a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A sinceridade sempre me despregou as bandeiras

- Pareces a Katie Holmes com mais vinte quilos.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Como sabem, o que eu gosto é de andar de comboio

É mesmo isto, todos os dias. Mentirinha. Mas se repararem, até há um Destak poisado num banco, lá pelo 1'30'', passo o product placement. E o SG da bateria é dedicado aos fumadores muito ocasionais que, como moi, dias antes de vigorar a Lei do Fumo, já andavam a ser tripudiados pelas funcionárias ressentidas das cafetarias deste país como se as tivessem intoxicado a vida toda. É sempre pedagógico, calçar por engano os sapatos de uma minoria. Enfim, era só para agradecer ao senhor Edward Kennedy Ellington a banda sonora dos meus últimos tempos, com especial favor para o In a Blue Summer Garden.

Da Vida em Flor Adiante

Pelos dias de Natal passou na televisão Warthon por Scorsese. Já não me lembrava. Não da intensidade em toda aquela contenção, da surpresa e receio e euforia inscritos num mundo em mudança, da violenta coreografia da normalidade. Quantos souberam, como aqui, filmar o dito e o que não se diz?

Quadros da Quadra

A mãe que, inquirida sobre o paradeiro do pai natal dançante habitualmente especado à entrada do café, o declara preso por incumprimento de volta ao mundo em presentes. A compradora que, indignada com os perpétuos predicados apontados pela menina da loja ao casaco em análise, declara querer coisa alguma para toda a vida.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Patinagem Artística

2007 não me foi bom. Escorreguei, caí, levantei-me, escorreguei, caí, etc. Estraguei o maillot, esqueci quase todos os elementos técnicos, queimei-me no gelo, falhei a coreografia, lesionei-me, fui penalizada, sorri forçado aos juízes. Seja bem-vindo 2008. Venha esse tudo por resolver.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natividade

Olho a filha da que ganhou o nome ao dia. Olho-a e lembro essa outra mulher pequena, meiga, poupada no falar. Ofereço o dia por elas, que me ensinaram a oferecer o dia.



[Feliz Natal]

sábado, 22 de dezembro de 2007

O.K.

, o banner voltou ao lugar.Tudo como dantes, palha de Abrantes.



Já não falava de doces para aí há uns dois posts.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Mas mas mas

, será que foi a histeria popotómico-onomatopeica que assustou o banner? Já nem o meu próprio frontispício me tem respeitinho?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Nestes dias de cansaço apetece-me abordar o meu semelhante, desabafar, dizer coisas importantes, como:

Po-po-po-po-po-po-po-po-po-o-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-
po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po-po, Po-po-ta.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam L

É claro que a gente não percebe porque não sabe, não faz ideia, não os conhece. Mas assim em abstracto, e cingindo-nos ao palmarés filo[semi-endo]-semita, um Enthoven, outro Enthoven, anos antes um Klarsfeld (um Klarsfeld), e depois, Nicolas é que é? Mas lá está, a gente não os conhece, o que é que a gente sabe?

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

É que nem um sonhito

Quando por esta altura do ano ando com a língua de fora costumo vingar-me na pastelaria festiva. Dada a iminência do duplo queixo, este ano não há cá rabanadas, filhozes, azevias, fatias de tronco natalício cheias de lascas fininhas de chocolate com 90% de cacau. Com excepção do período compreendido entre as 18:00h e as 00:00h dos dias 24 e 25 do corrente. Sei que as pessoas normais só nesse período se lhes dedicam, mas por favor, a minha família é da Beira. Agora que me falha este mecanismo de compensação, ando um bocado irritadiça. Tentando melhorar a disposição, obrigo-me entre outras coisas a uma injecção de rádio aleatória. E não é que por causa disto, com um ano de atraso, na improvável Renascença, dou com um sacaníssima Billy Idol a brincar ao Billy Mack? São Nicolau é que é.

[Antes da Ordem dos Dias]

[A quem me e-escreveu na última semana e não obteve resposta, peço desculpa. Tive de alterar contas e fazer reencaminhamentos, e pelo caminho atrapalhei-me. Darei conta do expediente hoje e amanhã.]

