terça-feira, 22 de junho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
Lisboa, Travessa da Cara
A próxima pessoa que frente à minha alcunhar o amor de invenção leva uma cabeçada.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Wee Hours
Um passo claro, decidido - aí está o que mais custa a quem foi ensinado a esperar. São séculos disto gravados em nós, mesmo as mais temerárias e alforriadas.
Vuvuzelotas
Tenho dois vizinhos sub-10 que se têm empenhado bastante a cornetear à janela, ao final da tarde. Jogar futebol ao som de uma espécie de colmeal deve ser pior, ainda assim.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Fluctuat Nec Mergitur
Os sábios latinos plantaram a raiz da palavra desastre porque queriam dar nome ao estilhaçar das estrelas. Tinham-no por augúrio de provação, temiam-no. O sentido resistiu bem aos séculos. Ainda hoje baptizamos dessa maneira qualquer fenómeno natural que traga consequências pesadas para a vida humana. Um desastre é um fenómeno connosco a bordo, sim.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Barreiro, Travessa do Bocage
O acre das chaminés da companhia sentia-se ainda antes de começarmos a descer a avenida dos fuzileiros. Íamos quase sempre contentes por causa das correrias, dos legos, dos jogos de tabuleiro. Os tios ainda eram todos. Elas de cabelo ripado, eles de bigode, tão novos. De regresso encolhia-me muito sem conseguir olhar o rio, cheia de medo de cairmos por causa daquela série onde a ponte igual à nossa era atingida por um terramoto. Episódio após episódio os sobreviventes tentavam continuar a sê-lo, mas a estrutura mexia e o socorro tardava. Só me sentia segura do lado de cá, pouco antes dos Cabos d'Ávila.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXVI
Modismos de linguagem. Agora é esta mania macaca de começar tudo o que é dito e escrito pelo predicado em infinitivo impessoal. Fica a criatura que presta atenção convencida de que chegou a meio da conversa de não sabe quem.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Sombra e Sol
Em sonhos, como em pesadelos (desde cedo igualmente habituais), continuo a não dar por mudanças de luz. O movimento dos que neles aparecem acontece sob um céu de gravura, fixo. Daí que, na realidade, cada vez mais procure sombra e sol, mais sinta essa falta.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
[Edward Hopper, Room in New York, 1932]
O vestido dela diz que o tempo está ameno, ele está tisnado como um vendedor, mas isso não chega para explicar o rubor quase rockwelliano que ela desvia rodando metade de si em direcção ao piano, muito menos a tensão na fronte dele, o arquejar do tronco, coisas de quem não lê distendidamente o jornal. Nisto não vejo rescaldo. Vejo algo por acontecer. terça-feira, 1 de junho de 2010
Wee Hours
Desta malta filmada por Warhol já só resta meia dúzia. Os rapazes parecem quase todos saídos dos livros da Susan Hinton. Pergunto-me se também terão decorado poemas do Frost.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Lisboa, Avenida Duque de Loulé
Até um integrista afectivo tem venetas de pura insensibilidade. Falavam-lhe de uma carta-aberta de amor e o seu único comentário ia para os erros de português.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Gentílico
Perguntam de onde sou e ainda hesito. Acabo por dizer o sítio onde moro, sem grande convicção. Verdade seria responder que cresci neste lado do Tejo e nasci no outro, e que o meu sangue é todo Zêzere. Mas para quem tem rios por terras não há gentílico.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXVI
Qual o melhor cumprimento a oferecer, em circunstância mundana ou quotidiana, a alguém com quem se falou em ocasião anterior mas com quem não se está à-vontade? É que por acanhamento continuo a oscilar indiscriminadamente entre:
a) meio-sorriso
b) sorriso
c) sorriso & aceno
d) sorriso, aceno & olá audível
e) olá audível & par de beijinhos
f) nenhum (se acho que não serei reconhecida)
Assim em termos de bom senso, há uma regra geral para isto?
Estas pequenas/grandes coisas dão-me cabo do juízo.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Queluz, Rua Laura Alves
Gostava de saber onde pára o bokken da casa que fomos, relíquia de um tempo de práticas marciais-fraternais no Atlético.
Nessa altura contava com melhores reflexos. Depois cresci, convenci-me de que a intuição e outros instintos de base eram de somenos. Não são. Como diria Nobutada: too many mind, paulada. É aguentar. E fazer por aprender com isso.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Pedro

Prefiro este Pedro, de autor desconhecido, àquele que lhe serviu de inspiração, o de Theotokópoulos. É mais límpida a sua expressão de fragilidade, consciência e expectativa. Hoje como ontem, um dos que se lhe seguiram e os que de boa vontade o querem ouvir vivem não menos essa condição. Por mim é mais que bem-vindo.
