De facto, o amianto faz mesmo mal à saúde. Assim se acaba a estação de guerra fria entre as duas bandas da ponte George Washington. Phil Leotardo decreta a poda do ramo de Jersey. Tony nem precisa do aviso-cabeças, o que aí vem está à vista. Snip, lá vai Bobby. Carmela assusta-se pela primeira vez com o que para Rosie Aprile é déjà-vu. Snip, lá vai Silvio. AJ, ainda em águas frustradas, mal reage. Que coscuvilheiro saiu o doutor Bogdanovich. E a doutora Melfi, que raio de timing. Ter que ouvir da boca de um gangster que um fim da terapia assim é imoral, e saber que ele tem razão. Paulie e Walden Belfiore escoltam o acossado a novo poiso. Será no Álamo?
terça-feira, 27 de novembro de 2007
sábado, 24 de novembro de 2007
Os Miúdos ainda aprendem a Terra Fria e a Terra Quente?
Acho que ainda não falámos de iogurtes. Gosto daqueles Puro Danone Mel e Nozes da Terra Quente, que trazem no selo (na tampa?) mensagens desrepressoras, como se diz no Yoga. Ao tempo que não pensava no Yoga. Ainda há bocado lambi um Olha, olha, as flores andam! Caiu-me bem.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Adivinhem lá com quem gostava de me parecer
Não sei o que a Swarovski pretendia, mas o cristal foi de somenos. Então põem a Alicia Keys, artista por direito próprio, girl power em pessoa, hino à miscigenação, redenção do quadril do seu género, , e esperam que alguém olhe para as branquinhas e magrelhas que por ali vão a desfilar não sei quê?
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
He's Supposed To Be Old, Like, 26
Para além de ser um belo film noir, 'Brick' fica-me na memória como o primeiro grande filme que vi protagonizado pela geração de oitenta.
Dos livros
Os calhamaços sempre me custaram. Primeiro a abrir, depois a fechar. Lembro-me bem de quando dez páginas eram coisa cansativa, difícil de ler, de quando a falta de ilustrações impedia a recriação do descrito, de quando boa parte das palavras implicava dicionário. Ganho esse lastro, o quê tornou-se outro, o do apego. Apercebi-me com os Karamazov. Tantas páginas, tantos dias, e depois ter de os deixar.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Coisas Que só a Mim Apoquentam XLIX
Apetece-me palmatoar-me por desconfiar que se Juan Carlos Borbón fosse um chefe de Estado eleito talvez tivesse dispensado a Hugo Chávez um usted.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
A Música
Um concerto não sai assim tão barato, a não ser que alguém porreiro nos franqueie a entrada. Daí que não compreenda que boa parte da malta do bilhete em riste chegue e se ponha a trocar sms e chamadas, a berrar aos amigos, a entrar e sair do recinto, a trocar mais uns smszinhos, a entrar e sair outra vez. Não sei se é fartura de entretenimento, carência de maneiras ou hiperactividade. Mas acho que há qualquer coisa profundamente triste na incapacidade de fruir a música e o seu silêncio. Acresce que este tipo de achares me faz sentir mal, desfasada - receio misantropite em primeiro estágio.
A Boca dos Outros - Tommy Barban & Nicole Divers
'You know, you're a little complicated after all.' 'Oh no,' she assured him hastily, 'No, I'm not really--I'm just a--I'm just a whole lot of different simple people.'
F. Scott Fitzgerald, Tender Is The Night, 1934.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Um Comboio
Não sei se há conceito que me interpele tanto quanto o de erro humano. Noutro dia, em busca de definições, dei com a sinopse de uma peça homónima, feita de gente à espera de um comboio. Parece que só foi levada à cena entre Queluz e Massamá. Podia estar a inventar isto. Mas não.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Postelex
A focaccia do Luca é bem o que dizem dela. O Paul Banks está tão magrinho. Comprei o meu primeiro audio-livro. Amanhã parece que há letras, música e empadas empaduças.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Wee Hours
Recuso-me a descrer em segundas e terceiras e quartas e quintas e sextas e sétimas hipóteses.
Soprano Talk: Last Round (4)
O melhor episódio desta temporada, até à data. Um dos melhores de que me lembro. Four more to go. Se me perguntarem sobre o que foi, digo que foi sobre 'a massa do sangue'. Christopher faz a genealogia das suas compulsões, Tony rejeita-a, não quer atribuir aos genes o desgosto de AJ. Mas atribui. A Drª. Melfi não o contradiz. Chris em crescendo de ressentimento. Um JT previamente sovado, intimidado e plagiado tem a triste ideia de lhe dizer verdades. Não dirá mais.
domingo, 4 de novembro de 2007
Adiliana
A bebida de que mais gosto a seguir ao chá é o vinho. Está empatada com o leite e o sumo de laranja. Bebidas brancas, só água. A água não aquece os pés. Quando me olham de lado digo que que foi o médico que mandou, que tenho síndroma de Reynaud. E é verdade, mandou. Os homens não olham tão de lado como as senhoras. Fico tinta quando me olham de lado essas senhoras que não são nada senhoras.