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A atenção é a forma mais simples de generosidade

Não me lembro se costumo fazer lista de melhores do ano. Se costumo, agora não quero. O que quero é deixar rasto para aqui. Penso que o tríptico é do discreto e atento Pedro, do Posto de Escuta. A gente vê e lê e ouve, e passa por nós o filme de um certo blogar. Lá estão o Euro, os incêndios, Marte, a neve. Três anos. Três anos, bolas.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Wee Hours

Por regra faço bem de conta que já estou como estava, mas ainda acontece trancar-me do lado de fora do dia.

domingo, 9 de dezembro de 2007

O pão aos bocados

Na minha casa diz-se prendas, não se diz presentes. Se o Fernão Mendes Pinto dizia, nós também podemos dizer. Continuando. Que vão as coisas para pior, toca a cortar nas prendas, agora são só para as crianças, e, e. Porquê? Porque há menos dinheiro já não se parte o pão aos bocados? Todos contados, os meus avós tiveram três mãos de filhos. Fortuna, só essa. Podia ser um ínfimo lencinho, uma pagela, uma farinheira, mas ninguém ficava sem Natal.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Soprano Talk: Last Round (8)

Tony gasta todos os cartuchos patrióticos: o agente Harris faz-se caro, mas lá no fundo é da torcida de Jersey. Janice sofre, depois recompõe-se à velocidade de uma Soprano. Junior não sabe de que terra é. AJ e Meadow procuram saber. Phil estica a corda, e a corda parte: ali não manda a lei da selva, manda a lei do menor esforço, por isso as famiglie entendem-se. Tony respira. Está decidido, o jantar é no Holsten's. Depois de chegarem todos, eu escolho que a porta daquele WC se abre e o tiro leva Tony de imediato. A ceia só é última para ele - mulheres e filhos são contrários às regras. A rapariga do casal que está sentado atrás também fica ferida, mas sobrevive. Poucos dias depois AJ, em noite branca no Bing, salva o gato das mãos do Paulie e leva-o dali. Silvio sobrevive ao coma e toma as rédeas de Jersey por sete anos; não sobrevive é ao sobrinho do Paulie, que acaba por lhe tomar o lugar. O negócio muda lentamente. Um bocado menos de extorsão, um bocado mais de corrupção. Meadow acaba Direito quando Patrick passa a associado. Não demora a saber ainda mais do que já sabia sobre o pai. Desconta na mãe. Desconfia, com razão, que o seu marido está a ser cooptado. AJ abre no lugar do extinto Bing a sua própria produtora, a Staring Cat. Carmela não vai mal com as casas. Está a pensar em telefonar a Furio.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Amadora, Rua Gil Vicente

Por dentro, pela estrada velha, ainda é quase sempre em frente. Já mal reconheço o que está. Desta vez penduraram bolas vermelhas muito vermelhas, o jardim é uma câmara escura, revela a custo atrelados de prendas e de farturas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Tempo

At once a voice arose among
The bleak twigs overhead
In a full-hearted evensong
Of joy illimited;
An aged thrush, frail, gaunt, and small,
In blast-beruffled plume,
Had chosen thus to fling his soul
Upon the growing gloom.
[Thomas Hardy, de The Darkling Thrush, Dezembro de 1900]


Há esta angústia no tempo que não passa devagar, nunca. Para mim nunca. O viver no permanente embaraço de correr atrás de tudo, o esforço para acertar o passo por ti. Preciso de mais tempo, preciso sempre de mais tempo, de fazer por que tudo não fuja tão depressa. Mas há a luz de estarmos, e não sei como agradecer.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Saltério

Ali estava aquela pessoa a pedir ciência para entender o outro e força para dele deixar de se defender.

Gymnasylum (6)

E depois, impresso no canto superior direito, aquele damocleciano


Aparentemente saudável

Gymnasylum (5)

No ginásio por todos os sócios menos eu designado academia descambámos doce e consentidamente para o totalitarismo. O controlo magnético da frequência foi há uns meses complementado pela aferição trimestral dos resultados cada indivíduo, que passou agora a implicar o preenchimento obrigatório de uma tabela a cada treino, na qual se têm de especificar aparelhos, tempo e calorias transpirados. O mais escandaloso é que todo este condicionamento, protagonizado com sorrisos incompreensivelmente sinceros pelos controleiros treinadores de serviço, até resulta. Não sei se aguento tanta produtividade. Ninguém sai dali relaxado, só com o sentimento de dever cumprido. Ora, se isto é um estaminé com pinta, mas cá do bairro, num health club de Manhattan, como é? Anda tudo de microchip subcutâneo?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Soprano Talk: Last Round (5, 6, 7)

De facto, o amianto faz mesmo mal à saúde. Assim se acaba a estação de guerra fria entre as duas bandas da ponte George Washington. Phil Leotardo decreta a poda do ramo de Jersey. Tony nem precisa do aviso-cabeças, o que aí vem está à vista. Snip, lá vai Bobby. Carmela assusta-se pela primeira vez com o que para Rosie Aprile é déjà-vu. Snip, lá vai Silvio. AJ, ainda em águas frustradas, mal reage. Que coscuvilheiro saiu o doutor Bogdanovich. E a doutora Melfi, que raio de timing. Ter que ouvir da boca de um gangster que um fim da terapia assim é imoral, e saber que ele tem razão. Paulie e Walden Belfiore escoltam o acossado a novo poiso. Será no Álamo?

sábado, 24 de novembro de 2007

Os Miúdos ainda aprendem a Terra Fria e a Terra Quente?