Wee Hours
Estive muito tempo sem ir ao teatro. Concluo que continuo sem reconhecer as mulheres que os homens de hoje contam. Mulheres que sabem o que querem e o requerem metalicamente. Que mudam muitas vezes de ideias sobre o amor. Que não esperam perguntas ou iniciativas - que não esperam, simplesmente. Não reconheço nada disto. Não me reconheço, quero dizer.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Foot Notes
Mamma e demais benfiquistas que ocupam o meu coração, parabéns. Acho que os vossos confrades emporcalhadores do Estádio do Marquês de Pombal (jornalista calvo da RTP do qual não recordo o nome dixit) deveriam ser intimados a limpar as bermas do IC-19, da CREL e da A-1 durante um bom mês. Aqueles que na vez de ficarem felizes por terem ganho rejubilaram por terem visto os seus adversários perder, idem. Folguei em saber que o acesso à 2ª Circular esteve cortado no sentido de lá para cá (Nuno Luz, da SIC, esbracejando dixit) e que ainda assim não houve problemas de monta.
Ah, sim, é verdade: Spooooooorting.
domingo, 2 de maio de 2010
Roger Dodger
Quase todos inscritos a baixo-relevo como manda o costume, estes cameos de Hitchcock. Tenho um fraco bem forte por rubricas auto-irónicas.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Bisel
Sempre tem havido algum miúdo a ensaiar flauta de maneira a que se oiça aqui. Por razão que desconheço, a repetição insegura mas teimosa de cada nota causa-me o oposto do desconforto. Há uma semente de beleza naquela insistência infantil, e isso é tão frágil quanto precioso.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Survival of the Sweetest
Nas traseiras sofrivelmente ajardinadas cá do quarteirão têm-se repetido estranhas cenas de luta. Para escândalo das decanas - nada dadas ao desperdício - três ou quatro vizinhas passaram a praticar o lançamento do pão a partir das respectivas janelas, seguido do relato minuto-a-minuto da prestação da passarada. Os pardais, mais pequenos e cantantes que os outros, são claramente favoritos. Não apenas lhes destinam diminutivos e adjectivos carinhosos como lhes garantem protecção dos pombos, que fazem dois de cada um, tangendo cordas de roupa e batendo palmas para os afastar. Os pardais nem querem acreditar.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Charles by Frances
Chaplin compôs este lied para o último dos seus filmes mudos, Modern Times (1936). Quase trinta anos depois, com cerca de quarenta anos de idade, já muito frágil, Garland ofereceu no seu programa uma interpretação assim. Só soube dela outros quarenta mais tarde, em busca de uma centelha acesa por Angeline Ball em certo bildungsfilm.
Nós
De maneira mais ou menos explícita uso muitas vezes a primeira pessoa do plural. Insólito não é usá-la, mas fazê-lo presumindo que conheço e devo aceitar um pensamento que não é exactamente o meu. Como se à partida votasse vencida.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Fisiologia Bíblica
Um exegeta recordou-me ontem algo que aprendi há quase quinze anos, numa lição de Pré-Clássicas. Nos textos camito-semíticos coração não é mais sinónimo de emoção que de consciência. Diz-se coração para dizer desejo, paixão, mas também discernimento, saber. Quando teremos deixado de o pensar assim?
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Bichos
Há algum tempo que não tinha um pesadelo destes, dos de acordar de cabelo emaranhado de tanto transpirar. Cobras grandes e pequenas, cobras por todo o lado. Eu a fugir-lhes, depois a enfrentá-las, a ser mordida e a tentar escapar. Nem Freud nem Jung, acho. Talvez a cria que matámos noutro dia na aldeia, debaixo do alpendre, muito perto da porta da cozinha. Ou então o quadro pintado por Salisbury Field sobre a Criação, que escolhi para ilustrar um post noutro sítio. Pela página do Museu de Belas Artes de Boston fiquei a saber que só há umas décadas, depois do restauro, voltou a ser como era. Uma parenta e herdeira de Field tinha entretanto achado Eva e a Serpente tão indecentes que mandou não sei quem pintar por cima delas uns arbustos.
Aranhas também me fazem alguma confusão. Tantos anos de campo e ainda sou esta florzita de estufa, caraças.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Cascais, Avenida de Nossa Senhora do Cabo
Andámos mais uns bons quilómetros que os de costume, tais eram as saudades de sol e ar salgado. Fim de feriado em família, quase nenhum turista, só alguns ciclistas e rollerskaters, mais uma ou outra senhora passeando cão de pedigree adequado ao seu. Com a Guia à vista, um, dois, três, quatro, cinco carros a encostar. Gente a sair deles, a formar pequenos grupos. Pescadores não, não assim vestidos. Acidente também não, sem estrondo nem vidros espalhados. Mas várias pessoas caladas, aparentemente tensas, limpando os olhos. Só as entendi ao olhar em direcção ao mar, perto do qual um senhor de certa idade lançava uma nuvem de cinza. Seguimos em silêncio o resto do caminho. Ninguém espera testemunhar morte no dia da vitória sobre ela. Assim é a vida.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Lisboa, Avenida da Índia
Daqui mesmo, nesta perspectiva, a câmara de F. Carneiro Mendes captou há setenta anos o Pavilhão dos Portugueses no Mundo. Que hoje lhe suceda um pavilhão do mundo nos portugueses, isso faz-me sentir mais dele.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Massamá, Praceta João de Deus
Das dez às dez dos últimos vinte anos a livraria do shopping esteve sempre aberta. Tanto nas calmas como em recurso, sabíamos ter à distância de uma caminhada as últimas novidades, os clássicos, os gibis, uma secção de poesia bastante decente, para além do mais recente recanto de alfarrábio. Fui em regra atendida por gente competente e porreira, como esta que entretanto criou coisa sua. Nada sei do que se passou na Clepsidra, antes Teorema, filha de filho de gente das letras. Mas que sem ela o burgo fica mais cinzento, isso sei.