Coisas Que Só A Mim Apoquentam XLVIII
Se uma pessoa é sacerdote, preside à eucaristia; se uma pessoa é leiga, faz parte da assembleia, ministra a comunhão, lê. Não bichana a missa toda de cor. Não faz voice-over ao celebrante. Isto não é um concurso, não é uma récita, não é uma sessão de mantras. Que nervos.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Pôr-do-dia feio no subúrbio
Pancadaria conjugal em pleno apeadeiro. Lixo arrastado pelo vento. Meia hora sem metro. Caca de cão. Mais caca de cão. Rapaziada charrada aos urros de Halloween.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Soprano Talk: Last Round (3)
Tony anda assim com o mundo em geral, e o mau perder só inflama a condição; aquele silêncio depois de Meadow Gold perder por quase nada, credo. Leotardo brinda ao som de Nancy Sinatra - deve ser isso, a evolução na continuidade. Vito Jr. inspira o paternalismo alheio, protagoniza um momento pasoliniano e acaba num campo correcional. Pobre AJ, tão sem esperar o que o esperou.
Naming Names
Ouvi hoje alguém dizer que os filmes são as caras neles, que só o rosto nos conta o que há a contar. Em dia de sustos e partidas vem-me à memória um actor a quem o tempo faltou, e por causa de quem, adolescente, vim a querer saber mais desses tais Lumet, Van Sant, Bogdanovich, Shepard. River Phoenix desapareceu há catorze anos. Para mim, será sempre o rosto de uma América magoada, inquieta. Bela.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
And Some More Memeries
Cara Isabel, caro Pedro, caros outros passadores de memes que me tenham escapado, a minha página 161 só tem três frases, duas das quais completas; a última, o mais aproximado que se arranja da quinta (será que esta transgressão me vai valer a proscrição das cadeias blogosféricas a haver?) diz assim:
"(...) Sorrimos ambos; minutos depois, tornávamos ao assunto da casinha solitária, em alguma rua escusa..."
O Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é o meu actual livro-de-antes-de-dormir. Ainda não tinha chegado à página em causa, mas não demorará a que isso aconteça; é excelente.
"(...) Sorrimos ambos; minutos depois, tornávamos ao assunto da casinha solitária, em alguma rua escusa..."
O Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é o meu actual livro-de-antes-de-dormir. Ainda não tinha chegado à página em causa, mas não demorará a que isso aconteça; é excelente.
A causa foi florificada
Não quero ferir os seus sentimentos, senhor engenheiro, mas...bem...como dizer...esse template é de menina.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Memeries
i'll play it, too:
A Perfect World, Clint Eastwood.
A Idade Maior, Teresa Villaverde.
Faces, John Cassavetes.
Van Gogh, Maurice Pialat.
Lightning Over Water, Nicholas Ray/Wim Wenders
A Perfect World, Clint Eastwood.
A Idade Maior, Teresa Villaverde.
Faces, John Cassavetes.
Van Gogh, Maurice Pialat.
Lightning Over Water, Nicholas Ray/Wim Wenders
Hoje são estes, amanhã seriam outros.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Soprano Talk: Last Round (2)
O Paulie, esse grande caceteiro em sapatilha de lona. Nunca o seu nome de papagaio americano bateu tão certo como durante este episódio, um yap, yap, yap, those were the days sem fim. Pensei que em alto mar haveria um momento Robert de Niro vs. Bridget Fonda em Jackie Brown, mas não. Safou-se. Safou-o ser o ídolo decadente de Tony. No lar, um Corrado nada Cattani anima as hostes. As hostes revelam-se hostis. Phil Leotardo prossegue com estardalhaço. E o Silvio do Bing. Como é que se olha para o Silvio sem o lembrar de guitarra em punho a fazer coros com o Springsteen, hum?