Acho que ainda não falámos de iogurtes. Gosto daqueles Puro Danone Mel e Nozes da Terra Quente, que trazem no selo (na tampa?) mensagens desrepressoras, como se diz no Yoga. Ao tempo que não pensava no Yoga. Ainda há bocado lambi um Olha, olha, as flores andam! Caiu-me bem.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Adivinhem lá com quem gostava de me parecer

Não sei o que a Swarovski pretendia, mas o cristal foi de somenos. Então põem a Alicia Keys, artista por direito próprio, girl power em pessoa, hino à miscigenação, redenção do quadril do seu género, , e esperam que alguém olhe para as branquinhas e magrelhas que por ali vão a desfilar não sei quê?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Wee Hours

Durmo o mesmo mas sonho menos. Que falta me faz a guarnição ao descanso.

He's Supposed To Be Old, Like, 26

Para além de ser um belo film noir, 'Brick' fica-me na memória como o primeiro grande filme que vi protagonizado pela geração de oitenta.

Dos livros

Os calhamaços sempre me custaram. Primeiro a abrir, depois a fechar. Lembro-me bem de quando dez páginas eram coisa cansativa, difícil de ler, de quando a falta de ilustrações impedia a recriação do descrito, de quando boa parte das palavras implicava dicionário. Ganho esse lastro, o quê tornou-se outro, o do apego. Apercebi-me com os Karamazov. Tantas páginas, tantos dias, e depois ter de os deixar.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Cartas da Guerra

A ternura desesperada de cada uma comove à mudez. Como se todas fossem a última.

Coisas Que só a Mim Apoquentam XLIX

Apetece-me palmatoar-me por desconfiar que se Juan Carlos Borbón fosse um chefe de Estado eleito talvez tivesse dispensado a Hugo Chávez um usted.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A Música

Um concerto não sai assim tão barato, a não ser que alguém porreiro nos franqueie a entrada. Daí que não compreenda que boa parte da malta do bilhete em riste chegue e se ponha a trocar sms e chamadas, a berrar aos amigos, a entrar e sair do recinto, a trocar mais uns smszinhos, a entrar e sair outra vez. Não sei se é fartura de entretenimento, carência de maneiras ou hiperactividade. Mas acho que há qualquer coisa profundamente triste na incapacidade de fruir a música e o seu silêncio. Acresce que este tipo de achares me faz sentir mal, desfasada - receio misantropite em primeiro estágio.

A Boca dos Outros - Tommy Barban & Nicole Divers

'You know, you're a little complicated after all.' 'Oh no,' she assured him hastily, 'No, I'm not really--I'm just a--I'm just a whole lot of different simple people.'

F. Scott Fitzgerald, Tender Is The Night, 1934.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Um Comboio

Não sei se há conceito que me interpele tanto quanto o de erro humano. Noutro dia, em busca de definições, dei com a sinopse de uma peça homónima, feita de gente à espera de um comboio. Parece que só foi levada à cena entre Queluz e Massamá. Podia estar a inventar isto. Mas não.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Postelex

A focaccia do Luca é bem o que dizem dela. O Paul Banks está tão magrinho. Comprei o meu primeiro audio-livro. Amanhã parece que há letras, música e empadas empaduças.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Wee Hours

Recuso-me a descrer em segundas e terceiras e quartas e quintas e sextas e sétimas hipóteses.

