Naquele seu equilíbrio entre corpo e cabeça, o parkour é desconcertantemente belo.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Nos dias
de Primavera a medo lembro-me muito da voz de Jorge Palma cantando o tema dos desenhos animados feitos d'O Vento Nos Salgueiros, não sei bem porquê.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
domingo, 1 de abril de 2007
Qual é Ela
No feminino, que velha virtude se tornou coisa infame? A resignação. Não sei de predicado mais detestado nas novas mulheres, pelas novas mulheres, pelos novos homens.
sábado, 31 de março de 2007
Housebound
Está a dar o Xavier, nunca tinha visto. Noventa foi há tão pouco tempo, e quase não reconheço nada, só a cidade. A Alexandra Lencastre tão nova, tão bonita. Uma vez sorriu ao meu irmão. Noutro dia vi-a ver-se e chorar; falava na RTP com o Daniel Oliveira, o nosso Oprah, e ele mostrou-lhe imagens dela desde o princípio, e ela não deve ter visto o que nós vimos, os filmes, as peças, deve ter visto a vida a passar, e há tão pouco tempo.
IC 19
Quase esquece quem sequer sabe que estas terras dão tanto quanto as mais. Mas entramos no carro, seguimos ao trabalho, ao descanso, e aí estão elas. Atrás do rail um socalco, um talhão lavrado, alguém de boina escavachando. Que o que parece perdido não está - assim manda o mundo.
quinta-feira, 29 de março de 2007
Wee Hours
Sonho e pesadelo mais, quando durmo mal. As narrativas são mais complexas e longas, as imagens mais claras, os cenários muito elaborados. Figuram conhecidos e desconhecidos, e eu sempre fora de campo.
Antes, sempre que me assustava, o meu pai largava um provocatório
- Não estás com a consciência tranquila?
, e ele agora faz eco.
quarta-feira, 28 de março de 2007
DVDCrossing
Tenho a primeira série da Feira da Magia (tradução inqualificável de Carnivàle) para a troca.
Bruxelles, Hôtel de Ville
Frio, vento. Meia vista. Sorriam. Vá, todos. Agora os noivos. Vai correr tudo bem.
sexta-feira, 23 de março de 2007
Giro, giro, mas mesmo giro
é passar a usar pála camoniana no Dia Mundial da Poesia. Volto quando estiver normal. Da córnea.
sexta-feira, 16 de março de 2007
Autoscopia, 3
Esparvoada, expressão ferrugenta que frequentemente se me aplica, vem com o bónus de me fazer gargalhar sempre que a ouço. Não é pomposa, hermética ou beta (como possidónia, et caetera), e remete para um estado de distracção que não chega a ser transe nem estupor. Caracteriza-me nas situações de espera por transporte público, de proximidade de alguém que não sei se deva cumprimentar, e de caminhada digestiva.
quarta-feira, 14 de março de 2007
Coisas Que Só A Mim Apoquentam XL
Se posso fazer desta minha caixa geral de propósitos o que quiser, de onde vem tanta cautela, tanta poupança, tanta rarefracção? Onde estão os ditos longos, os parágrafos? Onde foi o fôlego?
sábado, 10 de março de 2007
sexta-feira, 9 de março de 2007
quinta-feira, 8 de março de 2007
Que Fazer ao que nos Contam? (9)
- Andas em cabelo?
Isto, apenas. A subtil reprovação por vê-la lidar de cabeça descoberta, esquecer o lenço de merino.
quarta-feira, 7 de março de 2007
Maternália
Um reparo, dois beijinhos, três junquilhos, quatro jacintos. Nunca te esqueces de nada, mãe.
Literálea
Se nos olhássemos quando a contradição violenta nos ocupa, não dávamos por nós. A perplexidade transfigura-nos.
segunda-feira, 5 de março de 2007
domingo, 4 de março de 2007
Perdido en el corazón / de la grande Babylon*
Da minha dúzia de bloggers preferidos, metade passou à clandestinidade no último ano e meio. Foram-se, mas mais tarde voltaram, dando notícia a poucos. No caminho de regresso depuraram-se de contadores de visitas, rubricas, nomes, blogrolls, apliques. Escrevem quando e para quem querem. Recolheram-se, recusam a ordem que se estabelece, capinam a sua azinhaga. Se assim posso continuar a lê-los, dou-me por mais que contente.
