a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sete Rios, Passadeiras 3-4-5

Não sei quais as coordenadas deste ponto, o que sei é que já aqui assisti a:
a) uma discussão entre um casal, começada com um ataque de riso e acabada ao sopapo;
b) um peão que se recusou a pôr o pé na passadeira enquanto o sinal dos carros não ficasse verde, os quais depois entre gritos invectivou, frustrado por não ter sido atropelado;
c) um condutor que saiu do seu carro para arrancar uma pedra da calçada e atirá-la a dois rapazes, ao que parece por eles não terem atravessado a passadeira depressa.


Será a proximidade do zoológico que mexe com o bicho-homem?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ortodôntica

Enjoa-me esta insistência em vampiros no papel, na tv, no cinema, dvd. Para quem suportou três aparelhos móveis e dois fixos de forma a dotar os caninos de aparência humana não será de espantar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CircadiAna

Regular mal da pinha acontece não só a quem trabalha à noite. Alguns nascemos assim, com a dita um bocado insensível ao chiaroscuro de cada dia. É como se a natureza estivesse lá longe, e não em nós. Como se tivéssemos sido feitos num pisar de risco qualquer e ela nos exigisse em empenho o preço do regresso.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Belas, Rua Doutor Malheiros

Quem chegue com a faculdade de relativização descalibrada há-de registar melhoras logo à entrada, enquanto aguarda a vez. As salas de espera destas instituições modernas são tão claras. A começar pelo intencional convívio entre externos e internos. Ninguém como o outro para nos colocar no nosso lugar.

Desde a C+S Conde de Sabugosa

que andava a temer uma saison destas*. Chumaços? Pleather? Tachas? Repito: tachas? (chapinhas? apliques metálicos?) Que mais? Uma tournée de homenagem aos Bros?


* Safa-se o boyfriend jacket, mas só na versão pura e dura,
tipo, o do Scott Schuman aos ombros da Garance Doré.
[ Que bonitos.]

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Emalando o Essencial



[Slane Castle, famoso chão da Batalha de Boyne. Dos fracos também reza a história.]
A place that has to be believed, povo. U2, Eno, Lanois e outros sais de frutos que tais forever.

V

Só há pouco percebi que A Torre da Barbela passa a ser A Torre de Babel no momento em que lhe subtraímos as iniciais do seu autor. Também não fazia ideia que fechar à barbela fosse jargão tauromáquico. Parece que é o abraço que o forcado arrisca à pescoceira do animal. Se tivesse arte para mais, passava um ano a escrever posts sobre este livro. Não tenho, fico-me para aqui na condição meio aparvalhada de nunca antes ter ouvido falar dele. Li-o durante a semana das termas, numa terceira edição emprestada, com poalha suficiente para neutralizar tudo o que foi irrigação, nebulização e aerossol. Nenhuma outra ficção fez tanto sentido neste meu ano, isso é seguro. Que o meu presente é feito de viver àquela sombra triangular perto da cabeçada de Dom Sebastião, tentando acertar o passo nas danças do jardim dos buxos. Passo por Cavaleiro (sem Vilancete nem Abelardo), trabalho perto da Dona Mafalda e sou vizinha da Dona Brites, encontro ombro em Frey Ciro, perco ilusões sobre a Bruxa de São Semedo e não sei que pense da Madeleine. Como os demais, vou sobrevivendo às longas tiradas do Doutor Mirinho sobre transbordos mais ou menos aeroportuários.
[Este blogue faz cinco anos.]

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cabeças-de-Browser

E isto de os acontecimentos terem deixado de ter uma história por detrás, para passarem a ter um histórico?

