Querer compreender, mesmo o cabelo do senhor Jorge[.] Jesus.
sexta-feira, 20 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Lisboa, 1979
Uma das duas séries que tenho gravado e visto, não me recordava realmente dela.
O Zé Gato, agora a comemorar trinta anos, estreou quando ainda era muito pequena. Devo ter passado mais tarde os olhos por algum episódio repetido, mas a ideia guardada sempre vinha a reboque dos episódios descritos uma e outra vez pelos amigos mais velhos, ou do trautear duradouro da canção* que só há pouco soube ser do Tozé Brito e do Jorge Palma. Do realizador, Rogério Ceitil, reconheço o nome, o mesmo que aparecia naqueles separadores azuis-claros do Duarte & Cia., uns bons anos depois. Vi apenas três de uma temporada de doze, afinal a única. O argumento, escrito por João Miguel Paulino, Pedro Franco e Dinis Machado (sim, o Dennis McShade), faz-se da vida de um PJ desencantado que tenta cumprir o seu papel na luta - bastas vezes nada figurada - contra o tráfico de droga, a prostituição e a corrupção na capital. É claro que aquilo foi feito com poucos meios, mas o essencial está lá: bons diálogos, bons actores, boa montagem. Consegue-se acreditar que o informador é um aldrabão leal, o polícia reformado um sábio com tarimba, a namorada uma mulher em permanente espera, e dá-se o desconto a alguma solenidade teatral e uma ou outra cena de porrada mal coreografada. Depois há uma Lisboa que aperta o coração, porquita do metro ao comboio, cheia de grafitos eleitorais, de lugares para estacionar, de gente magra com roupa apertada, de lotes vagos. De eu muito pequena, suponho. Não me recordava realmente dela.
O Zé Gato, agora a comemorar trinta anos, estreou quando ainda era muito pequena. Devo ter passado mais tarde os olhos por algum episódio repetido, mas a ideia guardada sempre vinha a reboque dos episódios descritos uma e outra vez pelos amigos mais velhos, ou do trautear duradouro da canção* que só há pouco soube ser do Tozé Brito e do Jorge Palma. Do realizador, Rogério Ceitil, reconheço o nome, o mesmo que aparecia naqueles separadores azuis-claros do Duarte & Cia., uns bons anos depois. Vi apenas três de uma temporada de doze, afinal a única. O argumento, escrito por João Miguel Paulino, Pedro Franco e Dinis Machado (sim, o Dennis McShade), faz-se da vida de um PJ desencantado que tenta cumprir o seu papel na luta - bastas vezes nada figurada - contra o tráfico de droga, a prostituição e a corrupção na capital. É claro que aquilo foi feito com poucos meios, mas o essencial está lá: bons diálogos, bons actores, boa montagem. Consegue-se acreditar que o informador é um aldrabão leal, o polícia reformado um sábio com tarimba, a namorada uma mulher em permanente espera, e dá-se o desconto a alguma solenidade teatral e uma ou outra cena de porrada mal coreografada. Depois há uma Lisboa que aperta o coração, porquita do metro ao comboio, cheia de grafitos eleitorais, de lugares para estacionar, de gente magra com roupa apertada, de lotes vagos. De eu muito pequena, suponho. Não me recordava realmente dela.
*A canção está no Youtube. A resolução do clip é medonha, mas a caixa de comentários é para ler de cabo a rabo, desde o comentador que dá pelo quasi-atropelamento do Orlando Costa (aos 22 segundos) até aos três que se pegam a discutir (com dados quantitativos e tudo) que governante foi realmente responsável pela reforma insfraestrutural do país após o 25 de abril. A frase vencedora é de alguém que assina soulfox619: "Portugal precisa de muito mais Ceitil's".
sábado, 14 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Metapostagens
Noutro dia voltei com este post atrás. Ia chamar-se d'avant et d'après le déluge, ou uma coisa assim. Foi, penso, a segunda ou terceira vez que despubliquei um. Re-rascunhei-o por um receio meio tíbio, meio supersticioso, de aqui deixar esta canção tão bonita. Le Vent Nous Portera fala de como aconteça o que acontecer o que restar de nós será sempre uno e parte do que mais houver.
