a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Ah

...já perçevi. Que totótita, eu.

Minha gente

, o Blogger [em itálico e já vai com sorte] obrigou-me a mudar para a nova versão. Podiam-me explicar como é que se corrige a ortografia da barra lateral, príti plíze?

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Ana Filática

De Inverno está bom, pronto. Piu-pius, florinhas, vá.

Fair Enough

O sono dos justos, que falta faz.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Ana Mnese

Quem não pergunta, cuida? O que sentes? Como atender ao que não nos pedem? Desde quando estás assim? Deixas-me ajudar?

Mem Martins, Rua da Azenha

nicks ordinários com um poder evocativo extraordinário. Um desses mimos auto-promotores de vale de blogues recordou-me o Aluno-Engraçadinho Desconhecido.
Estávamos no fim do milénio, em ano curricular para proto-professores, num pré-fabricado com temperatura de adega que mal aguentava a lusalite. Engolíamos anacronismos pedagógicos e pós-modernices pastosas, sendo raras vezes agraciados à colherada em aviãozinho com alimento intelectual do dia. Ainda não dávamos aulas, mas através de estagiários mais velhos conseguíamos umas cobaias para os trabalhos das cadeiras. O inquérito sobre o papel dos auxiliares audiovisuais na sala de aula lá correu, a amostra era suficiente, toca ao rame-rame do apuramento de dados. No meio das previsíveis respostas aparece uma, branqueada a corrector professoral, relativa ao género cinematográfico preferido. Descodificada a contra-luz, dizia, garrafal:

FILME PERNOGRÁFICO

Onde quer que estejas, rapaz, obrigada pela tua colaboração. Por pouco ganhavas ao simpático professor doutor do Seminário Didáctico. O que tentou retroprojectar folhas de papel.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Lisboa, Picoas

- Como assim, bonito demais?

No caso era Law por Minghella, mas podia ser Clift por Stevens, Valentino por Henabery. Nada. A boniteza extrema provoca-me nada.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Comboio, Meleças - Areeiro

Caiu-lhe mal, mais aquele desdenhar do suburbano de ferro-carril, do novo povo. Aquela recusa enojada do igual mais mal-vestido, mais mal-falante, mais-menos. Como se não andasse tudo ao mesmo, não caminhasse tudo para o mesmo.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Do Primeiro Minuto Lembrado

Havia também pires, um bule, várias outras xícaras. Não sei bem. Matéria do primeiro minuto lembrado, só resta esta. O aniversário era meu, não teu; despertaste-me, esfreguei os olhos muito, segurei-me às grades da cama, deste-me um beijinho, dois, um abraço. Disseste algo, estendeste a caixa cheia de brincar aos chás, depois seguiste ao trabalho. A vida, para mim, foi sempre a partir daí, já neste país, nesta casa.

Conta muitos, sim?

Wee Hours

Sentada, convexa de tanto ali estar, folheia outra vez o dicionário. Quer uma só palavra para amparo, afago e abraço.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Vaivém

No tempo do cabelo todo negro, liso de perder ganchos, laços, deram-me um leque rosa por recuerdo, lindo. Partiu-se no regresso, de mau molde. Sem saber que fazer, corri a escondê-lo, culpada de nada, mas culpada, e por muito tempo.

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XXXVII

Em termos de blog tuning, o Snap é do mais exasperante que há. Está-se a ler e plop, plop, plop, plop, plop, plop, plop.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Ensinaram-me, avós e mãe. Em todas as casas se bebia, segue bebendo, no bem e no mal estar. Vem do quintal, do jardim do tio, da lata fina inglesa, francesa, da pequeno pacote moçambicano, indiano. Não deixo o que houve e o que segue havendo, se bebo o mundo.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

As mulheres fazem uma coisa muito pateta

umas às outras, quando se citam biliosamente: mesmo que as outras sejam contraltos, as umas imitiam-nas em soprano esganiçado.

domingo, 14 de janeiro de 2007

sábado, 13 de janeiro de 2007

Em caso críptico

dirija-se ao Gabinete de Denotação: ser-lhe-á prescrito 1 anti-conotativo a cada 24 horas, nos próximos dias.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Elles Se Rendent Pas Compte

and ils se rendent pas compte either, Vern.

