a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Reparásteis

, Dom pibe, que quando fazeis indignadamente frente a quem bole convosco - vide post intitulado 'Que É Como Quem Diz' - não dais erros de qualquer sorte? Cruijff explica.

sábado, 19 de maio de 2007

Achado na Tradução

É surpreendente, aquele substrato elogioso em 'decadent'.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Pure Corn

Florinhas minhas para as cinco dezenas de pessoas que aqui passam intencionalmente, todos os dias. Não vou dizer que não me impressiona ou agrada o facto de o QC ultrapassar a barreira dos cinquenta mil, não vou dizer que não tenho curiosidade em saber quem são, ou de onde vêm. Tendo em conta que os meus mais próximos me dizem a toda a hora não percebo nada do que para ali escreves, o mundo, o sol, o mar, não sei quê, obrigada pela boa vontade.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Caracóis, Sandálias e Traições - Segunda Temporada

Cá estamos, assim sendo, fico contente. Um primeiro episódio que pareceu um último, pois foi. Os mortos seguem à sua vida, os vivos esforçam-se por fazê-lo, também. Mulheres de cabeça coberta, em luto, mulheres de cabelo solto rimando com a desordem do momento. Sangue é mais que água: César faz jus aos Julii na morte, nomeia herdeiro não o mais forte, sim o mais astucioso. Cícero não, não o vejo assim, entre o anfíbio e o invertebrado; os seus contemporâneos menos apologéticos descreveram-no como ambíguo e excitável, é certo, mas não como um cobarde.Tito Pulo no céu, Lúcio Voreno no inferno. Que será de Roma?

O Peso da Coroa

Na sala de espera do centro médico três velhas senhoras cavaqueiam. Primeiro a família, depois o bairro, depois a novela da tarde. Chega a vez das maleitas, especialidade por especialidade. No capítulo dentário há coro. O dilema da perda, a indecisão entre implantes (exorbitantes) e próteses amovíveis (pouco seguras). Sobre estas, a decana interpõe previdência cautelosa:

- Eu agora molho tudo em sopas. Na Páscoa engoli metade de uma coroa com as amêndoas. Onde é que já se viu. Uma trincadela ficar a mais de cinquenta euros.

Viva o Povo Brasileiro

Metro, Marquês. Centenas em passo de corrida. Jovem brasileira desnorteada. Acorre casal de sotaque familiar. Conversam, seguem, riem. Metros à frente despedem-se. Jovem esclarecida deseja felicidades aos esclarecedores. Compatriota responde:

- A gente já é feliz: a gente vamo' se casar!

Do desconhecimento ao conhecimento em menos de três minutos. Todo um outro hemisfério.

terça-feira, 15 de maio de 2007

A minha primeira multa

foi baratinha. Cinco euros.

Caro Leitor,

se souber de quem combine corticóides, anti-histamínicos, antibióticos e vaso-constritores, desaproxime-se. Não vá sofrer, como este ilustre photo-scripto-blogger, de um claudicanço de 0,5 l de laranja líquida.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam, XLI

Pondero gravemente no recurso à violência quando ouço expressões como 'o amor é eterno enquanto dura'.

Metro, Anjos

Fim de dia, cansaço tépido. Encostado às portas, um homem bonito. Belo, digo. Trigueiro, magro, vinte anos, menos, talvez. Um olhar diz mais nada, outro diz ressaca aguda, consumição. Coisa alguma entristece como a vida que dificilmente vai ser.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Perguntas e Respostas

Não sabermos quanto viveremos oferece sentido à acção em tempo útil.

Wee Hours

Vida é coreografia, não corografia. Entre tantos gestos poupo não pouco os de amor. E isso tem de mudar.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

"Só Achas Graça Aos Esquisitos, Pá!" XV

Joaquín Phoenix, Casey Affleck, Kieran Culkin, rapazes que saturam o écrã daquela qualquer coisa que ia escapando aos seus irmãos mais velhos.

Nemo sine vitio est

A desabituação, a reparação e a correcção são impossíveis de atingir sem exames de consciência. E a meio caminho entre a reflexão e a acção eis a culpa, que sendo muito mais é a mais conformista das tentações.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Das Sandálias Já tratei

Nem de propósito, querida Mme. Charlotte. Estive ontem a rever um pedacito de episódio da primeira temporada sem saber que a segunda já vinha a caminho. Ita, conversaremos pois!

domingo, 6 de maio de 2007

Zéfiro é
o teu beijo,
mãe.

