quinta-feira, 14 de junho de 2007
Planeta Nacional
É aquele santuário do saber onde esta terráquea chega e, à entrada, o novo segurança revista a sua mochila e lhe dá guia de marcha com um:
- Tudo bem, amiguita!
Ai, que estou mesmo a vê-lo, olhitos brilhantes e cremalheira à mostra, recebendo o diploma do curso de formação profissional ultra-ISO com nota máxima a Abordagem Boa Onda.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Caracóis, Sandálias e Traições
Apre, aquele final de praga muda sob a mesa deixa um calafrio coluna abaixo. Um episódio muito feminocêntrico, este. Teria, porém, que ser The Godmother, Mr. Zink, já que o combate pelo poder, o combate entre Junii e Julii, é todo Átia versus Servília. E há alguma continuidade entre o Aventino e New Jersey, sim, que mesmo milhares de anos passados os chefes de matilha continuam a chamar-se capitani. Octávia não confrontava, Cleópatra não confrontou, Vorena não confronta, Átia muito menos. Liberdade? Ao que se vê, só por via tóxica ou ascética. Para as mais a vida joga-se entre a auto-preservação e o poder de manipulação sobre o género que efectivamente pode.
Pulo está feliz, Voreno satisfeito. Octaviano mede os passos. Marco António, travestido de soldado inter pares, também. E aquele abraço esforçado entre ambos, por Jano - tudo o que precisamos saber sobre o que dói uma aliança política vai nele.
Pulo está feliz, Voreno satisfeito. Octaviano mede os passos. Marco António, travestido de soldado inter pares, também. E aquele abraço esforçado entre ambos, por Jano - tudo o que precisamos saber sobre o que dói uma aliança política vai nele.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Bucolia
No pátio, aos pés da madressilva, o verdilhão tenta o regresso ao topo do telheiro. Sobe, volteia, hesita, plana, desce. Vale-se do alegrete. Evita alvéolas e pardais. Treme, mínimo. Volta a tentar.
Teremos Sempre Paris
, sob esta ou outra forma, este ou outro género. Alguém que na festa passa de bobo a bombo. Mas há nesta mulher algo trágico, uma face em branco, talhada por mão asséptica e diplomada. Ri, chora, e é sempre a mesma expressão. E quem se compadece de quem não pode comover?
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Lisboa, Avenida Casal Ribeiro
Começámos à mesa, toda a empresa começa. Selámos negócio com um brinde? Comungávamos, e isso chegou. Mas quão frágil é a vida de muitas vontades.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Caracóis, Sandálias e Traições
Que pontaria a minha, trair um episódio de antologia por um Prós & Contras aerotransportado. Que não me deixou muito mais esclarecida, e que também foi violento, tendo em conta a hora a que acabou (não, não resisti até ao fim). Aguardo, expectante, notícias do forum.Só faltaram os caracóis, foi o que foi.
sábado, 2 de junho de 2007
O tempo de uma canção
Quando fora de mim e dos outros há uma canção, e o tempo dela; tomo-a, aguardo o efeito.
sexta-feira, 1 de junho de 2007
'Na Verdade Creio que o essencial é começar a pensar'
Olha. Por esta não esperava. Vou para dentro, raciocinar.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Caracóis, Sandálias e Traições
Castor et Pollux em polaridade invertida: o repentista questionando o ponderado, o sereno provocando o irascível. Marco António dá cabo do portador da mensagem com a própria mensagem. Ainda bem que o futuro da comunicação parece estar reservado a suportes virtuais. Domina Bomba, a flacidez que há em mim ressente-se com a associação à decadência moral, *sniff*. Se bem que a tertúlia-cor-de-rosa que há nos message boards dos fãs aponte badochice interpretativa (para acentuar o envelhecimento da personagem), ou gravidez não-interpretativa. Se lusoqualquercoisa não sei, mas o Daniel Cerqueira é, digo, era (reza o IMDB) o feio, porco e mau Mémio. Por Juno, aqueles dreadlocks milenares.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Fazer o Meme Que Os Outros Fazem
Tocou-me a vez e pus-me a matutar. Decidi nomear, dentre os blogues que leio com aficción e proveito, o Apdeites [v.2]; o Blog.com.pt; o Blogservatório, o Posto de Escuta e o o Weblog.com.pt. Tornaram-se-me preciosos há já anos, este directórios, apontadores e selecções. Doutra forma, quem pode conhecer e acompanhar, por pouco que seja, a cornucópia de vozes do dia?
