[Cyndi Lauper, True Colors, or.1986.]
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Massamá, Terreiro da Rua António Aleixo
São Pedro era a porta das férias grandes, por isso uns iam buscar alcachofras à colina, outros arranjar lume, outros jornais e tábuas boas para arder. A rua direita ainda tinha quase todas as casas de veraneio, o chafariz longas filas, os baldios pasto para ovelhas. O estaleiro de tijolo e ferro forjado crescia, e nós com ele. Antes do anoitecer um ou mais pais ajudavam a atear a fogueira, depois era ver quem queria mesmo saltar. Quase todos conseguíamos. A princípio de lado, a medo, mas pouco a pouco querendo mais, ganhando força na disputa, melhorando o arco até chamuscar. Recordo esses começos de Verão assim, de flores acesas.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
If you don't know the kind of person I am
and I don't know the kind of person you are
a pattern that others made may prevail in the world
and following the wrong god home we may miss our star.
For there is many a small betrayal in the mind,
a shrug that lets the fragile sequence break
sending with shouts the horrible errors of childhood
storming out to play through the broken dyke.
And as elephants parade holding each elephant's tail,
but if one wanders the circus won't find the park,
I call it cruel and maybe the root of all cruelty
to know what occurs but not recognize the fact.
And so I appeal to a voice, to something shadowy,
a remote important region in all who talk:
though we could fool each other, we should consider--
lest the parade of our mutual life get lost in the dark.
For it is important that awake people be awake,
or a breaking line may discourage them back to sleep;
the signals we give--yes or no, or maybe--
should be clear: the darkness around us is deep.
and I don't know the kind of person you are
a pattern that others made may prevail in the world
and following the wrong god home we may miss our star.
For there is many a small betrayal in the mind,
a shrug that lets the fragile sequence break
sending with shouts the horrible errors of childhood
storming out to play through the broken dyke.
And as elephants parade holding each elephant's tail,
but if one wanders the circus won't find the park,
I call it cruel and maybe the root of all cruelty
to know what occurs but not recognize the fact.
And so I appeal to a voice, to something shadowy,
a remote important region in all who talk:
though we could fool each other, we should consider--
lest the parade of our mutual life get lost in the dark.
For it is important that awake people be awake,
or a breaking line may discourage them back to sleep;
the signals we give--yes or no, or maybe--
should be clear: the darkness around us is deep.
William E. Stafford (1914-1993), A Ritual to Read to Each Other.
terça-feira, 22 de junho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
Lisboa, Travessa da Cara
A próxima pessoa que frente à minha alcunhar o amor de invenção leva uma cabeçada.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Wee Hours
Um passo claro, decidido - aí está o que mais custa a quem foi ensinado a esperar. São séculos disto gravados em nós, mesmo as mais temerárias e alforriadas.
Vuvuzelotas
Tenho dois vizinhos sub-10 que se têm empenhado bastante a cornetear à janela, ao final da tarde. Jogar futebol ao som de uma espécie de colmeal deve ser pior, ainda assim.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Fluctuat Nec Mergitur
Os sábios latinos plantaram a raiz da palavra desastre porque queriam dar nome ao estilhaçar das estrelas. Tinham-no por augúrio de provação, temiam-no. O sentido resistiu bem aos séculos. Ainda hoje baptizamos dessa maneira qualquer fenómeno natural que traga consequências pesadas para a vida humana. Um desastre é um fenómeno connosco a bordo, sim.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Barreiro, Travessa do Bocage
O acre das chaminés da companhia sentia-se ainda antes de começarmos a descer a avenida dos fuzileiros. Íamos quase sempre contentes por causa das correrias, dos legos, dos jogos de tabuleiro. Os tios ainda eram todos. Elas de cabelo ripado, eles de bigode, tão novos. De regresso encolhia-me muito sem conseguir olhar o rio, cheia de medo de cairmos por causa daquela série onde a ponte igual à nossa era atingida por um terramoto. Episódio após episódio os sobreviventes tentavam continuar a sê-lo, mas a estrutura mexia e o socorro tardava. Só me sentia segura do lado de cá, pouco antes dos Cabos d'Ávila.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXVI
Modismos de linguagem. Agora é esta mania macaca de começar tudo o que é dito e escrito pelo predicado em infinitivo impessoal. Fica a criatura que presta atenção convencida de que chegou a meio da conversa de não sabe quem.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Sombra e Sol
Em sonhos, como em pesadelos (desde cedo igualmente habituais), continuo a não dar por mudanças de luz. O movimento dos que neles aparecem acontece sob um céu de gravura, fixo. Daí que, na realidade, cada vez mais procure sombra e sol, mais sinta essa falta.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
[Edward Hopper, Room in New York, 1932]
O vestido dela diz que o tempo está ameno, ele está tisnado como um vendedor, mas isso não chega para explicar o rubor quase rockwelliano que ela desvia rodando metade de si em direcção ao piano, muito menos a tensão na fronte dele, o arquejar do tronco, coisas de quem não lê distendidamente o jornal. Nisto não vejo rescaldo. Vejo algo por acontecer. terça-feira, 1 de junho de 2010
Wee Hours
Desta malta filmada por Warhol já só resta meia dúzia. Os rapazes parecem quase todos saídos dos livros da Susan Hinton. Pergunto-me se também terão decorado poemas do Frost.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Lisboa, Avenida Duque de Loulé
Até um integrista afectivo tem venetas de pura insensibilidade. Falavam-lhe de uma carta-aberta de amor e o seu único comentário ia para os erros de português.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Gentílico
Perguntam de onde sou e ainda hesito. Acabo por dizer o sítio onde moro, sem grande convicção. Verdade seria responder que cresci neste lado do Tejo e nasci no outro, e que o meu sangue é todo Zêzere. Mas para quem tem rios por terras não há gentílico.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXVI
Qual o melhor cumprimento a oferecer, em circunstância mundana ou quotidiana, a alguém com quem se falou em ocasião anterior mas com quem não se está à-vontade? É que por acanhamento continuo a oscilar indiscriminadamente entre:
a) meio-sorriso
b) sorriso
c) sorriso & aceno
d) sorriso, aceno & olá audível
e) olá audível & par de beijinhos
f) nenhum (se acho que não serei reconhecida)
Assim em termos de bom senso, há uma regra geral para isto?
Estas pequenas/grandes coisas dão-me cabo do juízo.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Queluz, Rua Laura Alves
Gostava de saber onde pára o bokken da casa que fomos, relíquia de um tempo de práticas marciais-fraternais no Atlético.
Nessa altura contava com melhores reflexos. Depois cresci, convenci-me de que a intuição e outros instintos de base eram de somenos. Não são. Como diria Nobutada: too many mind, paulada. É aguentar. E fazer por aprender com isso.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Pedro

Prefiro este Pedro, de autor desconhecido, àquele que lhe serviu de inspiração, o de Theotokópoulos. É mais límpida a sua expressão de fragilidade, consciência e expectativa. Hoje como ontem, um dos que se lhe seguiram e os que de boa vontade o querem ouvir vivem não menos essa condição. Por mim é mais que bem-vindo.
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