Uma Menina É uma Menina

Estou a 1,7 kg do meu [peso] máximo histérico histórico. Extreme Makeover - Home Edition é o programa mais querido de todos os tempos. Assim também já são cabelos brancos a mais. Mudei de ideias: os meus pés afinal não são feios.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Wee Hours

Primavera vaga. Caminho longo rumo ao calor.

Se calhar já toda a gente

reparou, mas só hoje dei por que o Ovolmatine e os Maltesers foram separados perinatalmente.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Arearea

O título não era o retrato do sentimento - era o que retrato o fazia sentir.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Sou Uma

entre dúzias que se refugiam no trabalho braçal quando insatisfeitas com o do espírito. Tudo o que permita ver o quer que seja materialmente acabado, serve.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

S.I.G. Estação Ferroviária Massamá - Barcarena

O que à distância parece banal - duas pessoas à conversa - é ao perto singular - um africano e um asiático falando em mandarim.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Comentários Footeis, 6

No estádio ocorre um facto que me intriga particularmente, e para o qual não conheço paralelo. Trata-se do plurilóquio de bancada, conversa colectiva e contínua sobre o que acontece no relvado. À medida que o jogo vai decorrendo, homens e rapazes a cada três filas por sete lugares exclamam, perguntam, respondem, completam as frases uns dos outros. Espontaneamente, muitas vezes sem se conhecerem, sempre sem se olharem. De forma orgânica.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

The File Room

A série terminou há quase cinco anos; não parecendo sítio para romance, deu guarida ao mais crível dos amores.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

S.I.G. - Massamá Norte

Quem sair do Lidl com não sei quê ao colo, para poupar no saco, e olhar para o lado contrário da rua, topa com o stand da Ferrari Porsche.

domingo, 15 de abril de 2007

Queluz, Rua Conde de Almeida Araújo

De frente para o passado, em terra de viver e ouvir dizer, damos pelo tempo das decisões.

sábado, 14 de abril de 2007

Coisas Que Nem só A Mim Engordentam

É que nunca como uma bolacha, nem quando faço cerimónia.

As Montanhas

Acho-me da cidade, mas não tenho a certeza. Se passo muito tempo sem tojo, acuso-o.

Comentários Footeis, 5

Ainda não percebi se é sem querer que mialgia soa a condição dez vezes mais grave que dor muscular.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Wee Hours

Surpreendente não é não esquecer o que se vive, é quase lembrar o que os outros viveram. Se disserem
Lobo Antunes
recordo com detalhe os sonetos a Cristo, África a vir ao corpo com toda a força, a avó querida, o quarto dos bebés, o sapateiro dos fados chorados, os passeios em Nelas. O ruço em patins.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Comentários Footeis, 4

Não há momento como aquele em que o jogador, depois de marcar o golo que reduz a desvantagem, arranca a bola à baliza e larga correr rumo ao meio campo.

A Meio da Estação

vejo o que há muito não via, velhotes a ver passar comboios. Antigamente, antes das grandes obras na linha, sobretudo em Queluz e na Damaia, não havia banquinho nem canteiro que não tivessem ao menos um senhor recostado, mirando o movimento. E para mim era como se aquele vaivém não se perdesse, havendo alguém a ver.

Meia Estação

é aquela época do ano em que os ares condicionados dos transportes públicos não estão regulados para pessoas com média corporal de 35,9ºC.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Confesso

, e sabe quem sabe o que isto custa à minha fama fleumática: gosto de casamentos. Gosto da missa, das flores, de todos particularmente arranjados, gosto da família genuinamente sorridente, dos pais com cara de quase avós. Gosto dos noivos credulamente felizes. Gosto da exagerada refeição, da charutada, dos viris amigos mantendo a pose, gosto de quem se enfada, de quem adormece, de quem sai mais cedo para ver a bola, de quem foge ao bouquet, de quem se empifa. Como diria uma querida amiga, não conto - gosto de toda a gente.

"Bim dia, alegria!"

Não sei exactamente o que isto quer dizer, sei que está a vermelho num mural do interface ferroviário entrecampino, e que me faz sorrir tanto quanto os primeiros morangos. Ontem comi morangos. Hoje vesti vermelho.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Les Traceurs

Naquele seu equilíbrio entre corpo e cabeça, o parkour é desconcertantemente belo.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Nos dias

de Primavera a medo lembro-me muito da voz de Jorge Palma cantando o tema dos desenhos animados feitos d'O Vento Nos Salgueiros, não sei bem porquê.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Lisboa, Avenida Luís Bivar

Desobrigada, matuta nas provas a haver.

domingo, 1 de abril de 2007

Qual é Ela

No feminino, que velha virtude se tornou coisa infame? A resignação. Não sei de predicado mais detestado nas novas mulheres, pelas novas mulheres, pelos novos homens.

