a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

V

Só há pouco percebi que A Torre da Barbela passa a ser A Torre de Babel no momento em que lhe subtraímos as iniciais do seu autor. Também não fazia ideia que fechar à barbela fosse jargão tauromáquico. Parece que é o abraço que o forcado arrisca à pescoceira do animal. Se tivesse arte para mais, passava um ano a escrever posts sobre este livro. Não tenho, fico-me para aqui na condição meio aparvalhada de nunca antes ter ouvido falar dele. Li-o durante a semana das termas, numa terceira edição emprestada, com poalha suficiente para neutralizar tudo o que foi irrigação, nebulização e aerossol. Nenhuma outra ficção fez tanto sentido neste meu ano, isso é seguro. Que o meu presente é feito de viver àquela sombra triangular perto da cabeçada de Dom Sebastião, tentando acertar o passo nas danças do jardim dos buxos. Passo por Cavaleiro (sem Vilancete nem Abelardo), trabalho perto da Dona Mafalda e sou vizinha da Dona Brites, encontro ombro em Frey Ciro, perco ilusões sobre a Bruxa de São Semedo e não sei que pense da Madeleine. Como os demais, vou sobrevivendo às longas tiradas do Doutor Mirinho sobre transbordos mais ou menos aeroportuários.
[Este blogue faz cinco anos.]

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cabeças-de-Browser

E isto de os acontecimentos terem deixado de ter uma história por detrás, para passarem a ter um histórico?

A Menina Piggy Tinha Muita Graça Mas Não Percebia Nada de Vaudeville

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Que Agosto Não Foi Só Desgosto

Um vigoroso e agradecido passou-bem ao/à tal Exmo./Exma. Sr./Sr.ª das encomendas lá da RTP2. Estes (M)ad Men estão à altura das expectativas criadas, naqueles seus obstinados bâtons, cocktails, fatos e cigarradas.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sentimentos Ferrodiários #9

Erros Favoritos V

[Pela minha saudinha que ouvi isto num corredor hospitacoiso. E sem ser no Norte.]

- Que azar, coitadinho, logo lhe havia de dar um
abc.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ana Léptica

O tempo, como o sono, não cura, não substitui, não resolve. Tempo é distância, só isso.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Coisas que Só a Mim Apoquentam LXIII

O expectável número de vezes que, daqui até ao fim do ano, radialistas e tele-jornalistas repetirão a palavra arruada.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" XVIII


[mil novecentos e oitenta e pouco]

[dois mil e nove e meio]
Não conheço baixista (pensando bem, não conheço rocker) que dos quase vintes para final dos quarentas apresente taxa de engirecimento mais elevada.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Uma Imagem E Um Breve Plano

Guardo, do fim das Jornadas*, uma imagem e um breve plano. Era já de noite, os milhares já tinham quase todos debandado. Os microfones ainda transmitiam o 'Ave' de Fátima e o Nuno Bragança, num dos incontíveis ataques de riso dele, mostrou-me o Luís de Sousa Costa e o M. S. Lourenço, que, no meio do recinto, dançavam ao som do hino. Um pouco atrás, o Doutor Rodrigues**, olhando a cena, murmurou entre dentes, com tom cortante: "Sempre a mesma gente...". Éramo-lo e fômo-lo. Mas nunca me senti tão perto de Deus e tão certo da Sua Presença.
João Bénard da Costa ( Nós, Os Vencidos do Catolicismo, p.46) 2003.

* Da Juventude Universitária Católica, ou JUC, acontecidas em Fátima no início de 1958
.
** Cónego António dos Reis Rodrigues, assistente da JUC.


