a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LVI

O calor faz quem está badocha sentir-se incrivelmente badocha.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Transbordo

Estação de Entre-Gentes

À entrada da rua com nome de flor está um marco postado pelo Senado de Lisboa. Vinca o termo da capital na qual os que agora e aqui passam fazem vida, sem vagar para atentar num traço antigo, que não se vê. Os que vão e vêm por este caminho que já não é real, ou pelo caminho férreo, os que cruzam bairros nascidos sobre searas e olivais, esses vivem agora e aqui outros traços. São gente que apanha o comboio em Queluz-Belas, ou em Agualva-Cacém, gente que não lamenta horário trabalhador-estudantil, gente que preferia não ir ao Hospital Amadora-Sintra, gente que troca de metro na Baixa-Chiado, que regressa demasiado depressa pelo IC-19, gente que não se entende no seu modo luso-afro-sino-russo-brasileiro. Gente na corda bamba da urbanidade - que faz cidade entre esta estação e a que se lhe seguirá.

[Não costumo republicar o que escrevo noutras paragens (no caso, um post-encomenda para o Corta-Fitas), mas esta composição cheia de traços foi feita em espírito de lugar. Por isso aqui fica.]

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Já que entramos no mês das quadras

, aqui fica esta de Pessoa:

O capilé é barato
E é fresco quando há calor.
Vou sonhar o teu retrato
Já que não tenho melhor.

É que pode não estar calor, mas finalmente bebi o meu primeiro capilé. Sempre há dias em que a discronia compensa.

domingo, 1 de junho de 2008

Da adultícia

É de manhã, dá-se pela luz esquiva, pelo vento forte. Sorri-se. Porque se vai poder despachar umas três máquinas de roupa.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Caldas da Rainha, Praça 25 de Abril

O Insónia, de Henrique Fialho, fez três anos há dias. Gosto muito de ali passar. Gosto daquela escrita prolixa, ao ritmo das demais coisas da vida. A ele, e também aos outros colaboradores, desejo muitas letras mais.

Across The Street

Sim, quase todos guardam os céus africanos ao som de John Barry. Eu guardo sobretudo este atravessar de rua. De This Property is Condemned a Random Hearts , passando por The Way We Were, Pollack filmou algumas das grandes contracenas amorosas (e nelas, de atacado, o constrangimento, o riso, a dureza, a esperança, o não-dito) de que tenho memória cinematográfica. See ya, Sidney.

domingo, 25 de maio de 2008

Coisas Que Que Só A Mim Apoquentam LV

O meu desgovernado acordar. Detenho o que deve ser um dos mais impressionantes palmarés em encontrões e esfoladelas em maçanetas de armários, esquinas de mesas, patilhas de estores. Meia-hora a pé e ainda assim entalanços em portas, gavetas. Roupa no balde do lixo, lixo no balde da roupa. Hoje queria só arejar o quarto rapidamente, mas consegui dar um piparote no PC e defenestrar o Paulo Teixeira Pinto. Vá-lá-vá-lá, que o portátil parece bem e a Única só ficou um bocado amassada.

sábado, 24 de maio de 2008

Wee Hours

Alegra-me esta chuva ligeira, batedora das primícias do calor.

Só há pouco percebi que

a banalidade é muito simplesmente uma invenção.

Senhores Passageiros

, daqui fala a chauffeuse: a carreira não tem andado à tabela, mas continua em trânsito. Intentaremos repor o serviço em mais briosos níveis de qualidade.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Queluz, Rua dos Lusíadas

[Fim de dia no supermercado. A juventude funcionária limpa as bancas refrigeradas.]

Rapagão-Assistente do Talho - Ai, que se minha mãezinha me visse de pano na mão vinha-me já buscar!

Rapagão-Chefe do Talho - Não estudaste, pois não? Atão aguenta-te, que...

Menina da Charcutaria - ...eu estudei e estou aqui à mesma!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O Blogger anda tão idiossincrático

Agora é isto dos posts agendados. Se antigamente podíamos aldrabar um pouco a hora dos posts, agora podemos programar a aldrabice. E isto dá cabo de um dos aspectos mais emocionantes da coisa - a certeza de que o autor acabou de passar por ali.

Lisboa, Rua Bartolomeu Dias

No fim-de-semana, muito leiga e entusiasmada, discutia a questão da repetição em Bausch. Na verdade não me interessava a repetição em si mesma, queria apenas regressar ao preciso episódio que envolvia bailarino e bailarina à beira da plateia e sem foco de luz, enquanto outros se desenvolviam no centro e fundo do palco. Frente a frente, em silêncio e quase hirtos, começavam por votar-se exclusiva atenção. Depois, um deles deixava o olhar deslizar noutra direcção, ao que o outro respondia com a mão direita, reconduzindo o rosto oposto a olhar o seu. E a situação repetia-se inversamente: o que havia conseguido a atenção alheia deixava agora o olhar deambular, obtendo a mesma resposta que havia dado. O movimento alternado de cada mão, inicialmente subtil, ganharia dureza, aproximando-se de uma coreografia bofetada, que cederia e regressaria ao início uma e outra vez. Custa a acreditar que um fiapo de dança diga tanto sobre o amor, digo eu.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Masurca Fogo

Ali está a Watling, duas ou três filas atrás do Grandinetti. Como não querer ver o que eles viram? Que interessa onde, ou quanto tempo depois?

