a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lisboa, Rua Guilhermina Suggia

Tenho os dias cheios de Sul, e isso é bom. Lisboa é agora a primeira e última estação da semana. Caminho sem pressa. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Comboio, Poceirão

Nem de propósito, o livro começa com o personagem a apear-se numa estação. Ninguém veio ao combinado, por isso pôs-se ele a caminho, mai-la mala.  

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

EN-10, Km 72

E aqui estamos nós. Muito mudou, mais permanece constante. Tento tomar sentido em tudo, como se a chave  de alguma coisa estivesse ao meu alcance. Não a encontro. Salto por cima dos métodos naturais de orientação, programo um itinerário virtual, mas pouco depois dou por mim perdida, sem noção de lugar. Esta é a vez de esperar.  

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Complexo Histórico-Geográfico

[Bruce Springsteen, The River, 1981.]

Gosto de quem tira os óculos de sol para conversar com quem tem à frente (excepção aos graduados). Gosto de quem não enfia uma reunião entre reuniões para o caso de se correr mal se pôr a fancos depressa; o mesmo vale para almoços, cafés, colóquios, etc. Gosto de quem reconhece quem vai conhecendo. Gosto muito de quem tem paciência para os tímidos, tanto quanto de quem trata crianças e velhos como indivíduos, não como quem tem a idade que tem.    

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Se ouço

alguém à distância de um braço fazer outro arremedo de trocadilho envolvendo a conjuntura actual e as milenares artes de palco gregas, pespego-lhe com o guarda-chuva de dezasseis varas em cima do lombo. Que despropósito pateta, chato e repetitivoivoivo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Os melhores círculos

não sei se Portugal os tem - ave, Cohen -, mas locativos tão figadais quanto os nossos deve ser difícil haver quem tenha. Os meus favoritos são: Sarilhos Grandes, Angústias, Violência, Paraíso, Imaginário, Espalhafatos e Aliviada.

domingo, 30 de outubro de 2011

Ao de baixo

Anteontem fiquei quase uma hora na bicha (bichabichabicha, não sei dizer fila) e no breu dentro do túnel da João XXI. Sou muito paciente e pouco dada à claustrofobia, por isso não tenho a certeza da razão pela qual fiquei tão angustiada. Nem os gaiatos que no carro atrás do meu saltaram para o tejadilho em exótica pausa para fumo aliviaram a situação. Provavelmente foi de ali ao de baixo me ocorrer a dona Paula, viúva do senhor Matos relojoeiro, uma das nossas vizinhas mais antigas. Anos de contacto próximo, memórias africanas, fotos de netos e bisnetos, e também algumas tensões por conta de avisos recentes à família por causa do filho doente deixado ao cuidado da octogenária. A mesma família que não informou quem quer que fosse da morte desta, parece que há um mês. Naquele párarranca esta triste maneira de viver a vida e morte também me fez lembrar a Maya, há uns dias na televisão, pintada e estofada numa cadeira frente ao Daniel Oliveira, a resumir toda uma visão do culto dos mortos assim:  

- Não gosto de ir a funerais.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Raro não é o homem que consegue fazer a mulher rir

, raro é o que é inspirador da efusão do seu sentido de humor.   

Risco Sistémico

Não estou a achar graça, pás: primeiro o fim tácito dos R.E.M, depois o pause indeterminado dado a conhecer pelos Sonic Youth, agora a sombra da dúvida sobre os U2. Mau, mau. Vamos lá ver como é.  