sábado, 13 de março de 2010
Inverno na Devesa (2)
Aproveito e vou adiantando as pratas. A menina, digo, a senhora e o senhor doutor passaram a receber aos serões de segunda, por isso o dia santo ganhou serviço dobrado. Sei que não me devo queixar. Ela é muito boa comigo; não grita, nunca que me deu um bofetão. Outra rapariga de dentro que diga isto cá na vila, não conheço. Faço o meu domingo à terça, paciência. O vento não acalma. A chuva, um pouco. Parece-me que vêm a chegar.
Strange Days
Nunca tinha ficado mal-disposta com uma caneca de chocolate. Antigamente uma dose destas ajudaria, agora nem pensar; dá nisto, ensinar ao corpo que os males não podem ser empurrados com doces garganta abaixo. O problema não foi a caneca, foi o tacho de em dois dias ficar a saber de dois conhecidos que afinal não o eram. Por que razão presumimos saber quem são as pessoas com quem nos cruzamos durante anos, com quem partilhamos o passeio, o caminho da escola, a paragem, o café? Por que dariam a perversidade ou a canalhice sinais exteriores de vileza?
sexta-feira, 12 de março de 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXV
Não deveria haver um sartorialist ou um face hunter que postasse fotos das elegantes não-estrelas que cruzam as passadeiras de prémios?
terça-feira, 9 de março de 2010
Davam Longos Passeios
Enquanto planeava a viagem Riba Douro lembrava a conversa com os miúdos de Gondomar. É estranho e um bocado triste, mas certo que por cá a malta de dezanoves e vintes não alinha em palrações com desconhecidos. Quem é mais velho ou mais novo encontra-os à mesa muito monos, empacados no telemóvel, mais nada. Já aqueles, da festa das nozes à tipologia guna à produção de nabos, não tiveram descanso. Gente muito porreira, pensou.
segunda-feira, 8 de março de 2010
As Quatro Marias
Pois eu senti nenhumas. Em mim, a leitura das três primeiras resultou em respeito pela quarta. Mais até, em consideração. Deve ser sangue que vem de trás, fervente à burguesa sobranceria. Quem apouca esta Maria não entende as mulheres do meu país, incluindo a que me teve. Não foi criança inviável, não perdeu ilusões cedo, não contou com a bondade de quase-estranhos, não teve de calar ao gerente que o leite estava azedo, não sorriu, infantil, à boa fortuna. A Lamas vos diria.
Nota da Redacção em 10.03.10: Os posts fêmeos, parece tornar-se regra, são aqueles em que mais mal entendida sou. Ou pior me explico. Ou as duas coisas. Em caso de dúvida (e em atenção às oito ou nove pessoas que aqui vêm sem ser por acidente) aqui fica a transcrição dos dois comentários em caixa.
Anónimo disse...
O entroncamento - alguma coisa escapará - parece-me infeliz. Ferem as personagens, o objecto e o contraste - para quê?
Rejeição literária à parte, as três iam mesmo dentro não fora o 25/4. Que se saiba, a outra e a senhora sua mãe nunca a tal se expuseram.
Não será o suficiente para a consideração (política, literária, a que bem entender chamar à colação) mas basta para o respeito. Aquele que a senhora e todos nós lhes devemos; aquele sobre o qual a senhora passa ligeira.
A indignação firme terá com certeza melhor dia aqui.
Conheço e admiro (ao contrário do que insinua, e bem mais do que possa calcular) as Cartas (e várias outras obras de duas das três, em particular de MVdC), como conheço os contornos do processo judicial a que alude. A indignação nasce, precisamente, em reacção a um olhar superficial, desatento, pois há um evidente nexo entre a coragem literária (e cívica) das primeiras e a coragem vivencial das segundas. As Marias que são a 'outra' e a 'senhora minha mãe' expuseram-se não à cadeia, mas à superação do muito que subjaz ao epistolário das Três. Não estão, nunca estiveram verdadeiramente nos antípodas umas das outras. Não lhe parece que aquela Maria que refiro no final, a Lamas, deixou isto claro, no modo como escreveu o que escreveu há sessenta anos? Acha mesmo que a uma mulher que no Lindoso ou na Erra fazia por ter melhores condições de vida, faltou real coragem e consciência da sua condição?
