Pois é, a gravata. Mr. Finney como Mr. Firmin, usando-a por cinto no fato de linho (à oxfordinho), traz-me de volta o quanto a aprecio fora do sítio. Na cidade, ao almoço, vejo várias a sobrar do bolso. Mas sempre gostei mais delas ao fim do dia, já despreocupadamente na mão.
sábado, 31 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Brincando aos Clássicos
Um Huston pós-laboral, em aproximação ao dia de finados. A auto-medicação não tem de ser uma coisa má.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Wee Hours
Verba Et Acta, um mote para amanhã, para depois de amanhã e para os próximos anos. Já devia ter isto mentalmente gravado e orlado a listel, mas quê.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Amadora, Rua de Santo António
Nunca o vi, mas não me é difícil imaginá-lo na famosa cave. Dizem que tinha a porta sempre aberta, e que tanto entravam amigos como curiosos. Que se entusiasmava à conversa, que mãos e boca falavam à uma entre as pinceladas.
"Credo, parece a casa da Bérbie!"
Afinal não é só aquele cor-de-rosa saturante que envolve por atacado a Hello Kitty, a Moranguinho, as Winx e quase todo o gang de princesas da Disney que me incomoda. É a noção do quanto elas ficam aquém das heroínas que animaram a minha meninice. Falo da Lulu ([Moppet], n.Filadélfia, 1935), da Mônica ([Souza], n.São Paulo, 1959), da Mafalda ([M.], n.Buenos Aires, 1964). As miúdas de hoje também merecem uma infância colorida com personagens desenrascadas, dentuças, desgrenhadas pela manhã. Humanas.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
(...) uma literatura que foi segregada e recitada durante séculos, antes de ser escrita, que é tecida de palavras que solicitam o indizível, e que foram, e que são, não apenas a expressão das histórias, mas o rastro de um estremecimento que as atravessa. Talvez seja isso o vento de Deus.
José Tolentino Mendonça
[Prefácio à reedição da Biblia em tradução de João Ferreira Annes d'Almeida.
Ilustrações de Ilda David.
Assírio&Alvim, 2007.]
[Prefácio à reedição da Biblia em tradução de João Ferreira Annes d'Almeida.
Ilustrações de Ilda David.
Assírio&Alvim, 2007.]
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Propriedades
Andava à procura de mais informação sobre a Apiagro, pequena empresa torreense que produz o melhor sabonete (100% vegetal, com mel e lúcia-lima, biológico e tudo) que nos últimos tempos me passou pelas mãos (aprumem-se Ach.Brito, Confiança, etc.). Calhou encontrar este artigo sobre o senhor Carlos Teixeira, seu fundador. Se parecer excessivamente entusiasmada pelo produto, não sei que se diga da jornalista que, tentando citar o apicultor, registou para a posteridade as propriedades anti-cépticas cativantes das suas obras.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Esdou Gom Uba Grise De Sidusite
gue dem vos digo. Dão é gribe, galbinha, dada de bânico. Só denho 35,7ºc (o gosdume). Ondem dem bem dorbi, dem gonsegui agabar de ler o ardigo do badre Bereira de Albeida sobre a exberiência boral gobo facdo idesgabável do ser-se hubano.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Vão-se os textos/Fiquem os Peixes
Na semana passada ouvi a Adília. Desci por um bocadinho, estava curiosa para saber como se diria.Vi-a primeiro ao largo, a merendar. E depois tudo como imaginei, nada de enganos nem mesuras. Um dizer digno, não altivo, cheio daquela força de quem faz por tê-la. No fim o silêncio, e alguém a quebrá-lo em palmas sem vergonha de estar comovido.
sábado, 10 de outubro de 2009
Lisboa, Rua Quatro
Nunca o sentimento do numinoso (ver Rudolph Otto) é em mim tão flagrante quanto nos momentos em que a um urgente articulado interior acontece corresponder um muito semelhante, síncrono e alheio.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A Tal do Fio
Não é que há bocado, folheando com a diligência possível o lote de propaganda das candidaturas à junta, dei com uma três por quatro a cores da freguesa? Em lugar elegível e tudo?
Aí vem toda uma nova semântica a propósito do assento na edilidade, eu sei.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
O que é Que Andam a Pôr nos Cereais dos Adolescentes?
Esta semana vi na rua, em plena luz do dia, um rapaz a ler a Maria.
Ceci N'est Pas Un Tableau D'Affichage
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Of Words and Men
Só um personagem [de um autor, M. Weiner] gravemente masculino poderia perpetrar esta afirmação. Como pode alguém nascer sozinho? Não pode. Ninguém nasce sozinho. Draper convence-se de uma ficção escolhida, dia após dia após dia. Ninguém nasce sozinho.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Sete Rios, Passadeiras 3-4-5
Não sei quais as coordenadas deste ponto, o que sei é que já aqui assisti a:
a) uma discussão entre um casal, começada com um ataque de riso e acabada ao sopapo;
b) um peão que se recusou a pôr o pé na passadeira enquanto o sinal dos carros não ficasse verde, os quais depois entre gritos invectivou, frustrado por não ter sido atropelado;
c) um condutor que saiu do seu carro para arrancar uma pedra da calçada e atirá-la a dois rapazes, ao que parece por eles não terem atravessado a passadeira depressa.
Será a proximidade do zoológico que mexe com o bicho-homem?
