a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

terça-feira, 10 de julho de 2007

Sintra, Rua Barbosa du Bocage

Há dias, no casamento do meu melhor amigo, li na cara de mais velhos e felizes - ou pelo menos satisfeitos - o tal tratado de descrença compadecida pelos mais novos, frágeis e pouco certos de si. É o tempo que nos faz assim? Terá sido sempre assim? Não interessa, o que interessa é querer e crer.


Muitas felicidades, mano.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Lisboa, Aeroporto

Nos momentos em que a falta de alguém dança connosco transfigura-se-nos o estranho em familiar. Por quase nada, que é o bastante para um tremor.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Here Now

Parabéns, menina. Toma lá uma prenda com laço e tudo. Enquanto a Paula Cole a gravava andávamos nós a fazer aquele quadro de pontuação para os putos, o que tinha pista de tartan e tudo, lembras-te? Sofreu um bocado no papel de banda sonora daquela série melosa, cá dobrada em porto-guês. Mas não se perdeu.

domingo, 1 de julho de 2007

Batata Aceite

Não me apetecendo falar de leituras laborais, no capítulo escapista as últimas coisas boas que li foram:


Entre mim e a minha morte há ainda um copo de cre
púsculo, Egito Gonçalves.

Aquele nome incomum ficou-me
de uma crónica loboantuniana muito comovente. E há dias deu-me vontade de saber dele.


Senhor Fantasma, Pedro Mexia.

Sigo uns quatro poetas da minha idade. Os que sigo, sigo fielmente. É que apenas n(ess)as palavras, por momentos, me consigo entender de uma geração.


Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira.

Muita gente me falou neste livro sem nunca dizer nada dele, sem tocar no enredo. Talvez porque essa muita gente o tenha lido na escola. Eu não.


Pétalas negras ardem nos teus olhos, Luís Falcão.

O título levou-me ao autor que vagamente recordará a pequena irmã do meu irmão. A que um dia apareceu num concerto com pestanas mascaradas de azul-eléctrico.



Women in Love
, David Herbert Lawrence.

Ainda não acabei, na verdade. Tem-se falado em Lawrence, e ao passar na secção de usados da livraria do costume dei com um volume em capa vermelha, da Random House, assinado por alguém que o comprou em 1946. E então trouxe-o.


A batata passo-a a cinco passantes a quem apeteça comentar.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Dos dias/cheios de letras/mal sobram/palavras./Sobra uma/casa de tempo/desapercebido.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Erros Favoritos V

Lactifúndio > Latifúndio

terça-feira, 26 de junho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Agora sim, triunvirato sabe a triunvirato: Lépido dá corda ao Senado, Marco António estica-a; Octaviano, enquanto se não lança a nova empresa, faz contas ao seu terço. E castiga a mãe. O pregoeiro todo muito coreográfico manda reduzir ao mínimo os chistes sobre o estranho deus dos hebreus, já que o seu rei está na cidade a negócios. Pulo inquieta-se. Ou melhor, desinquietam-no. Voreno não quer lutas. Esta Roma política, comprometida e pacificada é-nos dada como tão ou mais vil e corrupta quanto a Roma em sangue, em guerra aberta. Não sei se me agrada a tese. Now that's an exit, diz António, imperturbado pela praga servílica. Pouca monta para quem não teme a morte, goza a vida e de caminho a filha da amante.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XLIII

Pessoas que dizem

- Sou uma pessoa muito simples.

Isto depois de me receitarem praia

Ena. Peso máximo histórico superado.

Outro planeta, mesma galáxia*



Com ele a alcatifa foi espaço sideral, a cómoda e escrivaninha planetas desconhecidos. Passado o tempo da brincadeira, mantivémo-lo por perto. Voou de arremesso em picardias. Entreteve mãos inquietas. Deu nome ao disco rígido do 386. E ali permanece.

* a propósito do Zen-Laviano Norrin Radd.

Lisboa, Rua do Século

Bom é o bife e falar sem pejo, embaraço. Melhor é não querer só passado, é forjar - ali e então - nova tradição.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Comboio, Monte Abraão

A porta da primeira composição é local marcado. Dão um pelo outro, acenam, cumprimentam-se. Conversam em língua estranha, percebem-se e mais ninguém os percebe. Podem deixar-se ouvir.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

"Lisbon has no 'N'"*

Do boné aos chinelos não têm mais de vinte anos. Tudo neles é dia de bem-me-quer. De bom grado os ajudo com as ruas. No fim de tão simples tarefa ele sorri e ela oferece-me um sincero e absolutamente americano

- Thanks so much, we would've toooooootally missed it!