Comboio, Areeiro-Amadora
A televisão importa. O homem que aqui vai fala depressa e baixo, fala como quem não fala muitas vezes e menos são as que tem quem o escute. Fala como quem ouviu o nome da sua terra depois de muito tempo. A este banto não muito alto, magro, como ao Lobo Antunes, Angola veio-lhe ao corpo com toda força. Não tem mais de trinta e cinco, trinta e seis anos. É do Uíge. A mãe está lá. Telefona-lhe, mas não a vê desde que veio. Isto foi em 1985. Queria vir, mas só conseguiu porque outros soldados mais velhos planearam a fuga e o trouxeram. Lembra por alto manobras e combates em terreno que o seu interlocutor parece reconhecer. Depois chega a qualquer coisa que não chega a dizer. Cala-se. O passageiro do lado, o colega ou amigo que nunca o interrompeu, diz-lhe que ele precisa de de lá voltar, que ele tem de lá voltar.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Não-não, Sim-Sim
Na loja portuguesa cá do bairro, a que fica entre o estúdio de dança africano que também é ponto de internet e a loja chinesa que tudo mete e é dos donos do inevitável restaurante, há palmilhas, túnicas, atoalhados, chupetas, linhas de crochet e assim, e ontem houve-me na fila a mim, com a senhora da frente a indagar se havia peúgos de homem 75% de acrílico e em fantasia, nem mais, 75% de acrílico e em fantasia, e a lojista que não-não, só peúgas lisas e todas de algodão, ou então meio por meio, a cliente muito desapontada, que assim não-não, deixasse estar, e a lojista a matutar no gosto dos outros, e eu a imaginar o homem daquela mulher das meias sim-sim brilhantes e sim-sim garridas, só por uns segundos antes de chegar a minha vez, e a mulher do homem a caminho do chinês.
Questões Verdadeiramente Fracturantes
A tentativa de irrisão do argumento alheio por via piadética é coisa de idiotas e preguiçosos. Por alguma razão se diz 'fazer pouco'.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Wee Hours
Dorme tapada dos pés à cabeça, mesmo no Verão. Que assim se sente segura. Como se um lençol a guardasse de coisa alguma.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Soprano Talk: Last Round (1)
Eu cá acabei por não ver o primeiro dos últimos, Charlotte [e mais participantes nesta rodada]. Deste segundo gostei muito. Mircea Eliade talvez também tivesse gostado, sobretudo daquele momento tão didáctico em que Little Carmine elogia a filha por ter identificado, no final de Cleaver, uma alusão simbólica ao sagrado e ao propano. Geraldo Rivera no papel de Rui Santos do follow-up mediático à sucessão no clã mafioso nova-ioquino vai bastante convincentemente. Johnny Sack, tão longe do seu vigor à Tony Curtis, arrepende-se de se ter arrependido de fumar. O Bada Bing continua a parecer o Satriale's. A Dr.ª Melfi acha que Tony está magoado com Chris. Está, mas não está só magoado. Está a temer o que Chris vai querer fazer com ele; está a temer, por isso mesmo, o que ele próprio vai ter de fazer.
O Regresso de Patty
podia ser nome de soap opera, e a modos que é. Na passada semana um certo fotoblogger, fazendo jus à fama de bom olheiro, chamou-me atenção para o facto de que no Feira Nova - superfície a que, por nenhuma razão em especial, não costumo ir - se pode encontrar à venda o meu saudoso sabonete. De caminho, trouxe duas das novas versões mais-baratas-que-as-da-Claus para experimentar. E sim, aquele arranhão no Patty Limão foi do entusiasmo no reencontro.sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Lisboa, Entrecampos Poente
A passageira que tenho pela frente carrega uma ideia brilhante. Literalmente. Eis que vai ou vem do trabalho ao som de música, o que não seria nada de especial se os auriculares não estivessem ligados a um telemóvel entalado entre o soutien e o externo. O display cintila, trespassando a malha de meia-estação. E.T. phone home.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Da Cidade-Estado
O facto de vivermos num mundo onde a aclamação é impossível, onde o uníssono é repudiado, não nos deveria deixar assim tão absolutamente contentinhos da vida.
Der Steppenwolf
É que nem mesmo quando se deixa ficar sentado nas escadas, contemplando a entrada imaculada da casa vizinha, Harry está realmente só.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Homens VIII
Por qualquer razão, tornou-se raro o homem de cabelo comprido. Não digo aquele cabelinho beto a roçar a gola da camisa, nem tão pouco o cabelão metaleiro, a esconder a cara. Já só em França e em filmes de época se dá por respeitáveis cabeleiras masculinas.
Planeta Nacional
Passo pela Serviço de Referências e espreito a mostra da Colecção Arnaldo Saraiva. Não há rabujice matinal que resista a obras como
O Barão de Cacaracacá
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Bildungsroman
O espanto é a aprendizagem súbita. Esperamos aprender nos nossos termos, à nossa ordem, mas as coisas não são bem assim.