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Floribella Espanta
A rapariga é tão empenhada no papel, está tão certa do que faz. Mesmo que atabalhoadamente, entrega-se, luta por aquele franchisado manhoso. No dia em que lhe pousar nas mãos uma personagem, poderá ser uma grande actriz.
Não Estacionarás (Ou Estacionarás lá Atrás)
Uma pessoa carrega o cartão de estacionamento em hora digestiva. Regista o veículo a estacionar pela matrícula, e encaixa um etilizado
- O seu carro é velho?
- É. Quer dizer, é de noventa e...
- ... é que o da minha filha tem dez anos e já começa com algarismos; o seu não, é mesmo antigo.
- É.
- O seu carro é velho?
- É. Quer dizer, é de noventa e...
- ... é que o da minha filha tem dez anos e já começa com algarismos; o seu não, é mesmo antigo.
- É.
[Nota: Pela minha saúde que o senhor porteiro falou a bold]
Ninguém Ficará Imune
Entre 2001 e 2002, o motoqueiro com quem me costumava cruzar no insalubre Pavilhão Velho, trailer park da não mais sadia Faculdade de Letras, encenou Mamet. No subúrbio, esse baldio que nem com um pontapé na boca quem nele não anda compreende. Valeu a pena. Lagarto, Duarte, Oom, Waddington. A língua até à loucura, até ao sentido.E o lascivo Samora no intervalo, arrabaldenho de gema como eu.
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Caracóis, Sandálias e Traições
Voreno, tornado gárgula do Aventino, parece temer nada. Cleópatra, a divindade mínima, desce à companhia dos meros mortais em busca de mais poder. Marco António era o Tito Pulo de Júlio César, por isso Roma está como está. Intimidante, impulsivo, não vê longe, substima quem Servília teme desde já: Octaviano. O qual aprende, na pele, que sem força a astúcia não garante vitórias.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Que Fazer ao que nos Contam? (10)
Guiné, Serviço de Transmissões. Hora folgada e é ver a rapaziada fazer-se à água. Alguém trauteia Sandie Shaw, a canção pega-se. Todos vão entrando. E a atenção vira-se para quem, não querendo dar parte fraca, simula o banho e se deixa ficar para trás. Deitam-lhe a mão, dão-lhe balanço, atiram-no, riem. De tanto rirem não vêm que se debate, que resfolega, que tenta pedir ajuda. De tanto rirem nem reparam que quase o mataram. Que o ensinaram a nadar.
Reparásteis
, Dom pibe, que quando fazeis indignadamente frente a quem bole convosco - vide post intitulado 'Que É Como Quem Diz' - não dais erros de qualquer sorte? Cruijff explica.
sábado, 19 de maio de 2007
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Pure Corn
Florinhas minhas para as cinco dezenas de pessoas que aqui passam intencionalmente, todos os dias. Não vou dizer que não me impressiona ou agrada o facto de o QC ultrapassar a barreira dos cinquenta mil, não vou dizer que não tenho curiosidade em saber quem são, ou de onde vêm. Tendo em conta que os meus mais próximos me dizem a toda a hora não percebo nada do que para ali escreves, o mundo, o sol, o mar, não sei quê, obrigada pela boa vontade.quarta-feira, 16 de maio de 2007
Caracóis, Sandálias e Traições - Segunda Temporada
Cá estamos, assim sendo, fico contente. Um primeiro episódio que pareceu um último, pois foi. Os mortos seguem à sua vida, os vivos esforçam-se por fazê-lo, também. Mulheres de cabeça coberta, em luto, mulheres de cabelo solto rimando com a desordem do momento. Sangue é mais que água: César faz jus aos Julii na morte, nomeia herdeiro não o mais forte, sim o mais astucioso. Cícero não, não o vejo assim, entre o anfíbio e o invertebrado; os seus contemporâneos menos apologéticos descreveram-no como ambíguo e excitável, é certo, mas não como um cobarde.Tito Pulo no céu, Lúcio Voreno no inferno. Que será de Roma?
