Wagner Moura, esse grande actor baiano, não é nem pretendeu ser Renato Russo, calma. Basta ver este seu Quase Sem Querer para o entender devoto legionário. E quem nunca quis dançar assim mais uma vez?
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Fui aos figos
Entre a chuva aproveitámos o que pudemos e chamámos-lhe o nome que têm. A Beira cheira à água das barrocas e às folhas amarelas que se começam a amontoar. Cheguei à urna a tempo. Résvés. Voto vencido, também maneiras campo-de-ourique.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Massamá, Rua de Vila Nova Sintra
O que me acontece agora não tem sotaque ferrodiário nem cadência metálica urbana. Continuo em trânsito, banda de além, banda de cá - rodovidas.
Há uns dez anos fiquei tão contente em descobrir os blogues. Daí a cair eu própria na bloga foi um passo. O Quatro Caminhos fez nove anos anteontem. Ainda não é antigo, mas já se atira para velho.
Há uns dez anos fiquei tão contente em descobrir os blogues. Daí a cair eu própria na bloga foi um passo. O Quatro Caminhos fez nove anos anteontem. Ainda não é antigo, mas já se atira para velho.
sábado, 14 de setembro de 2013
Os Meios e os Fins
Jonathan Franzen escreveu ontem no Guardian sobre uma variante específica dos zangados-com-o-mundo. Karl Kraus e a sua Die Fackel são relidos a propósito dos novos media em particular, e do tecnoconsumismo, de uma forma geral.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Lisboa, Rua Vale do Pereiro
Não contava apanhar uma banhada do Orson Welles. A adaptação d'O Processo não correu pelo melhor. Digo eu, claro. O Perkins é, à cabeça, um K. mais agressivo que angustiado.
sábado, 7 de setembro de 2013
Xeque aos reis
Não li os livros nem planeio fazê-lo, gravo e vejo Game of Thrones por gostar de inglesices nas séries de televisão. Acrescem a este entretém os relatos da Fal - um esporte por direito próprio.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Wee Hours
O Sul a assentar em mim. Vocativos trocados, cantos dos ditongos dobrados, as vogais mais chãs. Muita viola e voz, graças a Deus.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Por falar no cantador
, eu cá, se fosse o Lorenzo Carvalho do meu bairro, marcava o António Zambujo para me cantar umas modinhas nos anos. Ai não.
Alento no Terreiro da Vida
[António Zambujo e Coro Angelite, Sofia, 2011. Chamateia (Luís Alberto Bettencourt / António Melo e Sousa)]
Ora bem: como dizia um comentador no Youtube, este é um daqueles encontros da world music que podia ter dado buraco, mas não deu. Estamos feitos uns cínicos, é o que é. O que dali se ouve é bem mais que bonito.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Planeta Nacional
Está demasiado calor para não ceder a recursos de estilo mesmo à mão de semear. Neste caso, de mondar. A Biblioteca Nacional de Portugal é um lugar que sinto como meu há anos; com mais ou menos frequência, por lá me encontro a fazer uma das coisas que faço na vida - ler. Nos últimos tempos deparo-me com este pormaior confrangedor: do lado de fora, para os passantes, para a estrada, um espaço ajardinado sofrivelmente mantido; do lado de dentro, frente à varanda da sala de leitura geral, há capim cada vez mais encarneirado, terreno desnivelado desde o abatimento do último estaleiro de obras, ervas daninhas a nascer na base do edifício acabado de ampliar. O desmazelo mal disfarçado, o privilégio dado à fachada sobre o interior, parecem-me um bocado mais ofensivos em tempos de dificuldade.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Hic et Nunc
Há várias formas de não viver o presente. Como toda a gente, experimentei, uso algumas: planear tudo muito planeado, ocupar-me fundamentalmente de tempos e pessoas que já passaram, dormir muito, dormir nada, não improvisar. Todas elas produzem a mesma ressaca - uma vertigem do tamanho de 2013.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Colbert e Attal [A Quarta Parede]
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXXVI
Pior que não encontrar filmes como esse Moretti de mil novecentos e oitenta e quatro, deixar de os saber ver.
Sul
Uma dúzia de anos de trabalho(s) e(m) meia dúzia de lugares depois, prendem-me cada vez mais a atenção os traços locais que uma exposição prolongada à instrução ou aos media não aplaina. Na zona por onde agora estou, um dos mais desconcertantes é a reacção comum à notícia de (mais) um suicídio; à falta de melhor, descrevê-lo-ia como naturalismo fatalista.