Ana Bólica

Os primeiros racontos de mitologia grega que ouvi em miúda provocaram-me uma certa indignação. Não tinha como assimilar aquele cenário de volubilidade, manipulação, passionalidade e desmando entre deuses e homens - até aí só conhecia a narrativa bíblica, que apresentava mortais e imortais em coreografia bem mais hierática. Ainda hoje me exaspero ao tentar entender como pôde Ariadne ter expectativas tão exageradas em relação a Teseu, ou como conseguiu encontrar tão bom esposo em Dionísio.

Verificação de Palavras

Seduzem-me os exercícios criptográficos desde que sei ler. Uns dias fazem-me sentir burra, outros paranóica, outros capaz. As recentes alterações na verificação ortográfica do Blogger, porém, só me fazem sentir pitosga.

Ana Tomista

Não, o mundo não se divide entre os que falam e os que fazem. Para além dos que falam e não fazem e dos que não falam e fazem, há os que fazem e falam, os que falam e fazem, os que não fazem e não falam, e claro, os que não falam nem fazem.

domingo, 27 de abril de 2008

Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen


Gustav Mahler ainda não tinha chegado aos trinta anos quando compôs a primeira versão desta sinfonia em Ré Maior. Ao nada consensual e também muito germânico Christoph Eschenbach, vemo-lo aqui em plena condução da Orchestre de Paris. Curioso: só percebi realmente a crónica contida num post de há tempos, que me pareciam poucos, depois de ouvir este terceiro movimento.

sábado, 26 de abril de 2008

The Jezebel Spirit*

As mulheres são acometidas de fortes embirrações em relação a outras mulheres. Inveja, ciúme, insegurança, outra coisa primitiva ou simples senso comum? Não sei. Mais vale ter noção da afecção e cortar as vazas ao impulso insidioso, mesmo quando pretensamente inofensivo. Com os homens, se há equivalente fenómeno, desconheço-o. Aqui fica o exorcismo (borderline misógino, eu sei) de algumas implicâncias epidérmicas:

A escrita de Ana Anes.

A pose da jovem apresentadora do Rock in Rio.

A voz de Maria Emília Correia.
*D. Byrne/B. Eno, 1981.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Lisboa, Avenida António Augusto Aguiar

Um pensamento azulejante compunha-se há metros. Era ao modo de Resende, ou como nos filmes - forma, cor e relevo aguardando exame no juntar das peças.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A estação é a estação (Com Chuva ou Não)

Venho só declarar que aprovo o actual corte toureiro das calças de giro da Divisão de Segurança a Transportes Públicos.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Massamá, Rua Natália Correia

Não era Julho, eu só estava assim desde o São João e ela ainda andava nas festas com a banda. Entrou-me pelo quarto já muito vermelha, pensei que do calor ou do peso-pesado do acordeão, desconforme a ela, tão magra. Sentou-se, baixou a cabeça e chorou um choro longo. Não precisei de perguntar; li nos seus olhos roxos de azuis a vermelhos ter desistido de resistir ao outro rapaz. Perguntava-me que fazer agora, que dizer ao namorado. A mim, ali deitada, já enjoada de livros, de cãibras, de flores de cabeceira, da arrastadeira, dos chocolates, de olhar para o tecto e para os Jogos de Barcelona, sem saber ainda o que aí vinha. Não sei que disse. Sei que, por qualquer razão, o seu sofrimento me pareceu mais relevante que tal insensibilidade ao meu.

Aqui entre nós

, que ninguém nos ouve, fica coisa de inspirar guarda-cacifos. Para dias em que só Carly, mesmo.


terça-feira, 15 de abril de 2008

Homens IX

Capazes de arriscar humor no mais melindroso dos cenários, sabendo que o mais certo é a coisa correr mal.

História é nosso medo do Escuro

Do que conheço da bloga portuguesa e brasileira, mantenho a mesma impressão há anos: regra geral, somos todos uns transatlânticos bastante ensimesmados. Por isso não sei se estão a ver quem é a Fal*, assim de repente. Se disser que ela foi rapariga de Cidades Crónicas e há anos que oferece Drops, alguns de vós saberão. Gosto muito de lê-la. Não consigo descrever bem o seu registo: nenhum artifício, por vezes crueza, dias de coloquialismo e neologismo gargalhal, outros de classicismo em comoção. Entre uma coisa e outra, dei ontem com este post, tão mais que uma definição disciplinar. Outro não poderia vir mais ao encontro dos trabalhos e dos dias que são actualmente o meus. Obrigada, Fal (muita força para ti).