A Dona É Móvel

Bordejo a praça de táxis, ligeira, e dois paisanos de porte castrense. Apanho um fiapo de conversa em sotaque montano:

- Pois, certamente, mas eu não gostava que ela tirasse a carta.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Vermelho Lá Vai Violeta

Soa tão bem. Soa a título de contos futuríveis, a mnemónica espectral das várias cores do sol - vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo, violeta. Aprendi aqui. Na escola decorei apenas uma, para Biologia
- O polegar é a antena do rádio.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Almada, Avenida Torrado da Silva

A vida ordena sentido, e nós nada prontos para a revista. Mas todos bem, mais uma vez. Graças.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Lisboa, Rua da Conceição

Antes de dar pelo balcão daqueles lindos contadores de aviamentos já a indecisão me consumia.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Reflexo Condicionado

A verdade é que, aberto o Murganheira, a primeira coisa que me saiu boca fora foi:

- 2007... rima com 1977.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

A Velha de Valença

Conta-o vezes sem conta. Foi há mais de trinta anos, num dos dias em passeava pelo Minho o riso franco, braço dado ao recém-marido. Tanta ilusão, tanta ilusão, murmurou a titubeante desconhecida à vista deles. Não conseguiu esquecer o enigmático desabafo, nem o decifrou até hoje. Remoque? Elogio? Aviso? Lembrança?

Supratexto

"One way of looking at speech is to say it is a constant stratagem to cover nakedness."

Cf. PINTER, Harold, Barnes and Noble Book of Quotations, 19
83.

Lisboa, Avenida de Berna

Rente ao muro, o homem de fato embate no homem de ganga. O homem de ganga vira-se e ladra ao homem de fato. O homem de fato dá meia volta, infla o peito e rosna ao homem de ganga. Em roda, fatos e gangas abrandam a marcha. Sigo, fico sem rua. Sem fim de episódio.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Societas Caulis

Esta já cá vai.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Perspectivas Prospectivas

Acordar a outra hora. Conhecer mais um continente. Escrever a bom ritmo. Dizer e fazer.

domingo, 31 de dezembro de 2006

Ano Bom

Em meados de novecentos, um qualquer preciosista pôs em voga o dia de Ano Novo, na vez do dia de Ano Bom. Teve evidente sucesso. Só que eu não quero, não quero mesmo que uma constatação de facto tome o lugar de um bom auspício, de um voto, de uma verdade profética - Ano Bom para vós.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XXXVI

Por que raio se diz

- Um ano para esquecer

quando os dias foram muito difíceis, correram mal ou não foram o que se esperava? Se custaram, como esquecer? Eu não quero esquecer.

Em Fita e Papel

Amigos que não temeram depender de amigos, desconhecidos que quiseram deixar de o ser, vizinhos que se valeram em aflição, pais que tiveram em seus pais o cuidado dos filhos. Neste dar vai tão mais que manter a face, tão mais que exibir, copiar. Neste dar em fita e papel vai tanta gratidão.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Bolo de chocolate

Não conheço quem faça que dele se não gabe. Eu faço bolo de chocolate. O meu bolo de chocolate é bom. É fofo e fundente, leva cobertura. Não sobra.

sábado, 23 de dezembro de 2006

Wee Hours

E aí vem de volta, o sol. Com vagar. Um dia de cada vez.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Português Partido XI

Alerta amarelo já é frio


Cabonde, adj. e adv (etim. obscura) 1. Muito 2. Bastante.


, para mim.

Konrad von Soest, Christis Geburt, 1403 d.C.

Gosto de toda esta natividade. Das coisas do céu e da terra lá fora, da mãe ainda deitada, ainda rubra, do pai presente, provendo, fazendo do nada casa, do menino como veio ao mundo.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Frenzy

"I am not lazy.
I am on the amphetamine of the soul.
I am, each day,
typing out the God
my typewriter believes in.
Very quick. Very intense,
like a wolf at a live heart.
Not lazy.
When a lazy man, they say,
looks toward heaven,
the angels close the windows.