Per Sappere Se Vanno Benne
Acordei a pensar no Bianca, do Moretti. Provavelmente por causa do telefilme (Oliveira/Mexia) que a RTP repetiu ontem, por já ser tempo para gelados outra vez, etc. Trinta anos separam um protagonista do outro, eppure ali estão eles, vestidos, escanhoados, baptizados do mesmo modo. O romano imperativo, ofendido com os gentios da sachertorte, o lisboeta desconfiado, negando-se à tarte de maçã à casa com um obrigado.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Massa Folhada
Mesmo os enganos dos meus miúdos funcionam, parecem aqueles acidentes culinários da safra da massa folhada. Noutro dia estava a falar com alguns dos mais pequenitos do sexto sobre o Fontismo, a dívida externa, Bordalo, a caricatura, o Zé Povinho, e uma das mais bem dispostas pespinetas sai-se-me com um:
- Zé Bovino, professora?!
Refinados.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
A6, KM 15
Fernando Lopes-Graça, Suite Rústica Nº3 para Filarmónica, Parte II
[Orquestra de Sopros da U. Aveiro, dir. Luís Carvalho]
A impressão não é a de que passaram quatro vezes quatro semanas, ou por aí. Se às vezes a gente não dá conta do mester com bom fôlego, quanto mais há-de achar jeito para alar a rede com gana?
domingo, 30 de dezembro de 2012
Metz, Rue d'Estrées
[Catedral de Saint-Étienne, Marc Chagall, Metz]
Chagall tinha cerca de setenta anos quando se interessou pelo desenho de vitrais. Quem os olha agora pode escolher o ângulo, a posição, o tempo restante que lá fora determina a luz.
Chagall tinha cerca de setenta anos quando se interessou pelo desenho de vitrais. Quem os olha agora pode escolher o ângulo, a posição, o tempo restante que lá fora determina a luz.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Adventos
Começou por ser apenas um dos vizinhos do prédio - o marido da senhora que ensaiava hinos religiosos no órgão, quase todas as tardes. Conversava de forma breve e amigável à entrada ou nas escadas com os meus pais, sobretudo o meu pai, a quem veio a confiar ao longo dos anos chaves, cartas, avisos. Desde que me lembro me intrigou o facto de uns o tratarem por senhor, outros por pastor, outros por professor. Mais tarde percebi por que razões não comia carne ou guardava os sábados unicamente para o culto, por que vinha levando uma vida de missão, estudo, escrita. Em pequenos, nunca se enganava nos nossos nomes e cumprimentava-nos sempre quando nos via brincar todos juntos, na rua. No momento em que comecei a estudar assuntos que lhe eram tangentes, já crescida, foi generoso e simples. Só então, em consequência desses trabalhos, a pouco e pouco, fui tomando real noção da sua biografia. Foi uma sorte, ter podido ser amiga de um homem que fez da sua vida - quase centenária - aventura do espírito.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Massamá, Avenida Infante Dom Henrique
Quem entra em Massamá por Tercena não deixa de olhar o respiradouro do aqueduto que está mesmo debaixo do viaduto da Avenida 25 de Abril - o do lado direito, aquele que fica sob a um foco de meia-luz desde o final da tarde até ao amanhecer - para tentar saber do ponto em que está a novela gráfica local: de há vários meses para cá um livre-pintor não-identificado deu em deixar (com algum grau de sofisticação, há que dizê-lo) no dito monumento um Guy Fawkes com porte de Sandeman, suponho que para desinquietar o mais conhecido habitante da freguesia no seu regresso a casa. A Junta bem passou demãos de ocre sobre o espantalho de spray, mas o Fawkes teima, reaparece, depois é apagado à força de trincha. De há poucas semanas a esta parte, alternando com o boneco de bigode anarquista, tomaram vez os seguintes versos em caligrafia afrancesada, um primor borrifado em stencil: Passos, se tens colh$es / tira a quem tem milhões! Anteontem, pintado por cima, lá estava o bigodudo. E os mactamenses sobem a avenida, intrigados, depois seguem à sua vida. Os mais velhos passam os olhos pelo sítio onde havia a fábrica da Polylon, depois trauteiam a antiga lengalenga da rádio.
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