Lisboa, Rua José Carlos dos Santos
A meia-estação deixa a descoberto quem tem a perder. Quem se enroupa por cautela, quem leva o guarda-chuva e o lenço, fá-lo por não poder ficar mal. Por ter de trabalhar ou de olhar por alguém. Por ter de ser.
Mação, Envendos
Tem chovido. Entre silvas e marmeleiros, mais cerca das casas, entrevê-se um couval. Ninguém, quase. As mesmas pessoas vêm passar outras e estranham. A estação termal termina.
sábado, 29 de setembro de 2007
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Quasi Finito
Ai, que também eu sono molto nervosa com a aproximação da cantata final de gli Soprani, cara Charlotte (agradeço os parabéns!); a ver vamos, e por mim, a conversar vamos anche.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
As Coisas Que Tu Sabes
é a frase que mais gosto de dizer. Sai-me assim a admiração, sem ironia nem favor, em fórmula infantil.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
domingo, 23 de setembro de 2007
Sintra, Praça Dr. Francisco Sá Carneiro
Nó na garganta, pensou que mais era a ânsia de ouvir. Não era; mais era a de cantar.
sábado, 22 de setembro de 2007
Questões Verdadeiramente Fracturantes
A baínha da pesporrência anti-aquilina está cheia de terra indesejada. O que dizem, tantas destas bocas em forma de avaliação de Aquilino, de Torga, de outros? Alguma coisa. E nessa alguma coisa há, por exemplo, o afastamento, a estranheza, a recusa da ruralidade. Há aquele tom do citadino que passa bem sem saber dos primos da província, e que passa melhor sem que o lembrem que também ele vem de lá. Esse tom, o do embaraço com um Portugal que se ignora, não o entendo nem o respeito.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Water
"I was born in a drouth year. That summer
my mother waited in the house, enclosed
in the sun and the dry ceaseless wind,
for the men to come back in the evenings,
bringing water from a distant spring.
veins of leaves ran dry, roots shrank.
And all my life I have dreaded the return
of that year, sure that it still is
somewhere, like a dead enemys soul.
Fear of dust in my mouth is always with me,
and I am the faithful husband of the rain,
I love the water of wells and springs
and the taste of roofs in the water of cisterns.
I am a dry man whose thirst is praise
of clouds, and whose mind is something of a cup.
My sweetness is to wake in the night
after days of dry heat, hearing the rain."
my mother waited in the house, enclosed
in the sun and the dry ceaseless wind,
for the men to come back in the evenings,
bringing water from a distant spring.
veins of leaves ran dry, roots shrank.
And all my life I have dreaded the return
of that year, sure that it still is
somewhere, like a dead enemys soul.
Fear of dust in my mouth is always with me,
and I am the faithful husband of the rain,
I love the water of wells and springs
and the taste of roofs in the water of cisterns.
I am a dry man whose thirst is praise
of clouds, and whose mind is something of a cup.
My sweetness is to wake in the night
after days of dry heat, hearing the rain."
Wendell Berry, Farming: A Handbook, 1970.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Quatro Caminhos, Ano IV
Eu por outras ruas e o QC a fazer três anos. Cá estamos. Um pouco como no começo, em trânsito. Um outro trânsito, menos ferroviário, mais automobilizado. Novas e velhas encruzilhadas. A mesma vontade de aprender.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Ave-do-arremedo
Li Mockingbird há mais de uma dúzia de anos, nos meses em que mais li na vida, também eles muito mitificáveis, como todos os meses de convalescença o são. Entre muitos outros, alguém me emprestou aquele numero da 'colecção azul'. Não li mais nada de Walter Tevis, que só mais tarde me apercebi ser o criador de Eddie Felsen, o jogador de bilhar interpretado por Paul Newman. Mockingbird conta a redescoberta do mundo depois do fim da memória, por via da difícil aprendizagem do acto de ler. Dos poucos livros de ficção científica que li, foi o único que me pareceu realmente profético.
Wee Hours
Todas as vidas são mitificáveis. Vejamos-me. Se estivesse guardada para grandes coisas*, podia ser objecto de um perfil apologético que começasse naquela foto do baptizado em que mergulho as mãozinhas infantis na água benta. Porém, mais tarde ou mais cedo, um biógrafo menos parcial poderia, segundo observação atenta e desapaixonada do documento, apontar o facto de a mãozinha abençoada ter sido a direita, e eu ser indiscutivelmente canhota.
*Um colega de escola do meu pai, optimista entre optimistas, repetia aos rapazes da classe, em antecipação excitada do futuro, estamos guardados para grandes coisas.