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Comboio, Benfica/Santa Cruz-Damaia

O rapaz que acaba de se sentar no lugar do canto, aquele encostado às portas que ligam as composições e nos dá onde tombar o ombro e a cabeça, deve ser recém-chegado ao Técnico. Esteve em pé, de volta da Física, com um colega que saiu mesmo agora. Iam numa daquelas sabatinas rápidas e animadas que só quem fez toda a faculdade de transportes conhece. No exacto lugar onde este rapaz alto e aloirado está a começar a descansar, vinha até há minutos sentado um outro rapaz da mesma idade, magro, moreno, pedrado. Derramou uma verborreia de queixas sobre um conhecido seu, que nem sei se tentou empatizar: ele era o sistema informático da esquadra em baixo, a perda de tempo, as algemas muito apertadas, a impossibilidade de ir levantar o rendimento à conta daquele atraso.

sábado, 22 de outubro de 2011

Uma Estação Refractária

e polissémica, esta. Em não se sabendo se o siso também estiola, pede-se um mazagran, que Lisboa ainda cumpre certos preceitos com o aprumo de quem lava e passa a camisa puída, para que ninguém tenha a dizer. Mazagran, passei a saber, é não só nome de terra argelina e refresco de conversa lusa como copo alto de loiça francesa.   

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Comboio, Entrecampos/Amadora

Os que não seguem sob encanto do telemóvel contam-se pelos dedos das mãos. Há quem circule sempre ou quase concentrado na edição de bolso do seu livro sagrado, quem leia os vários diários gratuitos ou o romance da lista por trinta minutos de cada vez, quem precise de falar com alguém aquele bocadinho, pelo menos aquele bocadinho. E quem não peça nada à viagem senão o tempo de olhar em redor, de estar, de se aperceber.   

Wee Hours

Entre o que não entendo e me perturba fundo está o linchar de quem quer que seja, sobretudo quando guarnecido de louvores a Deus.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ginástica Cueca


Acho que uma das formas possíveis de explicar os próximos anos à malta é através da Parábola da Ginástica Cueca. O Vasco Santana é Portugal e o Ribeirinho os Outros que Ainda nos Querem Ver Subir Escadinhas e Calçadas sem Esticar o Pernil, pode ser?
A ginástica dói? Dói que se farta. Há o perigo de sair tudo cá para fora? Há. Depois melhora? Talvez sim, se não se desistir.

Malhão e Meio

A distopia é sempre certa, lá pela biblioteca. Por estes dias, bem a meio da leitura geral, tem estado um estudioso de certa idade a quem parece dar uma regular quebreira lá pelas duas e meia, três da tarde. Um tão singelo facto da Natureza passaria justamente despercebido, claro, não fosse o seu ressonar optimizado pela circunstância do lugar.

Lisboa, Avenida dos Combatentes

Calha que nos últimos tempos tenha saído à rádio portuguesa um naipe de vozes masculinas quase todas elas ali entre tenor e o contratenor. Talvez por isso o contraste com a do Luís Caetano a torne tão mais-melhor de ouvir. Vinha para casa sintonizada na Última Edição e a pensar o bem que até a ler a bula do xarope para a tosse este cavalheiro deve soar.

sábado, 15 de outubro de 2011

IC - 19, Km 4.5

Gosto de circular pelas duas rotundas quase esquecida da razão pela qual ali estão, ou então de passar ao largo e evitar olhar o estacionamento, os lugares. Habitualmente, este é o caminho da cidade dos amigos de sempre. Não agora. Por mais que saiba que este sacana deste mal lavra em qualquer um, tia, tudo isto apanha de surpresa, todas as vezes. Como não posso fazer mais nada, olha, rezo aos nossos que intercedam para que voltes melhor.    

domingo, 9 de outubro de 2011

Almoçageme, Praia da Adraga

Ouvi hoje pela primeira vez a expressão  

- Aquele vai em fato de ver a Deus, olha para ele.

mas não a entendi logo. Se à segunda alcancei que a dita tinha que ver com roupa melhorada, aquela que antes se poupava para a missa de domingo e para dias especiais, à primeira nada disso - a coisa soou-me ao traje que toda a gente traz quando chega ao mundo.  