* Manu Chao, Clandestino, 1998.
quinta-feira, 1 de março de 2007
Coisas que só a mim apoquentam XXXIX
Acho os sorrisos porceclónicos como os de Anne Hathaway, Brittany Murphy e Hilary Duff pretty spooky.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Não vás
Ressumou-me há bocado a bata grenat. Depois veio o recreio pequeno, o termo almoçadeiro, os lápis de cera. No primeiro dia não chorei, só depois. Todos os dias, por três semanas, disse ela. Continuo má a mudanças, digo eu.
Conversas de Café, 75
O que me ocorreu dizer a propósito das sete perguntas de João Ferreira Dias, no Kontrastes 2.0.
Magnólias e Japoneiras
Adormeço com Alan Arkin na escadaria. Raro em raro preparo um banho de imersão. Noventa parece-me há pouco. Sinto mais frio e mais calor. Comove-me a floração.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
sábado, 24 de fevereiro de 2007
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Quarta-Feira e as Cinzas
Digo abstinência, confissão, penitência, recolhimento, redenção, e não há maneira de me habituar à perplexidade que a sua mera enunciação causa. Como se da minha boca saíssem em dialecto indígena, arcaísmo mal-visto e mal-ouvido por quem só fala em língua oficial.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Sentido
Imperturbabilidade, em momento algum a consegui. Muito menos hoje, lido o mais duro dos epistolários. Aí estava o homem que, décadas de vida vivida por outros, se viu ante a doença, e a busca do sentido para ela, e mesmo sem o encontrar, confiou.
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Andante
Não sou uma desportista nata, tendo à quietude nas suas tantas formas. E contudo nunca fui tão feliz quanto nos tantos Fevereiros de saber Portugal. O Carnaval foi sempre a pausa em que vivi, quilómetro a quilómetro, a nação sem fantasias, cansada,almoço à beira da estrada, costas no alcatrão, dormida na Casa do Povo, chuva e lama nas meias da farda, água dada, cães de susto. Fui tão livre nessa farda, nessa fila indiana, nesse toque de alvorada. E quase choro, ou choro, de feliz, sabendo que outros seguem andando por aí.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Coisas Que Só a Mim Apoquentam XXXVIII
Por que razão presentificam os portuenses certos pretéritos perfeitos? Ficámos passa a ficamos, e assim. Roubarem o acento ao verbo, trazerem o passado para agora, e logo na primeira do plural.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Lisboa, Rua Tomás da Fonseca
Mesmo se o não sei, digo que correrá tudo bem. Não para serenar, para convencer, para preencher o nada incómodo que é o silêncio da espera. Digo-o porque o desejo, e assim o convoco.
Questões Verdadeiramente Fracturantes
A piscadela de olho de José Rodrigues dos Santos em fim de noticiário é, estou segura, um dos mais sinistros fenómenos da história luso-televisiva.
Minha gente
, o Blogger [em itálico e já vai com sorte] obrigou-me a mudar para a nova versão. Podiam-me explicar como é que se corrige a ortografia da barra lateral, príti plíze?
domingo, 4 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Ana Mnese
Quem não pergunta, cuida? O que sentes? Como atender ao que não nos pedem? Desde quando estás assim? Deixas-me ajudar?
Mem Martins, Rua da Azenha
Há nicks ordinários com um poder evocativo extraordinário. Um desses mimos auto-promotores de vale de blogues recordou-me o Aluno-Engraçadinho Desconhecido.
