, arriscou Graham diante de uma merenda muito desconsolante e inglesa. A educação de Jenny Mellor poderia ter começado ali mesmo, à vista de um coração na manga, à mesa.
domingo, 30 de janeiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
Português Partido VIII
Olhem, chamaram-me
Trenga
Etim. obscura
, o que não é mal visto.
Trenga
Etim. obscura
adj. fem. Beirão, Prov. Que aborrece, importuna, maçadora.
adj. fem. Minhoto, Prov. Pessoa acanhada, sem préstimo, atada.
, o que não é mal visto.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Mértola, Rua dos Bombeiros Voluntários
Ontem lembrei-me de um episódio arqueológico. Tive latim no liceu, dois anos. Tentava ensinar-nos o Manuel Pereira, beirão providencialmente talhado à medida dos bárbaros que éramos. Metade conseguiu passar. No primeiro ano mandou-nos à Mértola, no segundo à Mérida - nós merecíamos. Antes da faculdade ainda juntámos dinheiro para dez dias entre Roma e Florença, e isso mudou muita coisa. Nesse primeiro ano alimentava uma paixão platónica por um palerma meio pétreo, feita estóica; chegámos à vila acompanhados por uma turma de Carcavelos, e eu saí a toda a velocidade do autocarro, a caminho das muralhas, desculpando-me com o preenchimento da ficha-roteiro. Não me apeteceu fazer de conta que aquela cena na parte de trás do autocarro - ele agarrado a uma Ana Cláudia baixa, loira, betonça e de olhos azuis - me era completamente indiferente.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
São João do Peso, Rua Professor Oliveira Brás
Do lameiro ouvia-se um latido vago, mais nada. O nevoeiro cobria tudo. O escritor não se sentia bem ali - a terra do sangue era mais consumição que outra coisa. Quando alguém andava em parte incerta era de uso dizer-se
- anda na várzea, esse
como se ela fosse causa da baralhação.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
O Tempo Comum
À saída da vila está um daqueles bazares bastante afreguesados que vendem quase tudo, como no resto do país. Chama-se Balato. Self-deprecating tlansfolmado em chamaliz luclativo tem uma celta glaça. Cá ao bairro regressou já o senhor que surtou num dos feriados de Dezembro. Consegui meter a colher a tempo. Voaram pelas janelas manteiga, pão, pratos e facas, jornais, um penico, mas mais tampa menos tampa toda a gente saiu viva. Os putos perguntam-me se Portugal foi sempre assim e eu digo-lhes que não. Depois falo-lhes do futuro, e acredito no que digo.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
Parvae Stellae
Quando ela chegou o pai da mãe tinha partido há meses. Uma natividade sem plano, a sua, em pleno tumulto social e familiar, muitas horas de avião, países a nascer. Levaria tempo a entender que também tinha lugar.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Serra da Pena
Enquanto guardavam as cabras, cansados dos pífaros e do jogo das pedrinhas, procuravam as plantas que cresciam à sombra das estevas. Quase todos faziam comparações, mas ela não. A boca dizia-lhe que as coisas do pinhal valiam tal qual, na sua doçura silvestre.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
A8, Km 27
Pontuado a novos moinhos, o fio das vertentes mal se vê. Ida e volta acontecem às escuras, entre hortaliça e gado. É caminho que leva algum tempo, com espaço à antecipação da jornada. Há solavancos e trem-lags, gente muito cansada, cores a descombinar. Nada como pensei, mas pela primeira vez em muito tempo acho que nem tudo correrá mal.
domingo, 21 de novembro de 2010
Lisboa, Avenida Frei Miguel Contreiras
Com a cidade por conta, mudo de faixa e contorno sem pressa os ramos, as folhas, as poças mais fundas. Levo o Atlas na ideia, e lembro a Orval de há muitos meses, coberta de neve (o hastear do dia, a bruma vinda das Ardenas, o eco dos cânticos a dissipar-se pelo horto). O semáforo muda, os poucos carros em redor seguem caminho. Demoro uns momentos a arrancar.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Sardoal, Rua do Paço
Nunca tinha colhido, escolhido e retalhado azeitonas, não sabia que largavam um vermelho tão venal. Ficarão a adoçar no tanque, junto à nascente. Terei as mãos tintadas por muitos dias.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
La Suggia, 1927
Para ser honesta, acho que foi uma chamada de atenção no JPP para com Guilhermina e os seus, há já uns anos, que me despertou curiosidade sobre um nome não mais que familiar. Em 2010 cumprem-se sessenta anos sobre o seu desaparecimento. Não sabia que a sua irmã, Virgínia, em tempos internacionalmente tida por tão virtuosa quanto ela, lá pelos vintes, lhe anunciou algo como antes amor que música. Guil não quis saber. Eis uma das suas poucas audio-gravações, sob o signo do sagrado Yom Kippur.
[Imagem: Augustus John, 1920-23]
domingo, 14 de novembro de 2010
Wee Hours
Há muito que não me irritava assim: acenem-me com uma consoante muda frente à tromba que logo descobrem o que é acção directa, damas e cavalheiros.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXIX
É de levar mais a sério quem convida como quem ameaça ou quem ameaça como quem convida?
Subscrever:
Mensagens (Atom)