Word Verification

Curioso: a primeira palavra formada por letras aleatórias foi 'afixo'.

sábado, 31 de março de 2007

Housebound

Está a dar o Xavier, nunca tinha visto. Noventa foi há tão pouco tempo, e quase não reconheço nada, só a cidade. A Alexandra Lencastre tão nova, tão bonita. Uma vez sorriu ao meu irmão. Noutro dia vi-a ver-se e chorar; falava na RTP com o Daniel Oliveira, o nosso Oprah, e ele mostrou-lhe imagens dela desde o princípio, e ela não deve ter visto o que nós vimos, os filmes, as peças, deve ter visto a vida a passar, e há tão pouco tempo.

IC 19

Quase esquece quem sequer sabe que estas terras dão tanto quanto as mais. Mas entramos no carro, seguimos ao trabalho, ao descanso, e aí estão elas. Atrás do rail um socalco, um talhão lavrado, alguém de boina escavachando. Que o que parece perdido não está - assim manda o mundo.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Wee Hours

Sonho e pesadelo mais, quando durmo mal. As narrativas são mais complexas e longas, as imagens mais claras, os cenários muito elaborados. Figuram conhecidos e desconhecidos, e eu sempre fora de campo.

Antes, sempre que me assustava, o meu pai largava um provocatório
- Não estás com a consciência tranquila?
, e ele agora faz eco.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Humor Aquoso

Constato que me falta o instinto defensivo, já que não creio em maus-olhados.

DVDCrossing

Tenho a primeira série da Feira da Magia (tradução inqualificável de Carnivàle) para a troca.

Bruxelles, Hôtel de Ville

Frio, vento. Meia vista. Sorriam. Vá, todos. Agora os noivos. Vai correr tudo bem.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Giro, giro, mas mesmo giro

é passar a usar pála camoniana no Dia Mundial da Poesia. Volto quando estiver normal. Da córnea.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Autoscopia, 3

Esparvoada, expressão ferrugenta que frequentemente se me aplica, vem com o bónus de me fazer gargalhar sempre que a ouço. Não é pomposa, hermética ou beta (como possidónia, et caetera), e remete para um estado de distracção que não chega a ser transe nem estupor. Caracteriza-me nas situações de espera por transporte público, de proximidade de alguém que não sei se deva cumprimentar, e de caminhada digestiva.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XL

Se posso fazer desta minha caixa geral de propósitos o que quiser, de onde vem tanta cautela, tanta poupança, tanta rarefracção? Onde estão os ditos longos, os parágrafos? Onde foi o fôlego?

sábado, 10 de março de 2007

Humor Vítreo

Um bocadinho menos de senso do ridículo só me faria bem.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Wee Hours

Mas onde raio estará a minha harmónica?

quinta-feira, 8 de março de 2007

Que Fazer ao que nos Contam? (9)

- Andas em cabelo?

Isto, apenas. A subtil reprovação por vê-la lidar de cabeça descoberta, esquecer o lenço de merino.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Maternália

Um reparo, dois beijinhos, três junquilhos, quatro jacintos. Nunca te esqueces de nada, mãe.

Literálea

Se nos olhássemos quando a contradição violenta nos ocupa, não dávamos por nós. A perplexidade transfigura-nos.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Gen, 15, 5.

«Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar».

Parabéns, Tiago.

domingo, 4 de março de 2007

Perdido en el corazón / de la grande Babylon*

Da minha dúzia de bloggers preferidos, metade passou à clandestinidade no último ano e meio. Foram-se, mas mais tarde voltaram, dando notícia a poucos. No caminho de regresso depuraram-se de contadores de visitas, rubricas, nomes, blogrolls, apliques. Escrevem quando e para quem querem. Recolheram-se, recusam a ordem que se estabelece, capinam a sua azinhaga. Se assim posso continuar a lê-los, dou-me por mais que contente.

* Manu Chao, Clandestino, 1998.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Adenda

Já estes, por exemplo, são pretty real.

Coisas que só a mim apoquentam XXXIX

Acho os sorrisos porceclónicos como os de Anne Hathaway, Brittany Murphy e Hilary Duff pretty spooky.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Não vás

Ressumou-me há bocado a bata grenat. Depois veio o recreio pequeno, o termo almoçadeiro, os lápis de cera. No primeiro dia não chorei, só depois. Todos os dias, por três semanas, disse ela. Continuo má a mudanças, digo eu.