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Ortodôntica
Enjoa-me esta insistência em vampiros no papel, na tv, no cinema, dvd. Para quem suportou três aparelhos móveis e dois fixos de forma a dotar os caninos de aparência humana não será de espantar.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
CircadiAna
Regular mal da pinha acontece não só a quem trabalha à noite. Alguns nascemos assim, com a dita um bocado insensível ao chiaroscuro de cada dia. É como se a natureza estivesse lá longe, e não em nós. Como se tivéssemos sido feitos num pisar de risco qualquer e ela nos exigisse em empenho o preço do regresso.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Belas, Rua Doutor Malheiros
Quem chegue com a faculdade de relativização descalibrada há-de registar melhoras logo à entrada, enquanto aguarda a vez. As salas de espera destas instituições modernas são tão claras. A começar pelo intencional convívio entre externos e internos. Ninguém como o outro para nos colocar no nosso lugar.
Desde a C+S Conde de Sabugosa
que andava a temer uma saison destas*. Chumaços? Pleather? Tachas? Repito: tachas? (chapinhas? apliques metálicos?) Que mais? Uma tournée de homenagem aos Bros?
* Safa-se o boyfriend jacket, mas só na versão pura e dura,
tipo, o do Scott Schuman aos ombros da Garance Doré.
[ Que bonitos.]
tipo, o do Scott Schuman aos ombros da Garance Doré.
[ Que bonitos.]
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Emalando o Essencial
[Slane Castle, famoso chão da Batalha de Boyne. Dos fracos também reza a história.]
A place that has to be believed, povo. U2, Eno, Lanois e outros sais de frutos que tais forever.V
Só há pouco percebi que A Torre da Barbela passa a ser A Torre de Babel no momento em que lhe subtraímos as iniciais do seu autor. Também não fazia ideia que fechar à barbela fosse jargão tauromáquico. Parece que é o abraço que o forcado arrisca à pescoceira do animal. Se tivesse arte para mais, passava um ano a escrever posts sobre este livro. Não tenho, fico-me para aqui na condição meio aparvalhada de nunca antes ter ouvido falar dele. Li-o durante a semana das termas, numa terceira edição emprestada, com poalha suficiente para neutralizar tudo o que foi irrigação, nebulização e aerossol. Nenhuma outra ficção fez tanto sentido neste meu ano, isso é seguro. Que o meu presente é feito de viver àquela sombra triangular perto da cabeçada de Dom Sebastião, tentando acertar o passo nas danças do jardim dos buxos. Passo por Cavaleiro (sem Vilancete nem Abelardo), trabalho perto da Dona Mafalda e sou vizinha da Dona Brites, encontro ombro em Frey Ciro, perco ilusões sobre a Bruxa de São Semedo e não sei que pense da Madeleine. Como os demais, vou sobrevivendo às longas tiradas do Doutor Mirinho sobre transbordos mais ou menos aeroportuários.
[Este blogue faz cinco anos.]
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Cabeças-de-Browser
E isto de os acontecimentos terem deixado de ter uma história por detrás, para passarem a ter um histórico?
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Que Agosto Não Foi Só Desgosto
Um vigoroso e agradecido passou-bem ao/à tal Exmo./Exma. Sr./Sr.ª das encomendas lá da RTP2. Estes (M)ad Men estão à altura das expectativas criadas, naqueles seus obstinados bâtons, cocktails, fatos e cigarradas.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Erros Favoritos V
[Pela minha saudinha que ouvi isto num corredor hospitacoiso. E sem ser no Norte.]
- Que azar, coitadinho, logo lhe havia de dar um abc.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Coisas que Só a Mim Apoquentam LXIII
O expectável número de vezes que, daqui até ao fim do ano, radialistas e tele-jornalistas repetirão a palavra arruada.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" XVIII
Adam Charles Clayton, pois.

[mil novecentos e oitenta e pouco]
[dois mil e nove e meio]
Não conheço baixista (pensando bem, não conheço rocker) que dos quase vintes para final dos quarentas apresente taxa de engirecimento mais elevada.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Uma Imagem E Um Breve Plano
Guardo, do fim das Jornadas*, uma imagem e um breve plano. Era já de noite, os milhares já tinham quase todos debandado. Os microfones ainda transmitiam o 'Ave' de Fátima e o Nuno Bragança, num dos incontíveis ataques de riso dele, mostrou-me o Luís de Sousa Costa e o M. S. Lourenço, que, no meio do recinto, dançavam ao som do hino. Um pouco atrás, o Doutor Rodrigues**, olhando a cena, murmurou entre dentes, com tom cortante: "Sempre a mesma gente...". Éramo-lo e fômo-lo. Mas nunca me senti tão perto de Deus e tão certo da Sua Presença.
João Bénard da Costa ( Nós, Os Vencidos do Catolicismo, p.46) 2003.
* Da Juventude Universitária Católica, ou JUC, acontecidas em Fátima no início de 1958.
** Cónego António dos Reis Rodrigues, assistente da JUC.
* Da Juventude Universitária Católica, ou JUC, acontecidas em Fátima no início de 1958.
** Cónego António dos Reis Rodrigues, assistente da JUC.
A primeira figura que me ocorre quando penso em Bénard da Costa não é a de um realizador como Nicholas Ray, é a de um filósofo como Emmanuel Mounier. A minha geração de católicos - a da imensa minoria, podemos dizê-la assim, como no lema radiofónico de uma bela estação dos anos noventa - nascida num mundo secularizado, inorgânico, conflituoso, é outra gente, bem diferente dessa que, partindo do não-conformismo e do personalismo, se buscou a si mesma e a Deus numa aventura bastante empenhada e corajosa. Que resultou em respostas muito diferentes, entre as quais se contaram várias perdas para a Igreja. Atomizados e um pouco inseguros do nosso papel, vamos crescendo a tentar entender o nosso tempo e a escolher o nosso modo. Talvez gente não tão diferente, afinal.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXII
As limitações que a vida em geral impõe à vida vocabular em particular. Quero dizer, eu até posso adorar a palavra jactância, mas onde é que a vou usar?