Disfrutem, pás.


* Whitfield Crane, há uns anos, de visita à cidade. O radialista com quem falava não percebeu.
Achou que ele tinha dito 'Lisbon has no end'.


terça-feira, 19 de junho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Marte, que falta César faz.

As duas batalhas de Philippi, palco da morte de Cássio e Bruto, parecem uma só. O segundo triunvirato, coisa formal e séria - ao contrário do simples acordo entre Pompeu, Crasso e César - mal damos por ele; Marco António, Octaviano e Lépido parecem-nos tudo menos em pé de igualdade. Tudo a bem do nosso entreter? Aquela fracção de segundo em que Agripa hesita, mesmo antes do 'obrigado' pelo privilégio de guerrear concedido por um Octaviano muito penteadinho, que preciosa. Vorena-a-Velha ainda sonha com uma vida normal, Voreno-o-Conformado não. De conformismo não sofre Pulo. Um tanto bufa - desculpa, Pulo - aquela morte de Cícero.

Fantástico

, o facto de duas das mais puras representações contemporâneas da amizade terem acontecido em histórias Stephen King - The Body (transposto para cinema por Rob Reiner) e Dreamcatcher (por Lawrende Kasdan).

Um rapaz de lisboa

Quem pode pedir mais que uma prova de afecto imerecido? Que outra soteriologia é precisa?

domingo, 17 de junho de 2007

One's action ought to come out of an achieved stillness: not to be a mere rushing on.

David Herbert Lawrence

Lisboa, Avenida Guerra Junqueiro

E de repente ganhei jeitos ainda mais efeminados. Em horas vagas folheio catálogos internacionais, controlo preços nacionais, pergunto-me por que tem a Vogue España, pelo mesmo valor, o dobro do interesse e das páginas da Vogue Portugal, maquilho-me, penso em combinações de cores. Há vinte anos que não sofria de princesismo.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XLII

Em que momento betonço da nossa história recente deixou a maior parte de nós de falar a sério para passar a falar à séria?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Raparigas

e rapazes dizem as mesmas coisas de maneiras tão diferentes.


[Tori Amos, Smells Like Teen Spirit, v.1992, do E.P. Crucify]

Spoiler Alert

É que completa e totalmente ditto, Bruno.

Planeta Nacional

É aquele santuário do saber onde esta terráquea chega e, à entrada, o novo segurança revista a sua mochila e lhe dá guia de marcha com um:
- Tudo bem, amiguita!
Ai, que estou mesmo a vê-lo, olhitos brilhantes e cremalheira à mostra, recebendo o diploma do curso de formação profissional ultra-ISO com nota máxima a Abordagem Boa Onda.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Apre, aquele final de praga muda sob a mesa deixa um calafrio coluna abaixo. Um episódio muito feminocêntrico, este. Teria, porém, que ser The Godmother, Mr. Zink, já que o combate pelo poder, o combate entre Junii e Julii, é todo Átia versus Servília. E há alguma continuidade entre o Aventino e New Jersey, sim, que mesmo milhares de anos passados os chefes de matilha continuam a chamar-se capitani. Octávia não confrontava, Cleópatra não confrontou, Vorena não confronta, Átia muito menos. Liberdade? Ao que se vê, só por via tóxica ou ascética. Para as mais a vida joga-se entre a auto-preservação e o poder de manipulação sobre o género que efectivamente pode.
Pulo está feliz, Voreno satisfeito. Octaviano mede os passos. Marco António, travestido de soldado inter pares, também. E aquele abraço esforçado entre ambos, por Jano - tudo o que precisamos saber sobre o que dói uma aliança política vai nele.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Bucolia

No pátio, aos pés da madressilva, o verdilhão tenta o regresso ao topo do telheiro. Sobe, volteia, hesita, plana, desce. Vale-se do alegrete. Evita alvéolas e pardais. Treme, mínimo. Volta a tentar.

Teremos Sempre Paris

, sob esta ou outra forma, este ou outro género. Alguém que na festa passa de bobo a bombo. Mas há nesta mulher algo trágico, uma face em branco, talhada por mão asséptica e diplomada. Ri, chora, e é sempre a mesma expressão. E quem se compadece de quem não pode comover?

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Motor de Busca

Tanto procuro as letras certas que emudeço. Mas não desisto.