Soprano Talk: Last Round (4)

O melhor episódio desta temporada, até à data. Um dos melhores de que me lembro. Four more to go. Se me perguntarem sobre o que foi, digo que foi sobre 'a massa do sangue'. Christopher faz a genealogia das suas compulsões, Tony rejeita-a, não quer atribuir aos genes o desgosto de AJ. Mas atribui. A Drª. Melfi não o contradiz. Chris em crescendo de ressentimento. Um JT previamente sovado, intimidado e plagiado tem a triste ideia de lhe dizer verdades. Não dirá mais.

domingo, 4 de novembro de 2007

Adiliana

A bebida de que mais gosto a seguir ao chá é o vinho. Está empatada com o leite e o sumo de laranja. Bebidas brancas, só água. A água não aquece os pés. Quando me olham de lado digo que que foi o médico que mandou, que tenho síndroma de Reynaud. E é verdade, mandou. Os homens não olham tão de lado como as senhoras. Fico tinta quando me olham de lado essas senhoras que não são nada senhoras.

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XLVIII

Se uma pessoa é sacerdote, preside à eucaristia; se uma pessoa é leiga, faz parte da assembleia, ministra a comunhão, lê. Não bichana a missa toda de cor. Não faz voice-over ao celebrante. Isto não é um concurso, não é uma récita, não é uma sessão de mantras. Que nervos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Pôr-do-dia feio no subúrbio

Pancadaria conjugal em pleno apeadeiro. Lixo arrastado pelo vento. Meia hora sem metro. Caca de cão. Mais caca de cão. Rapaziada charrada aos urros de Halloween.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Soprano Talk: Last Round (3)

Tony anda assim com o mundo em geral, e o mau perder só inflama a condição; aquele silêncio depois de Meadow Gold perder por quase nada, credo. Leotardo brinda ao som de Nancy Sinatra - deve ser isso, a evolução na continuidade. Vito Jr. inspira o paternalismo alheio, protagoniza um momento pasoliniano e acaba num campo correcional. Pobre AJ, tão sem esperar o que o esperou.

Naming Names

Ouvi hoje alguém dizer que os filmes são as caras neles, que só o rosto nos conta o que há a contar. Em dia de sustos e partidas vem-me à memória um actor a quem o tempo faltou, e por causa de quem, adolescente, vim a querer saber mais desses tais Lumet, Van Sant, Bogdanovich, Shepard. River Phoenix desapareceu há catorze anos. Para mim, será sempre o rosto de uma América magoada, inquieta. Bela.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

And Some More Memeries

Cara Isabel, caro Pedro, caros outros passadores de memes que me tenham escapado, a minha página 161 só tem três frases, duas das quais completas; a última, o mais aproximado que se arranja da quinta (será que esta transgressão me vai valer a proscrição das cadeias blogosféricas a haver?) diz assim:

"(...) Sorrimos ambos; minutos depois, tornávamos ao assunto da casinha solitária, em alguma rua escusa..."

O Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é o meu actual livro-de-antes-de-dormir. Ainda não tinha chegado à página em causa, mas não demorará a que isso aconteça; é excelente.

Passo a vez à Capa, à A., à Ana, à Plim e à J.
[se tiverem vontade de responder, as regras deste meme são simples : pegar no calhamaço mais próximo, transcrever a quinta frase completa da página 161, depois contaminar outros cinco blogueiros]

A causa foi florificada

Não quero ferir os seus sentimentos, senhor engenheiro, mas...bem...como dizer...esse template é de menina.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Memeries

i'll play it, too:

A Perfect World, Clint Eastwood.
A Idade Maior, Teresa Villaverde.
Faces, John Cassavetes.
Van Gogh, Maurice Pialat.
Lightning Over Water, Nicholas Ray/Wim Wenders

Hoje são estes, amanhã seriam outros.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Soprano Talk: Last Round (2)

O Paulie, esse grande caceteiro em sapatilha de lona. Nunca o seu nome de papagaio americano bateu tão certo como durante este episódio, um yap, yap, yap, those were the days sem fim. Pensei que em alto mar haveria um momento Robert de Niro vs. Bridget Fonda em Jackie Brown, mas não. Safou-se. Safou-o ser o ídolo decadente de Tony. No lar, um Corrado nada Cattani anima as hostes. As hostes revelam-se hostis. Phil Leotardo prossegue com estardalhaço. E o Silvio do Bing. Como é que se olha para o Silvio sem o lembrar de guitarra em punho a fazer coros com o Springsteen, hum?

em trânsito

Somos testemunhas diagonais uns dos outros, seja como seja. Gosto deste facto da vida.