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Boletim Rural



O tempo está a comprometer a azeitona. As borboletas, as camélias e os narcisos estão convencidos de que é Primavera. As rosas floram num só dia. Maçãs, marmelos e uvas não ficam à espera, perdem-se pelo chão - um calor imprevisto não é só mais mar, também é isto.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Four Measures (And Some Clean Cut Enunciation)

[Frank Sinatra, It Was A Very Good Year, v. 1965, or. Ervin Drake]

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Barreiro, Rua Professor Joaquim Vicente França

Tantas pessoas mesmo interessantes, afinal. Tive a sorte de conhecer ou conhecer melhor algumas delas neste ano, coisa que há muito não acontecia. Valeu por bem mais, mas assim só já estava cumprido, este mais um.     

  [Auto-retrato #2, Setembro de 2011]

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

[Foto: R.E.M. por Anton Corbijn, c.1997]

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sete Rios, Estação do Jardim Zoológico

Em altura/não distante/final do dia/descia/à gare e sentia-me/uma grande grande/porcaria,/por minha culpa,/minha tão grande culpa,/e os painéis não/apagavam nada disso,/pelo contrário,/diziam que/nada acabava ali,/que a fauna e flora/fl(u)oresciam/mais ou menos/alheias aos meus/infortúnios como/num Malick de guerra,/e isso tornava/tudo aquilo/um pouco menos extremo, absurdo, cediço.
  
[Júlio Resende, 1917-2011]

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mação, Fonte da Ladeira

A mulher alta - a mais mexida das vestidas de preto - ainda cuida da criação, dos almeirões e das couves-nabas. É a espalha-brasas da aldeia, quem não conhece não diz que perdeu o homem para o cancro e está às voltas com ele também. Manda-nos entrar para mostrar as obras do fumeiro enquanto os outros irmãos e irmãs, despachados os filhos e netos de regresso à semana, se juntam no pátio para jantar. Espero que a gente descubra fibra desta em nós. Não muito tarde.   

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A felicidade dos outros

às vezes faz-nos um bocadinho felizes, também. Ler blogues ao longo de anos gera um senso de familiaridade um bocado descalibrado, sim, mas que fazer quando se dá pelo entroncamento de alguns dos que acompanhamos sem conhecer, lá de longe, senão torcer da bancada, desejar bom caminho, sorrir?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um blogue que podia frequentar a segunda classe

Sete anos de Quatro Caminhos. A pé, à boleia, à tabela ou à beira do ataque de nervos, menos palavroso mas não menos presente. Um abraço à dúzia de passageiros do costume.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Queluz, Rua 31 de Janeiro


Pensando bem, passei uma boa década com corte de cabelo à Coleen; as botas de atanado e as peças avulsas dadas pela Anti-Aérea ao Agrupamento reforçaram o estilo, mas só. Muita guerra vi nessa altura.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Belas, Estrada das Águas Livres

O Paulo tinha feito há poucos dias trinta anos. Viveu doente vinte e três, ainda que o prognóstico menos conservador lhe negasse dois. Deu-se um azar da Natureza daqueles em mil e ele retornou a criança de alcofa. O seu padecimento prolongado pôs à prova as convicções de todos, não há outra maneira de o dizer. Uma coisa assim é um mistério, é difícil encontrar sentido ou dar-lhe um. A alguma distância, percebo agora, a família, os amigos e a comunidade do bairro passaram a ver na sua sobrevivência um indício luminoso. Foi-lhes dado tempo de aprender.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Scissorshop®

[Auto-Retrato #1, 2011. Foto s/Peggy Shackman]

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Wee Hours

Não existe cooptação mais surpreendente e comovente do que a amizade, graças a Deus.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Leiria, Avenida das Comunidades Europeias