Massamá, Praceta João de Deus
Numa das dezenas de lojas de certa cadeia de pronto-a-vestir nacional (sim, sou proteccionista) comprei uma gabardina. Ao receber o pagamento, rematando o inevitável momento de conversa de chacha, a gerente gabou a peça por ser impermeável e tudo. Assim como se a impermeabilidade não fosse um predicado esperado, antes um bónus. A nossa expectativa em relação às coisas tem de ser assim tão baixa?
domingo, 9 de setembro de 2007
Coisas que Só A Mim Apoquentam XLVI
Já mudei por diversas vezes de pensamento relativamente ao instinto, à intuição. Andava conformada com a ideia de que as avaliações figadais não têm valor. Até que outro dia me disseram que só pensa assim quem é como eu, com tal, tal e tal característica. Quem mo disse mal me conhece, e ainda assim avançou julgamento detalhado. Acertando redondamente. O que me leva a repensar isto tudo.
sábado, 8 de setembro de 2007
Ends Meet
Calhou-lhe a vez, como a quem chumba. É possível que assim seja por nunca se ter exposto verdadeiramente à dificuldade. Prova a falha, engole a frustração, digere as limitações. Agora sim, aprende.
(Ainda a) Voz
No tempo dos meus pais estarem para o ser não se dizia fosse o que fosse a uma barriga grávida, isso são coisas de agora. Terá sido desde o colo. Ou desde o quadro, desde a rua, desde o ambão. Não sei. Sei que ainda só sereno pela fala.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
"Só Achas Graça aos Esquisitos, Pá!" XVII
Danny Huston. Não sei se é mais perturbante a voz, se o riso. Muito mas mesmo muito Alfa.
Mapa Cor-de-Rosa
O que nos leva a achar que querermos chega para chegarmos ao que queremos? Planeamos, como se para além das nossas fronteiras tudo fosse fácil de atingir. Não é, esquecemo-nos de umas expedições para as outras que não é.
sábado, 1 de setembro de 2007
As Alegrias que o Live Search Me dá*
Um digitante veio aqui parar procurando conselhos para quem tem o coração maior que a caixa. O coração maior que a caixa. 'Mais olhos que barriga' e 'Muita areia para a tua camioneta' morreram, depois de 'O coração maior que a caixa'.
*Título semi-palmado ao prestimoso Rafael Galvão.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
A beleza contida num pequeno copo de água*
Como admiro quem decide facilmente. A escolha custa-me mais que tudo, procuro o certo em constante angústia. Eis trabalho para uma vida.
*Ruy Belo, A Margem da Alegria, 1974.
Metro, Restauradores
Estranho ofício. Três ou quatro cegos para cada linha, às vezes por turnos. O tom varia: há os que arrastam a cantilena, há os que bradam a toque de caixa. Cobrem toda a rede e efectuam marcação carruagem a carruagem. Têm aparência invariavelmente limpa, engomada. De mecânico e imperativo, o seu pregão é ignorado. Ainda assim, alguém sempre dá.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Coisas Que Só a Mim Apoquentam XLV
Uma das técnicas que hoje mais parece divagar entre cumes e pegões artísticos é a da tatuagem. Porque parte da interpretação e escolha de um símbolo e poderá permanecer unida ao seu portador toda a vida, porque é predominantemente figurativa e implica grande mestria artesanal por parte do seu executor, uma tatuagem pode ser bela. Exactamente pelas mesmas razões, pode ser uma foleirada total. No domínio da foleirada total, dou o primeiro lugar a quem ostenta tatuagens de si mesmo. Sim, da sua própria figura. Há afirmação estética mais enjoativa?
sábado, 25 de agosto de 2007
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Não apenas por causa das pernas dela, claro
Ontem terá dado L'Amour en Fuite a uma hora absurda da madrugada, na RTP1, que nunca vi na íntegra e que queria ver. Repisando a perda, lá fui parar à Wikipédia. Que tinha à minha espera isto:
«Amor em Fuga (L'Amour en Fuite) é um filme francês dirigido por François Truffaut, lançado em 1979. É o último filme de Antoine Doinel de François Truffaut. Após 8 anos de vida em comum, Antoine (Jean-Pierre Léaud) e Christine Doinel (Claude Jade), seu último amor de Baisers Volés e Domicílio Conjugal, decidem divorciar-se... É um filme feito para os amantes dos filmes anteriores da saga. Ele homenageia de maneira carinhosa os outros filmes, trazendo seqüências de todos eles em flashback com Antoine (Jean-Pierre Léaud) e Christine (a bela Claude Jade). Mas de que adiantou eu torcer tanto para os dois (Antoine e Christine) ficarem juntos em Beijos Roubados e Domicílio Conjugal, para vê-los agora em processo de divórcio? Uma pena. Lembro que quando eu vi as pernas de Claude Jade nesses filmes, eu ficava idealizando um casamento similar pra mim. Não apenas por causa das pernas dela, claro, mas por causa do jeito dela, e da química entre os dois.»