O ponto é que ela (aqui tocada ao vivo em Evry, em 2002) é de Bertrand Cantat, dos Noir Désir. Assombrada por uma banda de nome ominoso, de um álbum (des Visages des Figures) saído a 11 de Setembro de 2001, na voz de alguém que não muito tempo depois faria uma das piores coisas que se pode fazer. E no entanto, que diz isso tudo desta canção? Nada. Permanece a mesma, bela e desolada e verdadeira. Se calhar, só por isso mesmo assustadora.
O ponto é que ela (aqui tocada ao vivo em Evry, em 2002) é de Bertrand Cantat, dos Noir Désir. Assombrada por uma banda de nome ominoso, de um álbum (des Visages des Figures) saído a 11 de Setembro de 2001, na voz de alguém que não muito tempo depois faria uma das piores coisas que se pode fazer. E no entanto, que diz isso tudo desta canção? Nada. Permanece a mesma, bela e desolada e verdadeira. Se calhar, só por isso mesmo assustadora.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Contra o Modo Morto de Viver
«Por um singular mecanismo interior, cujo segredo a psicanálise poderá talvez desvendar, a sociedade teima em ensinar às criancinhas exactamente o contrário daquilo que pratica, sem reparar que pode haver uma ou outra que pode levar isso tudo a sério. O pior acontece um dia quando qualquer paizinho pacato, estabelecido ou não, resolve ter com o ‘maluco' do seu filho a tal conversa de homem para homem de que andava a fugir e que lhe sai normalmente nestes termos: "Tu és um idealista e a vida não é nada disso. Não é com essas coisas em que perdes o teu tempo que vais ganhar a vida e preparar o teu futuro. Deixa-te de politiquices e literaturas, porque não é com isso que resolves os problemas que te esperam no escritório. Precisas é de tirar o teu curso, tornares-te um homem e ganhares dinheiro para poderes casar e tratar da vida."
Este tipo de conversa é extremamente grave porque podemos estar a matar em alguém a fonte duma grande vida. Hoje estou certo que, se vivemos sem assumir na sua essência a nossa condição humana, - sem participar, sem amar, sem conhecer, sem criar, sem alegria ou sem dor – se dá, na economia duma história de homem, aquilo a que se chama ‘tempo morto’, 'tempo de homem morto'.»
Este tipo de conversa é extremamente grave porque podemos estar a matar em alguém a fonte duma grande vida. Hoje estou certo que, se vivemos sem assumir na sua essência a nossa condição humana, - sem participar, sem amar, sem conhecer, sem criar, sem alegria ou sem dor – se dá, na economia duma história de homem, aquilo a que se chama ‘tempo morto’, 'tempo de homem morto'.»
António Alçada Baptista, Peregrinação Interior (...), Vol.1, Cap.8, 1971.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Queluz, Rua Nicolau Tolentino de Almeida
Andávamos muito a pé e aconteciam-nos grandes conversas sobre o que se seguiria, ânsias imaginosas acerca do futuro, do que ele poderia transportar, como se ele fosse um colega de turma a espreitar as carteiras na nossa direcção, e nós ali, sem sabermos se era para nós, a juntar forças para perguntar.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Que Fazer Ao Que Nos Contam? (15)
Um dos mais pequenos fungava baixo, à beira do lume, e o tio do meio deu por isso. Antes de tornar com os outros à eira quis saber porque estava ele tão aguado. A resposta deu azo a uma daquelas piadas repetidas por gerações. Até chegar àquela que nunca teve o muito pouco por facto da vida. Que houvera, que entretanto perdera a graça? Um miúdo a chorar num dia de malha, por não conseguir dar conta do prato de rancho melhorado.
Os moleskines têm a sua graça

; as sebentas também. Noutro dia comprei duas A5, daquelas da Firmo, um euro e meio ao todo, não mais. São de bom tamanho para os seminários e colóquios e listas do mais que fazer. Voltei a claudificá-las como no liceu, com recortes, garatujadas e protecções mais ou menos plásticas contra os solavancos-a-dias.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Die Blaue Blume
Definitivamente, o achamento que mais me afectou neste ano foi o do senhor C. S. Lewis.
