a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Mapa Cor-de-Rosa

O que nos leva a achar que querermos chega para chegarmos ao que queremos? Planeamos, como se para além das nossas fronteiras tudo fosse fácil de atingir. Não é, esquecemo-nos de umas expedições para as outras que não é.

sábado, 1 de setembro de 2007

As Alegrias que o Live Search Me dá*

Um digitante veio aqui parar procurando conselhos para quem tem o coração maior que a caixa. O coração maior que a caixa. 'Mais olhos que barriga' e 'Muita areia para a tua camioneta' morreram, depois de 'O coração maior que a caixa'.

*Título semi-palmado ao prestimoso Rafael Galvão.

Autocarro nº100

O mais adagioso, ambulante e divertidamente patranheiro dos Joões, Vuvu, bebe uma cerveja nas Vicentinas, ali à RTP2. Do seu criador, dizer que nenhum outro gozou tanto com os espectadores em tão perfeito português.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A beleza contida num pequeno copo de água*

Como admiro quem decide facilmente. A escolha custa-me mais que tudo, procuro o certo em constante angústia. Eis trabalho para uma vida.

*Ruy Belo, A Margem da Alegria, 1974.

Metro, Restauradores

Estranho ofício. Três ou quatro cegos para cada linha, às vezes por turnos. O tom varia: há os que arrastam a cantilena, há os que bradam a toque de caixa. Cobrem toda a rede e efectuam marcação carruagem a carruagem. Têm aparência invariavelmente limpa, engomada. De mecânico e imperativo, o seu pregão é ignorado. Ainda assim, alguém sempre dá.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A Vida Antes da Vida no Limbo Ideológico

O que aconteceu entretanto não sei, mas parece-me evidente que em 1978 era uma pessoa de direita. Olhai a facies, o penteadinho, a pose de Estado.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XLV

Uma das técnicas que hoje mais parece divagar entre cumes e pegões artísticos é a da tatuagem. Porque parte da interpretação e escolha de um símbolo e poderá permanecer unida ao seu portador toda a vida, porque é predominantemente figurativa e implica grande mestria artesanal por parte do seu executor, uma tatuagem pode ser bela. Exactamente pelas mesmas razões, pode ser uma foleirada total. No domínio da foleirada total, dou o primeiro lugar a quem ostenta tatuagens de si mesmo. Sim, da sua própria figura. Há afirmação estética mais enjoativa?

sábado, 25 de agosto de 2007

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Não apenas por causa das pernas dela, claro

Ontem terá dado L'Amour en Fuite a uma hora absurda da madrugada, na RTP1, que nunca vi na íntegra e que queria ver. Repisando a perda, lá fui parar à Wikipédia. Que tinha à minha espera isto:

«Amor em Fuga (L'Amour en Fuite) é um filme francês dirigido por François Truffaut, lançado em 1979. É o último filme de Antoine Doinel de François Truffaut. Após 8 anos de vida em comum, Antoine (Jean-Pierre Léaud) e Christine Doinel (Claude Jade), seu último amor de Baisers Volés e Domicílio Conjugal, decidem divorciar-se... É um filme feito para os amantes dos filmes anteriores da saga. Ele homenageia de maneira carinhosa os outros filmes, trazendo seqüências de todos eles em flashback com Antoine (Jean-Pierre Léaud) e Christine (a bela Claude Jade). Mas de que adiantou eu torcer tanto para os dois (Antoine e Christine) ficarem juntos em Beijos Roubados e Domicílio Conjugal, para vê-los agora em processo de divórcio? Uma pena. Lembro que quando eu vi as pernas de Claude Jade nesses filmes, eu ficava idealizando um casamento similar pra mim. Não apenas por causa das pernas dela, claro, mas por causa do jeito dela, e da química entre os dois.»


Soyez bienvenus ao enciclopedismo emo
.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Do Gosto

Outro fenómeno esquisito do crescimento é a mudança do gosto. Em miúdos detestamos os sabores intensos, as favas, os cominhos, os coentros, a beterraba. E depois, com o tempo, passamos a gostar de alguns. Que raio.