Página 161, 5ª Frase
Respondendo - com um desfasamento temporal absolutamente sem-vergonha - à Joana Lopes:
«Para responder à questão só há um caminho: continuarmos a follhear os dicionários.»
Joel Serrão, Temas Oitocentistas. Volume II , 1978.
domingo, 17 de maio de 2009
Enfeirando
Uns vão pelas farturas, outros pelo que há para ler. Há os que só miram o movimento. Os que correm o mapa previamente estudado. Os que têm tudo na cabeça. Os que fazem vista grossa.
Coisas Que Nem Só a Mim Apoquentam: Eurocoiso
Não vi tudo, claro. Já me contaram [mentira, fui ver ao site oficial] que ganhou o loirilólelas que partiu uma corda do violino a meio do playback. Tendo em conta a montra da charcutaria em que se transformou o eurofestival, impressiona que alguns dos países ainda enviem canções que são canções a concurso. Não conhecia a nossa. É bonita, na mão daqueles intérpretes de ar não-calibrado. Merecia ter tempo de vida nas rádios e festas.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Massamá, Rua das Rosas
Correu à porta, de tão insistente o toque. Ainda estremunhada, presumiu e mal que se estava a repetir nessa manhã a cena nocturna de há várias semanas. Um dos vizinhos tinha tocado à sua campainha assim, àquela hora de pouco movimento em que os que estão em casa se preparam para dormir e os que ainda não talvez demorem um bocado. Em gíria local, à meia noite e merda, intervalo de tempo bastante dado à pequena delinquência e à rixa doméstica. O dito morador vinha avisar que alguém tinha acabado de largar ali na rua um Uno todo escaqueirado, dando de caminho cabo de vários carros estacionados - o dela incluído. Depois desse rebate à tão popular máxima que diz bastar andar na estrada para se sofrer um acidente, voltou a dormir pouco. E nada se repetiu, claro. O correio veio mais cedo, ela acordou mais tarde. Só isso. Carteiro novo, cheio de urgência em devolver em mão uma carta registada. Muito corou de tão despenteada, no seu pijama cor-de-rosa a dar com os chinelos e o verniz.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Amadora, Praça Dom João I
Entrei pela última vez no Lido no início da década de noventa, escapa-se-me para quê. Olho agora, a espaços, o muito pouco que sobrou do incêndio, depois contorno a rotunda que não existia quando ainda não sabia conduzir. No cine-estúdio de Antero Ferreira vi o meu primeiro filme não-animado, a Música no Coração. Na loja de música, por bom tempo a única das redondezas, pedi com o meu irmão ao meu pai os vinis que inauguraram a nossa pequenina colecção. Uma infância debruada a alumínio cru, no fundo. E elevada a património emocional como tantas outras.[Single (ou maxi-single?) de 'We Are The World', USA for Africa, 1985. Acho que c.250$00-270$00 = aprox. 3 semanadas]
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Mr. Attitude & Little Miss Congeniality
Bem me parecia que aquela dialéctica automobilística ali debaixo me era familiar.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Lisboa, 1979
Uma das duas séries que tenho gravado e visto, não me recordava realmente dela.
O Zé Gato, agora a comemorar trinta anos, estreou quando ainda era muito pequena. Devo ter passado mais tarde os olhos por algum episódio repetido, mas a ideia guardada sempre vinha a reboque dos episódios descritos uma e outra vez pelos amigos mais velhos, ou do trautear duradouro da canção* que só há pouco soube ser do Tozé Brito e do Jorge Palma. Do realizador, Rogério Ceitil, reconheço o nome, o mesmo que aparecia naqueles separadores azuis-claros do Duarte & Cia., uns bons anos depois. Vi apenas três de uma temporada de doze, afinal a única. O argumento, escrito por João Miguel Paulino, Pedro Franco e Dinis Machado (sim, o Dennis McShade), faz-se da vida de um PJ desencantado que tenta cumprir o seu papel na luta - bastas vezes nada figurada - contra o tráfico de droga, a prostituição e a corrupção na capital. É claro que aquilo foi feito com poucos meios, mas o essencial está lá: bons diálogos, bons actores, boa montagem. Consegue-se acreditar que o informador é um aldrabão leal, o polícia reformado um sábio com tarimba, a namorada uma mulher em permanente espera, e dá-se o desconto a alguma solenidade teatral e uma ou outra cena de porrada mal coreografada. Depois há uma Lisboa que aperta o coração, porquita do metro ao comboio, cheia de grafitos eleitorais, de lugares para estacionar, de gente magra com roupa apertada, de lotes vagos. De eu muito pequena, suponho. Não me recordava realmente dela.
