Sim, quase todos guardam os céus africanos ao som de John Barry. Eu guardo sobretudo este atravessar de rua. De This Property is Condemned a Random Hearts , passando por The Way We Were, Pollack filmou algumas das grandes contracenas amorosas (e nelas, de atacado, o constrangimento, o riso, a dureza, a esperança, o não-dito) de que tenho memória cinematográfica. See ya, Sidney.
terça-feira, 27 de maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
Coisas Que Que Só A Mim Apoquentam LV
O meu desgovernado acordar. Detenho o que deve ser um dos mais impressionantes palmarés em encontrões e esfoladelas em maçanetas de armários, esquinas de mesas, patilhas de estores. Meia-hora a pé e ainda assim entalanços em portas, gavetas. Roupa no balde do lixo, lixo no balde da roupa. Hoje queria só arejar o quarto rapidamente, mas consegui dar um piparote no PC e defenestrar o Paulo Teixeira Pinto. Vá-lá-vá-lá, que o portátil parece bem e a Única só ficou um bocado amassada.
sábado, 24 de maio de 2008
Senhores Passageiros
, daqui fala a chauffeuse: a carreira não tem andado à tabela, mas continua em trânsito. Intentaremos repor o serviço em mais briosos níveis de qualidade.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Queluz, Rua dos Lusíadas
[Fim de dia no supermercado. A juventude funcionária limpa as bancas refrigeradas.]
Rapagão-Assistente do Talho - Ai, que se minha mãezinha me visse de pano na mão vinha-me já buscar!
Rapagão-Chefe do Talho - Não estudaste, pois não? Atão aguenta-te, que...
Menina da Charcutaria - ...eu estudei e estou aqui à mesma!
Rapagão-Chefe do Talho - Não estudaste, pois não? Atão aguenta-te, que...
Menina da Charcutaria - ...eu estudei e estou aqui à mesma!
segunda-feira, 12 de maio de 2008
O Blogger anda tão idiossincrático
Agora é isto dos posts agendados. Se antigamente podíamos aldrabar um pouco a hora dos posts, agora podemos programar a aldrabice. E isto dá cabo de um dos aspectos mais emocionantes da coisa - a certeza de que o autor acabou de passar por ali.
Lisboa, Rua Bartolomeu Dias
No fim-de-semana, muito leiga e entusiasmada, discutia a questão da repetição em Bausch. Na verdade não me interessava a repetição em si mesma, queria apenas regressar ao preciso episódio que envolvia bailarino e bailarina à beira da plateia e sem foco de luz, enquanto outros se desenvolviam no centro e fundo do palco. Frente a frente, em silêncio e quase hirtos, começavam por votar-se exclusiva atenção. Depois, um deles deixava o olhar deslizar noutra direcção, ao que o outro respondia com a mão direita, reconduzindo o rosto oposto a olhar o seu. E a situação repetia-se inversamente: o que havia conseguido a atenção alheia deixava agora o olhar deambular, obtendo a mesma resposta que havia dado. O movimento alternado de cada mão, inicialmente subtil, ganharia dureza, aproximando-se de uma coreografia bofetada, que cederia e regressaria ao início uma e outra vez. Custa a acreditar que um fiapo de dança diga tanto sobre o amor, digo eu.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Masurca Fogo
Ali está a Watling, duas ou três filas atrás do Grandinetti. Como não querer ver o que eles viram? Que interessa onde, ou quanto tempo depois?
Ana Bólica
Os primeiros racontos de mitologia grega que ouvi em miúda provocaram-me uma certa indignação. Não tinha como assimilar aquele cenário de volubilidade, manipulação, passionalidade e desmando entre deuses e homens - até aí só conhecia a narrativa bíblica, que apresentava mortais e imortais em coreografia bem mais hierática. Ainda hoje me exaspero ao tentar entender como pôde Ariadne ter expectativas tão exageradas em relação a Teseu, ou como conseguiu encontrar tão bom esposo em Dionísio.
Verificação de Palavras
Seduzem-me os exercícios criptográficos desde que sei ler. Uns dias fazem-me sentir burra, outros paranóica, outros capaz. As recentes alterações na verificação ortográfica do Blogger, porém, só me fazem sentir pitosga.
