Tony anda assim com o mundo em geral, e o mau perder só inflama a condição; aquele silêncio depois de Meadow Gold perder por quase nada, credo. Leotardo brinda ao som de Nancy Sinatra - deve ser isso, a evolução na continuidade. Vito Jr. inspira o paternalismo alheio, protagoniza um momento pasoliniano e acaba num campo correcional. Pobre AJ, tão sem esperar o que o esperou.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Naming Names
Ouvi hoje alguém dizer que os filmes são as caras neles, que só o rosto nos conta o que há a contar. Em dia de sustos e partidas vem-me à memória um actor a quem o tempo faltou, e por causa de quem, adolescente, vim a querer saber mais desses tais Lumet, Van Sant, Bogdanovich, Shepard. River Phoenix desapareceu há catorze anos. Para mim, será sempre o rosto de uma América magoada, inquieta. Bela.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
And Some More Memeries
Cara Isabel, caro Pedro, caros outros passadores de memes que me tenham escapado, a minha página 161 só tem três frases, duas das quais completas; a última, o mais aproximado que se arranja da quinta (será que esta transgressão me vai valer a proscrição das cadeias blogosféricas a haver?) diz assim:
"(...) Sorrimos ambos; minutos depois, tornávamos ao assunto da casinha solitária, em alguma rua escusa..."
O Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é o meu actual livro-de-antes-de-dormir. Ainda não tinha chegado à página em causa, mas não demorará a que isso aconteça; é excelente.
"(...) Sorrimos ambos; minutos depois, tornávamos ao assunto da casinha solitária, em alguma rua escusa..."
O Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é o meu actual livro-de-antes-de-dormir. Ainda não tinha chegado à página em causa, mas não demorará a que isso aconteça; é excelente.
A causa foi florificada
Não quero ferir os seus sentimentos, senhor engenheiro, mas...bem...como dizer...esse template é de menina.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Memeries
i'll play it, too:
A Perfect World, Clint Eastwood.
A Idade Maior, Teresa Villaverde.
Faces, John Cassavetes.
Van Gogh, Maurice Pialat.
Lightning Over Water, Nicholas Ray/Wim Wenders
A Perfect World, Clint Eastwood.
A Idade Maior, Teresa Villaverde.
Faces, John Cassavetes.
Van Gogh, Maurice Pialat.
Lightning Over Water, Nicholas Ray/Wim Wenders
Hoje são estes, amanhã seriam outros.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Soprano Talk: Last Round (2)
O Paulie, esse grande caceteiro em sapatilha de lona. Nunca o seu nome de papagaio americano bateu tão certo como durante este episódio, um yap, yap, yap, those were the days sem fim. Pensei que em alto mar haveria um momento Robert de Niro vs. Bridget Fonda em Jackie Brown, mas não. Safou-se. Safou-o ser o ídolo decadente de Tony. No lar, um Corrado nada Cattani anima as hostes. As hostes revelam-se hostis. Phil Leotardo prossegue com estardalhaço. E o Silvio do Bing. Como é que se olha para o Silvio sem o lembrar de guitarra em punho a fazer coros com o Springsteen, hum?
Comboio, Areeiro-Amadora
A televisão importa. O homem que aqui vai fala depressa e baixo, fala como quem não fala muitas vezes e menos são as que tem quem o escute. Fala como quem ouviu o nome da sua terra depois de muito tempo. A este banto não muito alto, magro, como ao Lobo Antunes, Angola veio-lhe ao corpo com toda força. Não tem mais de trinta e cinco, trinta e seis anos. É do Uíge. A mãe está lá. Telefona-lhe, mas não a vê desde que veio. Isto foi em 1985. Queria vir, mas só conseguiu porque outros soldados mais velhos planearam a fuga e o trouxeram. Lembra por alto manobras e combates em terreno que o seu interlocutor parece reconhecer. Depois chega a qualquer coisa que não chega a dizer. Cala-se. O passageiro do lado, o colega ou amigo que nunca o interrompeu, diz-lhe que ele precisa de de lá voltar, que ele tem de lá voltar.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Não-não, Sim-Sim
Na loja portuguesa cá do bairro, a que fica entre o estúdio de dança africano que também é ponto de internet e a loja chinesa que tudo mete e é dos donos do inevitável restaurante, há palmilhas, túnicas, atoalhados, chupetas, linhas de crochet e assim, e ontem houve-me na fila a mim, com a senhora da frente a indagar se havia peúgos de homem 75% de acrílico e em fantasia, nem mais, 75% de acrílico e em fantasia, e a lojista que não-não, só peúgas lisas e todas de algodão, ou então meio por meio, a cliente muito desapontada, que assim não-não, deixasse estar, e a lojista a matutar no gosto dos outros, e eu a imaginar o homem daquela mulher das meias sim-sim brilhantes e sim-sim garridas, só por uns segundos antes de chegar a minha vez, e a mulher do homem a caminho do chinês.