Estávamos no fim do milénio, em ano curricular para proto-professores, num pré-fabricado com temperatura de adega que mal aguentava a lusalite. Engolíamos anacronismos pedagógicos e pós-modernices pastosas, sendo raras vezes agraciados à colherada em aviãozinho com alimento intelectual do dia. Ainda não dávamos aulas, mas através de estagiários mais velhos conseguíamos umas cobaias para os trabalhos das cadeiras. O inquérito sobre o papel dos auxiliares audiovisuais na sala de aula lá correu, a amostra era suficiente, toca ao rame-rame do apuramento de dados. No meio das previsíveis respostas aparece uma, branqueada a corrector professoral, relativa ao género cinematográfico preferido. Descodificada a contra-luz, dizia, garrafal:
Estávamos no fim do milénio, em ano curricular para proto-professores, num pré-fabricado com temperatura de adega que mal aguentava a lusalite. Engolíamos anacronismos pedagógicos e pós-modernices pastosas, sendo raras vezes agraciados à colherada em aviãozinho com alimento intelectual do dia. Ainda não dávamos aulas, mas através de estagiários mais velhos conseguíamos umas cobaias para os trabalhos das cadeiras. O inquérito sobre o papel dos auxiliares audiovisuais na sala de aula lá correu, a amostra era suficiente, toca ao rame-rame do apuramento de dados. No meio das previsíveis respostas aparece uma, branqueada a corrector professoral, relativa ao género cinematográfico preferido. Descodificada a contra-luz, dizia, garrafal:
FILME PERNOGRÁFICO
Onde quer que estejas, rapaz, obrigada pela tua colaboração. Por pouco ganhavas ao simpático professor doutor do Seminário Didáctico. O que tentou retroprojectar folhas de papel.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Lisboa, Picoas
- Como assim, bonito demais?
No caso era Law por Minghella, mas podia ser Clift por Stevens, Valentino por Henabery. Nada. A boniteza extrema provoca-me nada.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Comboio, Meleças - Areeiro
Caiu-lhe mal, mais aquele desdenhar do suburbano de ferro-carril, do novo povo. Aquela recusa enojada do igual mais mal-vestido, mais mal-falante, mais-menos. Como se não andasse tudo ao mesmo, não caminhasse tudo para o mesmo.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Do Primeiro Minuto Lembrado
Havia também pires, um bule, várias outras xícaras. Não sei bem. Matéria do primeiro minuto lembrado, só resta esta. O aniversário era meu, não teu; despertaste-me, esfreguei os olhos muito, segurei-me às grades da cama, deste-me um beijinho, dois, um abraço. Disseste algo, estendeste a caixa cheia de brincar aos chás, depois seguiste ao trabalho. A vida, para mim, foi sempre a partir daí, já neste país, nesta casa.Conta muitos, sim?
Wee Hours
Sentada, convexa de tanto ali estar, folheia outra vez o dicionário. Quer uma só palavra para amparo, afago e abraço.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Vaivém
No tempo do cabelo todo negro, liso de perder ganchos, laços, deram-me um leque rosa por recuerdo, lindo. Partiu-se no regresso, de mau molde. Sem saber que fazer, corri a escondê-lo, culpada de nada, mas culpada, e por muito tempo.
Coisas Que Só A Mim Apoquentam XXXVII
Em termos de blog tuning, o Snap é do mais exasperante que há. Está-se a ler e plop, plop, plop, plop, plop, plop, plop.
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
As mulheres fazem uma coisa muito pateta
umas às outras, quando se citam biliosamente: mesmo que as outras sejam contraltos, as umas imitiam-nas em soprano esganiçado.
domingo, 14 de janeiro de 2007
sábado, 13 de janeiro de 2007
Em caso críptico
dirija-se ao Gabinete de Denotação: ser-lhe-á prescrito 1 anti-conotativo a cada 24 horas, nos próximos dias.
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
A Dona É Móvel
Bordejo a praça de táxis, ligeira, e dois paisanos de porte castrense. Apanho um fiapo de conversa em sotaque montano:
- Pois, certamente, mas eu não gostava que ela tirasse a carta.
- Pois, certamente, mas eu não gostava que ela tirasse a carta.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Vermelho Lá Vai Violeta
Soa tão bem. Soa a título de contos futuríveis, a mnemónica espectral das várias cores do sol - vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo, violeta. Aprendi aqui. Na escola decorei apenas uma, para Biologia
- O polegar é a antena do rádio.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Almada, Avenida Torrado da Silva
A vida ordena sentido, e nós nada prontos para a revista. Mas todos bem, mais uma vez. Graças.
sábado, 6 de janeiro de 2007
Lisboa, Rua da Conceição
Antes de dar pelo balcão daqueles lindos contadores de aviamentos já a indecisão me consumia.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
Reflexo Condicionado
A verdade é que, aberto o Murganheira, a primeira coisa que me saiu boca fora foi:
- 2007... rima com 1977.