O Zé Gato, agora a comemorar trinta anos, estreou quando ainda era muito pequena. Devo ter passado mais tarde os olhos por algum episódio repetido, mas a ideia guardada sempre vinha a reboque dos episódios descritos uma e outra vez pelos amigos mais velhos, ou do trautear duradouro da canção* que só há pouco soube ser do Tozé Brito e do Jorge Palma. Do realizador, Rogério Ceitil, reconheço o nome, o mesmo que aparecia naqueles separadores azuis-claros do Duarte & Cia., uns bons anos depois. Vi apenas três de uma temporada de doze, afinal a única. O argumento, escrito por João Miguel Paulino, Pedro Franco e Dinis Machado (sim, o Dennis McShade), faz-se da vida de um PJ desencantado que tenta cumprir o seu papel na luta - bastas vezes nada figurada - contra o tráfico de droga, a prostituição e a corrupção na capital. É claro que aquilo foi feito com poucos meios, mas o essencial está lá: bons diálogos, bons actores, boa montagem. Consegue-se acreditar que o informador é um aldrabão leal, o polícia reformado um sábio com tarimba, a namorada uma mulher em permanente espera, e dá-se o desconto a alguma solenidade teatral e uma ou outra cena de porrada mal coreografada. Depois há uma Lisboa que aperta o coração, porquita do metro ao comboio, cheia de grafitos eleitorais, de lugares para estacionar, de gente magra com roupa apertada, de lotes vagos. De eu muito pequena, suponho. Não me recordava realmente dela.
*A canção está no Youtube. A resolução do clip é medonha, mas a caixa de comentários é para ler de cabo a rabo, desde o comentador que dá pelo quasi-atropelamento do Orlando Costa (aos 22 segundos) até aos três que se pegam a discutir (com dados quantitativos e tudo) que governante foi realmente responsável pela reforma insfraestrutural do país após o 25 de abril. A frase vencedora é de alguém que assina soulfox619: "Portugal precisa de muito mais Ceitil's".
sábado, 14 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Metapostagens
Noutro dia voltei com este post atrás. Ia chamar-se d'avant et d'après le déluge, ou uma coisa assim. Foi, penso, a segunda ou terceira vez que despubliquei um. Re-rascunhei-o por um receio meio tíbio, meio supersticioso, de aqui deixar esta canção tão bonita. Le Vent Nous Portera fala de como aconteça o que acontecer o que restar de nós será sempre uno e parte do que mais houver.
O ponto é que ela (aqui tocada ao vivo em Evry, em 2002) é de Bertrand Cantat, dos Noir Désir. Assombrada por uma banda de nome ominoso, de um álbum (des Visages des Figures) saído a 11 de Setembro de 2001, na voz de alguém que não muito tempo depois faria uma das piores coisas que se pode fazer. E no entanto, que diz isso tudo desta canção? Nada. Permanece a mesma, bela e desolada e verdadeira. Se calhar, só por isso mesmo assustadora.
O ponto é que ela (aqui tocada ao vivo em Evry, em 2002) é de Bertrand Cantat, dos Noir Désir. Assombrada por uma banda de nome ominoso, de um álbum (des Visages des Figures) saído a 11 de Setembro de 2001, na voz de alguém que não muito tempo depois faria uma das piores coisas que se pode fazer. E no entanto, que diz isso tudo desta canção? Nada. Permanece a mesma, bela e desolada e verdadeira. Se calhar, só por isso mesmo assustadora.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Contra o Modo Morto de Viver
«Por um singular mecanismo interior, cujo segredo a psicanálise poderá talvez desvendar, a sociedade teima em ensinar às criancinhas exactamente o contrário daquilo que pratica, sem reparar que pode haver uma ou outra que pode levar isso tudo a sério. O pior acontece um dia quando qualquer paizinho pacato, estabelecido ou não, resolve ter com o ‘maluco' do seu filho a tal conversa de homem para homem de que andava a fugir e que lhe sai normalmente nestes termos: "Tu és um idealista e a vida não é nada disso. Não é com essas coisas em que perdes o teu tempo que vais ganhar a vida e preparar o teu futuro. Deixa-te de politiquices e literaturas, porque não é com isso que resolves os problemas que te esperam no escritório. Precisas é de tirar o teu curso, tornares-te um homem e ganhares dinheiro para poderes casar e tratar da vida."
Este tipo de conversa é extremamente grave porque podemos estar a matar em alguém a fonte duma grande vida. Hoje estou certo que, se vivemos sem assumir na sua essência a nossa condição humana, - sem participar, sem amar, sem conhecer, sem criar, sem alegria ou sem dor – se dá, na economia duma história de homem, aquilo a que se chama ‘tempo morto’, 'tempo de homem morto'.»
Este tipo de conversa é extremamente grave porque podemos estar a matar em alguém a fonte duma grande vida. Hoje estou certo que, se vivemos sem assumir na sua essência a nossa condição humana, - sem participar, sem amar, sem conhecer, sem criar, sem alegria ou sem dor – se dá, na economia duma história de homem, aquilo a que se chama ‘tempo morto’, 'tempo de homem morto'.»
António Alçada Baptista, Peregrinação Interior (...), Vol.1, Cap.8, 1971.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Queluz, Rua Nicolau Tolentino de Almeida
Andávamos muito a pé e aconteciam-nos grandes conversas sobre o que se seguiria, ânsias imaginosas acerca do futuro, do que ele poderia transportar, como se ele fosse um colega de turma a espreitar as carteiras na nossa direcção, e nós ali, sem sabermos se era para nós, a juntar forças para perguntar.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Que Fazer Ao Que Nos Contam? (15)
Um dos mais pequenos fungava baixo, à beira do lume, e o tio do meio deu por isso. Antes de tornar com os outros à eira quis saber porque estava ele tão aguado. A resposta deu azo a uma daquelas piadas repetidas por gerações. Até chegar àquela que nunca teve o muito pouco por facto da vida. Que houvera, que entretanto perdera a graça? Um miúdo a chorar num dia de malha, por não conseguir dar conta do prato de rancho melhorado.
