a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Die Blaue Blume

Definitivamente, o achamento que mais me afectou neste ano foi o do senhor C. S. Lewis.

"Bridge-players tell me that there must be some money on the game ‘or else people won’t take it seriously.’ Apparently it’s like that. Your bid – for God or no God, for a good God or the Cosmic Sadist, for eternal life or nonentity – will not be serious if nothing much is staked on it. And you will never discover how serious it was until the stakes are raised horribly high, until you find that you are playing not for counters or for sixpences but for every penny you have in the world. Nothing less will shake a man – or at any rate a man like me – out of his merely verbal thinking and his merely notional beliefs. He has to be knocked silly before he comes to his senses."
A Grief Observed, 1961.

Um feliz 2009 para todos vós.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pelos blogues, como em geral, as mulheres gostam sobretudo de ler homens. Os homens também.

Up With The Static & Radio Waves


[Stay (Faraway, So Close!), U2, 1993; Vídeo: Wim Wenders/Mark Neale]

O alt.rock do Zooropa importou-me muito, então. Volto a ele como aos filmes do Wenders, para rever a parada de uma década começada com muros deitados abaixo, outros sons e velhos tributos, novas tecnologias.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sentimentos Ferrodiários #8



Tenho pensamentos tão parvos

Suponho que sejam um reflexo involuntário, e que aconteçam a muitas outras pessoas (como aquele quase universal balançar do nosso próprio peso entre uma perna e o outra, quando estamos muito tempo de pé, sabem?). Por exemplo, hoje interrompi-me a pensar como é que os homens conseguem descrever as mulheres que não conhecem bem uns aos outros, tendo em conta que um dia temos caracóis, noutro somos quase ruivas, outro engordamos, noutro temos mais dez centímetros por causa dos saltos, e por aí adiante.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Reports of Reports

(…) we often have to choose between two types of reports from places like Spain or Portugal or Italy; and though they are at the very opposite extremes of the old and new, they both manage to produce this indescribable impression of being merely the reports of reports.

G.K. Chesterton [No prefácio a Afoot in Portugal, de John Gibbons (1931).]

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Prendas Atrasadas, Prendas Adiantadas



O Costello não apareceu na série dos "esquisitos, pá!" porque não calhou, claro. Um gosto adquirido há não muito, devo dizer. Que vai para pouco, o bom convívio com a perda de uma reputação de honrosa precocidade.
[Everyday I Write The Book, Punch the Clock, 1983.]

Coisas Que Só A Mim Apoquentam LX

Penso
credo, sou bicho-do-mato mas ao menos um olá qualquer um me arranca, que malta ensimesmada.

Depois olho para o lado do balcão e vejo cara vagamente conhecida. A quem não cheguei a dispensar boa-noite.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Planeta Nacional

Dado o rebuliço no estaleiro, um dos muitos homens verdes (jardineiros sim, marcianos não) queixa-se no bar do estorvo que o careca anda a dar. Que é cá um mono, que ninguém sabe o que fazer dele. À chegada de um encarregado nem lhe dá tempo para o café, pergunta logo se os de lá cima já sabem onde se há-de pôr o raio do careca. Só então percebo que está a fazer pouco da minha estimada cabeça de pedra. Espero que não a atirem para um esconso qualquer.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Lisboa, Beco do Castelo

Simples, a experiência emocional de um introvertido? Como um choque eléctrico, só se for. Quem está de fora dá pelas marcas de entrada e saída da corrente no corpo condutor, pouco mais. Do prazer, da vergonha, da paixão, da ira, da curiosidade, do remorso, da gratidão, a evidência apresenta-se sempre pequena e retardada. Por natureza, nada que se aproxime do processo interno, nas suas alegrias ou desolações.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ontem Há Muito Tempo

Cursivo experimental, indeciso. Entusiasmos bastante exclamativos. Insólita reserva quanto ao masculino objecto de interesse. Anseios, preocupações e rotinas estranhamente semelhantes às de agora.

sábado, 29 de novembro de 2008

Sexta Feita

Que seja uma andada,
da desanca
pouco figurada
ao terapêutico
realinhamento do ego.
E viva
sexta feita.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fantasia para duas cabeleireiras e uma flausina

- Aqui entre nós, acho a atitude dela uma pouca-vergonha. Ali há coisa. O Tony é um homem de família! Uma lasca, mas casado-pai-de-filhos. Quer dizer, há limites, não é?

- Também acho. Um pão, mas pronto. Se é casado é carne morta. Mais ou menos, quer-se dizer, tenho uma amiga que... bem, acho mal, pronto. Essa, para mim, passou de hipopóptima a hipopéssima.

- Ai, p'ra mim tam'ém. Uma ordinária. E gorda-badocha.

What A Wicked Game

Numa de tantas vezes lá estava, quase ridiculamente cordata a rasteira daqui, cotovelada dali, àquele tom genericamente apoucante. Em resposta, dúvida. Empatia, sorriso sem esforço. Nenhuma cólera, nenhum ressentimento. Tão nova, meu Deus. Em brevíssimo segundo de silêncio, ouvi então voz que já cá não há dizer um imprevisto a claudinha tem muito fairplay. Assim só, sem ribombâncias, muito fairplay. Muito já não tenho, querido Chefe. Passou-se o tempo. Não muito.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Encandeamento de Ideias

A dor física impõe ao desempenho de qualquer actividade (mesmo a de ler, escrever e contar) canga pesada. Por isso espanta, o rápido esquecimento dela em corpo recuperado.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LIX

Se não fossem apoquentar tanta mas tanta mais gente, diria, claro, aqueles kapa-lines-tamanho-real da Dr.ª Grey e do Dr. Shepherd que a Fox há dias espalhou pelo metropolitano. Assim sendo, direi antes que me confunde haver tanto quem responda a quem pergunte por qualquer acontecimento com um

- Não tenho palavras para descrever

seguido de monumental bátega de adjectivos.

sábado, 1 de novembro de 2008

Não entendo quem cá não vê nada de interesse

A mim, a mais pequena leitura desencadeia contemplações entusiasmadas mas nem por isso fantasiosas: Jaime de Magalhães Lima muito jovem, a bater à porta do já velho e barbudo Tolstoi em Isnaia Poliana; Catarina de Bragança recém-chegada a Londres, um bocado intimidada, a abrir o baú das suas folhas de chá; Alexandre O’Neill debruçado sobre Nora Mitrani em certo jardim de Lisboa, fazendo um esforço considerável por se concentrar na tradução d'A Razão Ardente; Tomás Pereira em Pequim, ensinando uma longa peça musical ao intimidante imperador Kangxi; Sá da Bandeira cansado, já perto de Monção, a tentar convencer a sua soldadesca que nada ainda está perdido. Coisas assim.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Lisboa, Rua Castilho

Em memória do C. L.
Quando digo pouco tempo ele nunca é tão pouco assim, não à escala do que cada qual tem para cá andar - vícios do ofício. A questão é que de repente [sempre de repente (mesmo quando não o é)] ele se mostra suficiente para conhecer mais alguém que se não chega a conhecer melhor.

Bolsa de Lavores

Alguém que tenha aí por casa um exemplar da última revista do Expresso para aparar o estardalhaço à petinga frita, fazia o favor de copiar a receita de salame de castanhas (do Augusto Gemelli, forze?) que lá vem aqui para a caixa de comentários? É que minha esperteza foi suficiente para a recortar de exemplar alheio, mas não chegou para que não a largasse sabe-se lá onde. Palavra que não abuso (sempre já só pareço a Katie Holmes com mais uns dez ou doze quilos).