A primeira figura que me ocorre quando penso em Bénard da Costa não é a de um realizador como Nicholas Ray, é a de um filósofo como Emmanuel Mounier. A minha geração de católicos - a da imensa minoria, podemos dizê-la assim, como no lema radiofónico de uma bela estação dos anos noventa - nascida num mundo secularizado, inorgânico, conflituoso, é outra gente, bem diferente dessa que, partindo do não-conformismo e do personalismo, se buscou a si mesma e a Deus numa aventura bastante empenhada e corajosa. Que resultou em respostas muito diferentes, entre as quais se contaram várias perdas para a Igreja. Atomizados e um pouco inseguros do nosso papel, vamos crescendo a tentar entender o nosso tempo e a escolher o nosso modo. Talvez gente não tão diferente, afinal.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXII

As limitações que a vida em geral impõe à vida vocabular em particular. Quero dizer, eu até posso adorar a palavra jactância, mas onde é que a vou usar?

Página 161, 5ª Frase

Respondendo - com um desfasamento temporal absolutamente sem-vergonha - à Joana Lopes:

«Para responder à questão só há um caminho: continuarmos a follhear os dicionários.»

Joel Serrão, Temas Oitocentistas. Volume II , 1978.

domingo, 17 de maio de 2009

Enfeirando

Uns vão pelas farturas, outros pelo que há para ler. Há os que só miram o movimento. Os que correm o mapa previamente estudado. Os que têm tudo na cabeça. Os que fazem vista grossa.

Coisas Que Nem Só a Mim Apoquentam: Eurocoiso


Não vi tudo, claro. Já me contaram [mentira, fui ver ao site oficial] que ganhou o loirilólelas que partiu uma corda do violino a meio do playback. Tendo em conta a montra da charcutaria em que se transformou o eurofestival, impressiona que alguns dos países ainda enviem canções que são canções a concurso. Não conhecia a nossa. É bonita, na mão daqueles intérpretes de ar não-calibrado. Merecia ter tempo de vida nas rádios e festas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Massamá, Rua das Rosas

Correu à porta, de tão insistente o toque. Ainda estremunhada, presumiu e mal que se estava a repetir nessa manhã a cena nocturna de há várias semanas. Um dos vizinhos tinha tocado à sua campainha assim, àquela hora de pouco movimento em que os que estão em casa se preparam para dormir e os que ainda não talvez demorem um bocado. Em gíria local, à meia noite e merda, intervalo de tempo bastante dado à pequena delinquência e à rixa doméstica. O dito morador vinha avisar que alguém tinha acabado de largar ali na rua um Uno todo escaqueirado, dando de caminho cabo de vários carros estacionados - o dela incluído. Depois desse rebate à tão popular máxima que diz bastar andar na estrada para se sofrer um acidente, voltou a dormir pouco. E nada se repetiu, claro. O correio veio mais cedo, ela acordou mais tarde. Só isso. Carteiro novo, cheio de urgência em devolver em mão uma carta registada. Muito corou de tão despenteada, no seu pijama cor-de-rosa a dar com os chinelos e o verniz.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Amadora, Praça Dom João I

Entrei pela última vez no Lido no início da década de noventa, escapa-se-me para quê. Olho agora, a espaços, o muito pouco que sobrou do incêndio, depois contorno a rotunda que não existia quando ainda não sabia conduzir. No cine-estúdio de Antero Ferreira vi o meu primeiro filme não-animado, a Música no Coração. Na loja de música, por bom tempo a única das redondezas, pedi com o meu irmão ao meu pai os vinis que inauguraram a nossa pequenina colecção. Uma infância debruada a alumínio cru, no fundo. E elevada a património emocional como tantas outras.

[Single (ou maxi-single?) de 'We Are The World', USA for Africa, 1985. Acho que c.250$00-270$00 = aprox. 3 semanadas]

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Mr. Attitude & Little Miss Congeniality


Bem me parecia que aquela dialéctica automobilística ali debaixo me era familiar. 

[Moonlighting, 1º Episódio, 1ª Temporada ]

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Blink, Blink

 
É tão malandrete, o piscar de olhos da Little Miss Sunshine.

domingo, 12 de abril de 2009

A flor da esteva

tem um quê totémico, sim. 

sexta-feira, 20 de março de 2009

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXI

Querer compreender, mesmo o cabelo do senhor Jorge[.] Jesus.