Os moleskines têm a sua graça

; as sebentas também. Noutro dia comprei duas A5, daquelas da Firmo, um euro e meio ao todo, não mais. São de bom tamanho para os seminários e colóquios e listas do mais que fazer. Voltei a claudificá-las como no liceu, com recortes, garatujadas e protecções mais ou menos plásticas contra os solavancos-a-dias.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Die Blaue Blume
Definitivamente, o achamento que mais me afectou neste ano foi o do senhor C. S. Lewis.
"Bridge-players tell me that there must be some money on the game ‘or else people won’t take it seriously.’ Apparently it’s like that. Your bid – for God or no God, for a good God or the Cosmic Sadist, for eternal life or nonentity – will not be serious if nothing much is staked on it. And you will never discover how serious it was until the stakes are raised horribly high, until you find that you are playing not for counters or for sixpences but for every penny you have in the world. Nothing less will shake a man – or at any rate a man like me – out of his merely verbal thinking and his merely notional beliefs. He has to be knocked silly before he comes to his senses."
"Bridge-players tell me that there must be some money on the game ‘or else people won’t take it seriously.’ Apparently it’s like that. Your bid – for God or no God, for a good God or the Cosmic Sadist, for eternal life or nonentity – will not be serious if nothing much is staked on it. And you will never discover how serious it was until the stakes are raised horribly high, until you find that you are playing not for counters or for sixpences but for every penny you have in the world. Nothing less will shake a man – or at any rate a man like me – out of his merely verbal thinking and his merely notional beliefs. He has to be knocked silly before he comes to his senses."
A Grief Observed, 1961.
Um feliz 2009 para todos vós.
Um feliz 2009 para todos vós.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Up With The Static & Radio Waves
[Stay (Faraway, So Close!), U2, 1993; Vídeo: Wim Wenders/Mark Neale]
O alt.rock do Zooropa importou-me muito, então. Volto a ele como aos filmes do Wenders, para rever a parada de uma década começada com muros deitados abaixo, outros sons e velhos tributos, novas tecnologias.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Tenho pensamentos tão parvos
Suponho que sejam um reflexo involuntário, e que aconteçam a muitas outras pessoas (como aquele quase universal balançar do nosso próprio peso entre uma perna e o outra, quando estamos muito tempo de pé, sabem?). Por exemplo, hoje interrompi-me a pensar como é que os homens conseguem descrever as mulheres que não conhecem bem uns aos outros, tendo em conta que um dia temos caracóis, noutro somos quase ruivas, outro engordamos, noutro temos mais dez centímetros por causa dos saltos, e por aí adiante.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Reports of Reports
(…) we often have to choose between two types of reports from places like Spain or Portugal or Italy; and though they are at the very opposite extremes of the old and new, they both manage to produce this indescribable impression of being merely the reports of reports.
G.K. Chesterton [No prefácio a Afoot in Portugal, de John Gibbons (1931).]
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Prendas Atrasadas, Prendas Adiantadas
O Costello não apareceu na série dos "esquisitos, pá!" porque não calhou, claro. Um gosto adquirido há não muito, devo dizer. Que vai para pouco, o bom convívio com a perda de uma reputação de honrosa precocidade.
[Everyday I Write The Book, Punch the Clock, 1983.]
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LX
Penso
credo, sou bicho-do-mato mas ao menos um olá qualquer um me arranca, que malta ensimesmada.
Depois olho para o lado do balcão e vejo cara vagamente conhecida. A quem não cheguei a dispensar boa-noite.
credo, sou bicho-do-mato mas ao menos um olá qualquer um me arranca, que malta ensimesmada.
Depois olho para o lado do balcão e vejo cara vagamente conhecida. A quem não cheguei a dispensar boa-noite.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Planeta Nacional
Dado o rebuliço no estaleiro, um dos muitos homens verdes (jardineiros sim, marcianos não) queixa-se no bar do estorvo que o careca anda a dar. Que é cá um mono, que ninguém sabe o que fazer dele. À chegada de um encarregado nem lhe dá tempo para o café, pergunta logo se os de lá cima já sabem onde se há-de pôr o raio do careca. Só então percebo que está a fazer pouco da minha estimada cabeça de pedra. Espero que não a atirem para um esconso qualquer.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Lisboa, Beco do Castelo
Simples, a experiência emocional de um introvertido? Como um choque eléctrico, só se for. Quem está de fora dá pelas marcas de entrada e saída da corrente no corpo condutor, pouco mais. Do prazer, da vergonha, da paixão, da ira, da curiosidade, do remorso, da gratidão, a evidência apresenta-se sempre pequena e retardada. Por natureza, nada que se aproxime do processo interno, nas suas alegrias ou desolações.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
sábado, 29 de novembro de 2008
Sexta Feita
Que seja uma andada,
da desanca
pouco figurada
ao terapêutico
realinhamento do ego.
E viva
sexta feita.
da desanca
pouco figurada
ao terapêutico
realinhamento do ego.
E viva
sexta feita.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Fantasia para duas cabeleireiras e uma flausina
- Aqui entre nós, acho a atitude dela uma pouca-vergonha. Ali há coisa. O Tony é um homem de família! Uma lasca, mas casado-pai-de-filhos. Quer dizer, há limites, não é?
- Também acho. Um pão, mas pronto. Se é casado é carne morta. Mais ou menos, quer-se dizer, tenho uma amiga que... bem, acho mal, pronto. Essa, para mim, passou de hipopóptima a hipopéssima.