O desconhecimento da 'mulher comum', o desgosto manifestado pela sua mobilidade, o apoucamento do seu viver a partir da rejeição do seu penteado, dos seus maneirismos, do seu estar, isso sim é ligeireza.
Nota da Redacção em 10.03.10: Os posts fêmeos, parece tornar-se regra, são aqueles em que mais mal entendida sou. Ou pior me explico. Ou as duas coisas. Em caso de dúvida (e em atenção às oito ou nove pessoas que aqui vêm sem ser por acidente) aqui fica a transcrição dos dois comentários em caixa.
Anónimo disse...
O entroncamento - alguma coisa escapará - parece-me infeliz. Ferem as personagens, o objecto e o contraste - para quê?
Rejeição literária à parte, as três iam mesmo dentro não fora o 25/4. Que se saiba, a outra e a senhora sua mãe nunca a tal se expuseram.
Não será o suficiente para a consideração (política, literária, a que bem entender chamar à colação) mas basta para o respeito. Aquele que a senhora e todos nós lhes devemos; aquele sobre o qual a senhora passa ligeira.
A indignação firme terá com certeza melhor dia aqui.
Cláudia [ACV] disse...
Fere quem!? Tresleu e muito, anónimo(a). A clareza não será o meu maior predicado, por isso repetirei, sintetizando: depreciar a vida e postura da quarta a partir da evocação das três primeiras é paradoxal, para além de mesquinho. Conheço e admiro (ao contrário do que insinua, e bem mais do que possa calcular) as Cartas (e várias outras obras de duas das três, em particular de MVdC), como conheço os contornos do processo judicial a que alude. A indignação nasce, precisamente, em reacção a um olhar superficial, desatento, pois há um evidente nexo entre a coragem literária (e cívica) das primeiras e a coragem vivencial das segundas. As Marias que são a 'outra' e a 'senhora minha mãe' expuseram-se não à cadeia, mas à superação do muito que subjaz ao epistolário das Três. Não estão, nunca estiveram verdadeiramente nos antípodas umas das outras. Não lhe parece que aquela Maria que refiro no final, a Lamas, deixou isto claro, no modo como escreveu o que escreveu há sessenta anos? Acha mesmo que a uma mulher que no Lindoso ou na Erra fazia por ter melhores condições de vida, faltou real coragem e consciência da sua condição?
O desconhecimento da 'mulher comum', o desgosto manifestado pela sua mobilidade, o apoucamento do seu viver a partir da rejeição do seu penteado, dos seus maneirismos, do seu estar, isso sim é ligeireza.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Queluz, Adro da Igreja Paroquial
Por falar em sacramentos, recordo-me bem do da Eucaristia. O sol estava forte à hora da fotografia. Foi na Primavera da entrada na CEE, em tempo do padre Alberto Teixeira Dias, homem verdadeiramente ocupado em transmitir à comunidade o fundamental - ouvir, ler e interpelar os Livros, alimentar a vida do espírito com alegria e em partilha. As externalidades e os formalismos não encontravam nele grande guardião. Sugeria vagamente o branco e o azul quando algum pai fazia a protocolar pergunta da fatiota, o que nos deixava entusiasmante margem criativa.Que ela se tenha traduzido neste ensemble evocativo de Armando Gama, isso já não sei como foi.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Lisboa, Rua de Dona Estefânia
Saí a horas, por isso despreocupei-me do lugar. À primeira não acertei. Com o jeito habitual, bati com o joelho na máquina de parquear. Desci a rua a correr, e com o latejar veio o Rohmer. Não o da Aurora, o do Jerôme, o da Claire. O do Jean-Louis. Primeiro à mesa, a comer, com os outros dois e o Pascal. No essencial, a decidir-se entre esta e outra mulher. Ali ouvi pela primeira vez falar des pechés contre l'espoir. E antes do fim da tarde deixou de doer.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Na Estrada
Por causa do Carnaval falava-se com um tio da direcção do recreativo, um compadre bombeiro, um avô fiel da casa do povo, uma madrinha governanta de anexo paroquial. Toda a gente tinha gente numa terra que não esta. Havia que haver tecto, pouco mais. Sabíamos que dirigentes e caminheiros em comissão de serviço manteriam o segredo possível, mas tentávamos sempre descobrir o local. As cartas topográficas que a pouco e pouco nos fariam chegar eram fotocopiadas dos originais há muito guardados na secretaria, a não ser que fossem de um lugar onde não tinha ainda havido actividade, e aí eram cravadas a algum militar benemérito ou compradas ao exército. Faziam-nos bater e rebater a orientação, e entretanto acertavam o orçamento, os percursos para as diferentes secções, os temas, os códigos, e nós em apostas de norte ou sul. Finalmente chegava o dia. Partíamos de comboio ou camioneta até ao sítio inicial. E então estávamos por nós, éramos donos do caminho. Contávamos apenas com um mais velho à distância de metros, testemunha quase sempre