a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lisboa, Estação do Oriente

Há dias segurei-lhe a porta do cinema, o que tem graça. O primeiro filme que vi dele foi também com a Ana Padrão - novata, ainda - num Tabucchi de névoa e metal, ao som do Preizner Preisner. Sabia lá eu quem era o Preisner, então. Ou quem era o Fernando Lopes, sequer. Acho que foi na RTP2. O que também tem a sua graça. Depois sim, de diante para trás dei com a Abelha na Chuva, o Belarmino. Gostei muito d'Os Sorrisos do Destino, está bom de ver. Como não haveria de gostar de mensagens telefónicas feitas legendas de filmes mudos, disposições melancoólicas em choque com efervescentes, corações certos às voltas com inconstantes, carros velhos, fatias de presunto de lei, pinheiros muito altos. Lá para o final, um destino inscrito no painel da gare - o mesmo que está ali em cima, no frontispício disto. Engraçado.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

IC-19, KMS 2-5

Do cimo de Alfragide aos chãos de Queluz muitas couves se têm plantado. Na manhã de sábado avistei mais de meia dúzia de homens de sacho em punho. Acho que semeavam favas e ervilhas.Vão afeiçoando os declives em calçada, quase até aos rails. Que tempo este.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Metro, Restauradores

E há a sincera alegria com as vitórias dos que crescem connosco. A congratulação não é uma forma de felicidade por procuração. É uma forma de felicidade.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Wee Hours

O lado mais divertido do subúrbio é ser o involuntário centro de informação que é: há sempre uma empregada de um banqueiro, um motorista de um secretário de estado, uma ex-sogra de um presidente da câmara, um irmão de uma actriz.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXIV

Exactamente como não sei, mas o certo é que consegui entrar na idade adulta sem uma única experiência de ressentimento. Bom para mim. Vivida, sei agora, é assim uma espécie de azia na alma (vai e vem, conforme o que se engole). Qual a cura?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sintra, Caminho do Cerradinho

Naquela altura, os meninos que olham pelos que vieram a seguir a eles jogavam à Meia-Noite. Brincavam, dançavam, e ao som do relógio transformavam-se em estátuas, até alguém se rir. E alguém sempre ria. Rio como eles, então. Um riso falso, nervoso, que se quer civilizado e não é. Não o pode ser.

domingo, 8 de novembro de 2009

Homens XI

No tempo em que o Record e A Bola não eram diários, lá por noventa e dois, três, a minha atenção cirandava entre os glúteos do Capucho, os tríceps do Paulo Sousa e a cova no queixo do Valckx. Não obstante, lembro-me do rapaz do Vitória. Aquele que anos depois, na selecção, nos poupava à birras e desculpas habituais. Que nos falava como um homem.

Preço Sob Consulta

Não só nas revistas a que chamam femininas, mas também nas mais viris Públicas e Únicas e assim, há sempre aquela qualquer coisa que nos parece tão bonita, tão tangível, mas que nos põe em guarda com a menção de um preço escondido. Nós, mesmo avisados, não deixamos de a comprar.

sábado, 31 de outubro de 2009

Homens X

Pois é, a gravata. Mr. Finney como Mr. Firmin, usando-a por cinto no fato de linho (à oxfordinho), traz-me de volta o quanto a aprecio fora do sítio. Na cidade, ao almoço, vejo várias a sobrar do bolso. Mas sempre gostei mais delas ao fim do dia, já despreocupadamente na mão.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Brincando aos Clássicos

Um Huston pós-laboral, em aproximação ao dia de finados. A auto-medicação não tem de ser uma coisa má.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Wee Hours

Verba Et Acta, um mote para amanhã, para depois de amanhã e para os próximos anos. Já devia ter isto mentalmente gravado e orlado a listel, mas quê.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Amadora, Rua de Santo António

Nunca o vi, mas não me é difícil imaginá-lo na famosa cave. Dizem que tinha a porta sempre aberta, e que tanto entravam amigos como curiosos. Que se entusiasmava à conversa, que mãos e boca falavam à uma entre as pinceladas.

"Credo, parece a casa da Bérbie!"

Afinal não é só aquele cor-de-rosa saturante que envolve por atacado a Hello Kitty, a Moranguinho, as Winx e quase todo o gang de princesas da Disney que me incomoda. É a noção do quanto elas ficam aquém das heroínas que animaram a minha meninice. Falo da Lulu ([Moppet], n.Filadélfia, 1935), da Mônica ([Souza], n.São Paulo, 1959), da Mafalda ([M.], n.Buenos Aires, 1964). As miúdas de hoje também merecem uma infância colorida com personagens desenrascadas, dentuças, desgrenhadas pela manhã. Humanas.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

(...) uma literatura que foi segregada e recitada durante séculos, antes de ser escrita, que é tecida de palavras que solicitam o indizível, e que foram, e que são, não apenas a expressão das histórias, mas o rastro de um estremecimento que as atravessa. Talvez seja isso o vento de Deus.

José Tolentino Mendonça
[Prefácio à reedição da Biblia em t
radução de João Ferreira Annes d'Almeida.
Ilustrações de Ilda David.
Assírio&Alvim, 2007.
]

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Propriedades

Andava à procura de mais informação sobre a Apiagro, pequena empresa torreense que produz o melhor sabonete (100% vegetal, com mel e lúcia-lima, biológico e tudo) que nos últimos tempos me passou pelas mãos (aprumem-se Ach.Brito, Confiança, etc.). Calhou encontrar este artigo sobre o senhor Carlos Teixeira, seu fundador. Se parecer excessivamente entusiasmada pelo produto, não sei que se diga da jornalista que, tentando citar o apicultor, registou para a posteridade as propriedades anti-cépticas cativantes das suas obras.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Esdou Gom Uba Grise De Sidusite

gue dem vos digo. Dão é gribe, galbinha, dada de bânico. Só denho 35,7ºc (o gosdume). Ondem dem bem dorbi, dem gonsegui agabar de ler o ardigo do badre Bereira de Albeida sobre a exberiência boral gobo facdo idesgabável do ser-se hubano.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Vão-se os textos/Fiquem os Peixes

Na semana passada ouvi a Adília. Desci por um bocadinho, estava curiosa para saber como se diria.Vi-a primeiro ao largo, a merendar. E depois tudo como imaginei, nada de enganos nem mesuras. Um dizer digno, não altivo, cheio daquela força de quem faz por tê-la. No fim o silêncio, e alguém a quebrá-lo em palmas sem vergonha de estar comovido.

sábado, 10 de outubro de 2009

Lisboa, Rua Quatro

Nunca o sentimento do numinoso (ver Rudolph Otto) é em mim tão flagrante quanto nos momentos em que a um urgente articulado interior acontece corresponder um muito semelhante, síncrono e alheio.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Tal do Fio

Não é que há bocado, folheando com a diligência possível o lote de propaganda das candidaturas à junta, dei com uma três por quatro a cores da freguesa? Em lugar elegível e tudo?

Aí vem toda uma nova semântica a propósito do assento na edilidade, eu sei.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O que é Que Andam a Pôr nos Cereais dos Adolescentes?

Esta semana vi na rua, em plena luz do dia, um rapaz a ler a Maria.