a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Façamos por isso

Um muito feliz 2011.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

No Credential Here

Na vida real tudo é mais lento, mais sinuoso, mais afiado. Mais valioso.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Parvae Stellae

Quando ela chegou o pai da mãe tinha partido há meses. Uma natividade sem plano,  a sua, em pleno tumulto social e familiar, muitas horas de avião, países a nascer. Levaria tempo a  entender que também tinha lugar.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Wee Hours

Palavras precisas, mais e mais as procuro.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Serra da Pena


Enquanto guardavam as cabras, cansados dos pífaros e do jogo das pedrinhas, procuravam as plantas que cresciam à sombra das estevas. Quase todos faziam comparações, mas ela não. A boca dizia-lhe que as coisas do pinhal  valiam tal qual, na sua  doçura silvestre.     

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

Dubbelbild

 [August Strindberg (óleo s/tela), 1892]

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A8, Km 27

Pontuado a novos moinhos, o fio das vertentes mal se vê. Ida e volta acontecem às escuras, entre hortaliça e gado. É caminho que leva algum tempo, com espaço à antecipação da jornada. Há solavancos e trem-lags, gente muito cansada, cores a descombinar. Nada como pensei, mas pela primeira vez em muito tempo acho que nem tudo correrá mal.  

domingo, 21 de novembro de 2010

Lisboa, Avenida Frei Miguel Contreiras

Com a cidade por conta, mudo de faixa e contorno sem pressa os ramos, as folhas, as poças mais fundas. Levo o Atlas na ideia, e lembro a Orval de há muitos meses, coberta de neve (o hastear do dia, a bruma vinda das Ardenas,  o eco dos cânticos a dissipar-se pelo horto). O semáforo muda, os poucos carros em redor seguem caminho.  Demoro uns momentos a arrancar.   
      

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sardoal, Rua do Paço

Nunca tinha colhido, escolhido e retalhado azeitonas, não sabia que largavam um vermelho tão venal. Ficarão a adoçar no tanque, junto à nascente. Terei as mãos tintadas por muitos dias. 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

La Suggia, 1927


Para ser honesta, acho que foi uma chamada de atenção no JPP para com Guilhermina e os seus, há já uns anos, que me despertou curiosidade sobre um nome não mais que familiar. Em 2010 cumprem-se sessenta  anos sobre o seu desaparecimento. Não sabia que a sua irmã, Virgínia, em tempos internacionalmente tida por tão virtuosa quanto ela, lá pelos vintes, lhe anunciou algo como antes amor que música. Guil não quis saber.  Eis uma das suas poucas audio-gravações, sob o signo do sagrado Yom Kippur.
[Imagem: Augustus John, 1920-23]

Manifestações Não-Violentas

Nada como um gatito para aumentar o grau de querideza de um weblog.

domingo, 14 de novembro de 2010

Wee Hours

Há muito que não me irritava assim: acenem-me com uma consoante muda frente à tromba que logo descobrem o que é acção directa,  damas e cavalheiros.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXIX

É de levar mais a sério quem convida como quem ameaça ou quem ameaça como quem convida?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pagar a Conta


Ainda bem que a canção se popularizou (nunca fui dos que vibram quando dão por que os outros ainda não conhecem o que eu ). Eis tele-coisa de José Pinheiro, insuspeito mínimo denominador comum, uma vez mais. Muito adequada às momices antiteresaterminassianas destes dias, não?  

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Queluz, Largo do Palácio


O rapaz que é chamado ao altar flecte um braço em saudação e  estende o outro sobre as bandeiras. Promete dar do que recebeu e não espera  recompensa. Ouvem-no os que com ele aprendem e os que o ensinaram, como eu. E festejam. O futuro e o passado só são reais assim, quando o presente os encarna.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Que Fazer ao Que nos Contam? (16)

A septuagenária que convidamos para a mesa cora, acanhada. Não foi bonita, não o é agora. É, isso sim,  uma das  faces do bom que o presente traz: tão poucos sobram que o que antes eram deixou de importar. A filha do ferreiro está como a do presidente, a neta do médico é mulher do filho do filho de um jornaleiro,  a sobrinha da dos maus favores conta histórias à afilhada mais nova do vigário. Aquela, a que se junta a nós para o café, lembra o tempo em que o feitor pagava a um dos sacristães para adiantar o romper das avé-marias e atrasar o pôr das trindades um bom quarto de hora. Não chega a chorar, explica que não havia quem se pudesse dar ao luxo de os justiçar, aos fracos, como quem perdoa.

domingo, 31 de outubro de 2010

Ana Nim, Ana Não

Que é que esperavas, anjinho, um tem-te-não-caias? Amor às singularidades de uma rapariga moira? Vontade de liquefazer fé no que dizes? Como se valesses isso, quanto mais.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Nodos do Ofício

Li,/podei,/contei,/enchi carrinhos de mão,/ temi,/tremi,/ escrevi uma lua de Plutão.

Abrantes, Central de Camionagem

Nada como dantes. Há duas latrinas do lado das meninas, uma tem quatro seringas de roda do vaso de natureza e outra tem falta de papel. A viagem faz-se. À chegada  há aquela rapariga de caracóis compridos e castanhos, ainda limpa, quase normal, fazendo de conta que pede as moedas em falta para o bilhete. No metro azul vão os turistas urbanos, os miúdos do Técnico, as velhotas sem medo do anoitecer. Penso na luz de Ruiz, no tempo lento, e faço um esforço por respirar.