- Ai, p'ra mim tam'ém. Uma ordinária. E gorda-badocha.
- Também acho. Um pão, mas pronto. Se é casado é carne morta. Mais ou menos, quer-se dizer, tenho uma amiga que... bem, acho mal, pronto. Essa, para mim, passou de hipopóptima a hipopéssima.
- Ai, p'ra mim tam'ém. Uma ordinária. E gorda-badocha.
What A Wicked Game
Numa de tantas vezes lá estava, quase ridiculamente cordata a rasteira daqui, cotovelada dali, àquele tom genericamente apoucante. Em resposta, dúvida. Empatia, sorriso sem esforço. Nenhuma cólera, nenhum ressentimento. Tão nova, meu Deus. Em brevíssimo segundo de silêncio, ouvi então voz que já cá não há dizer um imprevisto a claudinha tem muito fairplay. Assim só, sem ribombâncias, muito fairplay. Muito já não tenho, querido Chefe. Passou-se o tempo. Não muito.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Encandeamento de Ideias
A dor física impõe ao desempenho de qualquer actividade (mesmo a de ler, escrever e contar) canga pesada. Por isso espanta, o rápido esquecimento dela em corpo recuperado.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Coisas Que Só a Mim Apoquentam LIX
Se não fossem apoquentar tanta mas tanta mais gente, diria, claro, aqueles kapa-lines-tamanho-real da Dr.ª Grey e do Dr. Shepherd que a Fox há dias espalhou pelo metropolitano. Assim sendo, direi antes que me confunde haver tanto quem responda a quem pergunte por qualquer acontecimento com um
- Não tenho palavras para descrever
seguido de monumental bátega de adjectivos.
sábado, 1 de novembro de 2008
Não entendo quem cá não vê nada de interesse
A mim, a mais pequena leitura desencadeia contemplações entusiasmadas mas nem por isso fantasiosas: Jaime de Magalhães Lima muito jovem, a bater à porta do já velho e barbudo Tolstoi em Isnaia Poliana; Catarina de Bragança recém-chegada a Londres, um bocado intimidada, a abrir o baú das suas folhas de chá; Alexandre O’Neill debruçado sobre Nora Mitrani em certo jardim de Lisboa, fazendo um esforço considerável por se concentrar na tradução d'A Razão Ardente; Tomás Pereira em Pequim, ensinando uma longa peça musical ao intimidante imperador Kangxi; Sá da Bandeira cansado, já perto de Monção, a tentar convencer a sua soldadesca que nada ainda está perdido. Coisas assim.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Lisboa, Rua Castilho
Em memória do C. L.
Quando digo pouco tempo ele nunca é tão pouco assim, não à escala do que cada qual tem para cá andar - vícios do ofício. A questão é que de repente [sempre de repente (mesmo quando não o é)] ele se mostra suficiente para conhecer mais alguém que se não chega a conhecer melhor.Bolsa de Lavores
Alguém que tenha aí por casa um exemplar da última revista do Expresso para aparar o estardalhaço à petinga frita, fazia o favor de copiar a receita de salame de castanhas (do Augusto Gemelli, forze?) que lá vem aqui para a caixa de comentários? É que minha esperteza foi suficiente para a recortar de exemplar alheio, mas não chegou para que não a largasse sabe-se lá onde. Palavra que não abuso (sempre já só pareço a Katie Holmes com mais uns dez ou doze quilos).
the thin veils of Jewish women
«You mustn't show weakness
and you've got to have a tan.
But sometimes I feel like the thin veils
of Jewish women who faint
at weddings and on Yom Kippur.
You mustn't show weakness
and you've got to make a list
of all the things you can load
in a baby carriage without a baby.
This is the way things stand now:
if I pull out the stopper
after pampering myself in the bath,
I'm afraid that all of Jerusalem, and with it the whole world,
will drain out into the huge darkness.
In the daytime I lay traps for my memories
and at night I work in the Balaam Mills,
turning curse into blessing and blessing into curse.
And don't ever show weakness.
Sometimes I come crashing down inside myself
without anyone noticing. I'm like an ambulance
on two legs, hauling the patient
inside me to Last Aid
with the wailing of cry of a siren,
and people think it's ordinary speech.»
and you've got to have a tan.
But sometimes I feel like the thin veils
of Jewish women who faint
at weddings and on Yom Kippur.
You mustn't show weakness
and you've got to make a list
of all the things you can load
in a baby carriage without a baby.
This is the way things stand now:
if I pull out the stopper
after pampering myself in the bath,
I'm afraid that all of Jerusalem, and with it the whole world,
will drain out into the huge darkness.
In the daytime I lay traps for my memories
and at night I work in the Balaam Mills,
turning curse into blessing and blessing into curse.
And don't ever show weakness.
Sometimes I come crashing down inside myself
without anyone noticing. I'm like an ambulance
on two legs, hauling the patient
inside me to Last Aid
with the wailing of cry of a siren,
and people think it's ordinary speech.»
Yehuda Amichai, You Mustn't Show Weakness, c. 1986
[Ed. T. Hughes].
[Ed. T. Hughes].
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Amêndoa, Rua do Pombal
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
A Great Line, Indeed
Sou fã de Mrs. Emma Peel, alias Diana Rigg, ícone da modernidade, rapariga que a esta altura era mais mal paga que o cameraman da série, que foi depois Teresa Draco, desposada na Arrábida por Bond, James Bond, e mais tarde intérprete de Coward e Stoppard. Dame Rigg completou recentemente setenta verões. God bless her em estilo e saúde.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Coisas Que Só a Mim Apoquentam LVIII
Talões oficiais que anunciam a possibilidade de levantamento em «provavelmente 5 dias úteis», pacotes de açúcar que pesam «7/8 gramas», e assim. Bole-me com qualquer coisa, a institucionalização da incerteza.