Queluz, Rua Mateus Vicente de Oliveira

Alguns ainda tratam os seus quarteirões por Casal das Quintelas, Casal de Santa Leopoldina, Casal Gouveia, Casal do Olival, como se os moinhos, os olivais, as casas de veraneio ou as próprias colinas permanecessem. Desse modo, permanecem.

Coisas giras no mês do nada, 4

No divertimento da estação o Ego é batido por si mesmo, pela evocação de um passado em que a felicidade era simples; de tão forte e inesperada, essa lembrança muda o presente, faz futuro.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Lisboa, Alameda da Universidade

Aquele dito de que não se escolhe a família em que se nasce não tem sentido, passa-se toda a infância e juventude a aproximá-la ou afastá-la, toda, uma parte, até ela o ser mais, ou deixar de o ser. Escolhe-se, pois.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Quantos optimistas contas?

Mais ou menos tantos quantos os que chamam 'tónico' ao que outros chamam 'difícil'.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Coisas Giras no mês do nada, 3

[Metro, Campo Grande. Mãe cansada, filho não.]


- Vuuum, vuuum.

- Que coisa, está quieto, Denzel!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

E 'vermelho' e 'prenda' e 'comida'

Mas de onde é que saiu esta 'fila'? Digo sempre 'bicha'.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

, All by Yourself

Não faço ideia se lês, nunca fiz, a verdade é essa. Passam-se os anos, e assim é. Escrevo em voz alta, tentando dar um sentido ao que pode não tê-lo, como naquela história do Tim Pears.

Queluz, Rua Projectada, Et Caetera

Poderia ter sido mais bonito, este improviso centenário? Não. Um rodeio de amigos de tantos anos. Não me interessa se mais chegados, se não. Sinceros. Tudo se joga no adjectivo. Uns dias mais tarde, o meu primeiro lenço ao pescoço de alguém melhor. O mundo não é perfeito, mas está bem.

Spleen

E de repente um queirosianismo vago passa a questão de vida. É sempre assim, o mais banal dos acidentes põe tudo em causa. Lembro o rapaz de Singeverga, tia. Tenho medo de não valer, esta petição. Pedirei à mesma. Hoje foi dia de São Caetano, tia. Ele acreditava muito na Providência, como tu. Há-de ser tudo por bem.

Coisas Giras no Mês do Nada, 1

Falar diariamente com os moicanos, saber quem é o último a chegar a casa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Humpf

Quando os meus bloggers mais caros vão de férias amuo. Reservo-me o direito de fazer exactamente o mesmo, mas amuo.

Poole Harbour, Brownsea Island

A primeira vez que o vi foi na sede, reproduzido a partir de um óleo conhecido. Achei-o solene mas simpático, respeitável, muito britânico. Perguntei-me como teria sido, na minha idade. Hoje sei que Stephe não foi uma criança despreocupada, como conta a lenda por ele próprio construída. Não foi um jovem militar romântico, a conjuntura não o permitiu. Não foi um adulto com a noção das conveniências, não era essa a sua natureza. Foi um idealista praticante. Passou a outros o que o fazia feliz. Morreu sem saber se o Eixo triunfaria. Mas não sem uma vida cumprida, sem deixar em curso uma certa ideia de futuro.