Soyez bienvenus ao enciclopedismo emo.
«Amor em Fuga (L'Amour en Fuite) é um filme francês dirigido por François Truffaut, lançado em 1979. É o último filme de Antoine Doinel de François Truffaut. Após 8 anos de vida em comum, Antoine (Jean-Pierre Léaud) e Christine Doinel (Claude Jade), seu último amor de Baisers Volés e Domicílio Conjugal, decidem divorciar-se... É um filme feito para os amantes dos filmes anteriores da saga. Ele homenageia de maneira carinhosa os outros filmes, trazendo seqüências de todos eles em flashback com Antoine (Jean-Pierre Léaud) e Christine (a bela Claude Jade). Mas de que adiantou eu torcer tanto para os dois (Antoine e Christine) ficarem juntos em Beijos Roubados e Domicílio Conjugal, para vê-los agora em processo de divórcio? Uma pena. Lembro que quando eu vi as pernas de Claude Jade nesses filmes, eu ficava idealizando um casamento similar pra mim. Não apenas por causa das pernas dela, claro, mas por causa do jeito dela, e da química entre os dois.»
Soyez bienvenus ao enciclopedismo emo.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Do Gosto
Outro fenómeno esquisito do crescimento é a mudança do gosto. Em miúdos detestamos os sabores intensos, as favas, os cominhos, os coentros, a beterraba. E depois, com o tempo, passamos a gostar de alguns. Que raio.
Queluz, Rua Mateus Vicente de Oliveira
Alguns ainda tratam os seus quarteirões por Casal das Quintelas, Casal de Santa Leopoldina, Casal Gouveia, Casal do Olival, como se os moinhos, os olivais, as casas de veraneio ou as próprias colinas permanecessem. Desse modo, permanecem.
Coisas giras no mês do nada, 4
No divertimento da estação o Ego é batido por si mesmo, pela evocação de um passado em que a felicidade era simples; de tão forte e inesperada, essa lembrança muda o presente, faz futuro.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Lisboa, Alameda da Universidade
Aquele dito de que não se escolhe a família em que se nasce não tem sentido, passa-se toda a infância e juventude a aproximá-la ou afastá-la, toda, uma parte, até ela o ser mais, ou deixar de o ser. Escolhe-se, pois.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Quantos optimistas contas?
Mais ou menos tantos quantos os que chamam 'tónico' ao que outros chamam 'difícil'.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Coisas Giras no mês do nada, 3
[Metro, Campo Grande. Mãe cansada, filho não.]
- Vuuum, vuuum.
- Que coisa, está quieto, Denzel!
- Vuuum, vuuum.
- Que coisa, está quieto, Denzel!
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
, All by Yourself
Não faço ideia se lês, nunca fiz, a verdade é essa. Passam-se os anos, e assim é. Escrevo em voz alta, tentando dar um sentido ao que pode não tê-lo, como naquela história do Tim Pears.
Queluz, Rua Projectada, Et Caetera
Poderia ter sido mais bonito, este improviso centenário? Não. Um rodeio de amigos de tantos anos. Não me interessa se mais chegados, se não. Sinceros. Tudo se joga no adjectivo. Uns dias mais tarde, o meu primeiro lenço ao pescoço de alguém melhor. O mundo não é perfeito, mas está bem.
Spleen
E de repente um queirosianismo vago passa a questão de vida. É sempre assim, o mais banal dos acidentes põe tudo em causa. Lembro o rapaz de Singeverga, tia. Tenho medo de não valer, esta petição. Pedirei à mesma. Hoje foi dia de São Caetano, tia. Ele acreditava muito na Providência, como tu. Há-de ser tudo por bem.
Coisas Giras no Mês do Nada, 1
Falar diariamente com os moicanos, saber quem é o último a chegar a casa.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Humpf
Quando os meus bloggers mais caros vão de férias amuo. Reservo-me o direito de fazer exactamente o mesmo, mas amuo.
Poole Harbour, Brownsea Island
A primeira vez que o vi foi na sede, reproduzido a partir de um óleo conhecido. Achei-o solene mas simpático, respeitável, muito britânico. Perguntei-me como teria sido, na minha idade. Hoje sei que Stephe não foi uma criança despreocupada, como conta a lenda por ele próprio construída. Não foi um jovem militar romântico, a conjuntura não o permitiu. Não foi um adulto com a noção das conveniências, não era essa a sua natureza. Foi um idealista praticante. Passou a outros o que o fazia feliz. Morreu sem saber se o Eixo triunfaria. Mas não sem uma vida cumprida, sem deixar em curso uma certa ideia de futuro.