Comboio, Areeiro-Amadora

A televisão importa. O homem que aqui vai fala depressa e baixo, fala como quem não fala muitas vezes e menos são as que tem quem o escute. Fala como quem ouviu o nome da sua terra depois de muito tempo. A este banto não muito alto, magro, como ao Lobo Antunes, Angola veio-lhe ao corpo com toda força. Não tem mais de trinta e cinco, trinta e seis anos. É do Uíge. A mãe está lá. Telefona-lhe, mas não a vê desde que veio. Isto foi em 1985. Queria vir, mas só conseguiu porque outros soldados mais velhos planearam a fuga e o trouxeram. Lembra por alto manobras e combates em terreno que o seu interlocutor parece reconhecer. Depois chega a qualquer coisa que não chega a dizer. Cala-se. O passageiro do lado, o colega ou amigo que nunca o interrompeu, diz-lhe que ele precisa de de lá voltar, que ele tem de lá voltar.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Não-não, Sim-Sim

Na loja portuguesa cá do bairro, a que fica entre o estúdio de dança africano que também é ponto de internet e a loja chinesa que tudo mete e é dos donos do inevitável restaurante, há palmilhas, túnicas, atoalhados, chupetas, linhas de crochet e assim, e ontem houve-me na fila a mim, com a senhora da frente a indagar se havia peúgos de homem 75% de acrílico e em fantasia, nem mais, 75% de acrílico e em fantasia, e a lojista que não-não, só peúgas lisas e todas de algodão, ou então meio por meio, a cliente muito desapontada, que assim não-não, deixasse estar, e a lojista a matutar no gosto dos outros, e eu a imaginar o homem daquela mulher das meias sim-sim brilhantes e sim-sim garridas, só por uns segundos antes de chegar a minha vez, e a mulher do homem a caminho do chinês.

Questões Verdadeiramente Fracturantes

A tentativa de irrisão do argumento alheio por via piadética é coisa de idiotas e preguiçosos. Por alguma razão se diz 'fazer pouco'.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Wee Hours

Dorme tapada dos pés à cabeça, mesmo no Verão. Que assim se sente segura. Como se um lençol a guardasse de coisa alguma.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Soprano Talk: Last Round (1)

Eu cá acabei por não ver o primeiro dos últimos, Charlotte [e mais participantes nesta rodada]. Deste segundo gostei muito. Mircea Eliade talvez também tivesse gostado, sobretudo daquele momento tão didáctico em que Little Carmine elogia a filha por ter identificado, no final de Cleaver, uma alusão simbólica ao sagrado e ao propano. Geraldo Rivera no papel de Rui Santos do follow-up mediático à sucessão no clã mafioso nova-ioquino vai bastante convincentemente. Johnny Sack, tão longe do seu vigor à Tony Curtis, arrepende-se de se ter arrependido de fumar. O Bada Bing continua a parecer o Satriale's. A Dr.ª Melfi acha que Tony está magoado com Chris. Está, mas não está só magoado. Está a temer o que Chris vai querer fazer com ele; está a temer, por isso mesmo, o que ele próprio vai ter de fazer.

O Regresso de Patty

podia ser nome de soap opera, e a modos que é. Na passada semana um certo fotoblogger, fazendo jus à fama de bom olheiro, chamou-me atenção para o facto de que no Feira Nova - superfície a que, por nenhuma razão em especial, não costumo ir - se pode encontrar à venda o meu saudoso sabonete. De caminho, trouxe duas das novas versões mais-baratas-que-as-da-Claus para experimentar. E sim, aquele arranhão no Patty Limão foi do entusiasmo no reencontro.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Lisboa, Entrecampos Poente

A passageira que tenho pela frente carrega uma ideia brilhante. Literalmente. Eis que vai ou vem do trabalho ao som de música, o que não seria nada de especial se os auriculares não estivessem ligados a um telemóvel entalado entre o soutien e o externo. O display cintila, trespassando a malha de meia-estação. E.T. phone home.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Da Cidade-Estado

O facto de vivermos num mundo onde a aclamação é impossível, onde o uníssono é repudiado, não nos deveria deixar assim tão absolutamente contentinhos da vida.

Der Steppenwolf

É que nem mesmo quando se deixa ficar sentado nas escadas, contemplando a entrada imaculada da casa vizinha, Harry está realmente só.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Homens VIII

Por qualquer razão, tornou-se raro o homem de cabelo comprido. Não digo aquele cabelinho beto a roçar a gola da camisa, nem tão pouco o cabelão metaleiro, a esconder a cara. Já só em França e em filmes de época se dá por respeitáveis cabeleiras masculinas.

Planeta Nacional

Passo pela Serviço de Referências e espreito a mostra da Colecção Arnaldo Saraiva. Não há rabujice matinal que resista a obras como

O Barão de Cacaracacá

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Bildungsroman

O espanto é a aprendizagem súbita. Esperamos aprender nos nossos termos, à nossa ordem, mas as coisas não são bem assim.