Oh angels,
keep the windows open
so that I may reach in
and steal each object,
objects that tell me the sea is not dying,
objects that tell me the dirt has a life-wish,
that the Christ who walked for me,
walked on true ground
and that this frenzy,
like bees stinging the heart all morning,
will keep the angels
with their windows open,
wide as an English bathtub."
Anne Sexton, The Awful Rowing Toward God, 1975.

Personae

Não se importava que a tomassem por Teodora Palmira. Mas como saber se era Mafalda de Teive?

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Humor de Salvação

Na sanha queixinhas sobre a matéria infracitada, valem-me os que me põem no devido lugar, que é o de me rir-me. Como quem, sisudo, após ouvir a enésima assoadela, diagnostica:

- Isso é uma depressão a sair-te pelo nariz. Sabes isso, não sabes?

Phycis Phycis

Eca, d.pibe, cara e cangote de peixe arraçado de bacalhau sem o ser? Mal empregado azeite. É que nem embuçado em mayonnaise feita na hora. Gnarf. Blearg. Ptui. Spif.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Depois de Uma Madrugada De Inalações

de vapor de água, e de, não querendo deixar a fama de trangalhadanças em mãos alheias, queimar o meu papudo queixo com um salpico, optei deixar de me assoar e tossir, e passar a assoar-me, tossir e rir ao mesmo tempo, com a inestimável ajuda da minha prosa diarística pré-adolescente. Este excerto é dedicado aos que neste momento padecem de uma enorme quantidade de ranho dentro de si. Riam-se: não alivia nada, mas ajuda a passar o tempo.


"5 Dez 89 Terça Muro de Berlim caiu

Querido Diário, hoje recebi o teste de Inglês, tive 'Elevado' o melhor da turma [oh, a modéstia a guarnecer a falta de pontuação]. Recebi esta carta* em baixo [e três setinhas indicam um bocado de papel agrafado à página; e a pontuação, que é dela?] não sei de quem. Hoje 'vi-o' [quem? e este persistente problema de pontuação?]. Acabou uma telenovela chamada 'Sassaricando' [aposto que chorei com isto, e com o Muro não]. Tenho de estudar, para o ponto de Português [pois bem precisava, Nossa Senhora das Vírgulas!] por hoje é tudo, adeus até amanhã [estaria a treinar para pivot?].

[assinatura arrebicada]


*Bilhetinho anónimo dactilografado, deixado no meu lugar da sala por algum colega (?), suponho que com intenções românticas, ou esquisitas, ou gozonas, ao qual acrescentei de forma manuscrita e preocupada sete '?' e dois 'hã?' :

"PARA ANA CLAUDIA

Amo-te como se ama Deus

Como a mãe ama seu filho
Como o irmão a irmã
Eis deste amor o seu brilho"


E rima.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Buá

Alguém me diga que o Portugal de... com o MEC repete, que está para me dar um fanico.

Os Discos

Numa das expedições à cave achou um embrulho de papel, pequeno como o mínimo dos dedos. Já sabia ler, reconheceu as maiúsculas picadas do pai, acabou por entender SAVANA e AGULHA. Abriu-o com cuidado, olhou o filamento de metal, os seus dois gumes irregulares, espantou-se, tornou a guardá-lo no lugar. Não estava em gaveta de se poder mexer, por isso moeu-se com a história que faltava, perguntou nada a ninguém. Assim, sonhou muito com a terra que não recordava, imaginou caçadas, missões, perigos. Até à tarde em que o pai veio à sala e colocou o misterioso objecto no aparelho. E os discos voltaram a ouvir-se.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Atlas, Axis Et Alii

Se pudesse ser como o Lampadinha, desatarrachar a cabeça por um bocado, para o que a segura poder descansar.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

De Cor

Agradeço aos que nomearam este weblog e O Amigo do Povo na votação promovida pelo Geração Rasca. Ainda não tinha agradecido, aqui. O Technorati e o Sitemeter não ajudaram muito, por isso, de cor, obrigada à Cozinha da Joana, ao Monstruosidades do Tempo e da Fortuna, obrigada ao Insónia e ao Ma-Schamba, bem como aos que, por esquecimento ou desconhecimento, me escapam. E parabéns aos vencedores, não por acaso nas Carreiras de visita frequente, ali ao lado direito.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