- 2007... rima com 1977.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
A Velha de Valença
Conta-o vezes sem conta. Foi há mais de trinta anos, num dos dias em passeava pelo Minho o riso franco, braço dado ao recém-marido. Tanta ilusão, tanta ilusão, murmurou a titubeante desconhecida à vista deles. Não conseguiu esquecer o enigmático desabafo, nem o decifrou até hoje. Remoque? Elogio? Aviso? Lembrança?
Supratexto
"One way of looking at speech is to say it is a constant stratagem to cover nakedness."
Cf. PINTER, Harold, Barnes and Noble Book of Quotations, 1983.
Cf. PINTER, Harold, Barnes and Noble Book of Quotations, 1983.
Lisboa, Avenida de Berna
Rente ao muro, o homem de fato embate no homem de ganga. O homem de ganga vira-se e ladra ao homem de fato. O homem de fato dá meia volta, infla o peito e rosna ao homem de ganga. Em roda, fatos e gangas abrandam a marcha. Sigo, fico sem rua. Sem fim de episódio.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Perspectivas Prospectivas
Acordar a outra hora. Conhecer mais um continente. Escrever a bom ritmo. Dizer e fazer.
domingo, 31 de dezembro de 2006
Ano Bom
Em meados de novecentos, um qualquer preciosista pôs em voga o dia de Ano Novo, na vez do dia de Ano Bom. Teve evidente sucesso. Só que eu não quero, não quero mesmo que uma constatação de facto tome o lugar de um bom auspício, de um voto, de uma verdade profética - Ano Bom para vós.
sábado, 30 de dezembro de 2006
Coisas Que Só a Mim Apoquentam XXXVI
Por que raio se diz
- Um ano para esquecer
quando os dias foram muito difíceis, correram mal ou não foram o que se esperava? Se custaram, como esquecer? Eu não quero esquecer.
Em Fita e Papel
Amigos que não temeram depender de amigos, desconhecidos que quiseram deixar de o ser, vizinhos que se valeram em aflição, pais que tiveram em seus pais o cuidado dos filhos. Neste dar vai tão mais que manter a face, tão mais que exibir, copiar. Neste dar em fita e papel vai tanta gratidão.
domingo, 24 de dezembro de 2006
Bolo de chocolate
Não conheço quem faça que dele se não gabe. Eu faço bolo de chocolate. O meu bolo de chocolate é bom. É fofo e fundente, leva cobertura. Não sobra.
sábado, 23 de dezembro de 2006
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Konrad von Soest, Christis Geburt, 1403 d.C.
Gosto de toda esta natividade. Das coisas do céu e da terra lá fora, da mãe ainda deitada, ainda rubra, do pai presente, provendo, fazendo do nada casa, do menino como veio ao mundo.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Frenzy
"I am not lazy.
I am on the amphetamine of the soul.
I am, each day,
typing out the God
my typewriter believes in.
Very quick. Very intense,
like a wolf at a live heart.
Not lazy.
When a lazy man, they say,
looks toward heaven,
the angels close the windows.
Oh angels,
keep the windows open
so that I may reach in
and steal each object,
objects that tell me the sea is not dying,
objects that tell me the dirt has a life-wish,
that the Christ who walked for me,
walked on true ground
and that this frenzy,
like bees stinging the heart all morning,
will keep the angels
with their windows open,
wide as an English bathtub."
I am on the amphetamine of the soul.
I am, each day,
typing out the God
my typewriter believes in.
Very quick. Very intense,
like a wolf at a live heart.
Not lazy.
When a lazy man, they say,
looks toward heaven,
the angels close the windows.
Oh angels,
keep the windows open
so that I may reach in
and steal each object,
objects that tell me the sea is not dying,
objects that tell me the dirt has a life-wish,
that the Christ who walked for me,
walked on true ground
and that this frenzy,
like bees stinging the heart all morning,
will keep the angels
with their windows open,
wide as an English bathtub."