Thank you, Stephe.
Thank you, Stephe.
terça-feira, 31 de julho de 2007
quinta-feira, 26 de julho de 2007
April 24
Did you know that Evian spelled backwards is naive?
I myself was unaware of this fact until last Tuesday night
when John Ashbery, Marc Cohen, and Eugene Richie
gave a poetry reading and I introduced them
to an audience that already knew them,
and there were bottles of Evian at the table.
As air to the lungs of a drowning man was
a glass of this water to my dry lips. I recommend it
to you, a lover of palindromes, who will also
be glad to learn that JA read us three "chapters"
of his new poem, "Girls on the Run," a twelve-
part saga inspired by girls' adventure stories, with
characters named Dimples and Tidbit plus Talkative and
Hopeful on loan from "Pilgrim's Progress."
As Frank O'Hara would have said, "it's the nuts."
The poets' books were on sale and afterwards
two of the poets signed theirs happily and the third
did so willingly and Joe took photos and I smiled
for the camera, shaking hands with people
I knew or didn't know and thinking how
blessed was the state of naiveté
my naive belief in the glory of the word.
I myself was unaware of this fact until last Tuesday night
when John Ashbery, Marc Cohen, and Eugene Richie
gave a poetry reading and I introduced them
to an audience that already knew them,
and there were bottles of Evian at the table.
As air to the lungs of a drowning man was
a glass of this water to my dry lips. I recommend it
to you, a lover of palindromes, who will also
be glad to learn that JA read us three "chapters"
of his new poem, "Girls on the Run," a twelve-
part saga inspired by girls' adventure stories, with
characters named Dimples and Tidbit plus Talkative and
Hopeful on loan from "Pilgrim's Progress."
As Frank O'Hara would have said, "it's the nuts."
The poets' books were on sale and afterwards
two of the poets signed theirs happily and the third
did so willingly and Joe took photos and I smiled
for the camera, shaking hands with people
I knew or didn't know and thinking how
blessed was the state of naiveté
my naive belief in the glory of the word.
David Lehman, The Daily Mirror, 2000.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Género Patty e Selma Bouvier
Mesmo as almas mais boazinhas transportam o instinto de se indisporem parvamente. Conheço quem fique de mau humor perante feios, quem não suporte estranhos, que evite falar com pessoas baixas. Tudo muito subtil, pelo que a antipatia se manifesta em afastamento ou, em caso de contacto obrigatório, irritação. A mim, arrepanha-se-me o cabelo da nuca ao som de contraltos desbocadas.
Gymnasylum (4)
Há-de haver uma modalidade altamente entusiasmante, grandemente queimadora de calorias, capaz de me converter em praticante diária. Ainda não encontrei. Entretanto bicicleto, passadeiro e conjugo outras máquinas igualmente chatas.
I Took The Key
Não tinha reparado. Mas é claro que Kieslowski tinha uns piercing blue eyes. Eu [também] choro quando não quero, Julie.
"Só Achas Graça aos Esquisitos, Pá!" XVI
Ai, Wagner Moura, Wagner Moura, eu dizia-te onde é que estava o notebook.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Sintra, Estrada da Várzea
"My errand is not so simple as it seems."
Conrad Aiken, The House of Dust, 1920.
Em casa de amigos vejo minutos de um Verão de há meia-vida. Não o sinto assim tão antigo; não me sinto diferente, crescida, melhor. Sei que estou no futuro conseguido, não no imaginado, pelo que penso no que outros tantos anos trarão. E neste fatalismo que formula anos que trazem, em vez de anos nos quais há que buscar.
sábado, 21 de julho de 2007
Gadajace Glowy ['Talking Heads', K. Kieslowski, 1980] Parte 1 de 3
E às tantas há o miúdo que diz que ainda não sabe quem é, mas que gosta muito de ler livros.
Aquele carapau grelhado estava perfeito
As pequenas alegrias são-me tão homeostáticas que passo por tolinha.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Wee Hours
A oração coordenada copulativa onde vem o pedaço de verdade com que o interlocutor não me pretende assustar assusta-me sempre.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Caracóis, Sandálias e Traições - Fim
Raios, não me apetecia que Voreno chegasse ao fim. Queria percebê-lo. Desejava-lhe uma morte menos real, outra que não a morte pela espada, aquela por que todo o soldado espera e que por vezes, como António, prefere. E eis um Octaviano solar, ofuscante e impiedoso. Imperial. E Átia, querida Charlotte, ei-la pois, tão diferente da Átia do último Triunfo, o do seu tio, pesada daquele peso do que quis que acontecesse mas não como. E a vida que segue em Pulo, nas proles deste Castor, daquele Pollux. Na cidade-mundo.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
segunda-feira, 16 de julho de 2007
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Comboio, Benfica - Barcarena
O cansaço leva-me a estas duas passageiras, às histórias do velho diabético a quem nenhum calmante adormece, e que deseja fazer a revolução no segundo piso recrutando outros senhores com nomes de há muitos anos, Elias, Homero. A auxiliar mais nova, mais bem disposta e com cara de pouca saúde, fala também do fisiatra que pergunta e responde em contínuo às acamadas do primeiro piso com nomes igualmente idos, Josefa, Ermelinda. A mais velha diz bem da doutora que corrige os erros de português, mal da colega que se inquieta quando ninguém tem pelo menos uma febre. Como será trabalhar assim, desenclavinhando vida e morte a cada turno?