* alias Fábia Vitiello, alias Fal Azevedo, alias Fábia Vitiello de Azevedo Cardoso (n.1971), autora de Crônicas de Quase Amor e O Nome da Cousa.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Wee Hours

Um rumor colorido passa a acender as manhãs - passarada que folheia entre figueiras, sem cuidados.

sábado, 12 de abril de 2008

Reservoir Jim

O universo de Ballard atrai-me e repele-me na mesma medida - muito. Já em casa, metro e meio escapada à colisão em curso, resisto a admiti-lo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Que Fazer ao Que nos Contam? (12)

Vinte e dois dias foi quantos esteve na Conde Ferreira, nem mais um. Houve que guardar cabras em freguesia afastada, até poder com a roçadoura. Não entende por que lhe vem isto à tona. Clareia a garganta e a ideia, recompõe-se. O irmão chama-o; está pronto o corte da meia-peça de fazenda dada pela tia. Agradece, abraça-o, que venha por lá depois, ao tinto novo. Torna a casa. Amanhã mesmo cuidará da pele de coelho para os punhos e gola da menina. A mulher costurará o feitio nos próximos dias. Uma só cachopa entre cinco gaiatos. E está tão grande.

sábado, 5 de abril de 2008

We'll always have Rome

, New Canaan, New Jersey, L.A., quem sabe até cidades futuras, caso nos dê para tal adiante. Era só para dizer que tem sido muito bom poder-vos ler ao longo destes anos, em colóquio e solilóquio. Isto em jeito de desculpem-os-parabéns-tão-atrasados, estimados Luís e Carla.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ana Léxica

Esperava, com esta idade, saber muitas palavras. Mas cada vez consulto mais o dicionário.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Os posts dos outros

Gosto dos acabadinhos de publicar, apanhados numa actualização casual. Dos de título comprido. Dos que só à força de muito Google. Dos que aparecem e desaparecem. Dos três ou quatro de enfiada escondendo um importante. Dos com música ou fotos mesmo bonitas. Dos que acabam com uma ausência de muito tempo. Dos que dizem o que ia a dizer. Dos que dizem o que já disse. Dos que se fossem para mim, nem sei. Dos a horas quase certas. Dos com adenda na caixa de comentários. Dos que salvam sem querer. Dos tal e qual. Dos que nos querem convencer que são ficção.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Um difuso floral-estar

Sente-se por estes dias na sociedade portuguesa um floral-estar difuso, que alastra e mina a desesperança essencial ao pessimismo nacional. Um escândalo, a primavera persistir nestas tomadas de posição.

terça-feira, 25 de março de 2008

Amadora, Avenida Gago Coutinho

Foi o primeiro filme de crescidos que nos deixaram ver. Sim, já nos tinham levado ao Amoreiras a ver uma comédia com o Eddie Murphy que me meteu medo porque tinha maus, e eu não estava à espera que tivesse, mas esse não contou. Naquele dia este era o único em cartaz, por isso fomos, e os pais aproveitaram para ir comprar não sei quê. Sabia lá a gente que a língua daquela canção existia, que haverias de fazer amigos dos dois lados da vedação, que aquela cidade passaria a dizer-nos um pouco de respeito. Mas gostámos muito, e falámos do que não tínhamos percebido durante vários dias. Passaram vinte anos, acreditas?

quinta-feira, 20 de março de 2008

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LIV

Telejornais em longa-metragem. Peças de quarto de hora sobre o mau tempo ( tudo o que não sejam vinte e dois graus de céu limpo). Jornalistas empeçando peões com questões sobre o efeito da chuva nos planos de fim-de-semana.

São Francisco de Sales nos poupe ao infotenimento.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Lisboa, Rua Professor Francisco Lucas Pires

Sol que estava, nem era preciso alcançar a esquina para começar a sentir o jasmim. Agora chuva. Vai nada temporã, a estação.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Do domínio da língua

Depois de todo aquele tempo ali estão, entre sorrisos e temores sincopados. O mesmo desejo de ouvir, maior dificuldade em dizer.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Lisboa, Avenida Professor Gama Pinto

Vinte e um anos e a vontade de arriscar a primeira rejeição. Tarde, talvez. Que fora um texto muito discutido pela Direcção, mas que não. Tudo num humilhante tom de compadecimento. Uma revista de faculdade com algumas pérolas e bastante porcaria não aceitava o conto mediano, pensava, enquanto sentia o refluxo de desilusão.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ana Crónica Redux

A fábrica das bolachas está desde ontem que parece a ponte de comando da USS Enterprise (pessoa passa torniquete, pessoa senta-se no terminal, faz login, escolhe lugar e pede livros num ápice de clicadelas). Em contraste, tenho a conta de google com e-mails em atraso e o meu telemóvel está sem funcionar há quase dois dias (a menina Vodafone foi simpática, mas disse-me que não tinha ali à venda baterias para modelos nokia com mais de ano e meio, remetendo-me para o indiano do bairro. Au.) Espero poder voltar a comunicar com alguma normalidade até amanhã ao final do dia. Aqui a autista pede sinceras desculpas a quem está por levar resposta.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Barreiro, Avenida do Bocage

