a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Não vás

Ressumou-me há bocado a bata grenat. Depois veio o recreio pequeno, o termo almoçadeiro, os lápis de cera. No primeiro dia não chorei, só depois. Todos os dias, por três semanas, disse ela. Continuo má a mudanças, digo eu.

Conversas de Café, 75

O que me ocorreu dizer a propósito das sete perguntas de João Ferreira Dias, no Kontrastes 2.0.

Magnólias e Japoneiras

Adormeço com Alan Arkin na escadaria. Raro em raro preparo um banho de imersão. Noventa parece-me há pouco. Sinto mais frio e mais calor. Comove-me a floração.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Wee Hours

Guardar o sol do dia, lembrá-lo à noite.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Literálea

Ama-se. Ao pé, de roda, cerca, à beira. Mesmo se não se diz, isto não se deixa de dizer.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Constatações de Fato

Malta do costume, estamos quase nos Óscares.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quarta-Feira e as Cinzas

Digo abstinência, confissão, penitência, recolhimento, redenção, e não há maneira de me habituar à perplexidade que a sua mera enunciação causa. Como se da minha boca saíssem em dialecto indígena, arcaísmo mal-visto e mal-ouvido por quem só fala em língua oficial.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Sentido

Imperturbabilidade, em momento algum a consegui. Muito menos hoje, lido o mais duro dos epistolários. Aí estava o homem que, décadas de vida vivida por outros, se viu ante a doença, e a busca do sentido para ela, e mesmo sem o encontrar, confiou.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Andante

Não sou uma desportista nata, tendo à quietude nas suas tantas formas. E contudo nunca fui tão feliz quanto nos tantos Fevereiros de saber Portugal. O Carnaval foi sempre a pausa em que vivi, quilómetro a quilómetro, a nação sem fantasias, cansada,almoço à beira da estrada, costas no alcatrão, dormida na Casa do Povo, chuva e lama nas meias da farda, água dada, cães de susto. Fui tão livre nessa farda, nessa fila indiana, nesse toque de alvorada. E quase choro, ou choro, de feliz, sabendo que outros seguem andando por aí.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XXXVIII

Por que razão presentificam os portuenses certos pretéritos perfeitos? Ficámos passa a ficamos, e assim. Roubarem o acento ao verbo, trazerem o passado para agora, e logo na primeira do plural.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Blogger Blabber

Marcadores? Só da Molin. Snif.

Lisboa, Rua Tomás da Fonseca

Mesmo se o não sei, digo que correrá tudo bem. Não para serenar, para convencer, para preencher o nada incómodo que é o silêncio da espera. Digo-o porque o desejo, e assim o convoco.

Questões Verdadeiramente Fracturantes

A piscadela de olho de José Rodrigues dos Santos em fim de noticiário é, estou segura, um dos mais sinistros fenómenos da história luso-televisiva.

Ah

...já perçevi. Que totótita, eu.

Minha gente

, o Blogger [em itálico e já vai com sorte] obrigou-me a mudar para a nova versão. Podiam-me explicar como é que se corrige a ortografia da barra lateral, príti plíze?

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Ana Filática

De Inverno está bom, pronto. Piu-pius, florinhas, vá.

Fair Enough

O sono dos justos, que falta faz.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Ana Mnese

Quem não pergunta, cuida? O que sentes? Como atender ao que não nos pedem? Desde quando estás assim? Deixas-me ajudar?

Mem Martins, Rua da Azenha

nicks ordinários com um poder evocativo extraordinário. Um desses mimos auto-promotores de vale de blogues recordou-me o Aluno-Engraçadinho Desconhecido.
Estávamos no fim do milénio, em ano curricular para proto-professores, num pré-fabricado com temperatura de adega que mal aguentava a lusalite. Engolíamos anacronismos pedagógicos e pós-modernices pastosas, sendo raras vezes agraciados à colherada em aviãozinho com alimento intelectual do dia. Ainda não dávamos aulas, mas através de estagiários mais velhos conseguíamos umas cobaias para os trabalhos das cadeiras. O inquérito sobre o papel dos auxiliares audiovisuais na sala de aula lá correu, a amostra era suficiente, toca ao rame-rame do apuramento de dados. No meio das previsíveis respostas aparece uma, branqueada a corrector professoral, relativa ao género cinematográfico preferido. Descodificada a contra-luz, dizia, garrafal:

FILME PERNOGRÁFICO

Onde quer que estejas, rapaz, obrigada pela tua colaboração. Por pouco ganhavas ao simpático professor doutor do Seminário Didáctico. O que tentou retroprojectar folhas de papel.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Lisboa, Picoas

- Como assim, bonito demais?

No caso era Law por Minghella, mas podia ser Clift por Stevens, Valentino por Henabery. Nada. A boniteza extrema provoca-me nada.