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Caracóis, Sandálias e Traições
Mea culpa, também: passei ao largo do episódio 20 muda e queda. Em modo de remissão aqui fica o link para um interessante post de Luís Naves.
E eis-nos entre uma Alexandria quente, atordoada, e uma Roma à míngua, sem cão à vista. Desconcerta, o embaraço de Octaviano ante a perspicácia de Lívia. Não se reconhece, a têmpera de António às mãos de Cleópatra. Até que ponto a paixão explica a hesitação, ou a teimosia? E é paixão a doença de que fala Voreno? Por quê? Posca não quer morrer, Cesareion não quer ignorar, Átia não quer admitir, Agripa não quer trair, Pulo não quer acreditar. Assim se fina a paz consertada.
E eis-nos entre uma Alexandria quente, atordoada, e uma Roma à míngua, sem cão à vista. Desconcerta, o embaraço de Octaviano ante a perspicácia de Lívia. Não se reconhece, a têmpera de António às mãos de Cleópatra. Até que ponto a paixão explica a hesitação, ou a teimosia? E é paixão a doença de que fala Voreno? Por quê? Posca não quer morrer, Cesareion não quer ignorar, Átia não quer admitir, Agripa não quer trair, Pulo não quer acreditar. Assim se fina a paz consertada.
terça-feira, 10 de julho de 2007
E o Resto
Um dos poucos aspectos fascinantes de uma súbita mudança de fisionomia é o desfasamento diário entre o eu de antes e o eu de agora. Que a memória de sermos outra coisa torna viva a diferença entre o corpo e o resto.
Sintra, Rua Barbosa du Bocage
Há dias, no casamento do meu melhor amigo, li na cara de mais velhos e felizes - ou pelo menos satisfeitos - o tal tratado de descrença compadecida pelos mais novos, frágeis e pouco certos de si. É o tempo que nos faz assim? Terá sido sempre assim? Não interessa, o que interessa é querer e crer.
Muitas felicidades, mano.
Muitas felicidades, mano.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Lisboa, Aeroporto
Nos momentos em que a falta de alguém dança connosco transfigura-se-nos o estranho em familiar. Por quase nada, que é o bastante para um tremor.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Here Now
Parabéns, menina. Toma lá uma prenda com laço e tudo. Enquanto a Paula Cole a gravava andávamos nós a fazer aquele quadro de pontuação para os putos, o que tinha pista de tartan e tudo, lembras-te? Sofreu um bocado no papel de banda sonora daquela série melosa, cá dobrada em porto-guês. Mas não se perdeu.
domingo, 1 de julho de 2007
Batata Aceite
Não me apetecendo falar de leituras laborais, no capítulo escapista as últimas coisas boas que li foram:
Entre mim e a minha morte há ainda um copo de crepúsculo, Egito Gonçalves.
Aquele nome incomum ficou-me de uma crónica loboantuniana muito comovente. E há dias deu-me vontade de saber dele.
Senhor Fantasma, Pedro Mexia.
Sigo uns quatro poetas da minha idade. Os que sigo, sigo fielmente. É que apenas n(ess)as palavras, por momentos, me consigo entender de uma geração.
Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira.
Muita gente me falou neste livro sem nunca dizer nada dele, sem tocar no enredo. Talvez porque essa muita gente o tenha lido na escola. Eu não.
Pétalas negras ardem nos teus olhos, Luís Falcão.
O título levou-me ao autor que vagamente recordará a pequena irmã do meu irmão. A que um dia apareceu num concerto com pestanas mascaradas de azul-eléctrico.
Women in Love, David Herbert Lawrence.
Ainda não acabei, na verdade. Tem-se falado em Lawrence, e ao passar na secção de usados da livraria do costume dei com um volume em capa vermelha, da Random House, assinado por alguém que o comprou em 1946. E então trouxe-o.
A batata passo-a a cinco passantes a quem apeteça comentar.
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