Um dia tirei do quarto daquele primo dois pequenos blocos de notas. Estavam guardados debaixo da cama, numa caixa com à vontade uma dúzia. Já não lembro por que haveria ele de não estar, e não percebo o que fariam ali aquelas folhas perfumadas, tão de menina, num sítio assim meio escondido. Encontrei-as depois de brincarmos ao quarto escuro. Não sei como escondi o par de caderninhos. Seriam prenda para a irmã, quase de certeza. As nossas visitas não eram muito habituais, e tirando o tio, amigo a sério, nenhum dos outros nos recebia com prazer. Éramos os que não eram ricos na família, e para aqueles, felizmente só para aqueles, isso parecia importar. Acho que não dormi. A culpa começou logo a lavrar. Sabia que era roubo, ainda por cima a quem não nos queria. Escondi os blocos na segunda gaveta por um tempo, depois não consegui aguentar. Levei-os para a escola e dei-os a duas das minhas três amigas. À outra, para que não achasse que gostava menos dela, dei um em forma e cheiro de morango, acabado de receber da minha mãe. Tinha seis anos.
De então a agora tem sido o mesmo - por mau feito, continua a não haver alívio no prejuízo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Puro Pássaro

Interpelar é bem mais que evocar. Henrique Fialho fá-lo a propósito de Ruy Belo, em Uma Aldeia Que Não Existe, trinta anos depois.

Coisas que Só A Mim Apoquentam LIII

Não sei de qual dos covers litúrgicos gosto mais, se do Saber que virás/Blowin' in the Wind (Bob Dylan), se do Não Levo Alforge/The Last Supper (Andrew Lloyd Webber). Soa piroso, mas intuo nestas retroversões pop-profanas um certo sentido.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Metro, Sete Rios

Cruzo-me com a mulher de um dos homens do bairro que esperavam a hora de jantar dentro do carro. Continua elegante, usa o mesmo corte curto. Passa e não dá por mim, ou faz que não. Já não mora na rua sem saída onde brincávamos até ao fim da tarde, quando quase todas as sirumbas eram interrompidas por fiats e datsuns a chegar. Não percebíamos, mas também não estranhávamos aquele e outros vizinhos estacionados à porta dos prédios, adiando o tempo de entrarem em casa. Era costume. Desligavam o motor, deixavam-se estar, fumavam cigarros, organizavam papéis, ajustavam a frequência de rádio, dormitavam. Agora sei que dentre eles havia os que queriam estar aquele bocado consigo mesmos, pela primeira e última vez no dia. Como havia os que simplesmente não queriam voltar para quem os esperava.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

À Dúzia

Afinal já me tinham passado a palavra por causa da palavras, e eu armada em queixinhas; cá fica o link para umas quantas. E tu, tens uma dúzia de palavras que mais gostes?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O Branco e o Negro

Nunca pintei o cabelo. Por mais ou menos que o corte, que o penteie, deixo a cor como está, gosto tanto dela. Tenho deixado, digo. Começa-se-me a fugir.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

They don't want to listen to the Artic Monkeys, they want some Stichelton



Noutro dia, vendo a repetição de um pesadíssimo Panorama BBC sobre produção, tráfico e combate à cocaína, perguntei-me de onde conheceria aquele jornalista despenteado com certo ar de estrela rock que às tantas, antes de uma entrevista com o presidente Álvaro Uribe, lhe oferece um queijo. Pois: o jornalista não era jornalista, era Alex James, baixista dos Blur entretanto retirado para Oxforshire. James entusiasmou-se com a vida no campo e, tendo por vizinha Juliet Harbutt, decidiu algures em 2006 produzir o seu próprio queijo, baptizado Little Wallop. O início da aventura ficou documentado na plataforma do Guardian. Os oito episódios da podcast-série The Cheese Diaries também já estão no Youtube, claro, e este aqui de cima é o segundo. Uma pessoa tem de pedir consulta de urgência à nutricionista para não atacar o frigorífico e a garrafeira a seguir, aviso já. Aqui está a coisa mais divertida que vi nos últimos tempos.

Adenda: a Sara também viu a reportagem.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Lisboa, Rua Cordeiro de Sousa

À entrada, debaixo do cartaz alençolado que gaba a serôdia reabertura da estação, rapaz e rapariga discutem em voz esforçadamente baixa. Quem sobe as escadas não pode não ver aqueles dois perfis tensos, imóveis, alheios a tudo em roda, como não pode distinguir um fim de um começo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Português Partido XII

Ser desta idade é saber os lugares quase só dos banhos, quase só do Verão. Atrás da barqueira vejo a margem precisa desse escapar ao sequíssimo calor da serrania, e demoro-me nela. Mas a mole lembrança do entrar na água é quebrada pela voz da mulher que conta e se conta, da mulher que fez do tempo em que partiu e arriscou lema para quem o quiser, da mulher que transporta agora esta incrível palavra:

- Se a gente quer viver, se a gente quer mais do que o que tem, tem de se

afuturar, v. refl. (do Lat. futuru) 1. lançar-se ao futuro. 2. aventurar-se. 3. fazer acontecer.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Wee Hours

Ainda há quem escreva como quem ateia medeiros em Julho, e isso espanta-me, e deixa-me feliz.

