Que é que esperavas, anjinho, um tem-te-não-caias? Amor às singularidades de uma rapariga moira? Vontade de liquefazer fé no que dizes? Como se valesses isso, quanto mais.
domingo, 31 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Nodos do Ofício
Li,/podei,/contei,/enchi carrinhos de mão,/ temi,/tremi,/ escrevi uma lua de Plutão.
Abrantes, Central de Camionagem
Nada como dantes. Há duas latrinas do lado das meninas, uma tem quatro seringas de roda do vaso de natureza e outra tem falta de papel. A viagem faz-se. À chegada há aquela rapariga de caracóis compridos e castanhos, ainda limpa, quase normal, fazendo de conta que pede as moedas em falta para o bilhete. No metro azul vão os turistas urbanos, os miúdos do Técnico, as velhotas sem medo do anoitecer. Penso na luz de Ruiz, no tempo lento, e faço um esforço por respirar.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Ne laissez pas passer
E o que para alguns se adivinhava desrespeito institucional, piada anti-sistémica, tarefa de programa, não o foi. A dado momento a indignação provoca-lhe comichão e a máscara cai, fica só o cristão, um homem a citar Mateus.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Comboio, Queluz / Monte Abraão
Barras de cereais, soro fisiológico, papel de cozinha, muito lixo na linha, aspirantes da escola prática às voltas ao pelado, leite meio-gordo, uma mulher a falar muito alto ao telemóvel ao meu lado, várias raparigas de chinelos (não terão frio?), um gandulo muito magro a escorregar por entre os braços de dois picas, uma beringela, ou então cogumelos.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Não Se Zanguem com Ela
Por este sol de Outono ainda não se paga imposto, caraças.
[Margarida Pinto, mais canções que a malta precisa.]
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Em obras
O edifício ainda está em obras, daí a forte corrente de ar. Os andaimes separam a assembleia do altar-mor e a padroeira ladeia provisoriamente o baptistério. É a última missa do dia. A nova evangelização tem trazido alguns padres indianos bastante jovens e circunspectos, como este. Preparam a homilia com cuidado (não confundem improviso com espírito santo em acção). O domínio da língua é frágil. Para os que ali vão por ir, esse é o novo pretexto para o habitual alheamento; para os outros, a dificuldade apurará a audição.
domingo, 17 de outubro de 2010
Freud Complica
Continuo a ser a pessoa que conheço com o mais estrambólico e embaraçoso reportório de actos falhados.
sábado, 16 de outubro de 2010
Wee Hours
De-sem-querer, uma rapariga ofereceu fruta e a interpretação foi inadivertidamente bíblica. Que falta de intuição.
Lisboa, Estrada de Benfica
Apetece celebrar baixinho: miúdos com vontade de aprender, professores ansiosos para ensinar, nenhum embaraço em segunda mão - que viva o amanhã à vista.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Queluz, Rua Óscar Monteiro Torres
A dureza dos dias lê-se
nos clientes que teimam
em entrar:
há vermutes ao quarto para as
dez da manhã,
cervejas pelo
meio-dia,
bagaços pouco depois
de almoçar.
O semblante geral diz
pouca fruta, fracos legumes,
nenhum passear.
Chega o Rocha,
timbre leve em
carranca já salgada,
quase Adamastor.
Ao balcão os cumprimentos
são sinceros,
tudo segue em rodadas,
há tremoços,
tabaco,
licor -
um claro prenúncio
de segundas-feiras
sem valor.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXVIII
Escrevo e guardo algum e-mail como quem estima cartas de papel, por isso aflige-me quem prenuncia a decadência epistolar.
domingo, 3 de outubro de 2010
Encontrei aquela que deve ser a gralha mais bonita do ano na reedição de Requiem para D.Quixote. Lá pelas páginas setenta, setenta e um, logo no início do décimo capítulo, Peter Maynard faz uma investida exploratória sobre certo bar de má reputação de maneira a dar início ao fim de um problema. Entre outros instrumentos de protecção e despiste, leva consigo ósculos escuros.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Sintra, Avenida Doutor Desidério Cambournac
O palacete tinha a cara destratada e não era centro cultural, era a repartição de finanças. O mercado ocupava bastante espaço. A circulação não era fácil. Não se podia passear assim à vontade pela Estefânia por causa dos carros para a Vila, e a Portela não só parecia como ficava mesmo mais longe. Tudo era menos polido, menos pintado, menos ordeiro. Menos cénico.
domingo, 26 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Não-Ficção
é a categoria menos explicativa que alguém pôs em uso desde a criação da prateleira Diversos.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
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