Ana Tomista
Não, o mundo não se divide entre os que falam e os que fazem. Para além dos que falam e não fazem e dos que não falam e fazem, há os que fazem e falam, os que falam e fazem, os que não fazem e não falam, e claro, os que não falam nem fazem.
domingo, 27 de abril de 2008
Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen
Gustav Mahler ainda não tinha chegado aos trinta anos quando compôs a primeira versão desta sinfonia em Ré Maior. Ao nada consensual e também muito germânico Christoph Eschenbach, vemo-lo aqui em plena condução da Orchestre de Paris. Curioso: só percebi realmente a crónica contida num post de há tempos, que me pareciam poucos, depois de ouvir este terceiro movimento.
sábado, 26 de abril de 2008
The Jezebel Spirit*
As mulheres são acometidas de fortes embirrações em relação a outras mulheres. Inveja, ciúme, insegurança, outra coisa primitiva ou simples senso comum? Não sei. Mais vale ter noção da afecção e cortar as vazas ao impulso insidioso, mesmo quando pretensamente inofensivo. Com os homens, se há equivalente fenómeno, desconheço-o. Aqui fica o exorcismo (borderline misógino, eu sei) de algumas implicâncias epidérmicas:
A escrita de Ana Anes.
A pose da jovem apresentadora do Rock in Rio.
A escrita de Ana Anes.
A pose da jovem apresentadora do Rock in Rio.
A voz de Maria Emília Correia.
*D. Byrne/B. Eno, 1981.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Lisboa, Avenida António Augusto Aguiar
Um pensamento azulejante compunha-se há metros. Era ao modo de Resende, ou como nos filmes - forma, cor e relevo aguardando exame no juntar das peças.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
A estação é a estação (Com Chuva ou Não)
Venho só declarar que aprovo o actual corte toureiro das calças de giro da Divisão de Segurança a Transportes Públicos.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Massamá, Rua Natália Correia
Não era Julho, eu só estava assim desde o São João e ela ainda andava nas festas com a banda. Entrou-me pelo quarto já muito vermelha, pensei que do calor ou do peso-pesado do acordeão, desconforme a ela, tão magra. Sentou-se, baixou a cabeça e chorou um choro longo. Não precisei de perguntar; li nos seus olhos roxos de azuis a vermelhos ter desistido de resistir ao outro rapaz. Perguntava-me que fazer agora, que dizer ao namorado. A mim, ali deitada, já enjoada de livros, de cãibras, de flores de cabeceira, da arrastadeira, dos chocolates, de olhar para o tecto e para os Jogos de Barcelona, sem saber ainda o que aí vinha. Não sei que disse. Sei que, por qualquer razão, o seu sofrimento me pareceu mais relevante que tal insensibilidade ao meu.
Aqui entre nós
, que ninguém nos ouve, fica coisa de inspirar guarda-cacifos. Para dias em que só Carly, mesmo.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Homens IX
Capazes de arriscar humor no mais melindroso dos cenários, sabendo que o mais certo é a coisa correr mal.
História é nosso medo do Escuro
Do que conheço da bloga portuguesa e brasileira, mantenho a mesma impressão há anos: regra geral, somos todos uns transatlânticos bastante ensimesmados. Por isso não sei se estão a ver quem é a Fal*, assim de repente. Se disser que ela foi rapariga de Cidades Crónicas e há anos que oferece Drops, alguns de vós saberão. Gosto muito de lê-la. Não consigo descrever bem o seu registo: nenhum artifício, por vezes crueza, dias de coloquialismo e neologismo gargalhal, outros de classicismo em comoção. Entre uma coisa e outra, dei ontem com este post, tão mais que uma definição disciplinar. Outro não poderia vir mais ao encontro dos trabalhos e dos dias que são actualmente o meus. Obrigada, Fal (muita força para ti).
* alias Fábia Vitiello, alias Fal Azevedo, alias Fábia Vitiello de Azevedo Cardoso (n.1971), autora de Crônicas de Quase Amor e O Nome da Cousa.
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