À Puridade

Que puritate desemboque em dois sentidos aparentemente tão distintos como confidência e pureza, é razão que me apega ainda mais à expressão. Que à medida que fui crescendo, fui-me surpreendendo com a minha crescente meia-tintice quanto a tanto. Que das poucas coisas em que me mantenho férrea, a custódia de um segredo é uma delas.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

85 mm

Uma pessoa começa por se distrair, e quando dá por isso vai pelo mesmo caminho. A culpa é da publicidade subliminar, claro. Comprei o meu primeiro par de sapatos de salto alto. Ai, as insidiosas malhas da bloga.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Variações Tristesómicas [saudades do Bombyx Mori, e do Melancómico]

Era tão retentiva tão retentiva tão retentiva que nunca assinava sem trancar o nome.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Ana Cloudier

Esteval Interior Sul. Coisa dentre oito e dez graus. Um palmo à frente do nariz, tudo cerrado. Velocidade: 52,0 Kbps. Aquecimento central temperamental. Boa noute.
Qualquer dia aparece aí o novo frontispício, e depois isto fica muito mais melhor fixe.

sábado, 2 de dezembro de 2006

S/T [Pedro Guimarães]

O Inverno figurado.

Professor

Há uns dias almocei com uma personagem pouco conhecida, ainda que recorrente, de Oliveira. Por mais que fôssemos meia dúzia, foi o provecto senhor o absoluto centro da mesa. O tom, a erudição evidente desprovida de soberba, o humor provocatório, a nortenhez retinta. E nós ouvindo, alunos outra vez, acanhados em retrucar.

Questões Verdadeiramente Fracturantes

A Gwen Stefani é muito bonita e simpática. Musica mal e dança mal. É também uma grande chatarrona.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Lisboa, Rua Coelho da Rocha

À entrada, um sorriso e a oferta de um heterónimo. Acaso, homónimo. Luz. Calor. Fotografias e livros. Ao ar, calafrio e espera. Ao que íamos, depois - poemas e poetas. Voz e vela. Irónicos, em ânsia, tristes, amantíssimos, perplexos, atentos. Ao chão, a floresta de pernas, como em pequenina. Calor. Amigos, conhecidos. Tinto à nossa e à dele. Olás e até jás. Calor.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Decilitro, Militro, Digo

Mai'logo conto brindar em flagrante de litro.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Obrigada

aos senhores e senhoras que inventaram, produziram e distribuiram a galocha da moda. Aquela shocking. A das florzinhas estridentes. Eeessa. Em dias destes, olhar a calça arregaçada da nossa próxima é alívio cómico garantido.

A Casa

, a linha, o sangue. Que história nos provoca como a nossa? Quem não quer saber de si pelos seus? Pelo trisavô que roubou a trisavó a cavalo num burro, para se casarem antes do sol nascer? Pelo tio-bisavô missionário, nome de escola e avenida numa pequena cidade brasileira? Pelo distante primo escritor, o que nunca quis ser de onde era? Pela avó que aprendeu a ler sozinha, sem ninguém saber bem como? Que nos dizem eles de nós?

domingo, 26 de novembro de 2006

Cesariny, 1923-2006

cena para o final de um terceiro acto

Uma esquina outra esquina
depois os breves canteiros floridos
de quando a cidade era pequenina

depois os longos rochedos brutais
a lua o mar eterno o cais

Mário Cesariny de Vasconcelos, Manual de Prestidigitação, 1981.

[tentando pôr ao alto a gola do peludo]

sábado, 25 de novembro de 2006

Dos Três Simples

Meia dúzia de adultos e um menino de três anos, alegre. Meia dúzia divertindo-se com ele, como ele. Simples.

A Cara Assombrada

Quem sofre, muda. Também no mais exposto de si - na face. Aí, a dor rubrica qualquer coisa indistinta, inconstante, suficientemente lá para darmos por ela, não mais. Podemos pouco, quanto a isso. Amá-la mais, só.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Série II - 62

Eu ali, a tentar dizer mini-qualquer-coisa, entre Kontratempos e o Arrastão, em carruagem de Avatares, [do PPM] da Atlântico, do Gejfin. Grata pelo convite, Luís.