Thank you, Stephe.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Erros Favoritos VI

Plantaforma > Plataforma

quinta-feira, 26 de julho de 2007

April 24

Did you know that Evian spelled backwards is naive?
I myself was unaware of this fact until last Tuesday night
when John Ashbery, Marc Cohen, and Eugene Richie
gave a poetry reading and I introduced them
to an audience that already knew them,
and there were bottles of Evian at the table.
As air to the lungs of a drowning man was
a glass of this water to my dry lips. I recommend it
to you, a lover of palindromes, who will also
be glad to learn that JA read us three "chapters"
of his new poem, "Girls on the Run," a twelve-
part saga inspired by girls' adventure stories, with
characters named Dimples and Tidbit plus Talkative and
Hopeful on loan from "Pilgrim's Progress."
As Frank O'Hara would have said, "it's the nuts."
The poets' books were on sale and afterwards
two of the poets signed theirs happily and the third
did so willingly and Joe took photos and I smiled
for the camera, shaking hands with people
I knew or didn't know and thinking how
blessed was the state of naiveté
my naive belief in the glory of the word.
David Lehman, The Daily Mirror, 2000.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Género Patty e Selma Bouvier

Mesmo as almas mais boazinhas transportam o instinto de se indisporem parvamente. Conheço quem fique de mau humor perante feios, quem não suporte estranhos, que evite falar com pessoas baixas. Tudo muito subtil, pelo que a antipatia se manifesta em afastamento ou, em caso de contacto obrigatório, irritação. A mim, arrepanha-se-me o cabelo da nuca ao som de contraltos desbocadas.

Gymnasylum (4)

Há-de haver uma modalidade altamente entusiasmante, grandemente queimadora de calorias, capaz de me converter em praticante diária. Ainda não encontrei. Entretanto bicicleto, passadeiro e conjugo outras máquinas igualmente chatas.

I Took The Key

Não tinha reparado. Mas é claro que Kieslowski tinha uns piercing blue eyes. Eu [também] choro quando não quero, Julie.

"Só Achas Graça aos Esquisitos, Pá!" XVI

Ai, Wagner Moura, Wagner Moura, eu dizia-te onde é que estava o notebook.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Sintra, Estrada da Várzea

"My errand is not so simple as it seems."
Conrad Aiken, The House of Dust, 1920.

Em casa de amigos vejo minutos de um Verão de há meia-vida. Não o sinto assim tão antigo; não me sinto diferente, crescida, melhor. Sei que estou no futuro conseguido, não no imaginado, pelo que penso no que outros tantos anos trarão. E neste fatalismo que formula anos que trazem, em vez de anos nos quais há que buscar.

sábado, 21 de julho de 2007

Gadajace Glowy ['Talking Heads', K. Kieslowski, 1980] Parte 1 de 3

E às tantas há o miúdo que diz que ainda não sabe quem é, mas que gosta muito de ler livros.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XLIV

Chega um dia em que a gente se habitua a ouvir não, ou não?

Aquele carapau grelhado estava perfeito

As pequenas alegrias são-me tão homeostáticas que passo por tolinha.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Wee Hours

A oração coordenada copulativa onde vem o pedaço de verdade com que o interlocutor não me pretende assustar assusta-me sempre.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições - Fim

Raios, não me apetecia que Voreno chegasse ao fim. Queria percebê-lo. Desejava-lhe uma morte menos real, outra que não a morte pela espada, aquela por que todo o soldado espera e que por vezes, como António, prefere. E eis um Octaviano solar, ofuscante e impiedoso. Imperial. E Átia, querida Charlotte, ei-la pois, tão diferente da Átia do último Triunfo, o do seu tio, pesada daquele peso do que quis que acontecesse mas não como. E a vida que segue em Pulo, nas proles deste Castor, daquele Pollux. Na cidade-mundo.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

1980

Era a emoção frente às ondas, mesmo que pequenas, era o gelado vermelho que a mamã só comprava às vezes, eram os primos quase todos para brincar. Era a largueza de tudo.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A Lei de Murphy

tem graça, quando não se nos aplica. Vai ser uma bela semana.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Comboio, Benfica - Barcarena

O cansaço leva-me a estas duas passageiras, às histórias do velho diabético a quem nenhum calmante adormece, e que deseja fazer a revolução no segundo piso recrutando outros senhores com nomes de há muitos anos, Elias, Homero. A auxiliar mais nova, mais bem disposta e com cara de pouca saúde, fala também do fisiatra que pergunta e responde em contínuo às acamadas do primeiro piso com nomes igualmente idos, Josefa, Ermelinda. A mais velha diz bem da doutora que corrige os erros de português, mal da colega que se inquieta quando ninguém tem pelo menos uma febre. Como será trabalhar assim, desenclavinhando vida e morte a cada turno?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Mea culpa, também: passei ao largo do episódio 20 muda e queda. Em modo de remissão aqui fica o link para um interessante post de Luís Naves.