Lisboa, Rua José Carlos dos Santos

A meia-estação deixa a descoberto quem tem a perder. Quem se enroupa por cautela, quem leva o guarda-chuva e o lenço, fá-lo por não poder ficar mal. Por ter de trabalhar ou de olhar por alguém. Por ter de ser.

Mação, Envendos

Tem chovido. Entre silvas e marmeleiros, mais cerca das casas, entrevê-se um couval. Ninguém, quase. As mesmas pessoas vêm passar outras e estranham. A estação termal termina.

sábado, 29 de setembro de 2007

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XLVII

Helena Lopes da Costa. O tipo político que provoca calafrios.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Quasi Finito

Ai, que também eu sono molto nervosa com a aproximação da cantata final de gli Soprani, cara Charlotte (agradeço os parabéns!); a ver vamos, e por mim, a conversar vamos anche.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Trinca Anos

Hoje confiaram-me uma jóia de família. Não vou para nova, o que não faz mal.

IC-19, Km 5

20:30, onze ou doze carros acidentados, do trabalho a casa. Lá espectaculares somos.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

As Coisas Que Tu Sabes

é a frase que mais gosto de dizer. Sai-me assim a admiração, sem ironia nem favor, em fórmula infantil.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Autoscopia, 4

Reconhecer no sofrido pelo causado o mais acabado sintoma de auto-imunidade.

domingo, 23 de setembro de 2007

Sintra, Praça Dr. Francisco Sá Carneiro

Nó na garganta, pensou que mais era a ânsia de ouvir. Não era; mais era a de cantar.

sábado, 22 de setembro de 2007

Questões Verdadeiramente Fracturantes

A baínha da pesporrência anti-aquilina está cheia de terra indesejada. O que dizem, tantas destas bocas em forma de avaliação de Aquilino, de Torga, de outros? Alguma coisa. E nessa alguma coisa há, por exemplo, o afastamento, a estranheza, a recusa da ruralidade. Há aquele tom do citadino que passa bem sem saber dos primos da província, e que passa melhor sem que o lembrem que também ele vem de lá. Esse tom, o do embaraço com um Portugal que se ignora, não o entendo nem o respeito.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Water

"I was born in a drouth year. That summer
my mother waited in the house, enclosed
in the sun and the dry ceaseless wind,
for the men to come back in the evenings,
bringing water from a distant spring.
veins of leaves ran dry, roots shrank.
And all my life I have dreaded the return
of that year, sure that it still is
somewhere, like a dead enemys soul.
Fear of dust in my mouth is always with me,
and I am the faithful husband of the rain,
I love the water of wells and springs
and the taste of roofs in the water of cisterns.
I am a dry man whose thirst is praise
of clouds, and whose mind is something of a cup.
My sweetness is to wake in the night
after days of dry heat, hearing the rain."
Wendell Berry, Farming: A Handbook, 1970.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Quatro Caminhos, Ano IV

Eu por outras ruas e o QC a fazer três anos. Cá estamos. Um pouco como no começo, em trânsito. Um outro trânsito, menos ferroviário, mais automobilizado. Novas e velhas encruzilhadas. A mesma vontade de aprender.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Ave-do-arremedo

Li Mockingbird há mais de uma dúzia de anos, nos meses em que mais li na vida, também eles muito mitificáveis, como todos os meses de convalescença o são. Entre muitos outros, alguém me emprestou aquele numero da 'colecção azul'. Não li mais nada de Walter Tevis, que só mais tarde me apercebi ser o criador de Eddie Felsen, o jogador de bilhar interpretado por Paul Newman. Mockingbird conta a redescoberta do mundo depois do fim da memória, por via da difícil aprendizagem do acto de ler. Dos poucos livros de ficção científica que li, foi o único que me pareceu realmente profético.

Wee Hours

Todas as vidas são mitificáveis. Vejamos-me. Se estivesse guardada para grandes coisas*, podia ser objecto de um perfil apologético que começasse naquela foto do baptizado em que mergulho as mãozinhas infantis na água benta. Porém, mais tarde ou mais cedo, um biógrafo menos parcial poderia, segundo observação atenta e desapaixonada do documento, apontar o facto de a mãozinha abençoada ter sido a direita, e eu ser indiscutivelmente canhota.

*Um colega de escola do meu pai, optimista entre optimistas, repetia aos rapazes da classe, em antecipação excitada do futuro, estamos guardados para grandes coisas.