Questões Verdadeiramente Fracturantes
A tentativa de irrisão do argumento alheio por via piadética é coisa de idiotas e preguiçosos. Por alguma razão se diz 'fazer pouco'.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Wee Hours
Dorme tapada dos pés à cabeça, mesmo no Verão. Que assim se sente segura. Como se um lençol a guardasse de coisa alguma.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Soprano Talk: Last Round (1)
Eu cá acabei por não ver o primeiro dos últimos, Charlotte [e mais participantes nesta rodada]. Deste segundo gostei muito. Mircea Eliade talvez também tivesse gostado, sobretudo daquele momento tão didáctico em que Little Carmine elogia a filha por ter identificado, no final de Cleaver, uma alusão simbólica ao sagrado e ao propano. Geraldo Rivera no papel de Rui Santos do follow-up mediático à sucessão no clã mafioso nova-ioquino vai bastante convincentemente. Johnny Sack, tão longe do seu vigor à Tony Curtis, arrepende-se de se ter arrependido de fumar. O Bada Bing continua a parecer o Satriale's. A Dr.ª Melfi acha que Tony está magoado com Chris. Está, mas não está só magoado. Está a temer o que Chris vai querer fazer com ele; está a temer, por isso mesmo, o que ele próprio vai ter de fazer.
O Regresso de Patty
podia ser nome de soap opera, e a modos que é. Na passada semana um certo fotoblogger, fazendo jus à fama de bom olheiro, chamou-me atenção para o facto de que no Feira Nova - superfície a que, por nenhuma razão em especial, não costumo ir - se pode encontrar à venda o meu saudoso sabonete. De caminho, trouxe duas das novas versões mais-baratas-que-as-da-Claus para experimentar. E sim, aquele arranhão no Patty Limão foi do entusiasmo no reencontro.sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Lisboa, Entrecampos Poente
A passageira que tenho pela frente carrega uma ideia brilhante. Literalmente. Eis que vai ou vem do trabalho ao som de música, o que não seria nada de especial se os auriculares não estivessem ligados a um telemóvel entalado entre o soutien e o externo. O display cintila, trespassando a malha de meia-estação. E.T. phone home.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Da Cidade-Estado
O facto de vivermos num mundo onde a aclamação é impossível, onde o uníssono é repudiado, não nos deveria deixar assim tão absolutamente contentinhos da vida.
Der Steppenwolf
É que nem mesmo quando se deixa ficar sentado nas escadas, contemplando a entrada imaculada da casa vizinha, Harry está realmente só.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Homens VIII
Por qualquer razão, tornou-se raro o homem de cabelo comprido. Não digo aquele cabelinho beto a roçar a gola da camisa, nem tão pouco o cabelão metaleiro, a esconder a cara. Já só em França e em filmes de época se dá por respeitáveis cabeleiras masculinas.
Planeta Nacional
Passo pela Serviço de Referências e espreito a mostra da Colecção Arnaldo Saraiva. Não há rabujice matinal que resista a obras como
O Barão de Cacaracacá
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Bildungsroman
O espanto é a aprendizagem súbita. Esperamos aprender nos nossos termos, à nossa ordem, mas as coisas não são bem assim.
Lisboa, Rua José Carlos dos Santos
A meia-estação deixa a descoberto quem tem a perder. Quem se enroupa por cautela, quem leva o guarda-chuva e o lenço, fá-lo por não poder ficar mal. Por ter de trabalhar ou de olhar por alguém. Por ter de ser.
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