a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lisboa, Avenida Duque de Loulé

Até um integrista afectivo tem venetas de pura insensibilidade. Falavam-lhe de uma carta-aberta de amor e o seu único comentário ia para os erros de português.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Gentílico

Perguntam de onde sou e ainda hesito. Acabo por dizer o sítio onde moro, sem grande convicção. Verdade seria responder que cresci neste lado do Tejo e nasci no outro, e que o meu sangue é todo Zêzere. Mas para quem tem rios por terras não há gentílico.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXVI

Qual o melhor cumprimento a oferecer, em circunstância mundana ou quotidiana, a alguém com quem se falou em ocasião anterior mas com quem não se está à-vontade? É que por acanhamento continuo a oscilar indiscriminadamente entre: 
a) meio-sorriso
b) sorriso
c) sorriso & aceno
d) sorriso, aceno & olá audível
e) olá audível & par de beijinhos
f) nenhum (se acho que não serei reconhecida)

Assim em termos de bom senso, há uma regra geral para isto?

Estas pequenas/grandes coisas dão-me cabo do juízo.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Queluz, Rua Laura Alves

Gostava de saber onde pára o bokken da casa que fomos, relíquia de um tempo de práticas marciais-fraternais no Atlético.

Nessa altura contava com melhores reflexos. Depois cresci, convenci-me de que a intuição e outros instintos de base eram de somenos. Não são. Como diria Nobutadatoo many mind, paulada. É aguentar. E fazer por aprender com isso.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pedro


Prefiro este Pedro, de autor desconhecido, àquele que lhe serviu de inspiração, o de Theotokópoulos. É mais límpida a sua expressão de fragilidade, consciência e expectativa. Hoje como ontem, um  dos que se lhe seguiram e os que de boa vontade o querem ouvir vivem não menos essa condição. Por mim é mais que bem-vindo. 

Wee Hours

Estive muito tempo sem ir ao teatro. Concluo que continuo sem reconhecer as mulheres que os homens de hoje contam. Mulheres que sabem o que querem e o requerem metalicamente. Que mudam muitas vezes de ideias sobre o amor. Que não esperam perguntas ou iniciativas - que não esperam, simplesmente. Não reconheço nada disto. Não me reconheço, quero dizer.   

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Foot Notes

Mamma e demais benfiquistas que ocupam o meu coração, parabéns. Acho que os vossos confrades  emporcalhadores do Estádio do Marquês de Pombal (jornalista calvo da RTP do qual não recordo o nome dixit) deveriam ser intimados a limpar as bermas do IC-19, da CREL e da A-1 durante um bom mês. Aqueles que na vez de ficarem felizes por terem ganho rejubilaram por terem visto os seus adversários perder, idem. Folguei em saber que o acesso à 2ª Circular esteve cortado no sentido de lá para cá (Nuno Luz, da SIC, esbracejando dixit) e que ainda assim não houve problemas de monta. 


Ah, sim, é verdade: Spooooooorting.

domingo, 2 de maio de 2010

Por Falar em «Cameos»

, aqui está um de que sou fiel depositária. A base coral é índica, o engaste moçambicano, o Apolo itálico. Legado materno, nem mais. Por ti hoje (uma vez não são vezes) até torço pelo Benfica, mãe.

Roger Dodger

Quase todos inscritos a baixo-relevo como manda o costume, estes cameos de Hitchcock. Tenho um fraco bem forte por rubricas auto-irónicas.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bisel

Sempre tem havido algum miúdo a ensaiar flauta de maneira a que se oiça aqui. Por razão que desconheço, a repetição insegura mas teimosa de cada nota causa-me o oposto do desconforto. Há uma semente de beleza naquela insistência infantil, e isso é tão frágil quanto precioso.  

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Come What May

Survival of the Sweetest

Nas traseiras sofrivelmente ajardinadas cá do quarteirão têm-se repetido estranhas  cenas de luta. Para escândalo das decanas - nada dadas ao desperdício - três ou quatro vizinhas passaram a praticar o lançamento do pão a partir das respectivas janelas, seguido do relato minuto-a-minuto da prestação da passarada. Os pardais, mais pequenos e cantantes que os outros, são claramente favoritos. Não apenas lhes destinam diminutivos e adjectivos carinhosos como lhes garantem protecção dos pombos, que  fazem dois de cada um, tangendo cordas de roupa e batendo palmas para os afastar. Os pardais nem querem acreditar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Charles by Frances


Chaplin compôs este lied para o último dos seus filmes mudos, Modern Times (1936). Quase trinta anos depois, com cerca de quarenta anos de idade, já muito frágil, Garland ofereceu no seu programa uma interpretação assim. Só soube dela outros quarenta mais tarde, em busca de uma centelha acesa por Angeline Ball em certo bildungsfilm.

Néerlandais du XVIIIème Siècle

Nós

De maneira mais ou menos explícita uso muitas vezes a primeira pessoa do plural. Insólito não é usá-la, mas fazê-lo presumindo que conheço e devo aceitar um pensamento que não é exactamente o meu. Como se  à  partida votasse vencida.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sempre na Vanguarda

A primeira ocasião em que me chamaram antiquada tinha onze anos.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Teremos, Não

A pessoa do plural perde sentido quando penso que o penso assim.

Fisiologia Bíblica

Um exegeta recordou-me ontem algo que aprendi há quase quinze anos, numa lição de Pré-Clássicas.  Nos textos camito-semíticos coração não é mais sinónimo de emoção que de consciência. Diz-se coração para dizer desejo, paixão, mas também discernimento, saber. Quando teremos deixado de o pensar assim?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Plantas

Bichos

Há algum tempo que não tinha um pesadelo destes, dos de acordar de cabelo emaranhado de tanto transpirar. Cobras grandes e pequenas, cobras por todo o lado. Eu a fugir-lhes, depois a enfrentá-las, a ser mordida e a tentar escapar. Nem Freud nem Jung, acho. Talvez a cria que matámos noutro dia na aldeia, debaixo do alpendre, muito perto da porta da cozinha. Ou então o quadro pintado por Salisbury Field sobre a Criação, que escolhi para ilustrar um post noutro sítio. Pela página do Museu de Belas Artes de Boston fiquei a saber que só há umas décadas, depois do restauro, voltou a ser como era. Uma parenta e herdeira de Field tinha entretanto achado Eva e a Serpente tão indecentes que mandou não sei quem pintar por cima delas uns arbustos.

Aranhas também me fazem alguma confusão. Tantos anos de campo e ainda sou esta florzita de estufa, caraças.