Punk? Blues? Rock? Folk?

Violent? Femmes? Please, please, please, mas quem é que quer saber de tags? Está no ir.

On Connaît La Chanson

A dada altura, Nicolas pergunta a Camille se alguém lê daqueles assuntos, e ela irrita-se. A dada altura, Simon sugere a Camille que talvez se trate de uma depressão, e ela ri-se. Camille talvez conheça a canção. A si, não.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Acontece

-me às vezes, na maré cheia dos do fim do dia, subir do metro ao comboio e levar de chapa no peito com um amor por todos, todos.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Post 951





Fotos: REFER, Túnel do Rossio. Actividades, 2006.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

[A quem possa interessar: o QC reabrirá ao trânsito no mês de Novembro]

Fotograma: Zlawomir Idziak, La Double Vie de Véronique, 1991.

domingo, 17 de setembro de 2006

Post 949

O Quatro Caminhos cumpriu ontem o seu segundo aniversário. Não quero deixar de repetir o meu agradecimento aos que por aqui circularam, aos que comentaram e linkaram, em especial aos passageiros habituais. Humanamente, tenho ganho neste espaço muito mais do que me foi possível imaginar, por isso vos sou grata. Agora, o QC tem de fechar ao trânsito por algum tempo. Digamos que necessita de avaliação e obras, como o túnel do Rossio.

Um abraço a todos, em geral e em particular. Qualquer coisa, estarei pela outra paragem.
"Como vedes, o homem é julgado segundo as suas obras e não unicamente segundo a sua fé."
Tgo. 3, 24

Outlet

Nada justifica dinheiro gasto como a descoberta, na etiqueta, de três camadas de preços.

Coisas que Só a Mim Apoquentam XXXV

Há na Islândia, há na Coreia do Sul. Até no Sri Lanka há. Assim sendo, porque é que a Lush mais próxima daqui tem de estar a centenas de quilómetros?

O Tejo, VIII

Matinal, liso. Liso não, reptilíneo, serpenteando pelo mouchão.

Montmartre, Le Chat Noir Café - Cabaret

Não sabes, mas / estás onde esqueço / ou suspendo / um imenso medo / do mundo. Sei quem és, / piano de Satie.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Blog Vérité

Cortei o cabelo (bob por alma de quem?), já me pareço mais comigo. Não fui a New Jersey (que tal?), estive a ver José Pacheco Pereira vs. Manuel de Arriaga Mário Soares. Respondi nãonãonãonãonãonão a um passageiro do metro, interrompi-o naquela parte do é que é mesmo parecida com uma amiga minha. Contei cinco galinhas pretas vivas e um pombo pardo morto até ao Campo de Santana. Choveu-me em cima. Gostei muito.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Sete Rios, Interface CP - ML

Nove e onze de onze do nove. Um. Marcha lenta. Outro. Entreolhares. Quatro. Bilhete. Doze. Polícias. Quem esqueceu acabou de lembrar.

domingo, 10 de setembro de 2006

Queluz, Rua D. Fernando II

O bom de crescer, de envelhecer, é rever miúdos que já não o são e perceber que estão a correr bem. E termos tido a sorte de ter que ver com isso.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Soprano Talk

O bairro já não é o mesmo. Cafés pasteurizados, vídeoclubes de cadeia, vizinhos novos em lofts novos. Num mundo corporativo não haverá lugar para Satriale's, nem para taxas de segurança ao lojista local. "Acabou-se", lamentam os cobradores de meia-tijela. Reunião à porta da charcutaria, cafés e cannoli. T., satisfeito, faz gala da recuperada virilidade. AJ também quer ser homem, mas não sabe para onde se virar. A Drª Melfi explica que crescer já não é o mesmo, "os 26 são os novos 21". Festa, fare niente, facada frustrada no tio. Tony explicando ao filho que este não tem vocação para capo. Aliviado. AJ não. Estômago às voltas, desmaio. Tony em Canali completo, percebendo que já não consegue trair como antes. Crescer custa. Vito em New Hampshire, mas podia ser em Brokeback Mountain. À volta do clã DiMeo toda gente acha que sabe como é: vêem-se uma coisas no cinema, capo di tutti capi, ommertà, blá, blá. Não sabe.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XXXIV

Já ser Setembro e ainda só ter cumprido 2/5 das resoluções para este ano. É assim. Cada qual tem a sua Agenda de Lisboa.