Ao rés dos oitenta a tia M. começou a recear que lhe escapasse o que lhe haviam confiado, não à puridade, como aos padres,  pelo contrário, para salvação do esquecimento. As páginas de certo bloco de notas Firmo guardam linhagens de pessoas e acontecimentos conexos, e têm início na recordação da senhora E, conterrânea a quem a dita tia acompanhou no leito de morte. A forma, neutra e aparentemente distanciada, não afaga o conteúdo:
Dona E., 103 anos. Filha de exposto. Foi vendida quatro vezes em praça.

sábado, 3 de setembro de 2011

O Cromo de Raul Machado

[Aleixo na Escola #09, Gana Produções]

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Lisboa, Rua Garrett

Acho que sou analfabeta funcional de pessoas, só consigo ler as que têm semblante claro, as que não temem nada nem ninguém, as que não estão escaldadas ou as que já não se importam com o que os outros pensam. As outras todas não sei, engano-me ou não consigo decifrar.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Deixar Ir

[Adele, Someone Like You (21, 2011)]

Aproximadamente

dois mil e muitos quilómetros depois, de autocarro, carro, comboio e barco, ficam o nevoeiro e o arroz de marisco da Vieira, ambos densos; o mar manso de Santa Luzia e de Almograve; o aparatoso trambolhão em Moura; o ataque de riso familiar no Alqueva; a desgarrada de bandas em Barrancos; as glicínias de papel em Campo Maior. Poucos livros, alguns gelados, muita conversa e bastante improviso.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Professore di Storia

Gino Paoli em fundo num dos filmes de Nanni Moretti (Bianca, de 1984), com Giorgio Viterbo a fazer de conta que poderia tratar das avaliações e actas de departamento disfarçado de agente de jogadores de futebol.

Este post teve apoio à produção de

sacos para cubos de gelo Dia e Fenistil Gel, porque  quando entre outras coisas se restaura um dos barris de vinho do avô no jardim, de rabo para o ar, pode sempre vir uma abelha da banda das figueiras e sim, isso mesmo, nesse mesmo lugar.

domingo, 14 de agosto de 2011

Carvoeiro, Praia Fluvial

Ando a banhos. Mesmo. Saneamento termal da canalização respiratória, mergulho profiláctico no açude da ribeira, reposição dos níveis de Confiança em dose certeira.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Também


 [Samuel Úria, Deus Também Anda de Comboio (O Caminho Ferroviário Estreito) 2003, Ed. FlorCaveira)]
De manhã entrou um pastor alemão estabanado pelo supermercado, magro, quase tanto quanto o arrumador janado que deveria cuidar dele e acabou invectivado em flagrante delito por uma das donas da loja de animais, a qual lhe aviou uma desanda pública por negligência. Ele para ela que não lhe falasse assim, que tinha o décimo segundo ano, que se tivesse feito mais três era doutor, respeitinho. Chega o comboio - ouve-se daqui.

domingo, 7 de agosto de 2011

Bossa Vega

[Suzanne Vega, Caramel, in Nine Objects of Desire, 1996 (Versão de 2010).]

Wee Hours

O sentido de humor continua ser nacionalmente tomado por leviandade, não percebo bem porquê. Guardava uma pessoa alguns dos dias de descanso para levantar alcatifas, pintar paredes, coser bainhas e botões - entre outras tarefas que a prudência mandou deixar de externalizar - e ainda haveria de ter de tirar a boina à sisudez dos opinadores de salão, não?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Oslo, Frognerseteren

Fazíamos de conta que não estava frio mas estava, bastante. O bolo de maçã do Seterstua revelou-se à altura da fama, tanto que sustentou a passada de descida para lá da capela de Holmenkollen. Por todo o caminho vimos gente de todas as idades, sem grandes gadgets nem sofisticações fluorescentes a albardar. Também vimos muros cujos donos os vão guarnecendo de fruta, caso a algum desavisado apeteça merendar.    

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Long Dream

The Mountain Goats, The Black Ice Cream Song [Zopilote Machine, 2005].

