a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Nas Circunstâncias

Sei que não sou senhora das circunstâncias - ninguém é. Ainda assim, estou cada vez menos fatalista. Quanto mais tempo vivo, mais feia me parece a resignação.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Massamá, Avenida 25 de Abril/Rua Direita

Não podia ser só um par, tinha que ser a frota toda na bomba em pausa para almoço alancharado. Uma pessoa pensa que fora da hora é que é, e depois o que é, é isto: a dita à procura do mais resguardado ângulo para dar ar aos pneus (do carro). Pois, não há.
Cumprida a prova com a possível proficiência - que como diria Valentina Torres, não se pode ser "a vergonha da raça" - e o mínimo de exposição sacro-lombar, só me faltou mesmo uma veniazinha provocadora ao modo camionista de estar.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Leiria, Rua da Malaposta

Só sinto vertigens em velocidade, o que é justo - o meu problema sempre foi o tempo. Tenho a minha gente uma chegar, outra a partir, e parece-me tudo um bocado brusco, desconcertante. Mas que não, que não há hora. Eu sei, porra.   

segunda-feira, 23 de abril de 2012

La Tata Portugaise

Ansiosa por que venham, bem. Com afloramentos de sorriso esparvoados, guarnecidos de cantorias, esbracejamentos. Quem diria. Que poder ficar para tia deixasse uma rapariga assim tão contente.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Queluz, Rua Conde de Almeida Araújo

Às vezes chega-me o perfume ao banho da semana, à roupa limpa, seca ao sol, ao detergente. Noutras há um forte odor a refogado, ao alho e à polpa agarrados à fibra da roupa e aos cabelos. Também se sentem as crianças, os quase adultos, a vida a acabar. O domingo é-me isto, quase sempre - um humano cheiro a presente. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pontes no Ar

 Miúdos fixes, estes. Amigos uns dos outros, confio que por anos. Foi bom ouvi-los rir muito alto, espantar medos, poisar as coisas da escola por um bocado.

Improv

Pela primeira vez desde que me conheço, muito pouco esboço guardado no bolso. As coisas são o que estão. Sempre temi uma contemplação assim, por mais que dissesse que não.         

Life into my story

 
[Pedaço de conversa entre E. Ayre e K. Kieslowski num dos sets da Double Vie de Veronique, 1991]

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Póvoa de Lanhoso, Oliveira

Lavre, Rua do Lavadouro

Tínhamo-nos sentado de roda dele de ânimo desconcentrado, ou melhor, desconcertado por uma semana que, não sendo de vida ou morte, lá de vida e morte acabou por ser. Não começámos bem, mas ele deu-nos tempo. Falou dos textos, depois da sua vida de antes, das comunidades em mãos. Chão e exposto, não coreografado. Graças a Deus que ouvimos um homem cheio Dele, nesse dia.              

quarta-feira, 28 de março de 2012

A Senhora Shihoko Gouveia

[Foto: Q. Sakamaki, Newsweek]
Ante tanta adversidade, a temperança e discrição nipónicas provocam-me extremo respeito. Saber que alguém decidiu fazer com que alguns miúdos pudessem pensar um pouco menos em tudo isso por uns dias, por cá, suscitam-me outro tanto. Senão mais.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mapa Mudo

A bronquite valeu ao menos uma reprise televisionada do Before Sunset (2004), para além de uns sacramentais centos de páginas/dia. É melhor e mais bonito do que recordava. E como entretanto se passaram quase nove anos, Linklater, Hawke e Delpy poderão estar já a escrever novo capítulo.
 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Trabalhos e dias de Duarte Belo, na cidade infinita.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Queluz, Rua Óscar Monteiro Torres

Tudo muito escorreito e correctamente debitado quando falamos da anterior geração, claro. Como se esta fosse feita de outra carne. Que tristeza ouvir alguns de nós, já tão escolarizados, viajados, crescidos, fazermos de conta que não acreditamos em animais domésticos. Uma coreografia cobarde, esta de querer acima do mais preservar o passado, poupar a memória da infância comum, poder continuar a partilhar a mesa quando o presente é gritantemente diferente.

Ella




 
[Ella Fitzgerald, My Funny Valentine, Or. 1937 / V. 1956]

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

 [Bus Stop At The Top, 2003]
George Shaw mostra o antes à vista no agora. Naturalista, dizem. Por ele não há problema - tudo menos hipster. Continua a viver ali mesmo cerca de Coventry, a pintar o que o tempo faz às ruas, às árvores, a tudo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A minha série favorita dos últimos tempos

Tirando Forbrydelsen, aquela dinamarquesa (após Laura Palmer, a pergunta que ainda não deu origem a autocolantes mas podia ter dado é, está visto: quem matou Nanna Birk Larsen?) que montes de malta anda a ver, só tenho gravado inglesadas. A que mais tenho gostado de ver até agora é The Hour. Talvez porque tem conseguido afastar-se totalmente do seu duplo visual norte-americano, Mad Men; porque o décor nunca sobrepuja a narrativa nem o trabalho dos actores; porque alude a um pedaço de história pouco recontado, a crise do Suez, de par com a luta interna por uma informação amplamentemente democrática no interior da televisão estatal da livre Inglaterra, que para seu governo não nasceu assim. Quase todos os dias ouço falar deste e de outros países como se tivessem. Como se essas conquistas fossem garantidas, imutáveis.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Wee Hours

Uns dizem que acontece mais na mudança das folhas, outros nos extremos das estações. Por mim não sei, sei lá eu. Isto a despropósito da coincidência dos últimos que vi partir, estranhamente ao ritmo desta vaga noticiosa dos tristemente encontrados. Acordei uma destas manhãs muito transpirada, num mal-estar geral; levei vários minutos a perceber que tinha sido um sonho, e nele uma vertigem de solidão.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Doutor

, Fred Wachsmann - médico alemão lusificado Alfredo Vasques Homem - escreveu estas linhas a meio da década de cinquenta. O título e capa quasi-pulp de uma das obras que deu à publicação,

chegaram-me à mão via tia-avó das Avenidas Novas, mulher que dava mais de um filme. Incumprindo mais ou menos conscientemente todas as indicações do naturófilo centro-europeu, esta tia acabou por me legar uma pipa livresca de valor variado, entre a qual salvei um Orlando em segunda edição, benza-a Deus. Isto para dizer que a ideia de alguém ter dado à luz o conceito de 'grito alérgico' me toca fundo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Wee Hours

Assim me soa o adjectivo du jour: e-que-nómico para cá, e-que-nomicamente para lá. No outro dia estava já tão baralhada que julguei ouvir uma peça sobre a saciedade de informação e conhecimento.