Texas, Wichita Falls

O projecto de Scott Warren tem de tudo: lamento estetizado, confissão cómica, fúria vingativa. Sem arquivos, é rebuscar a cache. No tempo, ou no modo, não haverá quem não tenha visto o seu reflexo num postal. Ao menos uma vez.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

A Preguiça, Nº 12

"É ou não é estranho e lindo e BEM PENSADO por DEUS NOSSO SENHOR que ambos pensemos que nos LIVRÁMOS DE BOA e ficámos a ganhar? É."
MEC

No dia da morte de um jornal a que nunca fui fiel, ou a que só fui durante uns anos (aquando da minha passagem pela mui grada e então mui esquerdosa FLUL), evoco uma das poucas edições periódicas impressas que me ficaram na memória, e que a ele se deve.
Na cave do edifício principal, à entrada do bar do busto camoniano despromovido a capitão iglo, colocado sobre o refrigerador como vigia de comes e bebes, eu e mais dois ou três colegas aguardávamos as primeiras novidades das Pedagógicas enquanto os responsáveis pelo recém inaugurado placard de cortiça do PP acusavam de vandalismo os responsáveis pelo veterano placard de cortiça da JCP, e vice-versa. Alguém trouxe o DN, porque não era do Belmiro, eu levava O Independente, por causa das fotografias de couves e batatas da Inês Gonçalves. Abri a revista, pu-la no centro da mesa, li umas coisas alto, pasmámos todos. Faltar-lhes-ia assunto? Ter-se-iam passado?
No dia 27 de Outubro de 2000, A Preguiça teve por peça principal um artigo intitulado O casamento com a minha mulher e comigo, da autoria de um Miguel Esteves Cardoso em desavergonhada modalidade CAPSLOCK, fora de si de tão feliz. Todos os outros falavam do mesmo: amor, casamento, boda, paixão. Na altura rimo-nos, sentenciámos em coro que era um despropósito, com tanta coisa importante que havia para tratar. O certo é que guardei a revista, e que hoje me dou por contente em ter ficado esse tão belo cúmulo da liberdade de imprensa.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Fechemos Condignamente A Temporada Tonta, 2

Pode ser que seja para o próximo Verão que a mass moda da patine aurífera total (cor da coloração do cabelo + maquilhagem + bronzeado tipo curtume + body lotion com efeitos especiais) se vá de vez. Tanto doirado-acobreado, doirado-estanhado, doirado-doirado. Apre. Que dor de olhos.

Comboio, Pragal - Entrecampos

Nada detém uma mulher com vontade de falar. Não uma mulher com vontade de desabafar - que por mais que a tenha nunca avança sem assentimento - uma mulher com vontade de falar, apenas. Que esteve calada o dia todo, limpando, calculando, escrevendo. A ânsia é tanta que à primeira nesga de oportunidade deixa correr as novidades da terra, as queixas dos miúdos, as fotografias da estação casamenteira, as dores na coluna. O débito é tal que não permite contra-deixa. Em vezes assim, ouvir é comunicar com a maior das generosidades.