silenciosa dos acertos e enganos de quilómetros. Foi assim que aprendemos o país. Ao frio de Fevereiro, a passo incerto e enlameado, por entre subidas, silvas, cães vadios. Passando por gente que não nos conhecia mas nos desejava bom dia. Sob muita chuva, lenços a desbotar, alguma cantoria, corridas mata-cavalos para salvar pontos. Tralhos aparatosos, quase sempre nas descidas. Uns ainda maçaricos, engasgados em saudades de casa, outros já guias, disfarçando febres para não deixar a patrulha perder. E o chaço a passar com os coxos, a abrandar para ver se estávamos bem. O Chefe a sorrir, solene. De noite a espera pelos mais atrasados, o banho à vez, os curativos, a futebolada dos que nunca deixavam o monco cair. O esparguete, sempre o esparguete. As máscaras. De madrugada o cerco à calhauzada pelos foliões locais, que nos achavam miudagem rica da cidade, malta que lavava a cara com água morna. No último dia havia o frio na barriga, a ordem de serviço, as promessas, o corredor. E o regresso, o sono pesado no corpo moído, os sonhos de ainda estarmos todos na estrada. De vez em quando volto a sonhar connosco, e ainda estamos todos na estrada.
Inverno na Devesa (1)
Chovem água fria e pedra miúda, sem romance de neve. Uma das cameleiras velhas da borda do terreiro tombou há pouco. O nordeste está que baste para tanger o mastro da escola. Quase não se vê gente. Por ora uns estão na missa do dia, outros a fazer tempo na venda. Mais hora e meia e regressarão a casa muito láparos, a ver do almoço.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Den Haag, Korte Vijverberg
[Gerard ter Borch II, De briefschrijfster, c. 1655]No último andar da casa do Conde de Nassau, mesmo à direita daquela rapariga do brinco de pérola, está uma outra bem mais discreta, pequena, mal iluminada. Pintou-a Borch, num enquadramento mínimo. Dir-se-ia que essa mulher debruçada sobre a escrivaninha não sabe ou não quer saber que é observada. Por que escreve ela? O que reescreve, naquela folha dobrada em quatro?
sábado, 26 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Comboio, Campolide
Ainda não deram as dez da noite. Nem sequer há lua cheia e mesmo assim é isto. Penso se a quadra não lhes quadra. Ali zanza o doido atarracado, o que acende cigarros na carruagem e vem às portas dela intimar o segurança. Daquele lado senta-se a cinquentona xanáctica, de telefone sempre em riste, sacos de compras aos pés e chamadas imaginárias todo o caminho. No meu, à coxia, vai o velho crioulo, o que insiste em disfarçar a tosga com um delicado assobio. Segue também o construtor que destrata alguém incrivelmente alto, noutra língua. E vou eu - jogando ao faz-que-lê-mas-ouve-e-vê.
Wee Hours
Tenho gravado a reposição daquela adaptação que a BBC fez nos early seventies da Guerra e Paz. No meio de muita fancaria hd, ali há uma boa contextualização do período, bons actores, realização, montagem. E aquela voz off, existencialista que nem sei.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Num Lá Maior
Quando escreveu esta bagatella, Beethoven lutava já há algum tempo contra uma doença que não procurara, e que o afectaria irreversivelmente. Isso não o impediu de teimar na composição por mais de uma dúzia de anos, sobrevivendo ao cerco napoleónico, à crise económica e financeira, à perda de favor patronal, a terríveis disputas por (e com) Karl, o sobrinho. Esta sua peça, muito breve e simples, está aqui porque não sei de que outro modo posso celebrar alguém que partiu com o respeito e pudor que lhe é devido, e que me foi tangente neste mundo em teia. Que emanava dignidade e alegria, e por isso estará não num Lá menor, como na peça, mas num Lá maior.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Σοφíα
Tento imaginar João César Monteiro, homem que a documentou contando histórias aos filhos, um tanto enrascado. É difícil. Como seria, estar em presença de uma mulher que quase nunca era tratada por tu?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Baruc 5, 1-9
Uma das senhoras com as quais me costumo cruzar ao final do dia fez a leitura inicial. Acho que foi a primeira vez. Deslizou as mãos pelos signos, um tanto à pressa. Talvez sentisse os olhares curiosos. Nem por isso deixou menos claras as palavras ditas antes de Paulo, então preso, antes de Lucas, sobre João Baptista. Falavam de nós agora, aqui no futuro.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
IC-19, Km 1
Por aqui o sturm und drang segue ao ritmo habitual - em lata e sangue, isso mesmo. Todos os dias esta gente conduz da mesma maneira que se conduz. É que não aprendem, c#r#lho. Para abafar as sirenes nem uma integral chegava. Ainda assim o aniversariante ajudou. Muito. Lá cheguei inteira a casa, ao som d'"O Cavaleiro" pelo Contrapunctus (em directo na Antena 2, a partir da Casa da Música, grande paio o meu). De agradecida, deixo-vos um naco de um movimento da Hob. I, 105 (a Sinfonia Concertante, pelos solistas da Orchestre de Paris à paisana) intensa e armilar como nenhuma outra.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Sintra, Rua José Bento Costa