É impressão minha

, ou as coisas más nunca soam suficientemente mal em inglês? A dureza, a crueldade ou a badalhoquice são muito mais ribombantes em italiano ou em português. Isto a propósito de waterboarding. Não teriam os anglos para lá uns fonemas e semantemas mais guturais, pastosos e desqualificantes, qualquer coisa que não gerasse uma palavra que soa a desporto de praia?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Queluz, Rua Óscar Monteiro Torres

Entra-se na dependência e tira-se a senha. Encostam-se os bons modos a uma parede ou cadeira, os quais demoram sessenta a noventa minutos a expirar, consoante. Espera-se. Procura-se a vez num quadro moderno. Que ironia. Espera-se mais. Que tudo se trata, dizem os três funcionários com menos de três horas para trezentos utentes. A vez lá chega. Depois sai-se, dobra-se a esquina - não a exasperação.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Acresce ao intrinsecamente deprimente

panorama geral carnavaluso a máscara pré-confeccionada. Pior que o eterno retorno do pierrot, da espanholita, do cowboy e do macho-matrafona (esse mesmo, o bêbado de collant rasgada e perna peluda, peruca loira-lixívia, bâton no bigode, saia de napa e malinha a dar a dar), é esta adesão progressiva dos pais à compra da fatiota infantil integral, horrivelmente standardizada, mal feita - chata. Coitados destes putos, enfiados em fantasias sem fantasia nenhuma.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Onde se lê 356, leia-se 60


Alguns mais eruditos reconhecerão Annie Clark, alias St. Vincent, das andanças com os Polyphonic Spree ou com Sufjan Stevens. Espero que arrebanhe os Plugs todos para que foi nomeada. Gosto tanto deste Jesus saves, I spend que nem consigo falar sobre o caso. Explicar porquê demoraria. A leitura mais óbvia é dedicada aos amigos com quem tive a felicidade de crescer naquele divertido (e complicado e excitante e duro e imensamente livre) ensaio da vida que afinal já valia. Aos que ainda calcorreiam com os que vieram depois de nós o Portugal dos bons-dias entre desconhecidos, um abraço acanhotado. Sleeping Bag Escapes para todos.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Publicidade no QC



, só mesmo a pretexto de ver o Wes Anderson *suspiro* andar de um lado para o outro. O que este homem e a sua filmografia têm agravado o meu fraco por narigudos, não vos digo nem vos conto.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Coisas que Só a Mim Apoquentam LII

Que quase toda a gente diga Cristiano Ró-naldo. Como se ele fosse parente do Pato Dó-nalde.

Massamá, Rua Coronel Melo Antunes

Se tivesse arte, escrevia qualquer coisa bonita sobre estar aqui na fila a fazer de conta que leio a bula dos emplastros quando na verdade estou (digo, estamos, eu e a Annie Lennox) a topar estes senhores que lavam o lugar onde pensam e trauteiam e praguejam com um amor minucioso.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Só mais um bocadinho mais ou menos sobre cinema

, para dizer que, depois de Paul Newman e Joan Woodward, o meu par preferido de Hollywood é composto por estes senhores. Os primeiros farão cinquenta anos de casados dentro de uns dias, os segundos farão vinte anos dentro de uns meses. De Hollywood é como quem diz - coincidência ou nada disso, nem uns nem outros lá moram.

[Foto: NYT]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Coisas que só a mim apoquentam LI

Keira Knightley. Não sei se sei explicar: há casos de beleza sem mácula que encandeiam um talento em formação; este pode ser um. Mas por enquanto tudo nela é, apenas, ela mesma: o sorriso dentado, a altivez bailarina. Keira nunca se transfigura.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Prayer Booth

Quem se lembrou de fazer esta associação entre um dos enigmáticos objectos Eno/U2 e a surpreendentemente crível primeira longa de George Lucas andou mais que bem. Um nexo exacto, cheio de tempo de permeio.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Que Fazer Ao Que Nos Contam? (11)

Tinha dois deveres. Varrer a casa e cozer as batatas. Tão pequena era que a vassoura, feita de mato e arame, só a conseguia suster com as duas mãos. Lembra isto e o pouco tempo para brincadeiras, agora que se despede do último membro de geração anterior à sua. Se a vida fosse por ordem de partidas e chegadas, teria concordado com aquele seu

- , a seguir estamos nós

mas não é.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Graças a Deus

, isto de sermos óbvios aos olhos dos que gostam de nós há muito tempo.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Wee Hours [do sangue]

No mesmo dia, uma carta de agradecimento com a data prevista para a próxima doação e a notícia do desaparecimento de alguém da minha idade, por interdito religioso. Estranho mundo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Portaborse

Eram as pastas que não batiam certo. Naquelas mulheres faria sentido a mala, eventualmente acompanhada do saco de loja com o casaco de malha, a revista e a água. Das três, só uma parecia não estranhar o acessório. A mesma que, meio-esvaziada a carruagem, não chumbou formadores, módulos, regulamentos de assiduidade e datas de pagamento. A única a querer novas oportunidades?