Anne Sexton, The Awful Rowing Toward God, 1975.
Personae
Não se importava que a tomassem por Teodora Palmira. Mas como saber se era Mafalda de Teive?
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
Humor de Salvação
Na sanha queixinhas sobre a matéria infracitada, valem-me os que me põem no devido lugar, que é o de me rir-me. Como quem, sisudo, após ouvir a enésima assoadela, diagnostica:
- Isso é uma depressão a sair-te pelo nariz. Sabes isso, não sabes?
- Isso é uma depressão a sair-te pelo nariz. Sabes isso, não sabes?
Phycis Phycis
Eca, d.pibe, cara e cangote de peixe arraçado de bacalhau sem o ser? Mal empregado azeite. É que nem embuçado em mayonnaise feita na hora. Gnarf. Blearg. Ptui. Spif.
sábado, 16 de dezembro de 2006
Depois de Uma Madrugada De Inalações
de vapor de água, e de, não querendo deixar a fama de trangalhadanças em mãos alheias, queimar o meu papudo queixo com um salpico, optei deixar de me assoar e tossir, e passar a assoar-me, tossir e rir ao mesmo tempo, com a inestimável ajuda da minha prosa diarística pré-adolescente. Este excerto é dedicado aos que neste momento padecem de uma enorme quantidade de ranho dentro de si. Riam-se: não alivia nada, mas ajuda a passar o tempo.
[assinatura arrebicada]
E rima.
"5 Dez 89 Terça Muro de Berlim caiu
Querido Diário, hoje recebi o teste de Inglês, tive 'Elevado' o melhor da turma [oh, a modéstia a guarnecer a falta de pontuação]. Recebi esta carta* em baixo [e três setinhas indicam um bocado de papel agrafado à página; e a pontuação, que é dela?] não sei de quem. Hoje 'vi-o' [quem? e este persistente problema de pontuação?]. Acabou uma telenovela chamada 'Sassaricando' [aposto que chorei com isto, e com o Muro não]. Tenho de estudar, para o ponto de Português [pois bem precisava, Nossa Senhora das Vírgulas!] por hoje é tudo, adeus até amanhã [estaria a treinar para pivot?].[assinatura arrebicada]
*Bilhetinho anónimo dactilografado, deixado no meu lugar da sala por algum colega (?), suponho que com intenções românticas, ou esquisitas, ou gozonas, ao qual acrescentei de forma manuscrita e preocupada sete '?' e dois 'hã?' :
"PARA ANA CLAUDIA
Amo-te como se ama Deus
Como a mãe ama seu filho
Como o irmão a irmã
Eis deste amor o seu brilho"
Amo-te como se ama Deus
Como a mãe ama seu filho
Como o irmão a irmã
Eis deste amor o seu brilho"
E rima.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Os Discos
Numa das expedições à cave achou um embrulho de papel, pequeno como o mínimo dos dedos. Já sabia ler, reconheceu as maiúsculas picadas do pai, acabou por entender SAVANA e AGULHA. Abriu-o com cuidado, olhou o filamento de metal, os seus dois gumes irregulares, espantou-se, tornou a guardá-lo no lugar. Não estava em gaveta de se poder mexer, por isso moeu-se com a história que faltava, perguntou nada a ninguém. Assim, sonhou muito com a terra que não recordava, imaginou caçadas, missões, perigos. Até à tarde em que o pai veio à sala e colocou o misterioso objecto no aparelho. E os discos voltaram a ouvir-se.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Atlas, Axis Et Alii
Se pudesse ser como o Lampadinha, desatarrachar a cabeça por um bocado, para o que a segura poder descansar.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
De Cor
Agradeço aos que nomearam este weblog e O Amigo do Povo na votação promovida pelo Geração Rasca. Ainda não tinha agradecido, aqui. O Technorati e o Sitemeter não ajudaram muito, por isso, de cor, obrigada à Cozinha da Joana, ao Monstruosidades do Tempo e da Fortuna, obrigada ao Insónia e ao Ma-Schamba, bem como aos que, por esquecimento ou desconhecimento, me escapam. E parabéns aos vencedores, não por acaso nas Carreiras de visita frequente, ali ao lado direito.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
À Puridade
Que puritate desemboque em dois sentidos aparentemente tão distintos como confidência e pureza, é razão que me apega ainda mais à expressão. Que à medida que fui crescendo, fui-me surpreendendo com a minha crescente meia-tintice quanto a tanto. Que das poucas coisas em que me mantenho férrea, a custódia de um segredo é uma delas.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
85 mm
Uma pessoa começa por se distrair, e quando dá por isso vai pelo mesmo caminho. A culpa é da publicidade subliminar, claro. Comprei o meu primeiro par de sapatos de salto alto. Ai, as insidiosas malhas da bloga.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
Variações Tristesómicas [saudades do Bombyx Mori, e do Melancómico]
Era tão retentiva tão retentiva tão retentiva que nunca assinava sem trancar o nome.