O Peso da Coroa
Na sala de espera do centro médico três velhas senhoras cavaqueiam. Primeiro a família, depois o bairro, depois a novela da tarde. Chega a vez das maleitas, especialidade por especialidade. No capítulo dentário há coro. O dilema da perda, a indecisão entre implantes (exorbitantes) e próteses amovíveis (pouco seguras). Sobre estas, a decana interpõe previdência cautelosa:
- Eu agora molho tudo em sopas. Na Páscoa engoli metade de uma coroa com as amêndoas. Onde é que já se viu. Uma trincadela ficar a mais de cinquenta euros.
- Eu agora molho tudo em sopas. Na Páscoa engoli metade de uma coroa com as amêndoas. Onde é que já se viu. Uma trincadela ficar a mais de cinquenta euros.
Viva o Povo Brasileiro
Metro, Marquês. Centenas em passo de corrida. Jovem brasileira desnorteada. Acorre casal de sotaque familiar. Conversam, seguem, riem. Metros à frente despedem-se. Jovem esclarecida deseja felicidades aos esclarecedores. Compatriota responde:
- A gente já é feliz: a gente vamo' se casar!
Do desconhecimento ao conhecimento em menos de três minutos. Todo um outro hemisfério.
- A gente já é feliz: a gente vamo' se casar!
Do desconhecimento ao conhecimento em menos de três minutos. Todo um outro hemisfério.
terça-feira, 15 de maio de 2007
Caro Leitor,
se souber de quem combine corticóides, anti-histamínicos, antibióticos e vaso-constritores, desaproxime-se. Não vá sofrer, como este ilustre photo-scripto-blogger, de um claudicanço de 0,5 l de laranja líquida.
Coisas Que Só a Mim Apoquentam, XLI
Pondero gravemente no recurso à violência quando ouço expressões como 'o amor é eterno enquanto dura'.
Metro, Anjos
Fim de dia, cansaço tépido. Encostado às portas, um homem bonito. Belo, digo. Trigueiro, magro, vinte anos, menos, talvez. Um olhar diz mais nada, outro diz ressaca aguda, consumição. Coisa alguma entristece como a vida que dificilmente vai ser.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Wee Hours
Vida é coreografia, não corografia. Entre tantos gestos poupo não pouco os de amor. E isso tem de mudar.
quinta-feira, 10 de maio de 2007
"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" XV
Joaquín Phoenix, Casey Affleck, Kieran Culkin, rapazes que saturam o écrã daquela qualquer coisa que ia escapando aos seus irmãos mais velhos.
Nemo sine vitio est
A desabituação, a reparação e a correcção são impossíveis de atingir sem exames de consciência. E a meio caminho entre a reflexão e a acção eis a culpa, que sendo muito mais é a mais conformista das tentações.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Das Sandálias Já tratei
Nem de propósito, querida Mme. Charlotte. Estive ontem a rever um pedacito de episódio da primeira temporada sem saber que a segunda já vinha a caminho. Ita, conversaremos pois!
domingo, 6 de maio de 2007
Uma Menina É uma Menina
Estou a 1,7 kg do meu [peso] máximo histérico histórico. Extreme Makeover - Home Edition é o programa mais querido de todos os tempos. Assim também já são cabelos brancos a mais. Mudei de ideias: os meus pés afinal não são feios.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Se calhar já toda a gente
reparou, mas só hoje dei por que o Ovolmatine e os Maltesers foram separados perinatalmente.
segunda-feira, 30 de abril de 2007
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Sou Uma
entre dúzias que se refugiam no trabalho braçal quando insatisfeitas com o do espírito. Tudo o que permita ver o quer que seja materialmente acabado, serve.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
S.I.G. Estação Ferroviária Massamá - Barcarena
O que à distância parece banal - duas pessoas à conversa - é ao perto singular - um africano e um asiático falando em mandarim.