Massamá, Praceta João de Deus

Numa das dezenas de lojas de certa cadeia de pronto-a-vestir nacional (sim, sou proteccionista) comprei uma gabardina. Ao receber o pagamento, rematando o inevitável momento de conversa de chacha, a gerente gabou a peça por ser impermeável e tudo. Assim como se a impermeabilidade não fosse um predicado esperado, antes um bónus. A nossa expectativa em relação às coisas tem de ser assim tão baixa?

domingo, 9 de setembro de 2007

Coisas que Só A Mim Apoquentam XLVI

Já mudei por diversas vezes de pensamento relativamente ao instinto, à intuição. Andava conformada com a ideia de que as avaliações figadais não têm valor. Até que outro dia me disseram que só pensa assim quem é como eu, com tal, tal e tal característica. Quem mo disse mal me conhece, e ainda assim avançou julgamento detalhado. Acertando redondamente. O que me leva a repensar isto tudo.

sábado, 8 de setembro de 2007

Ends Meet

Calhou-lhe a vez, como a quem chumba. É possível que assim seja por nunca se ter exposto verdadeiramente à dificuldade. Prova a falha, engole a frustração, digere as limitações. Agora sim, aprende.

(Ainda a) Voz

No tempo dos meus pais estarem para o ser não se dizia fosse o que fosse a uma barriga grávida, isso são coisas de agora. Terá sido desde o colo. Ou desde o quadro, desde a rua, desde o ambão. Não sei. Sei que ainda só sereno pela fala.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Raconto

Gosto da voz em off. Da história pela boca de alguém.

"Só Achas Graça aos Esquisitos, Pá!" XVII

Danny Huston. Não sei se é mais perturbante a voz, se o riso. Muito mas mesmo muito Alfa.

Mapa Cor-de-Rosa

O que nos leva a achar que querermos chega para chegarmos ao que queremos? Planeamos, como se para além das nossas fronteiras tudo fosse fácil de atingir. Não é, esquecemo-nos de umas expedições para as outras que não é.

sábado, 1 de setembro de 2007

As Alegrias que o Live Search Me dá*

Um digitante veio aqui parar procurando conselhos para quem tem o coração maior que a caixa. O coração maior que a caixa. 'Mais olhos que barriga' e 'Muita areia para a tua camioneta' morreram, depois de 'O coração maior que a caixa'.

*Título semi-palmado ao prestimoso Rafael Galvão.

Autocarro nº100

O mais adagioso, ambulante e divertidamente patranheiro dos Joões, Vuvu, bebe uma cerveja nas Vicentinas, ali à RTP2. Do seu criador, dizer que nenhum outro gozou tanto com os espectadores em tão perfeito português.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A beleza contida num pequeno copo de água*

Como admiro quem decide facilmente. A escolha custa-me mais que tudo, procuro o certo em constante angústia. Eis trabalho para uma vida.

*Ruy Belo, A Margem da Alegria, 1974.

Metro, Restauradores

Estranho ofício. Três ou quatro cegos para cada linha, às vezes por turnos. O tom varia: há os que arrastam a cantilena, há os que bradam a toque de caixa. Cobrem toda a rede e efectuam marcação carruagem a carruagem. Têm aparência invariavelmente limpa, engomada. De mecânico e imperativo, o seu pregão é ignorado. Ainda assim, alguém sempre dá.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A Vida Antes da Vida no Limbo Ideológico

O que aconteceu entretanto não sei, mas parece-me evidente que em 1978 era uma pessoa de direita. Olhai a facies, o penteadinho, a pose de Estado.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XLV

Uma das técnicas que hoje mais parece divagar entre cumes e pegões artísticos é a da tatuagem. Porque parte da interpretação e escolha de um símbolo e poderá permanecer unida ao seu portador toda a vida, porque é predominantemente figurativa e implica grande mestria artesanal por parte do seu executor, uma tatuagem pode ser bela. Exactamente pelas mesmas razões, pode ser uma foleirada total. No domínio da foleirada total, dou o primeiro lugar a quem ostenta tatuagens de si mesmo. Sim, da sua própria figura. Há afirmação estética mais enjoativa?

sábado, 25 de agosto de 2007

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Não apenas por causa das pernas dela, claro

Ontem terá dado L'Amour en Fuite a uma hora absurda da madrugada, na RTP1, que nunca vi na íntegra e que queria ver. Repisando a perda, lá fui parar à Wikipédia. Que tinha à minha espera isto:

«Amor em Fuga (L'Amour en Fuite) é um filme francês dirigido por François Truffaut, lançado em 1979. É o último filme de Antoine Doinel de François Truffaut. Após 8 anos de vida em comum, Antoine (Jean-Pierre Léaud) e Christine Doinel (Claude Jade), seu último amor de Baisers Volés e Domicílio Conjugal, decidem divorciar-se... É um filme feito para os amantes dos filmes anteriores da saga. Ele homenageia de maneira carinhosa os outros filmes, trazendo seqüências de todos eles em flashback com Antoine (Jean-Pierre Léaud) e Christine (a bela Claude Jade). Mas de que adiantou eu torcer tanto para os dois (Antoine e Christine) ficarem juntos em Beijos Roubados e Domicílio Conjugal, para vê-los agora em processo de divórcio? Uma pena. Lembro que quando eu vi as pernas de Claude Jade nesses filmes, eu ficava idealizando um casamento similar pra mim. Não apenas por causa das pernas dela, claro, mas por causa do jeito dela, e da química entre os dois.»


Soyez bienvenus ao enciclopedismo emo
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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Do Gosto

Outro fenómeno esquisito do crescimento é a mudança do gosto. Em miúdos detestamos os sabores intensos, as favas, os cominhos, os coentros, a beterraba. E depois, com o tempo, passamos a gostar de alguns. Que raio.

Queluz, Rua Mateus Vicente de Oliveira

Alguns ainda tratam os seus quarteirões por Casal das Quintelas, Casal de Santa Leopoldina, Casal Gouveia, Casal do Olival, como se os moinhos, os olivais, as casas de veraneio ou as próprias colinas permanecessem. Desse modo, permanecem.

Coisas giras no mês do nada, 4

No divertimento da estação o Ego é batido por si mesmo, pela evocação de um passado em que a felicidade era simples; de tão forte e inesperada, essa lembrança muda o presente, faz futuro.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Lisboa, Alameda da Universidade

Aquele dito de que não se escolhe a família em que se nasce não tem sentido, passa-se toda a infância e juventude a aproximá-la ou afastá-la, toda, uma parte, até ela o ser mais, ou deixar de o ser. Escolhe-se, pois.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Quantos optimistas contas?

Mais ou menos tantos quantos os que chamam 'tónico' ao que outros chamam 'difícil'.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Coisas Giras no mês do nada, 3

[Metro, Campo Grande. Mãe cansada, filho não.]


- Vuuum, vuuum.

- Que coisa, está quieto, Denzel!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

E 'vermelho' e 'prenda' e 'comida'

Mas de onde é que saiu esta 'fila'? Digo sempre 'bicha'.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

, All by Yourself

Não faço ideia se lês, nunca fiz, a verdade é essa. Passam-se os anos, e assim é. Escrevo em voz alta, tentando dar um sentido ao que pode não tê-lo, como naquela história do Tim Pears.

Queluz, Rua Projectada, Et Caetera

Poderia ter sido mais bonito, este improviso centenário? Não. Um rodeio de amigos de tantos anos. Não me interessa se mais chegados, se não. Sinceros. Tudo se joga no adjectivo. Uns dias mais tarde, o meu primeiro lenço ao pescoço de alguém melhor. O mundo não é perfeito, mas está bem.

Spleen

E de repente um queirosianismo vago passa a questão de vida. É sempre assim, o mais banal dos acidentes põe tudo em causa. Lembro o rapaz de Singeverga, tia. Tenho medo de não valer, esta petição. Pedirei à mesma. Hoje foi dia de São Caetano, tia. Ele acreditava muito na Providência, como tu. Há-de ser tudo por bem.

Coisas Giras no Mês do Nada, 1

Falar diariamente com os moicanos, saber quem é o último a chegar a casa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Humpf

Quando os meus bloggers mais caros vão de férias amuo. Reservo-me o direito de fazer exactamente o mesmo, mas amuo.

Poole Harbour, Brownsea Island

A primeira vez que o vi foi na sede, reproduzido a partir de um óleo conhecido. Achei-o solene mas simpático, respeitável, muito britânico. Perguntei-me como teria sido, na minha idade. Hoje sei que Stephe não foi uma criança despreocupada, como conta a lenda por ele próprio construída. Não foi um jovem militar romântico, a conjuntura não o permitiu. Não foi um adulto com a noção das conveniências, não era essa a sua natureza. Foi um idealista praticante. Passou a outros o que o fazia feliz. Morreu sem saber se o Eixo triunfaria. Mas não sem uma vida cumprida, sem deixar em curso uma certa ideia de futuro.

Thank you, Stephe.