Da varanda víamos o campo, um pelado poeirento ou enlameado, conforme o tempo, e as outras ruas com os outros miúdos nos outros prédios. A avó ainda estava doente. Espreitávamo-la à porta e ela sorria, branca de papel. Comíamos torradas de mafra na chapa, espalhávamos cebolas e maçãs pelos gavetões dos lençóis, jogávamos ao dominó, ao ludo, às copas na alcatifa. A nossa grande preocupação eram aqueles cinco minutos. Só mais cinco minutos. Nunca achávamos que ficava tudo mesmo bem brincado.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Mistério da Educação
Não sei se é coisa de classe, geração ou geografia, mas a minha relação com os pronomes de tratamento permanece contenciosa. O exemplo mais vezeiro é o ‘você’. Quando me chamam assim e já me conhecem, é como se me fechassem a porta e deixassem apenas um postigo aberto, por seca civilidade.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Ministério das Finaças
O nexo entre o muito que algumas mulheres investem na aparência e os resultados pelas mesmas auferidos é descoroçoante. Não falo de mínimos – banho, esfoliante, hidratante, fio dental, amaciador, corrector, etc – sobre os quais estaremos de acordo. Falo do verdadeiro (en)cargo que são saltos altos, penteado impactante e full make-up todos os dias; depilação, máscara capilar e mani-pedi profissionais todas as semanas; coloração e spa todos os meses. Como congénere, tenho certa admiração por quem se esforça tanto. O problema é que a distância entre a sofisticação e a elegância permanece a mesma.
Apontamentos Europa-América #1
James escreveu o que houve a escrever sobre a doença do solipsismo - por cada John Marcher que se aguenta, há uma May Bartram que escorrega ou cai.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Lisboa, Estação do Oriente
Há dias segurei-lhe a porta do cinema, o que tem graça. O primeiro filme que vi dele foi também com a Ana Padrão - novata, ainda - num Tabucchi de névoa e metal, ao som do Preizner Preisner. Sabia lá eu quem era o Preisner, então. Ou quem era o Fernando Lopes, sequer. Acho que foi na RTP2. O que também tem a sua graça. Depois sim, de diante para trás dei com a Abelha na Chuva, o Belarmino. Gostei muito d'Os Sorrisos do Destino, está bom de ver. Como não haveria de gostar de mensagens telefónicas feitas legendas de filmes mudos, disposições melancoólicas em choque com efervescentes, corações certos às voltas com inconstantes, carros velhos, fatias de presunto de lei, pinheiros muito altos. Lá para o final, um destino inscrito no painel da gare - o mesmo que está ali em cima, no frontispício disto. Engraçado.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
IC-19, KMS 2-5
Do cimo de Alfragide aos chãos de Queluz muitas couves se têm plantado. Na manhã de sábado avistei mais de meia dúzia de homens de sacho em punho. Acho que semeavam favas e ervilhas.Vão afeiçoando os declives em calçada, quase até aos rails. Que tempo este.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Metro, Restauradores
E há a sincera alegria com as vitórias dos que crescem connosco. A congratulação não é uma forma de felicidade por procuração. É uma forma de felicidade.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Wee Hours
O lado mais divertido do subúrbio é ser o involuntário centro de informação que é: há sempre uma empregada de um banqueiro, um motorista de um secretário de estado, uma ex-sogra de um presidente da câmara, um irmão de uma actriz.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXIV
Exactamente como não sei, mas o certo é que consegui entrar na idade adulta sem uma única experiência de ressentimento. Bom para mim. Vivida, sei agora, é assim uma espécie de azia na alma (vai e vem, conforme o que se engole). Qual a cura?
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Sintra, Caminho do Cerradinho
Naquela altura, os meninos que olham pelos que vieram a seguir a eles jogavam à Meia-Noite. Brincavam, dançavam, e ao som do relógio transformavam-se em estátuas, até alguém se rir. E alguém sempre ria. Rio como eles, então. Um riso falso, nervoso, que se quer civilizado e não é. Não o pode ser.
domingo, 8 de novembro de 2009
Homens XI
No tempo em que o Record e A Bola não eram diários, lá por noventa e dois, três, a minha atenção cirandava entre os glúteos do Capucho, os tríceps do Paulo Sousa e a cova no queixo do Valckx. Não obstante, lembro-me do rapaz do Vitória. Aquele que anos depois, na selecção, nos poupava à birras e desculpas habituais. Que nos falava como um homem.