Wien, Berggasse / London, Maresfield Gardens
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Que Fazer Ao Que Nos Contam? (14)
- Então pega nos cacos - vamos ao Santo António.
Madame Alice estava visivelmente irritada. Regressara de Evian há menos de dois dias quando a criada de servir, adossada pela cozinheira, a criada de quarto e a mulher a dias, testemunhou o piparote juvenil no candeeiro Sèvres, durante o baile da menina. Nem o pó da porcelana sovada havia sido desperdiçado - havia que fazer prova. Agora, à porta daquele prédio velhíssimo e inconspícuo para os lados do Castelo, depois das voltas do chauffeur e dos silêncios da boa patroa, Lena subiria aquelas escadas estreitas rumo a uma divisão ampla, guiada por um homem de certa idade, sem traço distinto. Para seu espanto, as rimas de prateleiras justificavam o apodo: loiças, pratas e madeiras refeitas do quase nada, como novas. Duas semanas mais tarde, antes da canasta vezeira, enquanto subia a saia da mesa em bordado Madeira com alfinetes e camélias, o milagre era entregue. Como se houvesse nada.
E o que calçar
Agora foram as linhas sobre música e o que calçar. Ainda não tinha acabado de as ler, saem-se-me os dubliners das colunas do café, letra sacada ao Rushdie. Noutro dia foi o parágrafo do Conrad, o comandante a praguejar às escuras e a luz do comboio a ir abaixo por muitos segundos. Antes houve a menina do Sonho de Um Homem Ridículo a angustiar-me (muito) ao fim três dias, eu a virar a folha do jornal e a foto da Magnum com o abutre e o homem que a fotografou e não aguentou, não parou. Nem tento perceber o que isto quer dizer.
Lisboa, Rua Mário Botas
Olho para aqueles miúdos, envergonhados de contentes tanto o mal que agora é bem dizer das praxes, e lembro-me bem. Vêm cansados mas agora já se sabem os nomes, agora já têm uma história parva em comum. Rirão disto por pelo menos por três ou quatro anos, com sorte mais. Continuarão a registar com espanto, como agora (se bem que provavelmente ao jantar num sítio fixe, e não no comboio), aquele momento em que a nenhum escapou o rebolar de olhos de dois dos queques que combinavam a tarde seguinte na piscina, ao ouvi-los de Massamá. Com espanto e outra coisa qualquer, entre a indignação e o embaraço.
Isto Vive
Vodafónix novo - guardei os números, mas perdi todos os movimentos das últimas três semanas. Merde, alors.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Quatro Anos, Quatro Caminhos, 2
Uma das minhas palavras preferidas é sortilégio. Tê-la-ei ouvido a alguém querido não mais que meia dúzia de vezes, mas sempre em plena concordância com o seu sentido, olhos infantes em meio a uma história de vida - o que fez toda a diferença.
Quatro Anos, Quatro Caminhos, 1 : Mas Não Sou Tão Mais Criança/A Ponto de Saber/Tudo*
Sei que para os da outra banda do mar-oceano esta canção é insuportavelmente batida, mas sinceramente não quero saber, para mim ela é e será eu miúda e mais um bocado do mundo à mostra, em sotaque cantante. Obrigada ao cara que inadvertidamente (ou melhor, por via fraternal) me fez chegar a esta música, com quem não falo há anos (e que também andou pelos blogues).
*Quase Sem Querer ['Dois', 1986], Renato Russo/Eduardo 'Dado' Vila-Lobos/Renato Rocha/Marcelo Bonfá
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Fui a lado nenhum, v. low tech (pedido de desculpas em não muitos pixels)
O totem mais neurasténico que a indústria chinesa já produziu é meu meu meu, já o arremedo punny copiei-o de um sonho do Tony Soprano. Desculpem-me o atraso nos posts, e-mails, telefonemas, cartas e conversas em tarde-e-osso, as letras consomem-se-me quase todas nos dias e ainda me faltam, por isso eu pouco sobro. Ando só tão só tão cansada. Isto para dizer que não que me fui embora, não me vou embora. sábado, 30 de agosto de 2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Coisas Que Só a Mim Apoquentam LVII
Dos remates retóricos mais em voga nas últimas estações, o quem não percebe isto, não percebe nada é um dos meus preteridos. Tentar fechar um argumento à chave revela uma surpreendente insegurança nos méritos do mesmo, para além de uma vontade adolescente de inibir qualquer outro.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Epiqueia
A palavra que nomeia a capacidade de interpretar e defender o sentido de uma qualquer regra para lá da sua estrita letra, aprendi-a há não muito. Na moral cristã, a epiqueia é uma qualidade associada à virtude cardeal da justiça, opondo-se ao rigorismo e ao literalismo. Num primeiro instante pode parecer sinónima do banal bom senso, mas não o é. Nos dias que correm - e porque eles correm - não estou a ver predicado que exija maior discernimento e subtileza de espírito.