Soprano Talk

, ou Sopapo Talk, que neste episódio nem La Bacall escapa. Já não há maneiras. Não pode uma pessoa colectiva oferecer um cabaz à avozinha, que aparece logo o lobo mau. Antes da ordem de trabalhos, peço desculpas aos meus mui estimados co/nversadores pela elipse sem anúncio. Cabeça cansada nem com tv descansa. De volta aos carris: parece que Vito, fazendo juz à fama de seboso, escorregou por entre os dedos da famiglia, não foi? Bem, por agora, menos um apoquentamento para T. e mais tempo livre para Little Carmine (um sartorialist menos arrojado neste episódio, não fosse a bota texana com o fato de verão à milaneza salvar-lhe a fama) e Chris (que lamuriento que anda, eca) fazerem o pitching desse literalmente fantástico argumento. A Sir Ben Kingsley, quanta arte não terá sido precisa para lhe não tremerem as pernas contemplando Murmur, o cardíaco e musculado endireita de Moltisanti. Conversa de elevador no seu melhor. Os infortúnios da virtude de Artie Bucco foram o mais: vocação e honestidade não salvam um negócio sem novidade, pelo menos hoje. Haja um amigo que nos atire à cara o que não queremos enfrentar. Que sempre podemos voltar ao princípio, ao caderno usado do que de tão velho é novo, novamente.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Queluz, Rua D. Pedro IV

Subia-se a escada - bombeiro para baixo, bombeiro para cima - e lá estava a ante-sala do socorrista. Olhos vermelhos de fisgas, pés com pregos, cabeças partidas. À mecânica da cura, seca, sobrevinha amorosa mão de mãe.

sábado, 26 de agosto de 2006

Coisas Que Só A Mim Apoquentam, XXXIII

Sinto-me horrivelmente arrogante quando tenho dificuldade em reprimir a vontade de rir ante quem me conta um actual problema nas glândulas das argilas, ou quem relembra o recente termo clínico à gravidez de um feto vegetariano.

A Boca Dos Outros - Maggie Pollitt

Brick Pollitt:
What is the victory of a cat on a hot tin roof?


Maggie Pollitt:
Just staying on it, I guess, long as she can.

Fechemos Condignamente A Temporada Tonta, 1

Dei ontem por que a União de Leiria contratou Domingos Paciência, um treinador giro, tanto ou mais que o seu último treinador giro, José Mourinho.

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Aproximação A Lisboa

Transito. Tomo sentido na asa, na manobra de descida, no borralho ruivo e negro de cidade acesa.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Vou Ali Além

Quando saio e demoro um pouco mais não digo que vou demorar, digo que vou ali além, como os do pinhal. Teria uns quatro ou cinco anos, quando percebi que aquele falar também era de cá. As vogais circunflexas, as interjeições, os aforismos, ouvia-os a todos, mas apanhava-os em fiapos e aguardava tradução materna. Ouvi, quis bem, guardei. Agora adeus, vou ali além.

Soprano Talk

Paulie, esse mânfio capaz de provocar uma taquicardia a um comatoso, tem de refazer contas à vida de mais que uma maneira; contas de sangue, entre outras. Não sendo um sacana violento tão retorcido quanto o falecido Ralph Cifaretto - David Chase o tenha em descanso -, é um sacana violento à mesma (aquela cacetada final no Barone filho, a necessidade absoluta de o roubar e castigar, frustração e inveja em estado puro). T. deixou-se de delírios mas continua um bocado off; o pastor, o cientista e o rapper com nome de sabonete contribuem como podem para a construção de uma mundividência pós-quase-morte. Quer vida nova, mas o lixo do negócio é o mesmo. Carmela dá-lhe o aviso-cabeças. Ai Vito, Vito.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Lisboa, Campo Grande

Para a Isabel, no primeiro aniversário de Miss Pearls.

Ganhar um amigo não é fácil. Não é fácil quando se é pequeno ou se está a crescer, porque se é pequeno e se está a crescer, mas aí há tempo, e há coração aberto. Depois mudamos, muda o mundo. Há a família, os de sempre, os das escola, os do trabalho. Espaço para mais há pouco. Quando esse pouco por qualquer acaso se preenche, a despeito de preconceitos, primeiras impressões, desconfianças, há que sorrir. E brindar a cada oportunidade.