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LXXIII

Todo e qualquer programa de apanhados, esse confrangedor instrumento de embaraço em segundo grau. Por mim, podem desriscá-los de vez do ar.

domingo, 17 de julho de 2011

Coisas Que Desconhecia

Os K-100 são muito mas muito mais confortáveis e arejados do que os Chucks. Um dos meus bisavôs teve durante bastante tempo uma saboaria. As piscinas insufláveis não divertem somente as criancinhas.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Çarandilha, ai és

La Çarandilheira é uma das mais bonitas melopeias que conheço. Nesta versão de 1994 Né Ladeiras (Traz os Montes, EMI-VC) faz-lhe inteira justiça. Ouço-a e deixo-me ir som de uma força muito antiga, mineral. Benigna.    

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Lisboa, Rua do Jasmim

Fiquei tão contente por encontrar o amigo que acabara de repetir uma finta ao além que só me ocorreu mesmo um abraço. Ia ter com ele para agradecer um acto de generosidade recente, mas naquele repente escapou-se-me quase tudo. Não o essencial, espero.

"Só Achas Graça aos Esquisitos, Pá!" XXIV

Pedro Cabrita Reis. Grande pinta. Pun intended.

' Matter of Fact

, penso ter ouvido pela primeira vez esta canção no cinema, ao ver uma das longas dos X-Files. Como o Mulder e a Scully, aguentará o teste do tempo.
[Foo Fighters, The Colour and the Shape, 1997 ('Walking After You', Versão Acústica)]

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Na RTP Memória

passou hoje um filme que há muito queria ver.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

K 100-103

Ontem fui brindar ao senhor José 'Ramiro', um amigo de família que diz que a receita é trabalho, sopa de legumes e abafado. Entretanto calcei uns Sanjo.

Os melancoólicos são dados a estas cousas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pet Peeve

Tenho uma embirração com a Paz de la Huerta, sin duda. Pode ser por causa daquela réstia de soberba aristocrática, não sei. O mais provável é que seja do aparente excesso de auto-estima. Se calhar por razão nenhuma. Lembrei-me dela ao ver a última grande youtubada da Charlotte Young via Today I Made Nothing.

terça-feira, 28 de junho de 2011

São Lourenço, Convento de Nossa Senhora da Arrábida

O senhor Q. mostra aquilo que retínhamos de forma vaga por causa do filme. À medida que nos questiona vai dando o flanco, mas pouco. Aponta a figueira de geração espontânea, as avencas, o relógio já reparado.
A vertente sul é quente, mas lá em baixo a água estará muito fria. Aguardarei mais uns dias para mergulhar.

sábado, 25 de junho de 2011

Lisboa, Avenida João Cristóstomo

Como Urgeghe ou Wiborg, Hestnes soava-me distante. A própria cidade o seria ainda por bom tempo. Foi preciso ver e ouvir  tanta coisa até me sentir parte.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Wee Hours

Ouvia uma das canções da Aldina enquanto lia diferenciais sobre um antigo aluno. Acabou por se diagnosticar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Limenina

, que para além de cool e essas coisas é mesmo fixe, desafiou-me há dias a responder àquelas perguntas que andam aí a rodar sobre livros. Aqui fica o que de momento me ocorre:


1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Como acontece com muitas outras pessoas, há um conjunto de livros que releio continuamente - a Bíblia. É batido mas paciência, é verdade.


2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
 O Outono em Pequim (Boris Vian). Não sei porquê, mas desta vez vou tentar não sobreanalisar. Mentira. Provavelmente vou.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Não escolheria um livro para ler para o resto da minha vida.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Um grande livro de ficção científica portuguesa. Porque ainda não dei com ele.

5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
A Fera na Selva (Henry James). Dói-me a barriga quando penso nesse fim.