A Menina Piggy Tinha Muita Graça Mas Não Percebia Nada de Vaudeville

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Que Agosto Não Foi Só Desgosto

Um vigoroso e agradecido passou-bem ao/à tal Exmo./Exma. Sr./Sr.ª das encomendas lá da RTP2. Estes (M)ad Men estão à altura das expectativas criadas, naqueles seus obstinados bâtons, cocktails, fatos e cigarradas.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sentimentos Ferrodiários #9

Erros Favoritos V

[Pela minha saudinha que ouvi isto num corredor hospitacoiso. E sem ser no Norte.]

- Que azar, coitadinho, logo lhe havia de dar um
abc.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ana Léptica

O tempo, como o sono, não cura, não substitui, não resolve. Tempo é distância, só isso.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Coisas que Só a Mim Apoquentam LXIII

O expectável número de vezes que, daqui até ao fim do ano, radialistas e tele-jornalistas repetirão a palavra arruada.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" XVIII


[mil novecentos e oitenta e pouco]

[dois mil e nove e meio]
Não conheço baixista (pensando bem, não conheço rocker) que dos quase vintes para final dos quarentas apresente taxa de engirecimento mais elevada.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Uma Imagem E Um Breve Plano

Guardo, do fim das Jornadas*, uma imagem e um breve plano. Era já de noite, os milhares já tinham quase todos debandado. Os microfones ainda transmitiam o 'Ave' de Fátima e o Nuno Bragança, num dos incontíveis ataques de riso dele, mostrou-me o Luís de Sousa Costa e o M. S. Lourenço, que, no meio do recinto, dançavam ao som do hino. Um pouco atrás, o Doutor Rodrigues**, olhando a cena, murmurou entre dentes, com tom cortante: "Sempre a mesma gente...". Éramo-lo e fômo-lo. Mas nunca me senti tão perto de Deus e tão certo da Sua Presença.
João Bénard da Costa ( Nós, Os Vencidos do Catolicismo, p.46) 2003.

* Da Juventude Universitária Católica, ou JUC, acontecidas em Fátima no início de 1958
.
** Cónego António dos Reis Rodrigues, assistente da JUC.


A primeira figura que me ocorre quando penso em Bénard da Costa não é a de um realizador como Nicholas Ray, é a de um filósofo como Emmanuel Mounier. A minha geração de católicos - a da imensa minoria, podemos dizê-la assim, como no lema radiofónico de uma bela estação dos anos noventa - nascida num mundo secularizado, inorgânico, conflituoso, é outra gente, bem diferente dessa que, partindo do não-conformismo e do personalismo, se buscou a si mesma e a Deus numa aventura bastante empenhada e corajosa. Que resultou em respostas muito diferentes, entre as quais se contaram várias perdas para a Igreja. Atomizados e um pouco inseguros do nosso papel, vamos crescendo a tentar entender o nosso tempo e a escolher o nosso modo. Talvez gente não tão diferente, afinal.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXII

As limitações que a vida em geral impõe à vida vocabular em particular. Quero dizer, eu até posso adorar a palavra jactância, mas onde é que a vou usar?

Página 161, 5ª Frase

Respondendo - com um desfasamento temporal absolutamente sem-vergonha - à Joana Lopes:

«Para responder à questão só há um caminho: continuarmos a follhear os dicionários.»

Joel Serrão, Temas Oitocentistas. Volume II , 1978.

domingo, 17 de maio de 2009

Enfeirando

Uns vão pelas farturas, outros pelo que há para ler. Há os que só miram o movimento. Os que correm o mapa previamente estudado. Os que têm tudo na cabeça. Os que fazem vista grossa.

Coisas Que Nem Só a Mim Apoquentam: Eurocoiso


Não vi tudo, claro. Já me contaram [mentira, fui ver ao site oficial] que ganhou o loirilólelas que partiu uma corda do violino a meio do playback. Tendo em conta a montra da charcutaria em que se transformou o eurofestival, impressiona que alguns dos países ainda enviem canções que são canções a concurso. Não conhecia a nossa. É bonita, na mão daqueles intérpretes de ar não-calibrado. Merecia ter tempo de vida nas rádios e festas.