A sinceridade sempre me despregou as bandeiras

- Pareces a Katie Holmes com mais vinte quilos.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Como sabem, o que eu gosto é de andar de comboio

É mesmo isto, todos os dias. Mentirinha. Mas se repararem, até há um Destak poisado num banco, lá pelo 1'30'', passo o product placement. E o SG da bateria é dedicado aos fumadores muito ocasionais que, como moi, dias antes de vigorar a Lei do Fumo, já andavam a ser tripudiados pelas funcionárias ressentidas das cafetarias deste país como se as tivessem intoxicado a vida toda. É sempre pedagógico, calçar por engano os sapatos de uma minoria. Enfim, era só para agradecer ao senhor Edward Kennedy Ellington a banda sonora dos meus últimos tempos, com especial favor para o In a Blue Summer Garden.

Da Vida em Flor Adiante

Pelos dias de Natal passou na televisão Warthon por Scorsese. Já não me lembrava. Não da intensidade em toda aquela contenção, da surpresa e receio e euforia inscritos num mundo em mudança, da violenta coreografia da normalidade. Quantos souberam, como aqui, filmar o dito e o que não se diz?

Quadros da Quadra

A mãe que, inquirida sobre o paradeiro do pai natal dançante habitualmente especado à entrada do café, o declara preso por incumprimento de volta ao mundo em presentes. A compradora que, indignada com os perpétuos predicados apontados pela menina da loja ao casaco em análise, declara querer coisa alguma para toda a vida.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Patinagem Artística

2007 não me foi bom. Escorreguei, caí, levantei-me, escorreguei, caí, etc. Estraguei o maillot, esqueci quase todos os elementos técnicos, queimei-me no gelo, falhei a coreografia, lesionei-me, fui penalizada, sorri forçado aos juízes. Seja bem-vindo 2008. Venha esse tudo por resolver.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natividade

Olho a filha da que ganhou o nome ao dia. Olho-a e lembro essa outra mulher pequena, meiga, poupada no falar. Ofereço o dia por elas, que me ensinaram a oferecer o dia.



[Feliz Natal]

sábado, 22 de dezembro de 2007

O.K.

, o banner voltou ao lugar.Tudo como dantes, palha de Abrantes.



Já não falava de doces para aí há uns dois posts.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Mas mas mas

, será que foi a histeria popotómico-onomatopeica que assustou o banner? Já nem o meu próprio frontispício me tem respeitinho?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Nestes dias de cansaço apetece-me abordar o meu semelhante, desabafar, dizer coisas importantes, como:

Po-po-po-po-po-po-po-po-po-o-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-
po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po, Po-po-ta.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam L

É claro que a gente não percebe porque não sabe, não faz ideia, não os conhece. Mas assim em abstracto, e cingindo-nos ao palmarés filo[semi-endo]-semita, um Enthoven, outro Enthoven, anos antes um Klarsfeld (um Klarsfeld), e depois, Nicolas é que é? Mas lá está, a gente não os conhece, o que é que a gente sabe?

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

É que nem um sonhito

Quando por esta altura do ano ando com a língua de fora costumo vingar-me na pastelaria festiva. Dada a iminência do duplo queixo, este ano não há cá rabanadas, filhozes, azevias, fatias de tronco natalício cheias de lascas fininhas de chocolate com 90% de cacau. Com excepção do período compreendido entre as 18:00h e as 00:00h dos dias 24 e 25 do corrente. Sei que as pessoas normais só nesse período se lhes dedicam, mas por favor, a minha família é da Beira. Agora que me falha este mecanismo de compensação, ando um bocado irritadiça. Tentando melhorar a disposição, obrigo-me entre outras coisas a uma injecção de rádio aleatória. E não é que por causa disto, com um ano de atraso, na improvável Renascença, dou com um sacaníssima Billy Idol a brincar ao Billy Mack? São Nicolau é que é.

[Antes da Ordem dos Dias]

[A quem me e-escreveu na última semana e não obteve resposta, peço desculpa. Tive de alterar contas e fazer reencaminhamentos, e pelo caminho atrapalhei-me. Darei conta do expediente hoje e amanhã.]