E eis-nos entre uma Alexandria quente, atordoada, e uma Roma à míngua, sem cão à vista. Desconcerta, o embaraço de Octaviano ante a perspicácia de Lívia. Não se reconhece, a têmpera de António às mãos de Cleópatra. Até que ponto a paixão explica a hesitação, ou a teimosia? E é paixão a doença de que fala Voreno? Por quê? Posca não quer morrer, Cesareion não quer ignorar, Átia não quer admitir, Agripa não quer trair, Pulo não quer acreditar. Assim se fina a paz consertada.

terça-feira, 10 de julho de 2007

E o Resto

Um dos poucos aspectos fascinantes de uma súbita mudança de fisionomia é o desfasamento diário entre o eu de antes e o eu de agora. Que a memória de sermos outra coisa torna viva a diferença entre o corpo e o resto.

Sintra, Rua Barbosa du Bocage

Há dias, no casamento do meu melhor amigo, li na cara de mais velhos e felizes - ou pelo menos satisfeitos - o tal tratado de descrença compadecida pelos mais novos, frágeis e pouco certos de si. É o tempo que nos faz assim? Terá sido sempre assim? Não interessa, o que interessa é querer e crer.


Muitas felicidades, mano.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Lisboa, Aeroporto

Nos momentos em que a falta de alguém dança connosco transfigura-se-nos o estranho em familiar. Por quase nada, que é o bastante para um tremor.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Here Now

Parabéns, menina. Toma lá uma prenda com laço e tudo. Enquanto a Paula Cole a gravava andávamos nós a fazer aquele quadro de pontuação para os putos, o que tinha pista de tartan e tudo, lembras-te? Sofreu um bocado no papel de banda sonora daquela série melosa, cá dobrada em porto-guês. Mas não se perdeu.

domingo, 1 de julho de 2007

Batata Aceite

Não me apetecendo falar de leituras laborais, no capítulo escapista as últimas coisas boas que li foram:


Entre mim e a minha morte há ainda um copo de cre
púsculo, Egito Gonçalves.

Aquele nome incomum ficou-me
de uma crónica loboantuniana muito comovente. E há dias deu-me vontade de saber dele.


Senhor Fantasma, Pedro Mexia.

Sigo uns quatro poetas da minha idade. Os que sigo, sigo fielmente. É que apenas n(ess)as palavras, por momentos, me consigo entender de uma geração.


Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira.

Muita gente me falou neste livro sem nunca dizer nada dele, sem tocar no enredo. Talvez porque essa muita gente o tenha lido na escola. Eu não.


Pétalas negras ardem nos teus olhos, Luís Falcão.

O título levou-me ao autor que vagamente recordará a pequena irmã do meu irmão. A que um dia apareceu num concerto com pestanas mascaradas de azul-eléctrico.



Women in Love
, David Herbert Lawrence.

Ainda não acabei, na verdade. Tem-se falado em Lawrence, e ao passar na secção de usados da livraria do costume dei com um volume em capa vermelha, da Random House, assinado por alguém que o comprou em 1946. E então trouxe-o.