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Sim. Primeiro lia colecções como as da Anita, muita bonecada e pouca letra; depois vieram os contos tradicionais portugueses e germânicos (achava tudo violento, chorava muito e tinha pesadelos e tal); depois passei para os livros das primas mais velhas (coisas da Enid Blyton como as Gémeas no Colégio das Quatro Torres, onde aprendi tudo o que sei até ao presente acerca de merengues e lacrosse); de seguida derivei para a BD (Marvel, DC, DarkHorse) do meu irmão.
Isto explicará o tutti-frutti que ainda hoje caracteriza as minhas escolhas.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
O Memorial do Convento (José Saramago). Foi antes do Nobel e à terceira tentativa, mas achei que tinha de ser. Por teimosia. Ou pressão de pares, não sei (andava na Faculdade de Letras...). Acabei por achar relevante tê-lo lido, mas não tive prazer em fazê-lo.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Agora não.
[em actualização. ihih]

9. Que livro estás a ler neste momento?  
O Filho de Campo de Ourique (António Figueira). Voyeurismo blogosférico, suponho.
Eminent Edwardians (Piers Brendon). Trabalho/Investigação.

10. Indica dez amigos para o Meme Literário:
É só um bocadinho.
[em actualização. eheh]

Quem sabe se antes do Natal

...cá chega esta marretada valente. Isso é que era. 
Neurotípicos e outros, estamos todos precisados.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Iceberg, Carlsberg

As ameixas ainda não estão maduras, os vizinhos dizem que este ano só lá pelo São João. Um vez comi tantas amêijoas que adoeci, e por aproximação homófona enjoei à fruta, também.

sábado, 11 de junho de 2011

Atalhos

Rolho o que penso com menos frequência, mas ainda o faço. Muito custa a uma pessoa apartar-se dos erros conhecidos.

Quem se mete por

Já passou quase um mês sobre o Meek's Cutoff e ainda me apetece pedir o dinheiro de volta. Entrada directa para o top três dos filmes mais frustrantes que já vi.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LXXII

Será que as casas vão valorizar? Será que as rendas vão aumentar? É a desarrumação de todo um estereótipo socio-economico-suburbano-cultural. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Só Achas Graça aos Esquisitos, Pá!" XXIII

Rufus Sewell, um dos estrábicos mais atraentes que as tábuas inglesas já projectaram para o [grande e pequeno] écran. Ocorre-me isto porque ando a ver no AXN The Pillars of the Earth, sim, mas sobretudo porque vi Dark City numa idade impressionável.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

The Big Chill

Sendo que o mortinho é a Coluna Infame, o público da velada toma o lugar dos amigos do senhor Cooper e a Almedina fica no Sul da Carolina. Credo. Até rimei.

chiça

, arrisca uma rapariga o vestidinho de algodão e as sandálias e vai uma carga de água que mais fica a parecer o cão do Presidente dos Estados Unidos da América.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Queluz, Rua Vasco da Gama

É tão frágil, a promessa de uma vida futura. Fazemos o que podemos para a conjurar e é só. Quase tudo escapa ao nosso controle.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dizem que

com a idade a timidez melhora, mas eu continuo a atada arquetípica.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

"Só Achas Graça aos Esquisitos, Pá!" XXII

Alexander Waugh. Digamos que não li o livro mas vi o filme.

Lisboa, Rua Heliodoro Salgado

Desço a calçada não segura, as pedras estão muito polidas. Escorrego sem cair uma mão cheia de vezes. Aperta-se-me o coração quando vejo estas senhoras tão velhas e frágeis a enfrentar o passeio, os outros, a manhã.   

Reestruturação da Dúvida

Quanto mais quero menos pergunto.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Lisboa, Praça da Figueira

Vinha a pensar no cartaz do Look Obama, barbeiro neo-castiço da Almirante Reis, quando um dos malucos mais jovens da praça, barba cerrada em metro e noventa, se debruçou e me soprou ao ouvido: 

- Vá, diz lá, qual é a diferença entre justiça e vingança?


