a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

E o que calçar

Agora foram as linhas sobre música e o que calçar. Ainda não tinha acabado de as ler, saem-se-me os dubliners das colunas do café, letra sacada ao Rushdie. Noutro dia foi o parágrafo do Conrad, o comandante a praguejar às escuras e a luz do comboio a ir abaixo por muitos segundos. Antes houve a menina do Sonho de Um Homem Ridículo a angustiar-me (muito) ao fim três dias, eu a virar a folha do jornal e a foto da Magnum com o abutre e o homem que a fotografou e não aguentou, não parou. Nem tento perceber o que isto quer dizer.

Lisboa, Rua Mário Botas

Olho para aqueles miúdos, envergonhados de contentes tanto o mal que agora é bem dizer das praxes, e lembro-me bem. Vêm cansados mas agora já se sabem os nomes, agora já têm uma história parva em comum. Rirão disto por pelo menos por três ou quatro anos, com sorte mais. Continuarão a registar com espanto, como agora (se bem que provavelmente ao jantar num sítio fixe, e não no comboio), aquele momento em que a nenhum escapou o rebolar de olhos de dois dos queques que combinavam a tarde seguinte na piscina, ao ouvi-los de Massamá. Com espanto e outra coisa qualquer, entre a indignação e o embaraço.

Isto Vive

Vodafónix novo - guardei os números, mas perdi todos os movimentos das últimas três semanas. Merde, alors.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Quatro Anos, Quatro Caminhos, 2

Uma das minhas palavras preferidas é sortilégio. Tê-la-ei ouvido a alguém querido não mais que meia dúzia de vezes, mas sempre em plena concordância com o seu sentido, olhos infantes em meio a uma história de vida - o que fez toda a diferença.

Quatro Anos, Quatro Caminhos, 1 : Mas Não Sou Tão Mais Criança/A Ponto de Saber/Tudo*


Sei que para os da outra banda do mar-oceano esta canção é insuportavelmente batida, mas sinceramente não quero saber, para mim ela é e será eu miúda e mais um bocado do mundo à mostra, em sotaque cantante. Obrigada ao cara que inadvertidamente (ou melhor, por via fraternal) me fez chegar a esta música, com quem não falo há anos (e que também andou pelos blogues).
*Quase Sem Querer ['Dois', 1986], Renato Russo/Eduardo 'Dado' Vila-Lobos/Renato Rocha/Marcelo Bonfá

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Fui a lado nenhum, v. low tech (pedido de desculpas em não muitos pixels)

O totem mais neurasténico que a indústria chinesa já produziu é meu meu meu, já o arremedo punny copiei-o de um sonho do Tony Soprano. Desculpem-me o atraso nos posts, e-mails, telefonemas, cartas e conversas em tarde-e-osso, as letras consomem-se-me quase todas nos dias e ainda me faltam, por isso eu pouco sobro. Ando só tão só tão cansada. Isto para dizer que não que me fui embora, não me vou embora.

sábado, 30 de agosto de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LVII

Dos remates retóricos mais em voga nas últimas estações, o quem não percebe isto, não percebe nada é um dos meus preteridos. Tentar fechar um argumento à chave revela uma surpreendente insegurança nos méritos do mesmo, para além de uma vontade adolescente de inibir qualquer outro.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Epiqueia

A palavra que nomeia a capacidade de interpretar e defender o sentido de uma qualquer regra para lá da sua estrita letra, aprendi-a há não muito. Na moral cristã, a epiqueia é uma qualidade associada à virtude cardeal da justiça, opondo-se ao rigorismo e ao literalismo. Num primeiro instante pode parecer sinónima do banal bom senso, mas não o é. Nos dias que correm - e porque eles correm - não estou a ver predicado que exija maior discernimento e subtileza de espírito.

sábado, 16 de agosto de 2008

Sentimentos Ferrodiários #3

Questões Verdadeiramente Fracturantes

Coisa alguma contra sexo, coisa alguma contra a cidade. A questão é que as mulheres de Candace Bushnell provocam-me nada nada nada nada. Gostar de vestidos e rapazes não impede que todo aquele taylorismo afectivo nos revolva as tripas. Não, não vi o filme.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sentimentos Ferrodiários #1

O Que o Século XX Nos Fez

Talvez a mais imperceptível cicatriz de novecentos seja esta extrema descrença na virtude. Estamos todos mais que predispostos a aceitar o mal na condição humana, fazemos livros e filmes e músicas sobre ele, de tão fascinante e misterioso que é. Já ante o seu contrário, ante uma acção absolutamente altruísta ou uma biografia exemplar, partimos do princípio que não, que ela não o pode ter sido, ou pelo menos não o pode ter sido tanto assim. Se um qualquer perfil de rectidão resiste à primeira inquirição, ou o remetemos para o domínio do anómalo, ou investimos mais a sério na procura da falha. De tanto a procurarmos acabaremos por dar com alguma, claro. E com ela nos comprazeremos, pacificados.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Zoonomástica

Nas últimas semanas apresentaram-me a Sara, o João e a Carolina. O João e a Sara, enfim, não sei bem dizer. Já a Carolina é inconfundivelmente Serra da Estrela.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Feistville, Sesame Street



[versão indolor e abençoadamente silly de '1234' (The Reminder, 2007), encomendada a Leslie Feist para o primeiro episódio da 39ª temporada lá da rua, a estrear neste Agosto]

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O juízo dos órfãos

Os testemunhos de sobrevivência são os exempla do nosso tempo. Não há antena ou publicação que não ofereça em cadência diária uma ou mais histórias do género. Perturba-me que tantas vezes elas sejam contadas como estando fadadas pelas qualidades inerentes ao sobrevivente. Como se não houvesse um enorme grau de imponderabilidade em qualquer desastre, batalha, ciclone. À vista disto, penso quase sempre no que pensarão os que perderam quem lutou mas foi vencido pelas circunstâncias.

quando a televisão vazia nos acerta em cheio

Pior que zapear e dar com um caso da vida bizarro de tão semelhante a um acontecimento que nos foi próximo? Não conseguir não ver aquilo até ao final, previsivelmente feliz. Que na realidade não o foi.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Belas, Impasse dos Pinheiros Mansos

Podia ter sido no nosso só que não foi, foi no vosso turno. Correrá tudo bem, sim, mas o entretanto é difícil, como era de esperar. Custa saber-vos toldados pela falta que ele faz. Mas correrá tudo bem.