A batata passo-a a cinco passantes a quem apeteça comentar.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Dos dias/cheios de letras/mal sobram/palavras./Sobra uma/casa de tempo/desapercebido.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Erros Favoritos V

Lactifúndio > Latifúndio

terça-feira, 26 de junho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Agora sim, triunvirato sabe a triunvirato: Lépido dá corda ao Senado, Marco António estica-a; Octaviano, enquanto se não lança a nova empresa, faz contas ao seu terço. E castiga a mãe. O pregoeiro todo muito coreográfico manda reduzir ao mínimo os chistes sobre o estranho deus dos hebreus, já que o seu rei está na cidade a negócios. Pulo inquieta-se. Ou melhor, desinquietam-no. Voreno não quer lutas. Esta Roma política, comprometida e pacificada é-nos dada como tão ou mais vil e corrupta quanto a Roma em sangue, em guerra aberta. Não sei se me agrada a tese. Now that's an exit, diz António, imperturbado pela praga servílica. Pouca monta para quem não teme a morte, goza a vida e de caminho a filha da amante.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XLIII

Pessoas que dizem

- Sou uma pessoa muito simples.

Isto depois de me receitarem praia

Ena. Peso máximo histórico superado.

Outro planeta, mesma galáxia*



Com ele a alcatifa foi espaço sideral, a cómoda e escrivaninha planetas desconhecidos. Passado o tempo da brincadeira, mantivémo-lo por perto. Voou de arremesso em picardias. Entreteve mãos inquietas. Deu nome ao disco rígido do 386. E ali permanece.

* a propósito do Zen-Laviano Norrin Radd.

Lisboa, Rua do Século

Bom é o bife e falar sem pejo, embaraço. Melhor é não querer só passado, é forjar - ali e então - nova tradição.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Comboio, Monte Abraão

A porta da primeira composição é local marcado. Dão um pelo outro, acenam, cumprimentam-se. Conversam em língua estranha, percebem-se e mais ninguém os percebe. Podem deixar-se ouvir.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

"Lisbon has no 'N'"*

Do boné aos chinelos não têm mais de vinte anos. Tudo neles é dia de bem-me-quer. De bom grado os ajudo com as ruas. No fim de tão simples tarefa ele sorri e ela oferece-me um sincero e absolutamente americano

- Thanks so much, we would've toooooootally missed it!

Disfrutem, pás.


* Whitfield Crane, há uns anos, de visita à cidade. O radialista com quem falava não percebeu.
Achou que ele tinha dito 'Lisbon has no end'.


terça-feira, 19 de junho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Marte, que falta César faz.

As duas batalhas de Philippi, palco da morte de Cássio e Bruto, parecem uma só. O segundo triunvirato, coisa formal e séria - ao contrário do simples acordo entre Pompeu, Crasso e César - mal damos por ele; Marco António, Octaviano e Lépido parecem-nos tudo menos em pé de igualdade. Tudo a bem do nosso entreter? Aquela fracção de segundo em que Agripa hesita, mesmo antes do 'obrigado' pelo privilégio de guerrear concedido por um Octaviano muito penteadinho, que preciosa. Vorena-a-Velha ainda sonha com uma vida normal, Voreno-o-Conformado não. De conformismo não sofre Pulo. Um tanto bufa - desculpa, Pulo - aquela morte de Cícero.

Fantástico

, o facto de duas das mais puras representações contemporâneas da amizade terem acontecido em histórias Stephen King - The Body (transposto para cinema por Rob Reiner) e Dreamcatcher (por Lawrende Kasdan).

Um rapaz de lisboa

Quem pode pedir mais que uma prova de afecto imerecido? Que outra soteriologia é precisa?

domingo, 17 de junho de 2007

One's action ought to come out of an achieved stillness: not to be a mere rushing on.

David Herbert Lawrence

Lisboa, Avenida Guerra Junqueiro

E de repente ganhei jeitos ainda mais efeminados. Em horas vagas folheio catálogos internacionais, controlo preços nacionais, pergunto-me por que tem a Vogue España, pelo mesmo valor, o dobro do interesse e das páginas da Vogue Portugal, maquilho-me, penso em combinações de cores. Há vinte anos que não sofria de princesismo.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XLII

Em que momento betonço da nossa história recente deixou a maior parte de nós de falar a sério para passar a falar à séria?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Raparigas

e rapazes dizem as mesmas coisas de maneiras tão diferentes.