Lisboa, Avenida Casal Ribeiro

Começámos à mesa, toda a empresa começa. Selámos negócio com um brinde? Comungávamos, e isso chegou. Mas quão frágil é a vida de muitas vontades.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Que pontaria a minha, trair um episódio de antologia por um Prós & Contras aerotransportado. Que não me deixou muito mais esclarecida, e que também foi violento, tendo em conta a hora a que acabou (não, não resisti até ao fim). Aguardo, expectante, notícias do forum.




Só faltaram os caracóis, foi o que foi.

sábado, 2 de junho de 2007

O tempo de uma canção

Quando fora de mim e dos outros há uma canção, e o tempo dela; tomo-a, aguardo o efeito.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

'Na Verdade Creio que o essencial é começar a pensar'

Olha. Por esta não esperava. Vou para dentro, raciocinar.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Castor et Pollux em polaridade invertida: o repentista questionando o ponderado, o sereno provocando o irascível. Marco António dá cabo do portador da mensagem com a própria mensagem. Ainda bem que o futuro da comunicação parece estar reservado a suportes virtuais. Domina Bomba, a flacidez que há em mim ressente-se com a associação à decadência moral, *sniff*. Se bem que a tertúlia-cor-de-rosa que há nos message boards dos fãs aponte badochice interpretativa (para acentuar o envelhecimento da personagem), ou gravidez não-interpretativa. Se lusoqualquercoisa não sei, mas o Daniel Cerqueira é, digo, era (reza o IMDB) o feio, porco e mau Mémio. Por Juno, aqueles dreadlocks milenares.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Esta brássica

não esconde o desapontamento com a Primavera. Esteve ali plantada o dia inteiro. Provavelmente em protesto.

Footilidades

Sejamos justos: o Javier Bardem defendeu a baliza do Belenenses com enorme galhardia.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Fazer o Meme Que Os Outros Fazem

Tocou-me a vez e pus-me a matutar. Decidi nomear, dentre os blogues que leio com aficción e proveito, o Apdeites [v.2]; o Blog.com.pt; o Blogservatório, o Posto de Escuta e o o Weblog.com.pt. Tornaram-se-me preciosos há já anos, este directórios, apontadores e selecções. Doutra forma, quem pode conhecer e acompanhar, por pouco que seja, a cornucópia de vozes do dia?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Floribella Espanta

A rapariga é tão empenhada no papel, está tão certa do que faz. Mesmo que atabalhoadamente, entrega-se, luta por aquele franchisado manhoso. No dia em que lhe pousar nas mãos uma personagem, poderá ser uma grande actriz.

Não Estacionarás (Ou Estacionarás lá Atrás)

Uma pessoa carrega o cartão de estacionamento em hora digestiva. Regista o veículo a estacionar pela matrícula, e encaixa um etilizado

- O seu carro é velho?

- É. Quer dizer, é de noventa e...

- ... é que o da minha filha tem dez anos e já começa com algarismos; o seu não, é mesmo antigo.

- É.

[Nota: Pela minha saúde que o senhor porteiro falou a bold]

R.E.M. - E-Bow The Letter [New Adventures in Hi-Fi, 1996]

Ninguém Ficará Imune

Entre 2001 e 2002, o motoqueiro com quem me costumava cruzar no insalubre Pavilhão Velho, trailer park da não mais sadia Faculdade de Letras, encenou Mamet. No subúrbio, esse baldio que nem com um pontapé na boca quem nele não anda compreende. Valeu a pena. Lagarto, Duarte, Oom, Waddington. A língua até à loucura, até ao sentido.E o lascivo Samora no intervalo, arrabaldenho de gema como eu.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições

Voreno, tornado gárgula do Aventino, parece temer nada. Cleópatra, a divindade mínima, desce à companhia dos meros mortais em busca de mais poder. Marco António era o Tito Pulo de Júlio César, por isso Roma está como está. Intimidante, impulsivo, não vê longe, substima quem Servília teme desde já: Octaviano. O qual aprende, na pele, que sem força a astúcia não garante vitórias.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Homens VII

Contemplando. Sem pudor, nem falta dele. Inevitavelmente.

Que Fazer ao que nos Contam? (10)

Guiné, Serviço de Transmissões. Hora folgada e é ver a rapaziada fazer-se à água. Alguém trauteia Sandie Shaw, a canção pega-se. Todos vão entrando. E a atenção vira-se para quem, não querendo dar parte fraca, simula o banho e se deixa ficar para trás. Deitam-lhe a mão, dão-lhe balanço, atiram-no, riem. De tanto rirem não vêm que se debate, que resfolega, que tenta pedir ajuda. De tanto rirem nem reparam que quase o mataram. Que o ensinaram a nadar.

