Talões oficiais que anunciam a possibilidade de levantamento em «provavelmente 5 dias úteis», pacotes de açúcar que pesam «7/8 gramas», e assim. Bole-me com qualquer coisa, a institucionalização da incerteza.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Wien, Berggasse / London, Maresfield Gardens
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Que Fazer Ao Que Nos Contam? (14)
- Então pega nos cacos - vamos ao Santo António.
Madame Alice estava visivelmente irritada. Regressara de Evian há menos de dois dias quando a criada de servir, adossada pela cozinheira, a criada de quarto e a mulher a dias, testemunhou o piparote juvenil no candeeiro Sèvres, durante o baile da menina. Nem o pó da porcelana sovada havia sido desperdiçado - havia que fazer prova. Agora, à porta daquele prédio velhíssimo e inconspícuo para os lados do Castelo, depois das voltas do chauffeur e dos silêncios da boa patroa, Lena subiria aquelas escadas estreitas rumo a uma divisão ampla, guiada por um homem de certa idade, sem traço distinto. Para seu espanto, as rimas de prateleiras justificavam o apodo: loiças, pratas e madeiras refeitas do quase nada, como novas. Duas semanas mais tarde, antes da canasta vezeira, enquanto subia a saia da mesa em bordado Madeira com alfinetes e camélias, o milagre era entregue. Como se houvesse nada.
E o que calçar
Agora foram as linhas sobre música e o que calçar. Ainda não tinha acabado de as ler, saem-se-me os dubliners das colunas do café, letra sacada ao Rushdie. Noutro dia foi o parágrafo do Conrad, o comandante a praguejar às escuras e a luz do comboio a ir abaixo por muitos segundos. Antes houve a menina do Sonho de Um Homem Ridículo a angustiar-me (muito) ao fim três dias, eu a virar a folha do jornal e a foto da Magnum com o abutre e o homem que a fotografou e não aguentou, não parou. Nem tento perceber o que isto quer dizer.
Lisboa, Rua Mário Botas
Olho para aqueles miúdos, envergonhados de contentes tanto o mal que agora é bem dizer das praxes, e lembro-me bem. Vêm cansados mas agora já se sabem os nomes, agora já têm uma história parva em comum. Rirão disto por pelo menos por três ou quatro anos, com sorte mais. Continuarão a registar com espanto, como agora (se bem que provavelmente ao jantar num sítio fixe, e não no comboio), aquele momento em que a nenhum escapou o rebolar de olhos de dois dos queques que combinavam a tarde seguinte na piscina, ao ouvi-los de Massamá. Com espanto e outra coisa qualquer, entre a indignação e o embaraço.
Isto Vive
Vodafónix novo - guardei os números, mas perdi todos os movimentos das últimas três semanas. Merde, alors.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Quatro Anos, Quatro Caminhos, 2
Uma das minhas palavras preferidas é sortilégio. Tê-la-ei ouvido a alguém querido não mais que meia dúzia de vezes, mas sempre em plena concordância com o seu sentido, olhos infantes em meio a uma história de vida - o que fez toda a diferença.
Quatro Anos, Quatro Caminhos, 1 : Mas Não Sou Tão Mais Criança/A Ponto de Saber/Tudo*
Sei que para os da outra banda do mar-oceano esta canção é insuportavelmente batida, mas sinceramente não quero saber, para mim ela é e será eu miúda e mais um bocado do mundo à mostra, em sotaque cantante. Obrigada ao cara que inadvertidamente (ou melhor, por via fraternal) me fez chegar a esta música, com quem não falo há anos (e que também andou pelos blogues).
*Quase Sem Querer ['Dois', 1986], Renato Russo/Eduardo 'Dado' Vila-Lobos/Renato Rocha/Marcelo Bonfá
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Fui a lado nenhum, v. low tech (pedido de desculpas em não muitos pixels)
O totem mais neurasténico que a indústria chinesa já produziu é meu meu meu, já o arremedo punny copiei-o de um sonho do Tony Soprano. Desculpem-me o atraso nos posts, e-mails, telefonemas, cartas e conversas em tarde-e-osso, as letras consomem-se-me quase todas nos dias e ainda me faltam, por isso eu pouco sobro. Ando só tão só tão cansada. Isto para dizer que não que me fui embora, não me vou embora. sábado, 30 de agosto de 2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Coisas Que Só a Mim Apoquentam LVII
Dos remates retóricos mais em voga nas últimas estações, o quem não percebe isto, não percebe nada é um dos meus preteridos. Tentar fechar um argumento à chave revela uma surpreendente insegurança nos méritos do mesmo, para além de uma vontade adolescente de inibir qualquer outro.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Epiqueia
A palavra que nomeia a capacidade de interpretar e defender o sentido de uma qualquer regra para lá da sua estrita letra, aprendi-a há não muito. Na moral cristã, a epiqueia é uma qualidade associada à virtude cardeal da justiça, opondo-se ao rigorismo e ao literalismo. Num primeiro instante pode parecer sinónima do banal bom senso, mas não o é. Nos dias que correm - e porque eles correm - não estou a ver predicado que exija maior discernimento e subtileza de espírito.
sábado, 16 de agosto de 2008
Questões Verdadeiramente Fracturantes
Coisa alguma contra sexo, coisa alguma contra a cidade. A questão é que as mulheres de Candace Bushnell provocam-me nada nada nada nada. Gostar de vestidos e rapazes não impede que todo aquele taylorismo afectivo nos revolva as tripas. Não, não vi o filme.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O Que o Século XX Nos Fez
Talvez a mais imperceptível cicatriz de novecentos seja esta extrema descrença na virtude. Estamos todos mais que predispostos a aceitar o mal na condição humana, fazemos livros e filmes e músicas sobre ele, de tão fascinante e misterioso que é. Já ante o seu contrário, ante uma acção absolutamente altruísta ou uma biografia exemplar, partimos do princípio que não, que ela não o pode ter sido, ou pelo menos não o pode ter sido tanto assim. Se um qualquer perfil de rectidão resiste à primeira inquirição, ou o remetemos para o domínio do anómalo, ou investimos mais a sério na procura da falha. De tanto a procurarmos acabaremos por dar com alguma, claro. E com ela nos comprazeremos, pacificados.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Zoonomástica
Nas últimas semanas apresentaram-me a Sara, o João e a Carolina. O João e a Sara, enfim, não sei bem dizer. Já a Carolina é inconfundivelmente Serra da Estrela.
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