[Tori Amos, Smells Like Teen Spirit, v.1992, do E.P. Crucify]

Spoiler Alert

É que completa e totalmente ditto, Bruno.

Planeta Nacional

É aquele santuário do saber onde esta terráquea chega e, à entrada, o novo segurança revista a sua mochila e lhe dá guia de marcha com um:
- Tudo bem, amiguita!
Ai, que estou mesmo a vê-lo, olhitos brilhantes e cremalheira à mostra, recebendo o diploma do curso de formação profissional ultra-ISO com nota máxima a Abordagem Boa Onda.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Apre, aquele final de praga muda sob a mesa deixa um calafrio coluna abaixo. Um episódio muito feminocêntrico, este. Teria, porém, que ser The Godmother, Mr. Zink, já que o combate pelo poder, o combate entre Junii e Julii, é todo Átia versus Servília. E há alguma continuidade entre o Aventino e New Jersey, sim, que mesmo milhares de anos passados os chefes de matilha continuam a chamar-se capitani. Octávia não confrontava, Cleópatra não confrontou, Vorena não confronta, Átia muito menos. Liberdade? Ao que se vê, só por via tóxica ou ascética. Para as mais a vida joga-se entre a auto-preservação e o poder de manipulação sobre o género que efectivamente pode.
Pulo está feliz, Voreno satisfeito. Octaviano mede os passos. Marco António, travestido de soldado inter pares, também. E aquele abraço esforçado entre ambos, por Jano - tudo o que precisamos saber sobre o que dói uma aliança política vai nele.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Bucolia

No pátio, aos pés da madressilva, o verdilhão tenta o regresso ao topo do telheiro. Sobe, volteia, hesita, plana, desce. Vale-se do alegrete. Evita alvéolas e pardais. Treme, mínimo. Volta a tentar.

Teremos Sempre Paris

, sob esta ou outra forma, este ou outro género. Alguém que na festa passa de bobo a bombo. Mas há nesta mulher algo trágico, uma face em branco, talhada por mão asséptica e diplomada. Ri, chora, e é sempre a mesma expressão. E quem se compadece de quem não pode comover?

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Motor de Busca

Tanto procuro as letras certas que emudeço. Mas não desisto.

Lisboa, Avenida Casal Ribeiro

Começámos à mesa, toda a empresa começa. Selámos negócio com um brinde? Comungávamos, e isso chegou. Mas quão frágil é a vida de muitas vontades.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Que pontaria a minha, trair um episódio de antologia por um Prós & Contras aerotransportado. Que não me deixou muito mais esclarecida, e que também foi violento, tendo em conta a hora a que acabou (não, não resisti até ao fim). Aguardo, expectante, notícias do forum.




Só faltaram os caracóis, foi o que foi.

sábado, 2 de junho de 2007

O tempo de uma canção

Quando fora de mim e dos outros há uma canção, e o tempo dela; tomo-a, aguardo o efeito.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

'Na Verdade Creio que o essencial é começar a pensar'

Olha. Por esta não esperava. Vou para dentro, raciocinar.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Castor et Pollux em polaridade invertida: o repentista questionando o ponderado, o sereno provocando o irascível. Marco António dá cabo do portador da mensagem com a própria mensagem. Ainda bem que o futuro da comunicação parece estar reservado a suportes virtuais. Domina Bomba, a flacidez que há em mim ressente-se com a associação à decadência moral, *sniff*. Se bem que a tertúlia-cor-de-rosa que há nos message boards dos fãs aponte badochice interpretativa (para acentuar o envelhecimento da personagem), ou gravidez não-interpretativa. Se lusoqualquercoisa não sei, mas o Daniel Cerqueira é, digo, era (reza o IMDB) o feio, porco e mau Mémio. Por Juno, aqueles dreadlocks milenares.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Esta brássica

não esconde o desapontamento com a Primavera. Esteve ali plantada o dia inteiro. Provavelmente em protesto.