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Comentários Footeis, 6
No estádio ocorre um facto que me intriga particularmente, e para o qual não conheço paralelo. Trata-se do plurilóquio de bancada, conversa colectiva e contínua sobre o que acontece no relvado. À medida que o jogo vai decorrendo, homens e rapazes a cada três filas por sete lugares exclamam, perguntam, respondem, completam as frases uns dos outros. Espontaneamente, muitas vezes sem se conhecerem, sempre sem se olharem. De forma orgânica.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
quarta-feira, 18 de abril de 2007
S.I.G. - Massamá Norte
Quem sair do Lidl com não sei quê ao colo, para poupar no saco, e olhar para o lado contrário da rua, topa com o stand da Ferrari Porsche.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
domingo, 15 de abril de 2007
Queluz, Rua Conde de Almeida Araújo
De frente para o passado, em terra de viver e ouvir dizer, damos pelo tempo das decisões.
sábado, 14 de abril de 2007
Comentários Footeis, 5
Ainda não percebi se é sem querer que mialgia soa a condição dez vezes mais grave que dor muscular.
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Wee Hours
Surpreendente não é não esquecer o que se vive, é quase lembrar o que os outros viveram. Se disserem
Lobo Antunes
recordo com detalhe os sonetos a Cristo, África a vir ao corpo com toda a força, a avó querida, o quarto dos bebés, o sapateiro dos fados chorados, os passeios em Nelas. O ruço em patins.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Comentários Footeis, 4
Não há momento como aquele em que o jogador, depois de marcar o golo que reduz a desvantagem, arranca a bola à baliza e larga correr rumo ao meio campo.
A Meio da Estação
vejo o que há muito não via, velhotes a ver passar comboios. Antigamente, antes das grandes obras na linha, sobretudo em Queluz e na Damaia, não havia banquinho nem canteiro que não tivessem ao menos um senhor recostado, mirando o movimento. E para mim era como se aquele vaivém não se perdesse, havendo alguém a ver.
Meia Estação
é aquela época do ano em que os ares condicionados dos transportes públicos não estão regulados para pessoas com média corporal de 35,9ºC.
terça-feira, 10 de abril de 2007
Confesso
, e sabe quem sabe o que isto custa à minha fama fleumática: gosto de casamentos. Gosto da missa, das flores, de todos particularmente arranjados, gosto da família genuinamente sorridente, dos pais com cara de quase avós. Gosto dos noivos credulamente felizes. Gosto da exagerada refeição, da charutada, dos viris amigos mantendo a pose, gosto de quem se enfada, de quem adormece, de quem sai mais cedo para ver a bola, de quem foge ao bouquet, de quem se empifa. Como diria uma querida amiga, não conto - gosto de toda a gente.
"Bim dia, alegria!"
Não sei exactamente o que isto quer dizer, sei que está a vermelho num mural do interface ferroviário entrecampino, e que me faz sorrir tanto quanto os primeiros morangos. Ontem comi morangos. Hoje vesti vermelho.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Nos dias
de Primavera a medo lembro-me muito da voz de Jorge Palma cantando o tema dos desenhos animados feitos d'O Vento Nos Salgueiros, não sei bem porquê.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
domingo, 1 de abril de 2007
Qual é Ela
No feminino, que velha virtude se tornou coisa infame? A resignação. Não sei de predicado mais detestado nas novas mulheres, pelas novas mulheres, pelos novos homens.
sábado, 31 de março de 2007
Housebound
Está a dar o Xavier, nunca tinha visto. Noventa foi há tão pouco tempo, e quase não reconheço nada, só a cidade. A Alexandra Lencastre tão nova, tão bonita. Uma vez sorriu ao meu irmão. Noutro dia vi-a ver-se e chorar; falava na RTP com o Daniel Oliveira, o nosso Oprah, e ele mostrou-lhe imagens dela desde o princípio, e ela não deve ter visto o que nós vimos, os filmes, as peças, deve ter visto a vida a passar, e há tão pouco tempo.
IC 19
Quase esquece quem sequer sabe que estas terras dão tanto quanto as mais. Mas entramos no carro, seguimos ao trabalho, ao descanso, e aí estão elas. Atrás do rail um socalco, um talhão lavrado, alguém de boina escavachando. Que o que parece perdido não está - assim manda o mundo.
quinta-feira, 29 de março de 2007
Wee Hours
Sonho e pesadelo mais, quando durmo mal. As narrativas são mais complexas e longas, as imagens mais claras, os cenários muito elaborados. Figuram conhecidos e desconhecidos, e eu sempre fora de campo.