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A atenção é a forma mais simples de generosidade

Não me lembro se costumo fazer lista de melhores do ano. Se costumo, agora não quero. O que quero é deixar rasto para aqui. Penso que o tríptico é do discreto e atento Pedro, do Posto de Escuta. A gente vê e lê e ouve, e passa por nós o filme de um certo blogar. Lá estão o Euro, os incêndios, Marte, a neve. Três anos. Três anos, bolas.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Wee Hours

Por regra faço bem de conta que já estou como estava, mas ainda acontece trancar-me do lado de fora do dia.

domingo, 9 de dezembro de 2007

O pão aos bocados

Na minha casa diz-se prendas, não se diz presentes. Se o Fernão Mendes Pinto dizia, nós também podemos dizer. Continuando. Que vão as coisas para pior, toca a cortar nas prendas, agora são só para as crianças, e, e. Porquê? Porque há menos dinheiro já não se parte o pão aos bocados? Todos contados, os meus avós tiveram três mãos de filhos. Fortuna, só essa. Podia ser um ínfimo lencinho, uma pagela, uma farinheira, mas ninguém ficava sem Natal.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Soprano Talk: Last Round (8)

Tony gasta todos os cartuchos patrióticos: o agente Harris faz-se caro, mas lá no fundo é da torcida de Jersey. Janice sofre, depois recompõe-se à velocidade de uma Soprano. Junior não sabe de que terra é. AJ e Meadow procuram saber. Phil estica a corda, e a corda parte: ali não manda a lei da selva, manda a lei do menor esforço, por isso as famiglie entendem-se. Tony respira. Está decidido, o jantar é no Holsten's. Depois de chegarem todos, eu escolho que a porta daquele WC se abre e o tiro leva Tony de imediato. A ceia só é última para ele - mulheres e filhos são contrários às regras. A rapariga do casal que está sentado atrás também fica ferida, mas sobrevive. Poucos dias depois AJ, em noite branca no Bing, salva o gato das mãos do Paulie e leva-o dali. Silvio sobrevive ao coma e toma as rédeas de Jersey por sete anos; não sobrevive é ao sobrinho do Paulie, que acaba por lhe tomar o lugar. O negócio muda lentamente. Um bocado menos de extorsão, um bocado mais de corrupção. Meadow acaba Direito quando Patrick passa a associado. Não demora a saber ainda mais do que já sabia sobre o pai. Desconta na mãe. Desconfia, com razão, que o seu marido está a ser cooptado. AJ abre no lugar do extinto Bing a sua própria produtora, a Staring Cat. Carmela não vai mal com as casas. Está a pensar em telefonar a Furio.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Amadora, Rua Gil Vicente

Por dentro, pela estrada velha, ainda é quase sempre em frente. Já mal reconheço o que está. Desta vez penduraram bolas vermelhas muito vermelhas, o jardim é uma câmara escura, revela a custo atrelados de prendas e de farturas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Tempo

At once a voice arose among
The bleak twigs overhead
In a full-hearted evensong
Of joy illimited;
An aged thrush, frail, gaunt, and small,
In blast-beruffled plume,
Had chosen thus to fling his soul
Upon the growing gloom.
[Thomas Hardy, de The Darkling Thrush, Dezembro de 1900]


Há esta angústia no tempo que não passa devagar, nunca. Para mim nunca. O viver no permanente embaraço de correr atrás de tudo, o esforço para acertar o passo por ti. Preciso de mais tempo, preciso sempre de mais tempo, de fazer por que tudo não fuja tão depressa. Mas há a luz de estarmos, e não sei como agradecer.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Saltério

Ali estava aquela pessoa a pedir ciência para entender o outro e força para dele deixar de se defender.

Gymnasylum (6)

E depois, impresso no canto superior direito, aquele damocleciano


Aparentemente saudável

Gymnasylum (5)

No ginásio por todos os sócios menos eu designado academia descambámos doce e consentidamente para o totalitarismo. O controlo magnético da frequência foi há uns meses complementado pela aferição trimestral dos resultados cada indivíduo, que passou agora a implicar o preenchimento obrigatório de uma tabela a cada treino, na qual se têm de especificar aparelhos, tempo e calorias transpirados. O mais escandaloso é que todo este condicionamento, protagonizado com sorrisos incompreensivelmente sinceros pelos controleiros treinadores de serviço, até resulta. Não sei se aguento tanta produtividade. Ninguém sai dali relaxado, só com o sentimento de dever cumprido. Ora, se isto é um estaminé com pinta, mas cá do bairro, num health club de Manhattan, como é? Anda tudo de microchip subcutâneo?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Soprano Talk: Last Round (5, 6, 7)

De facto, o amianto faz mesmo mal à saúde. Assim se acaba a estação de guerra fria entre as duas bandas da ponte George Washington. Phil Leotardo decreta a poda do ramo de Jersey. Tony nem precisa do aviso-cabeças, o que aí vem está à vista. Snip, lá vai Bobby. Carmela assusta-se pela primeira vez com o que para Rosie Aprile é déjà-vu. Snip, lá vai Silvio. AJ, ainda em águas frustradas, mal reage. Que coscuvilheiro saiu o doutor Bogdanovich. E a doutora Melfi, que raio de timing. Ter que ouvir da boca de um gangster que um fim da terapia assim é imoral, e saber que ele tem razão. Paulie e Walden Belfiore escoltam o acossado a novo poiso. Será no Álamo?

sábado, 24 de novembro de 2007

Os Miúdos ainda aprendem a Terra Fria e a Terra Quente?