Footilidades

Sejamos justos: o Javier Bardem defendeu a baliza do Belenenses com enorme galhardia.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Fazer o Meme Que Os Outros Fazem

Tocou-me a vez e pus-me a matutar. Decidi nomear, dentre os blogues que leio com aficción e proveito, o Apdeites [v.2]; o Blog.com.pt; o Blogservatório, o Posto de Escuta e o o Weblog.com.pt. Tornaram-se-me preciosos há já anos, este directórios, apontadores e selecções. Doutra forma, quem pode conhecer e acompanhar, por pouco que seja, a cornucópia de vozes do dia?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Floribella Espanta

A rapariga é tão empenhada no papel, está tão certa do que faz. Mesmo que atabalhoadamente, entrega-se, luta por aquele franchisado manhoso. No dia em que lhe pousar nas mãos uma personagem, poderá ser uma grande actriz.

Não Estacionarás (Ou Estacionarás lá Atrás)

Uma pessoa carrega o cartão de estacionamento em hora digestiva. Regista o veículo a estacionar pela matrícula, e encaixa um etilizado

- O seu carro é velho?

- É. Quer dizer, é de noventa e...

- ... é que o da minha filha tem dez anos e já começa com algarismos; o seu não, é mesmo antigo.

- É.

[Nota: Pela minha saúde que o senhor porteiro falou a bold]

R.E.M. - E-Bow The Letter [New Adventures in Hi-Fi, 1996]

Ninguém Ficará Imune

Entre 2001 e 2002, o motoqueiro com quem me costumava cruzar no insalubre Pavilhão Velho, trailer park da não mais sadia Faculdade de Letras, encenou Mamet. No subúrbio, esse baldio que nem com um pontapé na boca quem nele não anda compreende. Valeu a pena. Lagarto, Duarte, Oom, Waddington. A língua até à loucura, até ao sentido.E o lascivo Samora no intervalo, arrabaldenho de gema como eu.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Voreno, tornado gárgula do Aventino, parece temer nada. Cleópatra, a divindade mínima, desce à companhia dos meros mortais em busca de mais poder. Marco António era o Tito Pulo de Júlio César, por isso Roma está como está. Intimidante, impulsivo, não vê longe, substima quem Servília teme desde já: Octaviano. O qual aprende, na pele, que sem força a astúcia não garante vitórias.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Homens VII

Contemplando. Sem pudor, nem falta dele. Inevitavelmente.

Que Fazer ao que nos Contam? (10)

Guiné, Serviço de Transmissões. Hora folgada e é ver a rapaziada fazer-se à água. Alguém trauteia Sandie Shaw, a canção pega-se. Todos vão entrando. E a atenção vira-se para quem, não querendo dar parte fraca, simula o banho e se deixa ficar para trás. Deitam-lhe a mão, dão-lhe balanço, atiram-no, riem. De tanto rirem não vêm que se debate, que resfolega, que tenta pedir ajuda. De tanto rirem nem reparam que quase o mataram. Que o ensinaram a nadar.

Reparásteis

, Dom pibe, que quando fazeis indignadamente frente a quem bole convosco - vide post intitulado 'Que É Como Quem Diz' - não dais erros de qualquer sorte? Cruijff explica.

sábado, 19 de maio de 2007

Achado na Tradução

É surpreendente, aquele substrato elogioso em 'decadent'.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Pure Corn

Florinhas minhas para as cinco dezenas de pessoas que aqui passam intencionalmente, todos os dias. Não vou dizer que não me impressiona ou agrada o facto de o QC ultrapassar a barreira dos cinquenta mil, não vou dizer que não tenho curiosidade em saber quem são, ou de onde vêm. Tendo em conta que os meus mais próximos me dizem a toda a hora não percebo nada do que para ali escreves, o mundo, o sol, o mar, não sei quê, obrigada pela boa vontade.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições - Segunda Temporada