"Bridge-players tell me that there must be some money on the game ‘or else people won’t take it seriously.’ Apparently it’s like that. Your bid – for God or no God, for a good God or the Cosmic Sadist, for eternal life or nonentity – will not be serious if nothing much is staked on it. And you will never discover how serious it was until the stakes are raised horribly high, until you find that you are playing not for counters or for sixpences but for every penny you have in the world. Nothing less will shake a man – or at any rate a man like me – out of his merely verbal thinking and his merely notional beliefs. He has to be knocked silly before he comes to his senses."
"Bridge-players tell me that there must be some money on the game ‘or else people won’t take it seriously.’ Apparently it’s like that. Your bid – for God or no God, for a good God or the Cosmic Sadist, for eternal life or nonentity – will not be serious if nothing much is staked on it. And you will never discover how serious it was until the stakes are raised horribly high, until you find that you are playing not for counters or for sixpences but for every penny you have in the world. Nothing less will shake a man – or at any rate a man like me – out of his merely verbal thinking and his merely notional beliefs. He has to be knocked silly before he comes to his senses."
A Grief Observed, 1961.
Um feliz 2009 para todos vós.
Um feliz 2009 para todos vós.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Up With The Static & Radio Waves
[Stay (Faraway, So Close!), U2, 1993; Vídeo: Wim Wenders/Mark Neale]
O alt.rock do Zooropa importou-me muito, então. Volto a ele como aos filmes do Wenders, para rever a parada de uma década começada com muros deitados abaixo, outros sons e velhos tributos, novas tecnologias.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Tenho pensamentos tão parvos
Suponho que sejam um reflexo involuntário, e que aconteçam a muitas outras pessoas (como aquele quase universal balançar do nosso próprio peso entre uma perna e o outra, quando estamos muito tempo de pé, sabem?). Por exemplo, hoje interrompi-me a pensar como é que os homens conseguem descrever as mulheres que não conhecem bem uns aos outros, tendo em conta que um dia temos caracóis, noutro somos quase ruivas, outro engordamos, noutro temos mais dez centímetros por causa dos saltos, e por aí adiante.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Reports of Reports
(…) we often have to choose between two types of reports from places like Spain or Portugal or Italy; and though they are at the very opposite extremes of the old and new, they both manage to produce this indescribable impression of being merely the reports of reports.
G.K. Chesterton [No prefácio a Afoot in Portugal, de John Gibbons (1931).]
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Prendas Atrasadas, Prendas Adiantadas
O Costello não apareceu na série dos "esquisitos, pá!" porque não calhou, claro. Um gosto adquirido há não muito, devo dizer. Que vai para pouco, o bom convívio com a perda de uma reputação de honrosa precocidade.
[Everyday I Write The Book, Punch the Clock, 1983.]
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LX
Penso
credo, sou bicho-do-mato mas ao menos um olá qualquer um me arranca, que malta ensimesmada.
Depois olho para o lado do balcão e vejo cara vagamente conhecida. A quem não cheguei a dispensar boa-noite.
credo, sou bicho-do-mato mas ao menos um olá qualquer um me arranca, que malta ensimesmada.
Depois olho para o lado do balcão e vejo cara vagamente conhecida. A quem não cheguei a dispensar boa-noite.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Planeta Nacional
Dado o rebuliço no estaleiro, um dos muitos homens verdes (jardineiros sim, marcianos não) queixa-se no bar do estorvo que o careca anda a dar. Que é cá um mono, que ninguém sabe o que fazer dele. À chegada de um encarregado nem lhe dá tempo para o café, pergunta logo se os de lá cima já sabem onde se há-de pôr o raio do careca. Só então percebo que está a fazer pouco da minha estimada cabeça de pedra. Espero que não a atirem para um esconso qualquer.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Lisboa, Beco do Castelo
Simples, a experiência emocional de um introvertido? Como um choque eléctrico, só se for. Quem está de fora dá pelas marcas de entrada e saída da corrente no corpo condutor, pouco mais. Do prazer, da vergonha, da paixão, da ira, da curiosidade, do remorso, da gratidão, a evidência apresenta-se sempre pequena e retardada. Por natureza, nada que se aproxime do processo interno, nas suas alegrias ou desolações.
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