Preço Sob Consulta
Não só nas revistas a que chamam femininas, mas também nas mais viris Públicas e Únicas e assim, há sempre aquela qualquer coisa que nos parece tão bonita, tão tangível, mas que nos põe em guarda com a menção de um preço escondido. Nós, mesmo avisados, não deixamos de a comprar.
sábado, 31 de outubro de 2009
Homens X
Pois é, a gravata. Mr. Finney como Mr. Firmin, usando-a por cinto no fato de linho (à oxfordinho), traz-me de volta o quanto a aprecio fora do sítio. Na cidade, ao almoço, vejo várias a sobrar do bolso. Mas sempre gostei mais delas ao fim do dia, já despreocupadamente na mão.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Brincando aos Clássicos
Um Huston pós-laboral, em aproximação ao dia de finados. A auto-medicação não tem de ser uma coisa má.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Wee Hours
Verba Et Acta, um mote para amanhã, para depois de amanhã e para os próximos anos. Já devia ter isto mentalmente gravado e orlado a listel, mas quê.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Amadora, Rua de Santo António
Nunca o vi, mas não me é difícil imaginá-lo na famosa cave. Dizem que tinha a porta sempre aberta, e que tanto entravam amigos como curiosos. Que se entusiasmava à conversa, que mãos e boca falavam à uma entre as pinceladas.
"Credo, parece a casa da Bérbie!"
Afinal não é só aquele cor-de-rosa saturante que envolve por atacado a Hello Kitty, a Moranguinho, as Winx e quase todo o gang de princesas da Disney que me incomoda. É a noção do quanto elas ficam aquém das heroínas que animaram a minha meninice. Falo da Lulu ([Moppet], n.Filadélfia, 1935), da Mônica ([Souza], n.São Paulo, 1959), da Mafalda ([M.], n.Buenos Aires, 1964). As miúdas de hoje também merecem uma infância colorida com personagens desenrascadas, dentuças, desgrenhadas pela manhã. Humanas.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
(...) uma literatura que foi segregada e recitada durante séculos, antes de ser escrita, que é tecida de palavras que solicitam o indizível, e que foram, e que são, não apenas a expressão das histórias, mas o rastro de um estremecimento que as atravessa. Talvez seja isso o vento de Deus.
José Tolentino Mendonça
[Prefácio à reedição da Biblia em tradução de João Ferreira Annes d'Almeida.
Ilustrações de Ilda David.
Assírio&Alvim, 2007.]
[Prefácio à reedição da Biblia em tradução de João Ferreira Annes d'Almeida.
Ilustrações de Ilda David.
Assírio&Alvim, 2007.]
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Propriedades
Andava à procura de mais informação sobre a Apiagro, pequena empresa torreense que produz o melhor sabonete (100% vegetal, com mel e lúcia-lima, biológico e tudo) que nos últimos tempos me passou pelas mãos (aprumem-se Ach.Brito, Confiança, etc.). Calhou encontrar este artigo sobre o senhor Carlos Teixeira, seu fundador. Se parecer excessivamente entusiasmada pelo produto, não sei que se diga da jornalista que, tentando citar o apicultor, registou para a posteridade as propriedades anti-cépticas cativantes das suas obras.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Esdou Gom Uba Grise De Sidusite
gue dem vos digo. Dão é gribe, galbinha, dada de bânico. Só denho 35,7ºc (o gosdume). Ondem dem bem dorbi, dem gonsegui agabar de ler o ardigo do badre Bereira de Albeida sobre a exberiência boral gobo facdo idesgabável do ser-se hubano.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Vão-se os textos/Fiquem os Peixes
Na semana passada ouvi a Adília. Desci por um bocadinho, estava curiosa para saber como se diria.Vi-a primeiro ao largo, a merendar. E depois tudo como imaginei, nada de enganos nem mesuras. Um dizer digno, não altivo, cheio daquela força de quem faz por tê-la. No fim o silêncio, e alguém a quebrá-lo em palmas sem vergonha de estar comovido.
sábado, 10 de outubro de 2009
Lisboa, Rua Quatro
Nunca o sentimento do numinoso (ver Rudolph Otto) é em mim tão flagrante quanto nos momentos em que a um urgente articulado interior acontece corresponder um muito semelhante, síncrono e alheio.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A Tal do Fio
Não é que há bocado, folheando com a diligência possível o lote de propaganda das candidaturas à junta, dei com uma três por quatro a cores da freguesa? Em lugar elegível e tudo?
Aí vem toda uma nova semântica a propósito do assento na edilidade, eu sei.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
O que é Que Andam a Pôr nos Cereais dos Adolescentes?
Esta semana vi na rua, em plena luz do dia, um rapaz a ler a Maria.
