte, o lisboeta desconfiado, negando-se à tarte de maçã à casa com um obrigado.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Massa Folhada

Mesmo os enganos dos meus miúdos funcionam, parecem aqueles acidentes culinários da  safra da massa folhada. Noutro dia estava a falar com alguns dos mais pequenitos do sexto sobre o Fontismo, a dívida externa, Bordalo,  a caricatura, o Zé Povinho, e uma das mais bem dispostas pespinetas sai-se-me com um:

- Zé Bovino, professora?!


Refinados.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A6, KM 15

Fernando Lopes-Graça, Suite Rústica Nº3 para Filarmónica, Parte II
 [Orquestra de Sopros da U. Aveiro, dir. Luís Carvalho]

A impressão  não é a de que passaram quatro vezes quatro semanas, ou por aí. Se às vezes a gente não dá conta do mester com bom fôlego, quanto mais há-de achar jeito para alar a rede com gana?