Antes, sempre que me assustava, o meu pai largava um provocatório
- Não estás com a consciência tranquila?
, e ele agora faz eco.
quarta-feira, 28 de março de 2007
DVDCrossing
Tenho a primeira série da Feira da Magia (tradução inqualificável de Carnivàle) para a troca.
Bruxelles, Hôtel de Ville
Frio, vento. Meia vista. Sorriam. Vá, todos. Agora os noivos. Vai correr tudo bem.
sexta-feira, 23 de março de 2007
Giro, giro, mas mesmo giro
é passar a usar pála camoniana no Dia Mundial da Poesia. Volto quando estiver normal. Da córnea.
sexta-feira, 16 de março de 2007
Autoscopia, 3
Esparvoada, expressão ferrugenta que frequentemente se me aplica, vem com o bónus de me fazer gargalhar sempre que a ouço. Não é pomposa, hermética ou beta (como possidónia, et caetera), e remete para um estado de distracção que não chega a ser transe nem estupor. Caracteriza-me nas situações de espera por transporte público, de proximidade de alguém que não sei se deva cumprimentar, e de caminhada digestiva.
quarta-feira, 14 de março de 2007
Coisas Que Só A Mim Apoquentam XL
Se posso fazer desta minha caixa geral de propósitos o que quiser, de onde vem tanta cautela, tanta poupança, tanta rarefracção? Onde estão os ditos longos, os parágrafos? Onde foi o fôlego?
sábado, 10 de março de 2007
sexta-feira, 9 de março de 2007
quinta-feira, 8 de março de 2007
Que Fazer ao que nos Contam? (9)
- Andas em cabelo?
Isto, apenas. A subtil reprovação por vê-la lidar de cabeça descoberta, esquecer o lenço de merino.
quarta-feira, 7 de março de 2007
Maternália
Um reparo, dois beijinhos, três junquilhos, quatro jacintos. Nunca te esqueces de nada, mãe.
Literálea
Se nos olhássemos quando a contradição violenta nos ocupa, não dávamos por nós. A perplexidade transfigura-nos.
segunda-feira, 5 de março de 2007
domingo, 4 de março de 2007
Perdido en el corazón / de la grande Babylon*
Da minha dúzia de bloggers preferidos, metade passou à clandestinidade no último ano e meio. Foram-se, mas mais tarde voltaram, dando notícia a poucos. No caminho de regresso depuraram-se de contadores de visitas, rubricas, nomes, blogrolls, apliques. Escrevem quando e para quem querem. Recolheram-se, recusam a ordem que se estabelece, capinam a sua azinhaga. Se assim posso continuar a lê-los, dou-me por mais que contente.
* Manu Chao, Clandestino, 1998.
quinta-feira, 1 de março de 2007
Coisas que só a mim apoquentam XXXIX
Acho os sorrisos porceclónicos como os de Anne Hathaway, Brittany Murphy e Hilary Duff pretty spooky.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Não vás
Ressumou-me há bocado a bata grenat. Depois veio o recreio pequeno, o termo almoçadeiro, os lápis de cera. No primeiro dia não chorei, só depois. Todos os dias, por três semanas, disse ela. Continuo má a mudanças, digo eu.
Conversas de Café, 75
O que me ocorreu dizer a propósito das sete perguntas de João Ferreira Dias, no Kontrastes 2.0.
Magnólias e Japoneiras
Adormeço com Alan Arkin na escadaria. Raro em raro preparo um banho de imersão. Noventa parece-me há pouco. Sinto mais frio e mais calor. Comove-me a floração.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
sábado, 24 de fevereiro de 2007
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Quarta-Feira e as Cinzas
Digo abstinência, confissão, penitência, recolhimento, redenção, e não há maneira de me habituar à perplexidade que a sua mera enunciação causa. Como se da minha boca saíssem em dialecto indígena, arcaísmo mal-visto e mal-ouvido por quem só fala em língua oficial.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Sentido
Imperturbabilidade, em momento algum a consegui. Muito menos hoje, lido o mais duro dos epistolários. Aí estava o homem que, décadas de vida vivida por outros, se viu ante a doença, e a busca do sentido para ela, e mesmo sem o encontrar, confiou.