Conversas de Café, 75

O que me ocorreu dizer a propósito das sete perguntas de João Ferreira Dias, no Kontrastes 2.0.

Magnólias e Japoneiras

Adormeço com Alan Arkin na escadaria. Raro em raro preparo um banho de imersão. Noventa parece-me há pouco. Sinto mais frio e mais calor. Comove-me a floração.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Wee Hours

Guardar o sol do dia, lembrá-lo à noite.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Literálea

Ama-se. Ao pé, de roda, cerca, à beira. Mesmo se não se diz, isto não se deixa de dizer.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Constatações de Fato

Malta do costume, estamos quase nos Óscares.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quarta-Feira e as Cinzas

Digo abstinência, confissão, penitência, recolhimento, redenção, e não há maneira de me habituar à perplexidade que a sua mera enunciação causa. Como se da minha boca saíssem em dialecto indígena, arcaísmo mal-visto e mal-ouvido por quem só fala em língua oficial.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Sentido

Imperturbabilidade, em momento algum a consegui. Muito menos hoje, lido o mais duro dos epistolários. Aí estava o homem que, décadas de vida vivida por outros, se viu ante a doença, e a busca do sentido para ela, e mesmo sem o encontrar, confiou.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Andante

Não sou uma desportista nata, tendo à quietude nas suas tantas formas. E contudo nunca fui tão feliz quanto nos tantos Fevereiros de saber Portugal. O Carnaval foi sempre a pausa em que vivi, quilómetro a quilómetro, a nação sem fantasias, cansada,almoço à beira da estrada, costas no alcatrão, dormida na Casa do Povo, chuva e lama nas meias da farda, água dada, cães de susto. Fui tão livre nessa farda, nessa fila indiana, nesse toque de alvorada. E quase choro, ou choro, de feliz, sabendo que outros seguem andando por aí.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XXXVIII

Por que razão presentificam os portuenses certos pretéritos perfeitos? Ficámos passa a ficamos, e assim. Roubarem o acento ao verbo, trazerem o passado para agora, e logo na primeira do plural.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Blogger Blabber

Marcadores? Só da Molin. Snif.

Lisboa, Rua Tomás da Fonseca

Mesmo se o não sei, digo que correrá tudo bem. Não para serenar, para convencer, para preencher o nada incómodo que é o silêncio da espera. Digo-o porque o desejo, e assim o convoco.

Questões Verdadeiramente Fracturantes

A piscadela de olho de José Rodrigues dos Santos em fim de noticiário é, estou segura, um dos mais sinistros fenómenos da história luso-televisiva.

Ah

...já perçevi. Que totótita, eu.

Minha gente

, o Blogger [em itálico e já vai com sorte] obrigou-me a mudar para a nova versão. Podiam-me explicar como é que se corrige a ortografia da barra lateral, príti plíze?

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Ana Filática

De Inverno está bom, pronto. Piu-pius, florinhas, vá.

Fair Enough

O sono dos justos, que falta faz.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Ana Mnese

Quem não pergunta, cuida? O que sentes? Como atender ao que não nos pedem? Desde quando estás assim? Deixas-me ajudar?

Mem Martins, Rua da Azenha

nicks ordinários com um poder evocativo extraordinário. Um desses mimos auto-promotores de vale de blogues recordou-me o Aluno-Engraçadinho Desconhecido.
Estávamos no fim do milénio, em ano curricular para proto-professores, num pré-fabricado com temperatura de adega que mal aguentava a lusalite. Engolíamos anacronismos pedagógicos e pós-modernices pastosas, sendo raras vezes agraciados à colherada em aviãozinho com alimento intelectual do dia. Ainda não dávamos aulas, mas através de estagiários mais velhos conseguíamos umas cobaias para os trabalhos das cadeiras. O inquérito sobre o papel dos auxiliares audiovisuais na sala de aula lá correu, a amostra era suficiente, toca ao rame-rame do apuramento de dados. No meio das previsíveis respostas aparece uma, branqueada a corrector professoral, relativa ao género cinematográfico preferido. Descodificada a contra-luz, dizia, garrafal:

FILME PERNOGRÁFICO

Onde quer que estejas, rapaz, obrigada pela tua colaboração. Por pouco ganhavas ao simpático professor doutor do Seminário Didáctico. O que tentou retroprojectar folhas de papel.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Lisboa, Picoas

- Como assim, bonito demais?