Reparásteis

, Dom pibe, que quando fazeis indignadamente frente a quem bole convosco - vide post intitulado 'Que É Como Quem Diz' - não dais erros de qualquer sorte? Cruijff explica.

sábado, 19 de maio de 2007

Achado na Tradução

É surpreendente, aquele substrato elogioso em 'decadent'.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Pure Corn

Florinhas minhas para as cinco dezenas de pessoas que aqui passam intencionalmente, todos os dias. Não vou dizer que não me impressiona ou agrada o facto de o QC ultrapassar a barreira dos cinquenta mil, não vou dizer que não tenho curiosidade em saber quem são, ou de onde vêm. Tendo em conta que os meus mais próximos me dizem a toda a hora não percebo nada do que para ali escreves, o mundo, o sol, o mar, não sei quê, obrigada pela boa vontade.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições - Segunda Temporada

Cá estamos, assim sendo, fico contente. Um primeiro episódio que pareceu um último, pois foi. Os mortos seguem à sua vida, os vivos esforçam-se por fazê-lo, também. Mulheres de cabeça coberta, em luto, mulheres de cabelo solto rimando com a desordem do momento. Sangue é mais que água: César faz jus aos Julii na morte, nomeia herdeiro não o mais forte, sim o mais astucioso. Cícero não, não o vejo assim, entre o anfíbio e o invertebrado; os seus contemporâneos menos apologéticos descreveram-no como ambíguo e excitável, é certo, mas não como um cobarde.Tito Pulo no céu, Lúcio Voreno no inferno. Que será de Roma?

O Peso da Coroa

Na sala de espera do centro médico três velhas senhoras cavaqueiam. Primeiro a família, depois o bairro, depois a novela da tarde. Chega a vez das maleitas, especialidade por especialidade. No capítulo dentário há coro. O dilema da perda, a indecisão entre implantes (exorbitantes) e próteses amovíveis (pouco seguras). Sobre estas, a decana interpõe previdência cautelosa:

- Eu agora molho tudo em sopas. Na Páscoa engoli metade de uma coroa com as amêndoas. Onde é que já se viu. Uma trincadela ficar a mais de cinquenta euros.

Viva o Povo Brasileiro

Metro, Marquês. Centenas em passo de corrida. Jovem brasileira desnorteada. Acorre casal de sotaque familiar. Conversam, seguem, riem. Metros à frente despedem-se. Jovem esclarecida deseja felicidades aos esclarecedores. Compatriota responde:

- A gente já é feliz: a gente vamo' se casar!

Do desconhecimento ao conhecimento em menos de três minutos. Todo um outro hemisfério.

terça-feira, 15 de maio de 2007

A minha primeira multa

foi baratinha. Cinco euros.

Caro Leitor,

se souber de quem combine corticóides, anti-histamínicos, antibióticos e vaso-constritores, desaproxime-se. Não vá sofrer, como este ilustre photo-scripto-blogger, de um claudicanço de 0,5 l de laranja líquida.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam, XLI

Pondero gravemente no recurso à violência quando ouço expressões como 'o amor é eterno enquanto dura'.

Metro, Anjos

Fim de dia, cansaço tépido. Encostado às portas, um homem bonito. Belo, digo. Trigueiro, magro, vinte anos, menos, talvez. Um olhar diz mais nada, outro diz ressaca aguda, consumição. Coisa alguma entristece como a vida que dificilmente vai ser.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Perguntas e Respostas

Não sabermos quanto viveremos oferece sentido à acção em tempo útil.

Wee Hours

Vida é coreografia, não corografia. Entre tantos gestos poupo não pouco os de amor. E isso tem de mudar.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" XV

Joaquín Phoenix, Casey Affleck, Kieran Culkin, rapazes que saturam o écrã daquela qualquer coisa que ia escapando aos seus irmãos mais velhos.

Nemo sine vitio est

A desabituação, a reparação e a correcção são impossíveis de atingir sem exames de consciência. E a meio caminho entre a reflexão e a acção eis a culpa, que sendo muito mais é a mais conformista das tentações.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Das Sandálias Já tratei

Nem de propósito, querida Mme. Charlotte. Estive ontem a rever um pedacito de episódio da primeira temporada sem saber que a segunda já vinha a caminho. Ita, conversaremos pois!

domingo, 6 de maio de 2007

Zéfiro é
o teu beijo,
mãe.