Cá estamos, assim sendo, fico contente. Um primeiro episódio que pareceu um último, pois foi. Os mortos seguem à sua vida, os vivos esforçam-se por fazê-lo, também. Mulheres de cabeça coberta, em luto, mulheres de cabelo solto rimando com a desordem do momento. Sangue é mais que água: César faz jus aos Julii na morte, nomeia herdeiro não o mais forte, sim o mais astucioso. Cícero não, não o vejo assim, entre o anfíbio e o invertebrado; os seus contemporâneos menos apologéticos descreveram-no como ambíguo e excitável, é certo, mas não como um cobarde.Tito Pulo no céu, Lúcio Voreno no inferno. Que será de Roma?

O Peso da Coroa

Na sala de espera do centro médico três velhas senhoras cavaqueiam. Primeiro a família, depois o bairro, depois a novela da tarde. Chega a vez das maleitas, especialidade por especialidade. No capítulo dentário há coro. O dilema da perda, a indecisão entre implantes (exorbitantes) e próteses amovíveis (pouco seguras). Sobre estas, a decana interpõe previdência cautelosa:

- Eu agora molho tudo em sopas. Na Páscoa engoli metade de uma coroa com as amêndoas. Onde é que já se viu. Uma trincadela ficar a mais de cinquenta euros.

Viva o Povo Brasileiro

Metro, Marquês. Centenas em passo de corrida. Jovem brasileira desnorteada. Acorre casal de sotaque familiar. Conversam, seguem, riem. Metros à frente despedem-se. Jovem esclarecida deseja felicidades aos esclarecedores. Compatriota responde:

- A gente já é feliz: a gente vamo' se casar!

Do desconhecimento ao conhecimento em menos de três minutos. Todo um outro hemisfério.

terça-feira, 15 de maio de 2007

A minha primeira multa

foi baratinha. Cinco euros.

Caro Leitor,

se souber de quem combine corticóides, anti-histamínicos, antibióticos e vaso-constritores, desaproxime-se. Não vá sofrer, como este ilustre photo-scripto-blogger, de um claudicanço de 0,5 l de laranja líquida.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam, XLI

Pondero gravemente no recurso à violência quando ouço expressões como 'o amor é eterno enquanto dura'.

Metro, Anjos

Fim de dia, cansaço tépido. Encostado às portas, um homem bonito. Belo, digo. Trigueiro, magro, vinte anos, menos, talvez. Um olhar diz mais nada, outro diz ressaca aguda, consumição. Coisa alguma entristece como a vida que dificilmente vai ser.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Perguntas e Respostas

Não sabermos quanto viveremos oferece sentido à acção em tempo útil.

Wee Hours

Vida é coreografia, não corografia. Entre tantos gestos poupo não pouco os de amor. E isso tem de mudar.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" XV

Joaquín Phoenix, Casey Affleck, Kieran Culkin, rapazes que saturam o écrã daquela qualquer coisa que ia escapando aos seus irmãos mais velhos.

Nemo sine vitio est

A desabituação, a reparação e a correcção são impossíveis de atingir sem exames de consciência. E a meio caminho entre a reflexão e a acção eis a culpa, que sendo muito mais é a mais conformista das tentações.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Das Sandálias Já tratei

Nem de propósito, querida Mme. Charlotte. Estive ontem a rever um pedacito de episódio da primeira temporada sem saber que a segunda já vinha a caminho. Ita, conversaremos pois!

domingo, 6 de maio de 2007

Zéfiro é
o teu beijo,
mãe.

Uma Menina É uma Menina

Estou a 1,7 kg do meu [peso] máximo histérico histórico. Extreme Makeover - Home Edition é o programa mais querido de todos os tempos. Assim também já são cabelos brancos a mais. Mudei de ideias: os meus pés afinal não são feios.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Wee Hours

Primavera vaga. Caminho longo rumo ao calor.

Se calhar já toda a gente

reparou, mas só hoje dei por que o Ovolmatine e os Maltesers foram separados perinatalmente.