Acho que ainda não falámos de iogurtes. Gosto daqueles Puro Danone Mel e Nozes da Terra Quente, que trazem no selo (na tampa?) mensagens desrepressoras, como se diz no Yoga. Ao tempo que não pensava no Yoga. Ainda há bocado lambi um Olha, olha, as flores andam! Caiu-me bem.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Adivinhem lá com quem gostava de me parecer

Não sei o que a Swarovski pretendia, mas o cristal foi de somenos. Então põem a Alicia Keys, artista por direito próprio, girl power em pessoa, hino à miscigenação, redenção do quadril do seu género, , e esperam que alguém olhe para as branquinhas e magrelhas que por ali vão a desfilar não sei quê?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Wee Hours

Durmo o mesmo mas sonho menos. Que falta me faz a guarnição ao descanso.

He's Supposed To Be Old, Like, 26

Para além de ser um belo film noir, 'Brick' fica-me na memória como o primeiro grande filme que vi protagonizado pela geração de oitenta.

Dos livros

Os calhamaços sempre me custaram. Primeiro a abrir, depois a fechar. Lembro-me bem de quando dez páginas eram coisa cansativa, difícil de ler, de quando a falta de ilustrações impedia a recriação do descrito, de quando boa parte das palavras implicava dicionário. Ganho esse lastro, o quê tornou-se outro, o do apego. Apercebi-me com os Karamazov. Tantas páginas, tantos dias, e depois ter de os deixar.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Cartas da Guerra

A ternura desesperada de cada uma comove à mudez. Como se todas fossem a última.

Coisas Que só a Mim Apoquentam XLIX

Apetece-me palmatoar-me por desconfiar que se Juan Carlos Borbón fosse um chefe de Estado eleito talvez tivesse dispensado a Hugo Chávez um usted.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A Música

Um concerto não sai assim tão barato, a não ser que alguém porreiro nos franqueie a entrada. Daí que não compreenda que boa parte da malta do bilhete em riste chegue e se ponha a trocar sms e chamadas, a berrar aos amigos, a entrar e sair do recinto, a trocar mais uns smszinhos, a entrar e sair outra vez. Não sei se é fartura de entretenimento, carência de maneiras ou hiperactividade. Mas acho que há qualquer coisa profundamente triste na incapacidade de fruir a música e o seu silêncio. Acresce que este tipo de achares me faz sentir mal, desfasada - receio misantropite em primeiro estágio.

A Boca dos Outros - Tommy Barban & Nicole Divers

'You know, you're a little complicated after all.' 'Oh no,' she assured him hastily, 'No, I'm not really--I'm just a--I'm just a whole lot of different simple people.'

F. Scott Fitzgerald, Tender Is The Night, 1934.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Um Comboio

Não sei se há conceito que me interpele tanto quanto o de erro humano. Noutro dia, em busca de definições, dei com a sinopse de uma peça homónima, feita de gente à espera de um comboio. Parece que só foi levada à cena entre Queluz e Massamá. Podia estar a inventar isto. Mas não.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Postelex

A focaccia do Luca é bem o que dizem dela. O Paul Banks está tão magrinho. Comprei o meu primeiro audio-livro. Amanhã parece que há letras, música e empadas empaduças.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Wee Hours

Recuso-me a descrer em segundas e terceiras e quartas e quintas e sextas e sétimas hipóteses.

Soprano Talk: Last Round (4)

O melhor episódio desta temporada, até à data. Um dos melhores de que me lembro. Four more to go. Se me perguntarem sobre o que foi, digo que foi sobre 'a massa do sangue'. Christopher faz a genealogia das suas compulsões, Tony rejeita-a, não quer atribuir aos genes o desgosto de AJ. Mas atribui. A Drª. Melfi não o contradiz. Chris em crescendo de ressentimento. Um JT previamente sovado, intimidado e plagiado tem a triste ideia de lhe dizer verdades. Não dirá mais.

domingo, 4 de novembro de 2007

Adiliana

A bebida de que mais gosto a seguir ao chá é o vinho. Está empatada com o leite e o sumo de laranja. Bebidas brancas, só água. A água não aquece os pés. Quando me olham de lado digo que que foi o médico que mandou, que tenho síndroma de Reynaud. E é verdade, mandou. Os homens não olham tão de lado como as senhoras. Fico tinta quando me olham de lado essas senhoras que não são nada senhoras.

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XLVIII

Se uma pessoa é sacerdote, preside à eucaristia; se uma pessoa é leiga, faz parte da assembleia, ministra a comunhão, lê. Não bichana a missa toda de cor. Não faz voice-over ao celebrante. Isto não é um concurso, não é uma récita, não é uma sessão de mantras. Que nervos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Pôr-do-dia feio no subúrbio

Pancadaria conjugal em pleno apeadeiro. Lixo arrastado pelo vento. Meia hora sem metro. Caca de cão. Mais caca de cão. Rapaziada charrada aos urros de Halloween.