No caso era Law por Minghella, mas podia ser Clift por Stevens, Valentino por Henabery. Nada. A boniteza extrema provoca-me nada.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Comboio, Meleças - Areeiro

Caiu-lhe mal, mais aquele desdenhar do suburbano de ferro-carril, do novo povo. Aquela recusa enojada do igual mais mal-vestido, mais mal-falante, mais-menos. Como se não andasse tudo ao mesmo, não caminhasse tudo para o mesmo.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Do Primeiro Minuto Lembrado

Havia também pires, um bule, várias outras xícaras. Não sei bem. Matéria do primeiro minuto lembrado, só resta esta. O aniversário era meu, não teu; despertaste-me, esfreguei os olhos muito, segurei-me às grades da cama, deste-me um beijinho, dois, um abraço. Disseste algo, estendeste a caixa cheia de brincar aos chás, depois seguiste ao trabalho. A vida, para mim, foi sempre a partir daí, já neste país, nesta casa.

Conta muitos, sim?

Wee Hours

Sentada, convexa de tanto ali estar, folheia outra vez o dicionário. Quer uma só palavra para amparo, afago e abraço.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Vaivém

No tempo do cabelo todo negro, liso de perder ganchos, laços, deram-me um leque rosa por recuerdo, lindo. Partiu-se no regresso, de mau molde. Sem saber que fazer, corri a escondê-lo, culpada de nada, mas culpada, e por muito tempo.

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XXXVII

Em termos de blog tuning, o Snap é do mais exasperante que há. Está-se a ler e plop, plop, plop, plop, plop, plop, plop.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Ensinaram-me, avós e mãe. Em todas as casas se bebia, segue bebendo, no bem e no mal estar. Vem do quintal, do jardim do tio, da lata fina inglesa, francesa, da pequeno pacote moçambicano, indiano. Não deixo o que houve e o que segue havendo, se bebo o mundo.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

As mulheres fazem uma coisa muito pateta

umas às outras, quando se citam biliosamente: mesmo que as outras sejam contraltos, as umas imitiam-nas em soprano esganiçado.

domingo, 14 de janeiro de 2007

sábado, 13 de janeiro de 2007

Em caso críptico

dirija-se ao Gabinete de Denotação: ser-lhe-á prescrito 1 anti-conotativo a cada 24 horas, nos próximos dias.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Elles Se Rendent Pas Compte

and ils se rendent pas compte either, Vern.

A Dona É Móvel

Bordejo a praça de táxis, ligeira, e dois paisanos de porte castrense. Apanho um fiapo de conversa em sotaque montano:

- Pois, certamente, mas eu não gostava que ela tirasse a carta.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Vermelho Lá Vai Violeta

Soa tão bem. Soa a título de contos futuríveis, a mnemónica espectral das várias cores do sol - vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo, violeta. Aprendi aqui. Na escola decorei apenas uma, para Biologia
- O polegar é a antena do rádio.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Almada, Avenida Torrado da Silva

A vida ordena sentido, e nós nada prontos para a revista. Mas todos bem, mais uma vez. Graças.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Lisboa, Rua da Conceição

Antes de dar pelo balcão daqueles lindos contadores de aviamentos já a indecisão me consumia.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Reflexo Condicionado

A verdade é que, aberto o Murganheira, a primeira coisa que me saiu boca fora foi:

- 2007... rima com 1977.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

A Velha de Valença

Conta-o vezes sem conta. Foi há mais de trinta anos, num dos dias em passeava pelo Minho o riso franco, braço dado ao recém-marido. Tanta ilusão, tanta ilusão, murmurou a titubeante desconhecida à vista deles. Não conseguiu esquecer o enigmático desabafo, nem o decifrou até hoje. Remoque? Elogio? Aviso? Lembrança?

Supratexto

"One way of looking at speech is to say it is a constant stratagem to cover nakedness."

Cf. PINTER, Harold, Barnes and Noble Book of Quotations, 19
83.

Lisboa, Avenida de Berna

Rente ao muro, o homem de fato embate no homem de ganga. O homem de ganga vira-se e ladra ao homem de fato. O homem de fato dá meia volta, infla o peito e rosna ao homem de ganga. Em roda, fatos e gangas abrandam a marcha. Sigo, fico sem rua. Sem fim de episódio.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Societas Caulis

Esta já cá vai.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Perspectivas Prospectivas

Acordar a outra hora. Conhecer mais um continente. Escrever a bom ritmo. Dizer e fazer.