a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quarta-feira, 25 de julho de 2012

LV, LX

Bom campo, 60.
 [1965 - Momento de detalhada inspecção à latrina de uma das patrulhas do Grupo 55 - New Penzance]

Qual a probabilidade de uma rapariga que gosta de cinema topar com outro filme onde haja escuteiros e scoutmasters como Ed(W)ard Norton a passarem revistas em pleno acampamento de Verão? Como dizem os gaiatos: tipo, nenhuma. 

Thank you so very much, dear Mr. Anderson.

Pessoas

que
se afirmam
resolvidas
leram
Reader's Digest
a mais,
fizeram
terapia
a menos.
Pessoas
lá são
cousas
de virar
cabeça-abaixo
e
exibir
solução?
Acho
que
não.

domingo, 15 de julho de 2012

Todos os Verões

... há pelo menos uma canção com a qual adoramos implicar, e que é tão mas tão coladiça que acaba por nos fazer embarcar em figuras assim :
   
 [That Gotye Song, dir. Vincent Pergola, feat. N. Braun & K. Kaplan; via Gawker]

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Lisboa, Praça Marechal Humberto Delgado

Aqui ao zoo nem me lembro de ter vindo. Agora, ultrapassado o desconcerto de passar a entrada dessa Arca encalhada num recife de prédios, tudo parece estar estimado, brioso, até. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXXIV

Morena glacial? Não bastavam as loiras glaciais? As moreias glaciares? Uma pessoa apanha com cada flor, fosga-se.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Why so serious?

 
[Aimee Mann, Save Me, Magnolia OST (dir. P.T. Anderson), 1999]
Eis o último grande papel do senhor Cruise, senhores. Não sei o que lhe ocorria, arrisco nada - e aquilo é que foi patinar com nobreza. Ninguém está livre. Ou poucos, parece. Que o pai da história e da vida estavam para morrer, disse ele. O que pergunto (me pergunto) não é isso - como é, sermos verdadeiros? 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

N4, Km 60

Sarau de cidade pequena. Bem há quinze anos que não ia a um. Do lado do público, então, nunca. É bom lugar para tirar a pinta a uma comunidade. Neste está aquilo a que costumamos chamar toda a gente, distraída - porque concentrada na vez dos seus e do respectivo esquema - o que facilitará a vida a quem gosta de olhar as bancadas com demora. Dez minutos depois da hora já  só há lugares de pé.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Michel Teló Feat. Tony Carreira

Cá no bairro, o lado mais perturbador da chegada do bom tempo é a radiosa floração dos farofeiros: prédio sim, prédio não, sempre ao fim-de-semana e às vezes a meio dela, eis uma varanda à pinha com churrasco, cerveja, gritaria e colunas de som. Grandes, pois. Das que fazem as janelas do prédio da frente abanar.       

Wee Hours

 
[Florence + The Machine, Shake it Out, Ceremonials, 2011]
 Bem bonito, aqui, o timbre metálico da Florence Leontine. Tem a justa medida da incitação ao desapego do que correu mal.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Nas Circunstâncias

Sei que não sou senhora das circunstâncias - ninguém é. Ainda assim, estou cada vez menos fatalista. Quanto mais tempo vivo, mais feia me parece a resignação.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Massamá, Avenida 25 de Abril/Rua Direita

Não podia ser só um par, tinha que ser a frota toda na bomba em pausa para almoço alancharado. Uma pessoa pensa que fora da hora é que é, e depois o que é, é isto: a dita à procura do mais resguardado ângulo para dar ar aos pneus (do carro). Pois, não há.
Cumprida a prova com a possível proficiência - que como diria Valentina Torres, não se pode ser "a vergonha da raça" - e o mínimo de exposição sacro-lombar, só me faltou mesmo uma veniazinha provocadora ao modo camionista de estar.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Leiria, Rua da Malaposta

Só sinto vertigens em velocidade, o que é justo - o meu problema sempre foi o tempo. Tenho a minha gente uma chegar, outra a partir, e parece-me tudo um bocado brusco, desconcertante. Mas que não, que não há hora. Eu sei, porra.   

segunda-feira, 23 de abril de 2012

La Tata Portugaise

Ansiosa por que venham, bem. Com afloramentos de sorriso esparvoados, guarnecidos de cantorias, esbracejamentos. Quem diria. Que poder ficar para tia deixasse uma rapariga assim tão contente.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Queluz, Rua Conde de Almeida Araújo

Às vezes chega-me o perfume ao banho da semana, à roupa limpa, seca ao sol, ao detergente. Noutras há um forte odor a refogado, ao alho e à polpa agarrados à fibra da roupa e aos cabelos. Também se sentem as crianças, os quase adultos, a vida a acabar. O domingo é-me isto, quase sempre - um humano cheiro a presente. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pontes no Ar

 Miúdos fixes, estes. Amigos uns dos outros, confio que por anos. Foi bom ouvi-los rir muito alto, espantar medos, poisar as coisas da escola por um bocado.

Improv

Pela primeira vez desde que me conheço, muito pouco esboço guardado no bolso. As coisas são o que estão. Sempre temi uma contemplação assim, por mais que dissesse que não.         

Life into my story

 
[Pedaço de conversa entre E. Ayre e K. Kieslowski num dos sets da Double Vie de Veronique, 1991]

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Póvoa de Lanhoso, Oliveira

Lavre, Rua do Lavadouro

Tínhamo-nos sentado de roda dele de ânimo desconcentrado, ou melhor, desconcertado por uma semana que, não sendo de vida ou morte, lá de vida e morte acabou por ser. Não começámos bem, mas ele deu-nos tempo. Falou dos textos, depois da sua vida de antes, das comunidades em mãos. Chão e exposto, não coreografado. Graças a Deus que ouvimos um homem cheio Dele, nesse dia.              

quarta-feira, 28 de março de 2012

A Senhora Shihoko Gouveia

[Foto: Q. Sakamaki, Newsweek]
Ante tanta adversidade, a temperança e discrição nipónicas provocam-me extremo respeito. Saber que alguém decidiu fazer com que alguns miúdos pudessem pensar um pouco menos em tudo isso por uns dias, por cá, suscitam-me outro tanto. Senão mais.