sábado, 16 de agosto de 2008
Questões Verdadeiramente Fracturantes
Coisa alguma contra sexo, coisa alguma contra a cidade. A questão é que as mulheres de Candace Bushnell provocam-me nada nada nada nada. Gostar de vestidos e rapazes não impede que todo aquele taylorismo afectivo nos revolva as tripas. Não, não vi o filme.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O Que o Século XX Nos Fez
Talvez a mais imperceptível cicatriz de novecentos seja esta extrema descrença na virtude. Estamos todos mais que predispostos a aceitar o mal na condição humana, fazemos livros e filmes e músicas sobre ele, de tão fascinante e misterioso que é. Já ante o seu contrário, ante uma acção absolutamente altruísta ou uma biografia exemplar, partimos do princípio que não, que ela não o pode ter sido, ou pelo menos não o pode ter sido tanto assim. Se um qualquer perfil de rectidão resiste à primeira inquirição, ou o remetemos para o domínio do anómalo, ou investimos mais a sério na procura da falha. De tanto a procurarmos acabaremos por dar com alguma, claro. E com ela nos comprazeremos, pacificados.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Zoonomástica
Nas últimas semanas apresentaram-me a Sara, o João e a Carolina. O João e a Sara, enfim, não sei bem dizer. Já a Carolina é inconfundivelmente Serra da Estrela.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Feistville, Sesame Street
[versão indolor e abençoadamente silly de '1234' (The Reminder, 2007), encomendada a Leslie Feist para o primeiro episódio da 39ª temporada lá da rua, a estrear neste Agosto]
segunda-feira, 14 de julho de 2008
O juízo dos órfãos
Os testemunhos de sobrevivência são os exempla do nosso tempo. Não há antena ou publicação que não ofereça em cadência diária uma ou mais histórias do género. Perturba-me que tantas vezes elas sejam contadas como estando fadadas pelas qualidades inerentes ao sobrevivente. Como se não houvesse um enorme grau de imponderabilidade em qualquer desastre, batalha, ciclone. À vista disto, penso quase sempre no que pensarão os que perderam quem lutou mas foi vencido pelas circunstâncias.
quando a televisão vazia nos acerta em cheio
Pior que zapear e dar com um caso da vida bizarro de tão semelhante a um acontecimento que nos foi próximo? Não conseguir não ver aquilo até ao final, previsivelmente feliz. Que na realidade não o foi.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Belas, Impasse dos Pinheiros Mansos
Podia ter sido no nosso só que não foi, foi no vosso turno. Correrá tudo bem, sim, mas o entretanto é difícil, como era de esperar. Custa saber-vos toldados pela falta que ele faz. Mas correrá tudo bem.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
London, Tottenham Court Road
"The compensation of growing old, Peter Walsh thought, coming out of Regent’s park, and holding his hat in his hand, was simply this; that the passions remain as strong as ever, but one has gained - at last! - the power of taking hold of experience, of turning it round, slowly, in the light."
Virginia Woolf, Mrs. Dalloway, 1925.
Acaba-se o mês dos dias em livro, comum a Joyce e Woolf.
Virginia Woolf, Mrs. Dalloway, 1925.
domingo, 29 de junho de 2008
Mão Mole
Mais vale um sorriso desguarnecido ou uma palmada nas costas que um aperto de mão frouxo. Que raio, em termos de coreografia social não há gesto mais poucachinho e desinspirador.
sábado, 28 de junho de 2008
Que fazer ao que nos contam? (13)
O varejo num dos pedaços a poente demorou bem mais que o costume, passava-se a hora de cear. Até ao segundo entroncamento os primos seguiram também, mas agora havia que galgar o Corgo Fundeiro. Não que fosse de aflições (ainda era pequena quando a mãe da mãe lhe tinha ensinado o conjuro quem vai, vai, quem está, está, para qualquer caso sem explicação), ou que o burro não soubesse o caminho, não era isso. Era o nenhum costume de ir sozinha por volta tão evitada. De que tivesse conta, mais contornado que aquele vale de pedra solta só o rocio da Venda, ou talvez a ponte do Estreito. Desses ainda havia quem repetisse qualquer coisa de má memória, mas dali não, ninguém parecia lembrar a razão de tal fama. Nisto, feito o vau, quando se preparava para deixar de tentear o carreiro à frente do animal, deu por um estranho brilho a meia encosta. Estacou.
Fez por respirar.
Pensou voltar para trás, mas levava mais de meio regresso. Decidiu avançar sem fixar aquela terrível espécie de favo prateado, suspensa no nada. Passou. Ia já uns bons passos acima quando não aguentou: agarrada ao arreio e a um responso involuntário, virou os olhos para o que afinal era reflexo do quarto crescente numa imensa teia de aranha, coberta de orvalho. Teria observado melhor, mas ouviu algo. Picou por aí a cima o quanto pôde, até estar segura de que o vento trazia mesmo o eco de quem gritava o seu nome. Encontraram-se quase no planalto. O regedor vinha à frente, a seguir os irmãos, os vizinhos, só depois mãe e pai - não fosse haver o pior.
Fez por respirar.
Pensou voltar para trás, mas levava mais de meio regresso. Decidiu avançar sem fixar aquela terrível espécie de favo prateado, suspensa no nada. Passou. Ia já uns bons passos acima quando não aguentou: agarrada ao arreio e a um responso involuntário, virou os olhos para o que afinal era reflexo do quarto crescente numa imensa teia de aranha, coberta de orvalho. Teria observado melhor, mas ouviu algo. Picou por aí a cima o quanto pôde, até estar segura de que o vento trazia mesmo o eco de quem gritava o seu nome. Encontraram-se quase no planalto. O regedor vinha à frente, a seguir os irmãos, os vizinhos, só depois mãe e pai - não fosse haver o pior.
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