Uma Menina É uma Menina

Estou a 1,7 kg do meu [peso] máximo histérico histórico. Extreme Makeover - Home Edition é o programa mais querido de todos os tempos. Assim também já são cabelos brancos a mais. Mudei de ideias: os meus pés afinal não são feios.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Wee Hours

Primavera vaga. Caminho longo rumo ao calor.

Se calhar já toda a gente

reparou, mas só hoje dei por que o Ovolmatine e os Maltesers foram separados perinatalmente.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Arearea

O título não era o retrato do sentimento - era o que retrato o fazia sentir.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Sou Uma

entre dúzias que se refugiam no trabalho braçal quando insatisfeitas com o do espírito. Tudo o que permita ver o quer que seja materialmente acabado, serve.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

S.I.G. Estação Ferroviária Massamá - Barcarena

O que à distância parece banal - duas pessoas à conversa - é ao perto singular - um africano e um asiático falando em mandarim.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Comentários Footeis, 6

No estádio ocorre um facto que me intriga particularmente, e para o qual não conheço paralelo. Trata-se do plurilóquio de bancada, conversa colectiva e contínua sobre o que acontece no relvado. À medida que o jogo vai decorrendo, homens e rapazes a cada três filas por sete lugares exclamam, perguntam, respondem, completam as frases uns dos outros. Espontaneamente, muitas vezes sem se conhecerem, sempre sem se olharem. De forma orgânica.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

The File Room

A série terminou há quase cinco anos; não parecendo sítio para romance, deu guarida ao mais crível dos amores.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

S.I.G. - Massamá Norte

Quem sair do Lidl com não sei quê ao colo, para poupar no saco, e olhar para o lado contrário da rua, topa com o stand da Ferrari Porsche.

domingo, 15 de abril de 2007

Queluz, Rua Conde de Almeida Araújo

De frente para o passado, em terra de viver e ouvir dizer, damos pelo tempo das decisões.

sábado, 14 de abril de 2007

Coisas Que Nem só A Mim Engordentam

É que nunca como uma bolacha, nem quando faço cerimónia.

As Montanhas

Acho-me da cidade, mas não tenho a certeza. Se passo muito tempo sem tojo, acuso-o.

Comentários Footeis, 5

Ainda não percebi se é sem querer que mialgia soa a condição dez vezes mais grave que dor muscular.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Wee Hours

Surpreendente não é não esquecer o que se vive, é quase lembrar o que os outros viveram. Se disserem
Lobo Antunes
recordo com detalhe os sonetos a Cristo, África a vir ao corpo com toda a força, a avó querida, o quarto dos bebés, o sapateiro dos fados chorados, os passeios em Nelas. O ruço em patins.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Comentários Footeis, 4

Não há momento como aquele em que o jogador, depois de marcar o golo que reduz a desvantagem, arranca a bola à baliza e larga correr rumo ao meio campo.

A Meio da Estação

vejo o que há muito não via, velhotes a ver passar comboios. Antigamente, antes das grandes obras na linha, sobretudo em Queluz e na Damaia, não havia banquinho nem canteiro que não tivessem ao menos um senhor recostado, mirando o movimento. E para mim era como se aquele vaivém não se perdesse, havendo alguém a ver.

Meia Estação

é aquela época do ano em que os ares condicionados dos transportes públicos não estão regulados para pessoas com média corporal de 35,9ºC.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Confesso

, e sabe quem sabe o que isto custa à minha fama fleumática: gosto de casamentos. Gosto da missa, das flores, de todos particularmente arranjados, gosto da família genuinamente sorridente, dos pais com cara de quase avós. Gosto dos noivos credulamente felizes. Gosto da exagerada refeição, da charutada, dos viris amigos mantendo a pose, gosto de quem se enfada, de quem adormece, de quem sai mais cedo para ver a bola, de quem foge ao bouquet, de quem se empifa. Como diria uma querida amiga, não conto - gosto de toda a gente.

"Bim dia, alegria!"

Não sei exactamente o que isto quer dizer, sei que está a vermelho num mural do interface ferroviário entrecampino, e que me faz sorrir tanto quanto os primeiros morangos. Ontem comi morangos. Hoje vesti vermelho.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Les Traceurs

Naquele seu equilíbrio entre corpo e cabeça, o parkour é desconcertantemente belo.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Nos dias

de Primavera a medo lembro-me muito da voz de Jorge Palma cantando o tema dos desenhos animados feitos d'O Vento Nos Salgueiros, não sei bem porquê.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Lisboa, Avenida Luís Bivar

Desobrigada, matuta nas provas a haver.

domingo, 1 de abril de 2007

Qual é Ela

No feminino, que velha virtude se tornou coisa infame? A resignação. Não sei de predicado mais detestado nas novas mulheres, pelas novas mulheres, pelos novos homens.