Ceci N'est Pas Un Tableau D'Affichage
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Of Words and Men
Só um personagem [de um autor, M. Weiner] gravemente masculino poderia perpetrar esta afirmação. Como pode alguém nascer sozinho? Não pode. Ninguém nasce sozinho. Draper convence-se de uma ficção escolhida, dia após dia após dia. Ninguém nasce sozinho.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Sete Rios, Passadeiras 3-4-5
Não sei quais as coordenadas deste ponto, o que sei é que já aqui assisti a:
a) uma discussão entre um casal, começada com um ataque de riso e acabada ao sopapo;
b) um peão que se recusou a pôr o pé na passadeira enquanto o sinal dos carros não ficasse verde, os quais depois entre gritos invectivou, frustrado por não ter sido atropelado;
c) um condutor que saiu do seu carro para arrancar uma pedra da calçada e atirá-la a dois rapazes, ao que parece por eles não terem atravessado a passadeira depressa.
Será a proximidade do zoológico que mexe com o bicho-homem?
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Ortodôntica
Enjoa-me esta insistência em vampiros no papel, na tv, no cinema, dvd. Para quem suportou três aparelhos móveis e dois fixos de forma a dotar os caninos de aparência humana não será de espantar.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
CircadiAna
Regular mal da pinha acontece não só a quem trabalha à noite. Alguns nascemos assim, com a dita um bocado insensível ao chiaroscuro de cada dia. É como se a natureza estivesse lá longe, e não em nós. Como se tivéssemos sido feitos num pisar de risco qualquer e ela nos exigisse em empenho o preço do regresso.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Belas, Rua Doutor Malheiros
Quem chegue com a faculdade de relativização descalibrada há-de registar melhoras logo à entrada, enquanto aguarda a vez. As salas de espera destas instituições modernas são tão claras. A começar pelo intencional convívio entre externos e internos. Ninguém como o outro para nos colocar no nosso lugar.
Desde a C+S Conde de Sabugosa
que andava a temer uma saison destas*. Chumaços? Pleather? Tachas? Repito: tachas? (chapinhas? apliques metálicos?) Que mais? Uma tournée de homenagem aos Bros?
* Safa-se o boyfriend jacket, mas só na versão pura e dura,
tipo, o do Scott Schuman aos ombros da Garance Doré.
[ Que bonitos.]
tipo, o do Scott Schuman aos ombros da Garance Doré.
[ Que bonitos.]
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Emalando o Essencial
[Slane Castle, famoso chão da Batalha de Boyne. Dos fracos também reza a história.]
A place that has to be believed, povo. U2, Eno, Lanois e outros sais de frutos que tais forever.V
Só há pouco percebi que A Torre da Barbela passa a ser A Torre de Babel no momento em que lhe subtraímos as iniciais do seu autor. Também não fazia ideia que fechar à barbela fosse jargão tauromáquico. Parece que é o abraço que o forcado arrisca à pescoceira do animal. Se tivesse arte para mais, passava um ano a escrever posts sobre este livro. Não tenho, fico-me para aqui na condição meio aparvalhada de nunca antes ter ouvido falar dele. Li-o durante a semana das termas, numa terceira edição emprestada, com poalha suficiente para neutralizar tudo o que foi irrigação, nebulização e aerossol. Nenhuma outra ficção fez tanto sentido neste meu ano, isso é seguro. Que o meu presente é feito de viver àquela sombra triangular perto da cabeçada de Dom Sebastião, tentando acertar o passo nas danças do jardim dos buxos. Passo por Cavaleiro (sem Vilancete nem Abelardo), trabalho perto da Dona Mafalda e sou vizinha da Dona Brites, encontro ombro em Frey Ciro, perco ilusões sobre a Bruxa de São Semedo e não sei que pense da Madeleine. Como os demais, vou sobrevivendo às longas tiradas do Doutor Mirinho sobre transbordos mais ou menos aeroportuários.
[Este blogue faz cinco anos.]
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Cabeças-de-Browser
E isto de os acontecimentos terem deixado de ter uma história por detrás, para passarem a ter um histórico?
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Que Agosto Não Foi Só Desgosto
Um vigoroso e agradecido passou-bem ao/à tal Exmo./Exma. Sr./Sr.ª das encomendas lá da RTP2. Estes (M)ad Men estão à altura das expectativas criadas, naqueles seus obstinados bâtons, cocktails, fatos e cigarradas.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Erros Favoritos V
[Pela minha saudinha que ouvi isto num corredor hospitacoiso. E sem ser no Norte.]
- Que azar, coitadinho, logo lhe havia de dar um abc.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Coisas que Só a Mim Apoquentam LXIII
O expectável número de vezes que, daqui até ao fim do ano, radialistas e tele-jornalistas repetirão a palavra arruada.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" XVIII
Adam Charles Clayton, pois.

[mil novecentos e oitenta e pouco]
[dois mil e nove e meio]
Não conheço baixista (pensando bem, não conheço rocker) que dos quase vintes para final dos quarentas apresente taxa de engirecimento mais elevada.
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