Só assim. Depois deu costas e deixou-me ir.

sábado, 30 de abril de 2011

Na Alergia e na Tristeza

Lá se foi o bom tempo até ninguém sabe quando. Bem bonito o sorriso do casal do dia, ainda assim. 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Alegria ao Pólen

Depois da chuva em pedra veio esta pouca de calor, daí que as alvéolas e os pardais tenham andado num fadário tal que desassossegaram os grilos antes do anoitecer. Enquanto acabo de ler o brinde sobre a vida do bom doutor Freud dou pela vaga recordação da pele assim, ao ar da tarde. Espirro. Retorno à leitura. 

domingo, 24 de abril de 2011

Sardoal, Rua Gil Vicente

A trovoada não deixou ver os fogaréus, ainda assim não se perdeu a caminhada. Cirandávamos quando ela parou e apontou o sítio exacto onde entrara ao voltar do cativeiro serviçal lisboeta. Anos de saias compridas, trabalho duro e olhos baixos na vez de um curso, de aprender coisas novas. Regressou numa das carreiras, entrou, cortou o cabelo e tirou novo retrato.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ana Eróbia

Pois, quer-se dizer, se calhar quando o clínico geral, a alergologista, a otorrinolaringologista e outros que tais nos mandam encolher, se calhar a coisa tem razão de ser.   

'da-se.

Termo Incerto

A escola, os miúdos. Estive ao largo uns anos, mas ando nisto desde os dezassete. Algumas coisas mudaram para melhor, outras não. Já não há furos, a papelada é mais que muita, o fundamental é o mesmo. Pessoas quase crescidas aprendem connosco - muito pouco tempo, tempo de menos se estamos de passagem - e depois seguem caminho. Continua a custar-me o de sempre, o adeus temporão. Já dizia o outro: é a vida.    

Monte Abraão, Rua Doutor António Correia de Sá

Os nossos ramos foram apanhados nas traseiras com o habitual sem-preparo, mas ao meu lado passou um senhor de porte balanta com uma palma entrançada em cruz.  

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Between two waves

[Between Two Waves of the Sea, c. 2004]
Ainda bem que tropecei neste texto de Makoto Fujimura sobre Georges Rouault. Acabou por tornar melhor esta Quaresma.

terça-feira, 12 de abril de 2011

No tempo em que


o Tim Booth tinha cabelo, ouvi-o dizer que não sabia se gostava do nosso país; o filho - muito pequenino - tinha adoecido durante um dos primeiros concertos lusos e quase tinha morrido. Nem todos têm coração para mais, mas ele voltou e voltou a voltar.

domingo, 3 de abril de 2011

Massamá, Praceta Henrique Medina

Não me recordo de alguma vez ter visto fechar tanta coisa ao mesmo tempo. Até o Shopping parece estar a atingir o nadir. Primeiro foram as deslocalizações de galerias e livrarias (Arte Periférica, Teorema, etc), depois o fecho dos mini-mercados, lojas de decoração e electrodomésticos, seguido da mudança de quase todas as agências bancárias para espaços mais pequenos. Nem algumas das lojas chinesas se têm aguentado. Os cafés sim, ainda que neles entrando tudo soe a rés-do-não.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LXXI

Como é que convencemos alguém de que estamos a ser verdadeiros quando estamos a ser verdadeiros? A verdade chega?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Como num espelho


Canção para a unificação da Europa, Z. Preizner, 1993.
Orquestra Sinfónica de Varsóvia [dir. Wojciech Michniewski], Coro Filarmónico da Silésia com Elzbieta Towarnicka [soprano].

quarta-feira, 30 de março de 2011

N8, Km 35

Quem segue pela Caneira Nova não pode ir depressa, daí que tenha a oportunidade de olhar os pomares que guarnecem o caminho. O mais que há por estes dias são as flores brancas das pereiras, pequeninas, bem mais discretas que as da amêndoa ou da maçã. Abro a janela e não lhes sinto nenhum perfume, por isso não sei se são alguma coisa às que põem no meu Chipre Flores. Em chegando a casa lavo as mãos com Confiança, o que tem graça, mas não me rio porque me ocorrem o Martin Donovan e a Adrienne Shelly muito novos - ontem deu o Retrato de Uma Senhora, e ali estava ele outra vez.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Doze e Doze