Word Verification

Curioso: a primeira palavra formada por letras aleatórias foi 'afixo'.

sábado, 31 de março de 2007

Housebound

Está a dar o Xavier, nunca tinha visto. Noventa foi há tão pouco tempo, e quase não reconheço nada, só a cidade. A Alexandra Lencastre tão nova, tão bonita. Uma vez sorriu ao meu irmão. Noutro dia vi-a ver-se e chorar; falava na RTP com o Daniel Oliveira, o nosso Oprah, e ele mostrou-lhe imagens dela desde o princípio, e ela não deve ter visto o que nós vimos, os filmes, as peças, deve ter visto a vida a passar, e há tão pouco tempo.

IC 19

Quase esquece quem sequer sabe que estas terras dão tanto quanto as mais. Mas entramos no carro, seguimos ao trabalho, ao descanso, e aí estão elas. Atrás do rail um socalco, um talhão lavrado, alguém de boina escavachando. Que o que parece perdido não está - assim manda o mundo.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Wee Hours

Sonho e pesadelo mais, quando durmo mal. As narrativas são mais complexas e longas, as imagens mais claras, os cenários muito elaborados. Figuram conhecidos e desconhecidos, e eu sempre fora de campo.

Antes, sempre que me assustava, o meu pai largava um provocatório
- Não estás com a consciência tranquila?
, e ele agora faz eco.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Humor Aquoso

Constato que me falta o instinto defensivo, já que não creio em maus-olhados.

DVDCrossing

Tenho a primeira série da Feira da Magia (tradução inqualificável de Carnivàle) para a troca.

Bruxelles, Hôtel de Ville

Frio, vento. Meia vista. Sorriam. Vá, todos. Agora os noivos. Vai correr tudo bem.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Giro, giro, mas mesmo giro

é passar a usar pála camoniana no Dia Mundial da Poesia. Volto quando estiver normal. Da córnea.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Autoscopia, 3

Esparvoada, expressão ferrugenta que frequentemente se me aplica, vem com o bónus de me fazer gargalhar sempre que a ouço. Não é pomposa, hermética ou beta (como possidónia, et caetera), e remete para um estado de distracção que não chega a ser transe nem estupor. Caracteriza-me nas situações de espera por transporte público, de proximidade de alguém que não sei se deva cumprimentar, e de caminhada digestiva.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XL

Se posso fazer desta minha caixa geral de propósitos o que quiser, de onde vem tanta cautela, tanta poupança, tanta rarefracção? Onde estão os ditos longos, os parágrafos? Onde foi o fôlego?

sábado, 10 de março de 2007

Humor Vítreo

Um bocadinho menos de senso do ridículo só me faria bem.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Wee Hours

Mas onde raio estará a minha harmónica?

quinta-feira, 8 de março de 2007

Que Fazer ao que nos Contam? (9)

- Andas em cabelo?

Isto, apenas. A subtil reprovação por vê-la lidar de cabeça descoberta, esquecer o lenço de merino.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Maternália

Um reparo, dois beijinhos, três junquilhos, quatro jacintos. Nunca te esqueces de nada, mãe.

Literálea

Se nos olhássemos quando a contradição violenta nos ocupa, não dávamos por nós. A perplexidade transfigura-nos.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Gen, 15, 5.

«Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar».

Parabéns, Tiago.

domingo, 4 de março de 2007

Perdido en el corazón / de la grande Babylon*

Da minha dúzia de bloggers preferidos, metade passou à clandestinidade no último ano e meio. Foram-se, mas mais tarde voltaram, dando notícia a poucos. No caminho de regresso depuraram-se de contadores de visitas, rubricas, nomes, blogrolls, apliques. Escrevem quando e para quem querem. Recolheram-se, recusam a ordem que se estabelece, capinam a sua azinhaga. Se assim posso continuar a lê-los, dou-me por mais que contente.

* Manu Chao, Clandestino, 1998.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Adenda

Já estes, por exemplo, são pretty real.

Coisas que só a mim apoquentam XXXIX

Acho os sorrisos porceclónicos como os de Anne Hathaway, Brittany Murphy e Hilary Duff pretty spooky.