domingo, 3 de dezembro de 2006
Ana Cloudier
Esteval Interior Sul. Coisa dentre oito e dez graus. Um palmo à frente do nariz, tudo cerrado. Velocidade: 52,0 Kbps. Aquecimento central temperamental. Boa noute.
sábado, 2 de dezembro de 2006
Professor
Há uns dias almocei com uma personagem pouco conhecida, ainda que recorrente, de Oliveira. Por mais que fôssemos meia dúzia, foi o provecto senhor o absoluto centro da mesa. O tom, a erudição evidente desprovida de soberba, o humor provocatório, a nortenhez retinta. E nós ouvindo, alunos outra vez, acanhados em retrucar.
Questões Verdadeiramente Fracturantes
A Gwen Stefani é muito bonita e simpática. Musica mal e dança mal. É também uma grande chatarrona.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2006
Lisboa, Rua Coelho da Rocha
À entrada, um sorriso e a oferta de um heterónimo. Acaso, homónimo. Luz. Calor. Fotografias e livros. Ao ar, calafrio e espera. Ao que íamos, depois - poemas e poetas. Voz e vela. Irónicos, em ânsia, tristes, amantíssimos, perplexos, atentos. Ao chão, a floresta de pernas, como em pequenina. Calor. Amigos, conhecidos. Tinto à nossa e à dele. Olás e até jás. Calor.
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
terça-feira, 28 de novembro de 2006
A Casa
, a linha, o sangue. Que história nos provoca como a nossa? Quem não quer saber de si pelos seus? Pelo trisavô que roubou a trisavó a cavalo num burro, para se casarem antes do sol nascer? Pelo tio-bisavô missionário, nome de escola e avenida numa pequena cidade brasileira? Pelo distante primo escritor, o que nunca quis ser de onde era? Pela avó que aprendeu a ler sozinha, sem ninguém saber bem como? Que nos dizem eles de nós?
domingo, 26 de novembro de 2006
Cesariny, 1923-2006
cena para o final de um terceiro acto
Uma esquina outra esquina
depois os breves canteiros floridos
de quando a cidade era pequenina
depois os longos rochedos brutais
a lua o mar eterno o cais
Uma esquina outra esquina
depois os breves canteiros floridos
de quando a cidade era pequenina
depois os longos rochedos brutais
a lua o mar eterno o cais
Mário Cesariny de Vasconcelos, Manual de Prestidigitação, 1981.
[tentando pôr ao alto a gola do peludo]
sábado, 25 de novembro de 2006
Dos Três Simples
Meia dúzia de adultos e um menino de três anos, alegre. Meia dúzia divertindo-se com ele, como ele. Simples.
A Cara Assombrada
Quem sofre, muda. Também no mais exposto de si - na face. Aí, a dor rubrica qualquer coisa indistinta, inconstante, suficientemente lá para darmos por ela, não mais. Podemos pouco, quanto a isso. Amá-la mais, só.
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
On Connaît La Chanson
A dada altura, Nicolas pergunta a Camille se alguém lê daqueles assuntos, e ela irrita-se. A dada altura, Simon sugere a Camille que talvez se trate de uma depressão, e ela ri-se. Camille talvez conheça a canção. A si, não.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Acontece
-me às vezes, na maré cheia dos do fim do dia, subir do metro ao comboio e levar de chapa no peito com um amor por todos, todos.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
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