Food Porn

Contentinha com a recente descoberta da melhor bolacha de água e sal no mercado, vê chegar a hora do jantar. Cogita premiar-se por bom comportamento calórico com um vermute enregelado. Programada a salada da ordem, muda de roupa e faz a volta dos blogues. Dá com isto. Sem uma Pavesi no bucho. "pâté de farinheira". Ainda antes do jantar. "pâté de farinheira". Reflecte amargamente na sua condição de comilona em recuperação e sim, profere dois ou três palavrões. "pâté de farinheira". Aceita que não retornará com saúde à casa dos cinquenta quilogramas, e que sofrerá diariamente pela manutenção na dos sessenta. "pâté de farinheira".

domingo, 6 de agosto de 2006

O Calor Dá Nisto

Em português, escaldado tresanda a auto-aprendizagem. Em inglês, antes pelo contrário.

Night Mirror

"Li-Young, don't feel lonely
when you look up
into great night and find
yourself the far face peering
hugely out from between
a star and a star. All that space
the nighthawk plunges through,
homing, all that distance beyond embrace,
what is it but your own infinity.

And don't be afraid

when, eyes closed, you look inside you
and find night is both
the silence tolling after stars
and the final word
that founds all beginning, find night,

abyss and shuttle,

a finished cloth
frayed by the years, then gathered
in the songs and games
mothers teach their children.

Look again

and find yourself changed
and changing, now the bewildered honey
fallen into your own hands,
now the immaculate fruit born of hunger.
Now the unequaled perfume of your dying.
And time? Time is the salty wake
of your stunned entrance upon
no name."

Li-Young Lee, Book Of My Nights, 2001.

Coisas Que Só a Mim Apoquentam XXXII

Bolas, canholas, cacetes, croissants, vianas, brioches. Que é do papo-seco?

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Isto Sim, É Uma Questão Verdadeiramente Fracturante

Foi completamente ridículo mas continuou a doer, por isso acabei por sorrir para a radiografia. Afinal, o mundo divide-se entre os que partem costelas a tossir e os que não. Anotem, incréus: mais ridículo é sempre possível.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

O Sino Afastado

Havia cá moínhos. Os mais velhos ainda lhe chamam casal do vento, as mais novas ainda seguram as saias com ambas as mãos. Eu ainda adormeço com o rumor a sino afastado feito pela persiana de metal contra o friso de pedra.

A Boca Dos Outros - Hannah Jelkes

"Who wouldn't like to atone for the sins of themselves, and the world, if it could be done in a hammock with ropes, instead of on a Cross, with nails?"

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Agosto

Gosto dele muito a medo. Agosto nunca me trouxe paz. Enterrei dos meus, em dias destes, soube que amava pela primeira vez, também.Porque não pode ser como os outros, este mês?

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Soprano Talk

Strategy, Silvio, pois. Behind the scenes também eu. Cada um tem a sua falta de ar, não é? Toda a gente cobra: Paulie e Bacala cobram dinheiro, Vito cobra protagonismo, Chris cobra fama, Carmela cobra amor. Não sei o que é melhor, se o argumento do JT [aquele fatinho salmão do Little Carmine, senhores, um primor], se a dieta do seboso do Spatafore. A Drª. Melfi volta. Tony volta e abre os olhos. Carmela também abre os olhos - não voltará a abraçar a tropa toda por igual.

Adenda um bocado grande: Ms. Charles, isso do bear lembra logo o peluche à porta do elevador. Porque será que há sempre um a rondar, verdadeiro ou não, desde a primeira temporada? Eu que pensava que percebia de símbolos. Sara, parece que já chego tarde para a resposta, mas para conversa não, pois não? Bons como o mayham do Paulie - os Walnuts da alcunha lá sobreviveram - foram o janra por genre ou o subspecies por subgenre na boca do Litlle Carmine, essa jovem esperança da produção cinematográfica em salmão [ó inesquecível peça de alfaiataria]. O entaladíssmo JT teve uma fala incompreensível ao tentar cambalear de volta ao workshop, qualquer coisa como: "Uma sala cheia de argumentistas e ninguém faz nada?!" Cheira-me a private joke destinada à equipe da série.

Filia

Há uma voz, outra, outra e outra. Não há sempre o mesmo compasso, mas há uma mesma melodia e lealdade a ela.

Lisboa, Rotunda do Areeiro

Os mais velhos passeiam-se antes das nove da manhã, quando ainda podem caminhar sem medo nem a companhia dos que com eles se impacientam. Nas voltas do pão e da tabacaria são quase como quem eram.