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Andante
Não sou uma desportista nata, tendo à quietude nas suas tantas formas. E contudo nunca fui tão feliz quanto nos tantos Fevereiros de saber Portugal. O Carnaval foi sempre a pausa em que vivi, quilómetro a quilómetro, a nação sem fantasias, cansada,almoço à beira da estrada, costas no alcatrão, dormida na Casa do Povo, chuva e lama nas meias da farda, água dada, cães de susto. Fui tão livre nessa farda, nessa fila indiana, nesse toque de alvorada. E quase choro, ou choro, de feliz, sabendo que outros seguem andando por aí.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Coisas Que Só a Mim Apoquentam XXXVIII
Por que razão presentificam os portuenses certos pretéritos perfeitos? Ficámos passa a ficamos, e assim. Roubarem o acento ao verbo, trazerem o passado para agora, e logo na primeira do plural.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Lisboa, Rua Tomás da Fonseca
Mesmo se o não sei, digo que correrá tudo bem. Não para serenar, para convencer, para preencher o nada incómodo que é o silêncio da espera. Digo-o porque o desejo, e assim o convoco.
Questões Verdadeiramente Fracturantes
A piscadela de olho de José Rodrigues dos Santos em fim de noticiário é, estou segura, um dos mais sinistros fenómenos da história luso-televisiva.
Minha gente
, o Blogger [em itálico e já vai com sorte] obrigou-me a mudar para a nova versão. Podiam-me explicar como é que se corrige a ortografia da barra lateral, príti plíze?
domingo, 4 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Ana Mnese
Quem não pergunta, cuida? O que sentes? Como atender ao que não nos pedem? Desde quando estás assim? Deixas-me ajudar?
Mem Martins, Rua da Azenha
Há nicks ordinários com um poder evocativo extraordinário. Um desses mimos auto-promotores de vale de blogues recordou-me o Aluno-Engraçadinho Desconhecido.
Estávamos no fim do milénio, em ano curricular para proto-professores, num pré-fabricado com temperatura de adega que mal aguentava a lusalite. Engolíamos anacronismos pedagógicos e pós-modernices pastosas, sendo raras vezes agraciados à colherada em aviãozinho com alimento intelectual do dia. Ainda não dávamos aulas, mas através de estagiários mais velhos conseguíamos umas cobaias para os trabalhos das cadeiras. O inquérito sobre o papel dos auxiliares audiovisuais na sala de aula lá correu, a amostra era suficiente, toca ao rame-rame do apuramento de dados. No meio das previsíveis respostas aparece uma, branqueada a corrector professoral, relativa ao género cinematográfico preferido. Descodificada a contra-luz, dizia, garrafal:
Estávamos no fim do milénio, em ano curricular para proto-professores, num pré-fabricado com temperatura de adega que mal aguentava a lusalite. Engolíamos anacronismos pedagógicos e pós-modernices pastosas, sendo raras vezes agraciados à colherada em aviãozinho com alimento intelectual do dia. Ainda não dávamos aulas, mas através de estagiários mais velhos conseguíamos umas cobaias para os trabalhos das cadeiras. O inquérito sobre o papel dos auxiliares audiovisuais na sala de aula lá correu, a amostra era suficiente, toca ao rame-rame do apuramento de dados. No meio das previsíveis respostas aparece uma, branqueada a corrector professoral, relativa ao género cinematográfico preferido. Descodificada a contra-luz, dizia, garrafal:
FILME PERNOGRÁFICO
Onde quer que estejas, rapaz, obrigada pela tua colaboração. Por pouco ganhavas ao simpático professor doutor do Seminário Didáctico. O que tentou retroprojectar folhas de papel.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Lisboa, Picoas
- Como assim, bonito demais?
No caso era Law por Minghella, mas podia ser Clift por Stevens, Valentino por Henabery. Nada. A boniteza extrema provoca-me nada.
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