Mesmo que não fique bem sinto-me melhor assim, de cabelo comprido. A rapariga  que me vendeu o gancho também o tinha, e quase da mesma cor. Começou a trabalhar aos doze,no Algarve. Enquanto eu pagava desabafou que tinha acabado de perder a paciência com uma das quatro ou cinco do dia, currículo nem vê-lo, só sorrisos de pedido do carimbo para a segurança social ver.

domingo, 27 de março de 2011

domingo, 20 de março de 2011

Da Terra

Olho o pai do meu, mesmo atrás do dele, em inícios da nova república velha. Um dos irmãos encomendara retratos para oferecer à família e levar para América. Que achariam eles da terra, agora? E de nós? 

domingo, 6 de março de 2011

Vila de Rei, Vale de Linho


 À curva, o tojo e a margaça não são menos que the grass na boca de Burton.

Wee Hours

Onde foste ao bater das quatro horas
e, antes, quem eras tu, se eras?
Amigo ou inimigo, posso falar-te agora
sentado à minha frente e com os ombros
vergados ao peso da caneta?
Falo-te sobre a cabeça baixa
e vejo para além de ti, no horizonte,
teus riscos e passadas;
mas não sei onde foste, nem se eras.
Olho-te ao fundo, sob o sol e a chuva,
fazendo gestos largos ou só um leve aceno;
dizes palavras antigas,
de antes das quatro horas,
e nada sei de ti que tu me digas
dessa cabeça surda.
Não te pergunto pela verdade,
que pensas de amanhã ou se já leste Goethe;
sequer se amaste ou amas
misteriosamente
uma mulher, um peixe, uma papoila.
Não quero essa mudez de condolências
a mim, a ti, ou só à terra
que tu e eu pisamos — e comemos.
Pergunto simplesmente se tu eras,
quem eras, e onde foste
depois que se fizeram quatro horas.

Será que não tens olhos? Não tos vejo.
De longe em longe
agitas a cabeça, mas talvez seja engano.
Palavra, não te entendo.
Amigo, a que vieste?

Pedro Tamen, "Amigo, a que vieste?" in Horácio e Coriáceo, 1981.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

In The face of all Aridity

Maximilian Ehrmann, Desiderata, 1927 
[Voz de Richard Burton].

Chacun a sa Massamá

Em modo de subsídio para o Portugaliae Monumenta Blogospherica, ocorre-me que o que em tempos o Vasco questionou o Pedro experimenta agora a seu modo responder. Ainda não acabei o livro, mas desde já acho que há uma serendipidade fixe nisto tudo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Soares Dias (Filho)

A arbitragem do último SCP vs. SLB foi extremamente paliativa.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Anjinho da Guarda, és um fixe


Mais ou menos assim mas com granizo, relâmpagos e em circuito aberto.

Devo ter feito bem a alguém.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Estrela do Levante

Umm Kulthum, Enta Omri, 1964 [Gravação ao vivo, Paris, 1967].

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Em cada mulher uma D. Ema

No fundo, é para isto que as senhoras atafulham as malas.

Corpo em Câmara Lenta




TTT, Zap Canal,1996.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LXX

Por que é que quase todos os boys têm aquele ar bochechudo de criança sobrealimentada?

Santarém, Largo dos Capuchos

Para a Guida

Tocava a sair e ela pensava no contente que o faria um dia assim. Debaixo de um sol tão concreto continuava a acreditar que quem é para rir deve ser para chorar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Catarina de Penha Garcia


Trabalhai, quebrai o corpo, do trabalho nasce a honra, da honra o bem querer, cantava ela.
E bem.